Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.
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05 fevereiro 2016

A propósito das reacções à tolerância de ponto no Carnaval

Às vezes gostava de ter o poder mágico de, por um dia (bastava um dia) acabar com toda a administração pública, todos os serviços públicos, toda a função pública. Tudo o que é Estado ou que depende directa ou indirectamente da Administração Central, Regional e Local, tudo o que é pago pelo chorado dinheiro dos contribuintes. Não só repartições públicas, escolas, museus e bibliotecas, mas também hospitais, higiene urbana, transportes, obras, cemitérios, polícia, forças armadas, manutenção de esgotos, abastecimento de água, emergência médica, bombeiros, serviços de meteorologia, parar tudo, tudo, tudo. Sem serviços mínimos, acontecesse o que acontecesse. Como se o Estado, por um dia, deixasse pura e simplesmente de existir.
Bastava um dia.

18 março 2010

Tarde de mais.

Pedidos de saída da Função Pública duplicaram em Janeiro e Fevereiro - Economia - PUBLICO.PT

Saem dois, entra um. Saem três, entra um. Até onde é que isto vai?
Anos de redução de funcionários públicos. Anos em que, quem sai, não é substituído. Anos sem entrar ninguém. Anos em que, quem está, não tem a quem passar a informação. Perdas irreparáveis no "saber fazer" que levou gerações a construir. Ninguém vê isto, ninguém percebe isto. Um dia vão perceber, quando for demasiado tarde para corrigir o mal feito. Deixar que o conhecimento se perca por incuria equivale a derrubar uma floresta de sobreiros. De nada serve plantar outros logo a seguir pois os sobreiros levam 80 anos a crescer...
Quando falo de conhecimento refiro-me àquele conhecimento que, sendo técnico, não se aprende em curso nenhum mas apenas ao longo da vida, em contacto com o trabalho do dia-a-dia. É um conhecimento que não pode ser explicitado, mesmo que se queira. Nem tudo se pode reduzir a regras. Muito deste conhecimento tem a ver com intuição, uma intuição desenvolvida e apurada pela experiência. Não há como escrever isso.
Isso acontece nas bibliotecas mas também nos museus, nos centros de investigação, nos hospitais. É um conhecimento que pode ser parcialmente transmitido quando há continuidade geracional, quando as pessoas que estão perto da reforma já tiveram a oportunidade de transmitir o que sabem aos que estão agora a meio da carreira, ao longo de 10, 20, 30 anos de trabalho em conjunto e que estes, por sua vez, transmitem aos que vão chegando e que têm menos 10, 20 ou 30 anos. Se a diferença entre uma geração de trabalhadores e a seguinte for superior a 10 anos, não há tempo de transmitir esse conhecimento porque as diferentes gerações não coexistem durante tempo suficiente. E isto é irremediável.
Confesso: estou muito, muito pessimista.

20 abril 2009

Ah, se o ridículo matasse!...

«Conselho da Corrupção vai criar regras para quem trabalha em organismos públicos. As prendas vão ter limite e os funcionários do Estado vão circular entre serviços.»
(Continuar a ler: Público)

Será que podemos receber uma caixa de chocolates gentilmente oferecida por um leitor depois de ter sido bem atendido? Hum... uma ainda vá, até 200g. Mais que isso não. E toca a rodar daqui pra fora que isso de conhecer o leitor pelo nome, saber o que anda a pesquisar, ficar com o endereço electrónico dele para o avisar se descobrirmos algum documento que lhe pode interessar, isso são «relações de proximidade com o meio envolvente» inadmissíveis e intoleráveis. O "utente" tem de ser atendido de forma impessoal, de preferência sem ser olhado nos olhos, de preferência, ainda, de trombas, para se sentir o pior possível e não querer voltar.
Aí, sim, temos um serviço público isento, neutro, impessoal, igualitário, enfim, de qualidade!