Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.
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27 junho 2019

A Instrucção

Aurora das almas, risonha alvorada
De luz bemfazeja divina instrucção!
Bemvinda tu sejas, ó chama sagrada
Bemdita mil vezes teu dôce clarão!

As trevas tu rasgas do espirito inculto
E as sombras convertes em próvida luz;
Saudar-te é um jubilo, amar-te é um culto,
Teu brilho é o facho que ao bem nos conduz.

Horror à ignorancia que os vicios fomenta,
Que as almas arroja ao crime fatal!
Entrar cumpre á mulher na guerra incruenta,
Da luz contra as trevas, do bem contra o mal.

Que todos se acerquem da luz que consola
Que todos se aqueçam ao fogo que apraz.
Franqueiem-se a todos as portas da escola,
Recinto d'esp'rança, santuario de paz!

Ó germen fecundo de paz e doçura
Que fructos de bençam tu sabes gerar!
Tu dás alegria, descanço e ventura
E és mãe das virtudes que adornam o lar.

O estudo é allivio nas mágoas da vida
E é socio jocundo na quadra feliz;
Com elle o obreiro não cança ha lida,
Não teme as fadigas e a sorte bemdiz. 

(Poema anónimo musicado por José Vianna da Motta em 1879, aos 11 anos de idade)

12 julho 2016

Grupo Vocal Arsis - Concerto na Igreja do Menino Deus


Igreja do Menino Deus (Lisboa). 10 de Julho de 2016

Primeira parte: polifonia sacra portuguesa, de Estêvão Lopes Morago e Duarte Lobo, pelo Grupo Vocal Arsis.
Segunda parte (25'30"): Cantus Missae, missa em Mi bemol para dois coros, de Josef Rheinberger pelo Grupo Vocal Arsis com In the Chorus.

14 fevereiro 2013

Sérgio Godinho - O primeiro dia


E pronto, agora deu-me para aqui. Excelente versão ao vivo. Excelente solo de piano. Excelente.

Sérgio Godinho - Espalhem a Notícia


Tive um namorado que andava sempre de viola às costas. Esta foi uma das primeiras canções que ele me cantou...



Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre da que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita

12 dezembro 2012

Fausto - A memória dos dias

A banda sonora da minha vida passa por Fausto. O Despertar dos Alquimistas, Por Este Rio Acima, Para Além das Cordilheiras

Já não ouvia esta música – A Memória dos Dias – há quase vinte anos. O vinil, lá em casa, deixou de girar no prato. Nunca comprei o CD. Quando o ouvi, há minutos (posto por uma amiga no Facebook) todos os detalhes estavam na memória, como se o tivesse ouvido ontem.

A memória dos dias é, para mim, a memória de um amor antigo que também gostava de Fausto e conquistou o meu coração com uma cassete de Por este Rio Acima com os nomes das canções escritos em letra miudinha e que ainda tenho em casa mas não sei onde.

E isto dos amores antigos são como os frascos de perfume vazios: guardam-se bem fechados, no escuro do armário, e cheiram-se muito tempo depois.

Graças a Deus não perdi a memória nem a ternura.



Correste a dizer que o dia vinha às portas da saudade
E cobriste de mil flores as varandas da cidade

Ao cantar enrouqueceste mil canções feitas à toa
Dançaste todas as ruas embriagadas de Lisboa

Leste os clássicos do tempo como toda a novidade
E a sonhar adormeceste no prazer da liberdade
Inventando mil amigos
Esquecendo velhos perigos

Acordaste em sobressalto do teu sonho meio ferido
Dos confins do pesadelo, no limite dos sentidos

Soçobrado na ideia mais ou menos dolorosa
Que te negavam medonhos o teu plano cor-de-rosa

E na fúria dos enganados, na febre dos desvalidos
Na razão dos maltratados entre abraços desabridos
No delírio prematuro
Ainda foste forte e duro

Roda a espiral da história entre as garras da agonia
Diz adeus, oh, meu amor, que eu hei-de voltar um dia

E deixo-te uma palavrinha para te lembrares de mim
Perfumada pelo cravo, amanhã pelo alecrim
Deixo-te uma palavrinha
Para te lembrares de mim...

28 maio 2011

MADREDEUS - Haja o Que Houver



Haja o que houver eu estou aqui
Haja o que houver espero por ti
Volta no vento, ó meu amor!
Volta depressa por favor.

Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor!

Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver espero por ti

19 abril 2011

Porque me olhas assim?

Desde 2007 que não publico aqui "a banda sonora da minha vida". Lembrei-me hoje desta canção do Fausto, do CD "Para além das cordilheiras" (1987), que ouvi e ouvi e ouvi, vezes sem conta, durante os anos de 1990 e 1991. O CD todo e esta faixa em particular.
Lembrei-me e procurei pela net o video (quando me lembro de uma música de que gosto tenho destas urgências) mas, infelizmente, só encontrei a versão da Cristina Branco (que nem tentei ouvir por receio de me quebrar o encantamento).

