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25 setembro 2013

Os últimos anos têm-me ensinado muito sobre o meu país e sobre o povo a que pertenço. Vou compreendendo como é que aguentámos 48 anos de ditadura. Este povo tem muitas qualidades mas falta-lhe uma, essencial à Democracia, à Liberdade e à Justiça: o amor à Democracia, à Liberdade e à Justiça.

15 maio 2013

"Geração grisalha não pode asfixiar geração nova" (Silva Lopes)


A Geração Grisalha, para sua informação, Senhor Dr. Silva Lopes, ex-Ministro das Finanças, começou a trabalhar aos 10, aos 12, aos 16 anos para que a Geração Nova pudesse estudar e tornar-se na tão propalada "geração mais qualificada de sempre".
A Geração Grisalha promoveu e PAGOU a escolaridade obrigatória e gratuita para toda a gente! Pagou cada tostão! Até os que não tiveram filhos pagaram o ensino dos filhos dos outros.
A Geração Grisalha proporcionou à Geração Nova aquela educação que ela própria nunca teve. Pagou com suor e medo a liberdade, a democracia, a segurança e a educação com que eu cresci de tal forma acomodada que nem sei o que é viver sem isso. Pagou com mãos calejadas, com peles tisnadas, com "houverãos" e "entreteus" porque não tiveram tempo para ler, nem para estudar, nem para procurar um emprego melhor enquanto perdiam o sono e os sonhos - que também tiveram um dia, pasme-se! - no barco e na camioneta da carreira.
Claro que o senhor pertence ao grupo privilegiado dos que puderam estudar, dos que fizeram o exame da 4ª classe e seguiram direitinhos para o Liceu, esse lugar aonde, no seu tempo, só alguns podiam ambicionar chegar. E isso não tem mal nenhum. O que tem mal é vir agora acusar de parasitas a maioria das pessoas da sua geração, essa maioria à qual o senhor não pertence.
Vivem hoje à custa dos jovens? Até não vivem mas... e se vivessem?!? Qual era o problema?!? Já fizeram a parte deles e merecem isso e muito mais. E se o senhor não se sente merecedor dessa dívida de gratidão lá terá as suas razões. Eu tenho uma dívida imensa de gratidão para essa geração, uma dívida que nunca lhes poderei pagar: não lhes devo a minha vida, devo-lhes a DELES! Essa nunca poderei pagar. Mas posso tentar!

27 novembro 2012

O Príncipe e o pobre

A propósito do Orçamento de Estado para 2013 e deste castigo que nos está a ser imposto por um crime que não cometemos (frase que li hoje no facebook) lembrei-me de um filme (ou seria uma série?) que deram na televisão pelos anos 70, era eu bastante pequena. Não me lembro da história, embora tenha a vaga ideia de se tratar de «O príncipe e o pobre» de Mark Twain. Lembro-me de que havia um jovem príncipe que tinha um tutor que lhe dava as lições. Como todos os rapazes, o príncipe nem sempre estudava as lições e nem sempre dava as respostas certas. Como todos os rapazes, o príncipe fazia tropelias e portava-se mal. Mas, ao contrário dos outros rapazes, o príncipe não podia ser castigado pelo tutor. O príncipe tinha, então, um pequeno criado da idade dele cuja única função era receber os castigos no seu lugar. O príncipe respondia mal, o rapaz levava uma bofetada, o príncipe portava-se mal, o rapaz ficava de castigo.
Assim somos nós, os criados dos príncipes ou, no caso, dos políticos e dos banqueiros. Eles roubaram, delapidaram e esbanjaram. Mas não podem ser castigados. Cá estamos nós para receber o castigo.

11 novembro 2012

Não é bem vinda, senhora Merkel.


Cara Chanceler Merkel: CARTA ABERTA A ANGELA MERKEL

Cara Chanceler Merkel: CARTA ABERTA A ANGELA MERKEL
Cara chanceler Merkel,

Antes de mais, gostaríamos de referir que nos dirigimos a si apenas como chanceler da Alemanha. Não votámos em si e não reconhecemos que haja uma chanceler da Europa. Nesse sentido, nós, subscritores e subscritoras desta carta aberta, vimos por este meio escrever-lhe na qualidade de cidadãos e cidadãs. Cidadãos e cidadãs de um país que pretende visitar no próximo dia 12 de Novembro, assim como cidadãos e cidadãs solidários com a situação de todos os países atacados pela austeridade. Pelo carácter da visita anunciada e perante a grave situação económica e social vivida em Portugal, afirmamos que não é bem-vinda. A senhora chanceler deve ser considerada persona non grata em território português porque vem, claramente, interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada por quem aqui vive.



