Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.
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08 novembro 2010

O rigor da informação nos media portugueses

Vem este meu post a propósito da notícia que ouvi hoje, de manhã, na TSF, sobre o (aí anunciado) encerramento da Biblioteca Nacional.
aqui escrevi sobre o encerramento parcial e temporário da Biblioteca Nacional pelo que não vou alongar-me com esclarecimentos redundantes.
O que me traz de novo ao tema é o grande destaque dado hoje nos noticiários da TSF ao (suposto) encerramento total da Biblioteca Nacional. A falta de rigor com que foi dada a notícia sobre a Biblioteca Nacional - mascarada de grande rigor, acompanhada até de uma entrevista à sub-directora da instituição - é inadmissível numa rádio que se pretende de referência na informação em Portugal. Continuo a interrogar-me se é estupidez ou má fé o que leva pessoas responsáveis (desde a Doutora Maria Filomena Mónica aos jornalistas da TSF, passando pelo deputado e professor universitário Rui Tavares e tantos distintos signatários da famosa Petição) a insistir em ignorar toda a informação e todas as explicações técnicas que têm sido repetidamente fornecidas a quem quiser estar informado. Devo dizer que não tenho na conta de estúpida nenhuma das pessoas que nomeei...
E eu pergunto-me, como é que posso confiar em outras notícias sobre as quais não tenho informações de outras fontes? Como posso formar opinião esclarecida sobre qualquer tema em relação ao qual não tenha informação directa? Quantas vezes terei até formado juízos errados sobre qualquer tema apenas porque a informação que me foi disponibilizada pelos meios de comunicação social é truncada, distorcida ou mesmo falsa?
Pelas costas dos outros vemos as nossas, diz o povo. E pela forma como a comunicação social trata um assunto que eu conheço bem posso imaginar como trata os que conheço mal. E ficar de pé atrás.

25 junho 2009

Flauta com 35 000 anos

De manhã, enquanto me preparava para saír de casa, ouvi uma crónica na TSF em que se referia a descoberta arqueológica de uma flauta em osso de grifo com trinta e cinco mil anos. No fim da crónica, colocava-se no ar o som de uma suposta "réplica" dessa flauta. Bastam rudimentos de história da música para perceber que uma flauta com 35000 anos nunca poderia produzir aquela melodia. Nem com 5000 anos. Provavelmente, nem com 1000 anos.
Antes mesmo de eu fazer uma pesquisa na Internet, uma colega bem intencionada enviou-me a ligação para o sítio do Público onde está a notícia e a ligação para essa gravação.

O mau jornalismo impera, já sabemos. A ignorância musical campeia, também já sabemos. O problema não está tanto na notícia, a qual resume o artigo apresentado na revista Nature de ontem.
O problema está na "informação" complementar: além do Público não apresentar em "outros recursos" a ligação para o artigo original, o que deveria fazer, remete, nessa secção, para a tal gravação de uma musiquinha tocada numa pseudo-réplica da dita flauta.

Só falta saber: estaria a flauta com 35 000 anos afinada em Lá 440?...

28 novembro 2006

A credibilidade da informação

«Não acredites em alguma coisa simplesmente porque a escutaste. Não acredites em tradições simplesmente porque provêm desde há muitas gerações. Não acredites em algo só porque é falado ou é motivo de rumor por muitos. Não acredites em algo simplesmente porque vem escrito nos teus livros religiosos. Não acredites em algo simplesmente porque é dito pelas tuas professoras ou anciãos. Mas, após observação e análise quando encontrares que algo vai de acordo com a razão e é conduzível à felicidade e benefício de uma só pessoa e de todas, então aceita e vive-o.»

Quem disse isto? Seria um bibliotecário? Seria um jornalista? Seria um cientista? Talvez Galileu? Newton? Einstein? Ou talvez Melvin Dewey?
Não. Foi Kalama Sutta, o Buda Shakyamuni (frase extraída do site da União Budista)

23 outubro 2006

A informação vista pelos bibliotecários

Como eu disse no meu primeiro post, «este é um site de uma bibliotecária mas não necessariamente um site sobre bibliotecas».
Por essa razão - e imitando a biblioteca do Jacinto - procuro abordar aqui todas as temáticas que eu considero actuais ou importantes - ou apenas interessantes - mas sempre com alguma neutralidade de opinião. Nós, bibliotecários, somos treinados a abordar todos os temas com distanciamento profissional. A mim, em particular, enquanto bibliotecária, interessa-me muito mais abordar os temas sob todas as suas facetas, tentar perceber se os problemas estão bem colocados e se a informação disponível é tratada com imparcialidade. Aquilo que nos separa dos jornalistas é muito mais o carácter "oportunista" da notícia do que a forma como tratamos - ou devemos tratar - a informação. Para nós, uma informação que interesse a cem pessoas é tão importante como a que interessa apenas a uma. E temos a plena consciência de que uma informação que interessa a poucas pessoas hoje pode vir a interessar a muitas amanhã. Para nós não há «a ordem do dia». Por essa razão nós não lidamos com o conceito de "importância" mas sim com os conceitos de "relevância", "pertinência" e "exaustividade".