Falta a música mas fica o poema, que vale por si só.

"Diz-me agora o teu nome
Se já dissemos que sim
Pelo olhar que demora
Porque me olhas assim?
Porque me rondas assim?

Toda a luz da avenida
Se desdobra em paixão
Magias de druida
P’lo teu toque de mão.
Soam ventos amenos
P’los mares morenos
Do meu coração.

Espelhando as vitrinas
Da cidade sem fim
Tu surgiste divina
Porque me abeiras assim?
Porque me tocas assim?
E trocámos pendentes
Velhas palavras tontas
Com sotaque diferentes
Nossa prosa está pronta.
Dobrando esquinas e gretas
P’lo caminho das letras
Que tudo o resto não conta.

E lá fomos audazes
Por passeios tardios
Vadiando o asfalto
Cruzando outras pontes
De mares que são rios.
E num bar fora de horas
Se eu chorar perdoa
Ó, meu bem, é que eu canto
Por dentro sonhando
Que estou em Lisboa.

Dizes-me então que sou teu
Que tu és toda p’ra mim
Que me pões no apogeu
Porque me abraças assim?
Porque me beijas assim?
Por esta noite adiante
Se tu me pedes enfim
Num céu de anúncios brilhantes
Vamos casar em Berlim.
À luz vã dos faróis
São de seda os lençóis
Porque me amas assim."


22 janeiro 2010

Enciclopédia da música em Portugal no século XX


Já tem lugar nas estantes da biblioteca de Jacinto o primeiro volume da «Enciclopédia da música em Portugal no século XX», lançada ontem em cerimónia que decorreu no Teatro de São Carlos.
Da frisa onde me sentei pude observar toda a música portuguesa, desde a pop à erudita música contemporânea, passando por aqueles que queimam as respectivas pestanas a estudar a música e os músicos em Portugal. Todos reunidos, os estudiosos e os objectos de estudo: a fauna, o David Attenborough e a Jane Goodall.





Foi uma bela cerimónia, o Professor Nery teve uma magnífica intevenção e a Senhora Ministra da Cultura também esteve muito bem exactamente porque... não falou como falam os ministros da cultura mas sim como cidadã e como música que se sentia peixe na água (estou muito virada para estas comparações biológicas...).
As intervenções musicais também foram muito boas, com a minha especial preferência (claro) para o Carlos do Carmo que cantou Ary dos Santos como só ele consegue.

Saí de lá com aquela pontinha de orgulho que se costuma sentir quando aqueles de quem gostamos fazem boa figura. E se aquela sala estava cheia de pessoas e de coisas de quem eu gosto!

28 junho 2007

Sol de Inverno (1965)

Nada de confusões! Aqui eu nem era nascida. Mas esta é, para mim, uma das melhores canções de sempre do Festival RTP da canção. Eu nem gosto muito do estilo da Simone de Oliveira mas a música, essa, é mesmo muito bonita. E, numa época em que as músicas não passavam de moda de 3 em 3 meses, ouvi-a repetidamente na rádio, durante os primeiros anos da minha infância. Mais uma que faz a banda sonora da minha vida.

Sonhos que sonhei, onde estão?
Horas que vivi, quem as tem?
De que serve ter coração,
E não ter o amor, de ninguém?

Beijos que te dei, onde estão?
A quem foste dar o que é meu?
Vale mais não ter coração,
Do que ter e não ter como eu.

Eu em troca de nada,
Dei tudo na vida.
Bandeira vencida,
rasgada no chão.
Sou a data esquecida,
A coisa perdida,
Que vai a leilão.

Sonhos que sonhei, onde estão?
Horas que vivi, quem as tem?
De que serve ter coração,
E não ter o amor, de ninguém?

Vivo de saudades, amor.
A vida perdeu o fulgor.
Como o sol de inverno,
Não tenho, calor.

Sonhos que sonhei, onde estão?
Horas que vivi, quem as tem?
De que serve ter coração,
E não ter o amor, de ninguém?

Vivo de saudades, amor.
A vida perdeu o fulgor.
Como o sol de inverno,
Não tenho, calor.

23 fevereiro 2007

O Filho da Madrugada

Foto retirada de catedral.no.sapo.pt.

Faz hoje 20 anos. O Filho da Madrugada libertou-se de um corpo doente e ficou a viver connosco; para fazer parte da banda sonora das nossas vidas.

Canto moço

Somos filhos da madrugada,
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flôr no ramo.
Navegamos de vaga em vaga,
Não soubemos de dor nem mágoa,
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara.

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira,
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira.
Mensageira pomba chamada,
Companheira da madrugada,
Quando a noite vier que venha,
Lá do cimo duma montanha.

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora,
Onde há sempre uma boa estrela,
Noite e dia ao romper da aurora.
Vira a proa, minha galera,
Que a vitória já não espera.
Fresca brisa, moira encantada,
Vira a proa da minha barca.