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16 novembro 2006

Grão a grão

Há muitos anos (muitos mesmo) li um ditado índio que nunca mais esqueci. Não me lembro das palavras exactas mas era qualquer coisa como isto: «A consciência é uma coisa com três cantos dentro do meu coração. Se eu ajo mal, ela move-se e os cantos magoam; se continuo a agir mal, os cantos gastam-se e deixam de doer.»

Vem esta memória a propósito de uma notícia que li num post do blogue "(Des)conversas em família", o qual me levou a um post do blogue "Conversas vadias". Depois conferi a informação numa notícia do ABC News e noutra do DN.

Referem-se todas estas fontes a uma decisão de um tribunal holandês que declarou a legitimidade de formação de um partido que pretende baixar a maioridade sexual para 12 anos, permitir que crianças desta idade possam actuar em filmes de carácter sexual e legalizar a detenção de material pornográfico em que essas crianças estejam envolvidas. Trata-se do PNVD, abreviatura neerlandesa para Amor Fraterno, Liberdade e Diversidade. Pretende também o PNVD que a televisão possa exibir pornografia a qualquer hora e que os jovens de 16 anos já possam exercer a prostituição. Baseiam-se estes "senhores" do PNVD numa lei holandesa que já considera as crianças com mais de 12 anos capazes de consentimento na questão da eutanásia.

Pois. É que, em 2002, a lei que despenalizava (esta palavrinha...) a eutanásia a doentes terminais foi estendida às crianças maiores de 12 anos, por se entender que, tal como os adultos, seriam capazes de produzir um consentimento informado.

Falta esclarecer que, na Holanda, desde 2000 que a eutanásia de adultos é permitida, desde que sejam capazes de decidir voluntariamente e de o solicitar por escrito.

Agora, no mesmo país (paraíso da liberdade individual) onde existe um partido pedófilo, cujo programa defende ainda que a nudez seja livre e que a instituição do casamento seja abolida, o Parlamento está a discutir o alargamento da despenalização da eutanásia a doentes que não sejam capazes de exprimir consentimento, como os doentes mentais e as crianças recém-nascidas.

Escusado será dizer que, na Holanda, o aborto a pedido é permitido até às 24 semanas (seis meses!) já há muitos anos. Mesmo que o pedido tenha apenas a ver com o sexo da criança ou com outro capricho qualquer.

Pois é. Por enquanto, 80% dos holandeses ainda considera que este partido deveria ser ilegal. Mas, pela teoria da evolução, os que nascerem a seguir (se os deixarem) já vêm sem cantos.