Mesmo assim, como o nosso governo há algum tempo deixou de obedecer às leis deste país e à Constituição da República, dirigimos esta carta directamente a si. A presença de vários grandes empresários na sua comitiva é um ultraje. Sob o disfarce de "investimento estrangeiro", a senhora chanceler trará consigo uma série de pessoas que vêm observar as ruínas em que a sua política deixou a economia portuguesa, além da grega, da irlandesa, da italiana e da espanhola. A sua comitiva junta não só quem coagiu o Estado Português, com a conivência do governo, a privatizar o seu património e bens mais preciosos, como potenciais beneficiários desse património e de bens públicos, comprando-os hoje a preço de saldo.



Esta interpelação não pode nem deve ser vista como uma qualquer reivindicação nacionalista ou chauvinista – é uma interpelação que se dirige especificamente a si, enquanto promotora máxima da doutrina neoliberal que está a arruinar a Europa. Tão pouco interpelamos o povo alemão, que tem toda a legitimidade democrática para eleger quem quiser para os seus cargos representativos. No entanto, neste país onde vivemos, o seu nome nunca esteve em nenhuma urna. Não a elegemos. Como tal, não lhe reconhecemos o direito de nos representar e menos ainda de tomar decisões políticas em nosso nome.



E não estamos sozinhos. No próximo dia 14 de Novembro, dois dias depois da sua anunciada visita, erguer-nos-emos com outros povos irmãos numa greve geral que inclui muitos países europeus. Será uma greve contra governos que traíram e traem a confiança depositada neles pelas cidadãs e cidadãos, uma greve contra a austeridade conduzida por eles. Mas não se iluda, senhora chanceler. Também será uma greve contra a austeridade imposta pela troika e por todos aqueles que a pretendem transformar em regime autoritário. Será, portanto, uma greve também contra si. E se saudamos os nossos povos irmãos da Grécia, de Espanha, de Itália, do Chipre e de Malta, saudamos também o povo alemão que sofre connosco. Sabemos bem que o Wirtschaftswunder, o “milagre económico” alemão, foi construído com base em perdões sucessivos da dívida alemã por parte dos seus principais credores. Sabemos que a suposta pujança económica alemã actual é construída à custa de uma brutal repressão salarial que dura há mais de dez anos e da criação massiva de trabalho precário, temporário e mal-remunerado, que aflige boa parte do povo alemão. Isto mostra também qual é a perspectiva que a senhora Merkel tem para a Alemanha.



É plausível que não nos responda. E é provável que o governo português, subserviente, fraco e débil, a receba entre flores e aplausos. Mas a verdade, senhora chanceler, é que a maioria da população portuguesa desaprova cabalmente a forma como este governo, sustentado pela troika e por si, está a destruir o país. Mesmo que escolha um percurso secreto e um aeroporto privado, para não enfrentar manifestações e protestos contra a sua visita, saiba que essas manifestações e protestos ocorrerão em todo o país. E serão protestos contra si e aquilo que representa. A sua comitiva poderá tentar ignorar-nos. A Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu podem tentar ignorar-nos. Mas somos cada vez mais, senhora Merkel. Aqui e em todos os países. As nossas manifestações e protestos terão cada vez mais força. Cada vez conhecemos melhor a realidade. As histórias que nos contavam nunca bateram certo e agora sabemos serem mentiras descaradas.

Acordámos, senhora Merkel. Seja mal-vinda a Portugal.

30 outubro 2012

A crise nas nossas vidas

A pensar como a crise pode aproximar mas também pode afastar as pessoas. É algo que sempre me assustou. Todos sabemos de famílias que eram unidas e que se separaram por causa de partilhas e de amigos muito próximos que se afastaram por causa da política. Como sempre fui particularmente sensível a essas questões, em pequena a cena da zanga entre o Ben-Hur e o Messala impressionava-me muito. Se eles eram amigos desde miúdos, como podiam zangar-se assim, por causa da política? Como é que uma tão grande amizade podia transformar-se em ódio mortal? Isso poderia acontecer comigo? Com a minha família? Com os meus amigos entre eles?

Nestes tempos difíceis temos de estar muito atentos aos sinais da discórdia. Uma palavra errada, uma observação menos sensível, uma piada de mau gosto pode ser o suficiente para desencadear uma discussão de limites mal definidos. E depois, nada a fazer. As palavras são como as pedras, uma vez atiradas, não voltam. Quanto aos actos, costuma dizer-se que ficam com quem os pratica mas as suas consequências podem estender-se muito para além, no espaço e no tempo.
Quando não está em causa a sobrevivência, é fácil lidar com o amigo que teve a sorte de nascer rico ou que arranjou um emprego melhor que o nosso. Ficamos até contentes por ele e pensamos que amanhã pode ser a nossa vez. Também é fácil manter amizade com o amigo que tem ideias políticas opostas às nossas mesmo que o partido dele esteja no governo. Discutem-se ideias com serenidade e acaba-se o serão com umas larachas. Mas quando o amigo conseguiu o emprego de que nós precisamos desesperadamente, quando ele defende políticas às quais (com ou sem razão, não importa) atribuímos os nossos problemas, torna-se muito difícil manter o distanciamento. Passada a crise (porque todas as crises passam) podemos ter perdido muito mais do que bens materiais.

