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04 maio 2009

Koniek

Morreu Vasco Granja.
Mal compreendido pelas gerações anteriores à minha e praticamente desconhecido da geração mais jovem, Vasco Granja marcou a minha geração, aquela que cresceu e fez a sua escolaridade nos dez anos posteriores ao 25 de Abril de 1974. Foi mal compreendido pelas gerações anteriores à minha porque estavam habituadas aos desenhos animados americanos do Woody Woodpecker e do Daffy Duck (desenhos magistrais de técnica, humor e divertimento, que eu adorava) e não percebiam o interesse daqueles programas com desenhos de países estranhos em línguas estranhas, em que nunca caíam pianos em cima de coiotes. Numa época de forte politização, em que nada nem ninguém era apolítico, é compreensível que fosse baixa, para uma parte da população, a aceitação desses desenhos dos países da "cortina de ferro".
O objectivo de "Cinema de Animação", contudo, nunca foi apenas passar desenhos animados. Nunca pretendeu ser um programa de divertimento puro e simples. Chamava-se "Cinema de Animação" e era um programa sobre cinema de animação, enquanto género cinematográfico, enquanto arte e enquanto técnica.
Não era um programa para crianças ou apenas para crianças, embora pudesse ser e fosse visto maioritariamente por crianças. Era educativo. Foi Vasco Granja que me deu a conhecer a animação com sombras chinesas, com bonecos de plasticina, com bonecos recortados e com outras técnicas cujos nomes desconheço, muitos deles vindos de países de leste, é certo, mas também do Canadá, da República Federal da Alemanha, da Suécia ou da Austrália e mesmo dos Estados Unidos.
Vasco Granja divulgou géneros e cineastas que, de outra forma, nunca chegariam à televisão e que nunca passariam - nem passam hoje! - dos cineclubes e dos festivais. Apresentava desenhos de carácter artístico, desenhos didáticos e também lúdicos. Mostrou-nos línguas estranhas como o polaco e o romeno e, para mim, que lia fluentemente desde os cinco anos, foi uma novidade deliciosa ler as fichas técnicas em romeno e perceber que, afinal, até conseguia ler e perceber muitas palavras dessa língua distante.
Li que os seus programas duraram na RTP desde 1974 até 1990. No final dos anos oitenta já não os via, até pensei que tivessem acabado mais cedo. Não sei qual o seu impacto na geração a seguir à minha mas sei que a minha geração não esquecerá nunca Vasco Granja nem o Lápis Mágico.
Koniek.