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12 dezembro 2012

Fausto - A memória dos dias

A banda sonora da minha vida passa por Fausto. O Despertar dos Alquimistas, Por Este Rio Acima, Para Além das Cordilheiras

Já não ouvia esta música – A Memória dos Dias – há quase vinte anos. O vinil, lá em casa, deixou de girar no prato. Nunca comprei o CD. Quando o ouvi, há minutos (posto por uma amiga no Facebook) todos os detalhes estavam na memória, como se o tivesse ouvido ontem.

A memória dos dias é, para mim, a memória de um amor antigo que também gostava de Fausto e conquistou o meu coração com uma cassete de Por este Rio Acima com os nomes das canções escritos em letra miudinha e que ainda tenho em casa mas não sei onde.

E isto dos amores antigos são como os frascos de perfume vazios: guardam-se bem fechados, no escuro do armário, e cheiram-se muito tempo depois.

Graças a Deus não perdi a memória nem a ternura.



Correste a dizer que o dia vinha às portas da saudade
E cobriste de mil flores as varandas da cidade

Ao cantar enrouqueceste mil canções feitas à toa
Dançaste todas as ruas embriagadas de Lisboa

Leste os clássicos do tempo como toda a novidade
E a sonhar adormeceste no prazer da liberdade
Inventando mil amigos
Esquecendo velhos perigos

Acordaste em sobressalto do teu sonho meio ferido
Dos confins do pesadelo, no limite dos sentidos

Soçobrado na ideia mais ou menos dolorosa
Que te negavam medonhos o teu plano cor-de-rosa

E na fúria dos enganados, na febre dos desvalidos
Na razão dos maltratados entre abraços desabridos
No delírio prematuro
Ainda foste forte e duro

Roda a espiral da história entre as garras da agonia
Diz adeus, oh, meu amor, que eu hei-de voltar um dia

E deixo-te uma palavrinha para te lembrares de mim
Perfumada pelo cravo, amanhã pelo alecrim
Deixo-te uma palavrinha
Para te lembrares de mim...

19 abril 2011

Porque me olhas assim?

Desde 2007 que não publico aqui "a banda sonora da minha vida". Lembrei-me hoje desta canção do Fausto, do CD "Para além das cordilheiras" (1987), que ouvi e ouvi e ouvi, vezes sem conta, durante os anos de 1990 e 1991. O CD todo e esta faixa em particular.
Lembrei-me e procurei pela net o video (quando me lembro de uma música de que gosto tenho destas urgências) mas, infelizmente, só encontrei a versão da Cristina Branco (que nem tentei ouvir por receio de me quebrar o encantamento).

Falta a música mas fica o poema, que vale por si só.

"Diz-me agora o teu nome
Se já dissemos que sim
Pelo olhar que demora
Porque me olhas assim?
Porque me rondas assim?

Toda a luz da avenida
Se desdobra em paixão
Magias de druida
P’lo teu toque de mão.
Soam ventos amenos
P’los mares morenos
Do meu coração.

Espelhando as vitrinas
Da cidade sem fim
Tu surgiste divina
Porque me abeiras assim?
Porque me tocas assim?
E trocámos pendentes
Velhas palavras tontas
Com sotaque diferentes
Nossa prosa está pronta.
Dobrando esquinas e gretas
P’lo caminho das letras
Que tudo o resto não conta.

E lá fomos audazes
Por passeios tardios
Vadiando o asfalto
Cruzando outras pontes
De mares que são rios.
E num bar fora de horas
Se eu chorar perdoa
Ó, meu bem, é que eu canto
Por dentro sonhando
Que estou em Lisboa.

Dizes-me então que sou teu
Que tu és toda p’ra mim
Que me pões no apogeu
Porque me abraças assim?
Porque me beijas assim?
Por esta noite adiante
Se tu me pedes enfim
Num céu de anúncios brilhantes
Vamos casar em Berlim.
À luz vã dos faróis
São de seda os lençóis
Porque me amas assim."