Há que não perder a noção das prioridades e agora, mais do que nunca, a família e os amigos são o mais importante que temos.

08 abril 2011

A bancarrota

«- Então, Cohen, diga-nos você, conte-nos cá... O emprestimo faz-se ou não se faz? E acirrou a curiosidade, dizendo para os lados, que aquella questão do emprestimo era grave. Uma operação tremenda, um verdadeiro episodio historico!... O Cohen collocou uma pitada de sal á beira do prato, e respondeu, com auctoridade, que o emprestimo tinha de se realisar absolutamente. Os emprestimos em Portugal constituiam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensavel, tão sabida como o imposto. A unica occupação mesmo dos ministerios era esta - cobrar o imposto e fazer o emprestimo. E assim se havia de continuar... Carlos não entendia de finanças: mas parecia-lhe que, d'esse modo, o paiz ia alegremente e lindamente para a banca-rota. - N'um galopesinho muito seguro e muito a direito, disse o Cohen, sorrindo. Ah, sobre isso, ninguem tem illusões, meu caro senhor. Nem os proprios ministros da fazenda!... A banca-rota é inevitavel: é como quem faz uma somma... Ega mostrou-se impressionado. Olha que brincadeira, hein! E todos escutavam o Cohen. Ega, depois de lhe encher o calice de novo, fincara os cotovellos na meza para lhe beber melhor as palavras. - A banca-rota é tão certa, as cousas estão tão dispostas para ella - continuava o Cohen - que seria mesmo facil a qualquer, em dois ou tres annos, fazer fallir o paiz... Ega gritou soffregamente pela receita. Simplesmente isto: manter uma agitação revolucionaria constante; nas vesperas de se lançarem os emprestimos haver duzentos maganões decididos que cahissem á pancada na municipal e quebrassem os candieiros com vivas á Republica; telegraphar isto em letras bem gordas para os jornaes de Paris, Londres e do Rio de Janeiro; assustar os mercados, assustar o brazileiro, e a banca-rota estalava. Sómente, como elle disse, isto não convinha a ninguem. Então Ega protestou com vehemencia. Como não convinha a ninguem? Ora essa! Era justamente o que convinha a todos! Á banca-rota seguia-se uma revolução, evidentemente. Um paiz que vive da inscripção, em não lh'a pagando, agarra no cacete; e procedendo por principio, ou procedendo apenas por vingança - o primeiro cuidado que tem é varrer a monarchia que lhe representa o calote, e com ella o crasso pessoal do constitucionalismo. E passada a crise, Portugal livre da velha divida, da velha gente, d'essa collecção grotesca de bestas... A voz do Ega sibillava... Mas, vendo assim tratados de grotescos, de bestas, os homens d'ordem que fazem prosperar os Bancos, Cohen pousou a mão no braço do seu amigo e chamou-o ao bom-senso. Evidentemente, elle era o primeiro a dizel-o, em toda essa gente que figurava desde 46 havia mediocres e patetas, - mas tambem homens de grande valor! - Ha talento, ha saber, dizia elle com um tom de experiencia. Você deve reconhecel-o, Ega... Você é muito exagerado! Não senhor, ha talento, ha saber. E, lembrando-se que algumas d'essas bestas eram amigos do Cohen, Ega reconheceu-lhes talento e saber.»


(Queirós, Eça de - Os Maias)

07 abril 2011

Xeque-mate!

Problema: jogam as negras e dão xeque-mate quando lhes dá na gana. (Quino)

17 março 2011

O retrato oculto da civilização

É horrível o que está a acontecer no Japão! Estamos a assistir, nos últimos dois anos, ao desmoronamento de todas as teorias falaciosas baseadas no primado da ganância e do desenvolvimento insustentável que dominam o mundo "civilizado" há décadas. Mas estão a acontecer coisas imprevisíveis? Não. Também há décadas que se têm levantados vozes contra estas políticas insuportáveis que reduzem o ser humano à condição de uma peça de engrenagem. E têm sido repetidamente ridicularizadas pelos que mandam nos que mandam em nós. A porta secreta escancarou-se e o horrível retrato escondido está à vista de todos. A beleza aparente desta "civilização" desmascara-se.


(Do filme "The picture of Dorian Gray", 1945)