Os visitantes mais antigos da Biblioteca de Jacinto lembrar-se-ão, talvez, de um post escrito logo ao início, sobre um velhote plagiador que se arrastava por uma universidade portuguesa a copiar compulsivamente trabalhos de alunos e a enviá-los para a Biblioteca Nacional com o seu próprio nome. Escrevi eu, nessa altura, que desde 2001 nada mais constava dele na base nacional (Porbase). Pois acabo de descobrir que o senhor voltou a atacar. Até 2001, tinha 102 entradas. Neste momento tem nada mais nada menos do que 253 entradas na Porbase, quase todas policopiadas. Nos últimos anos, os temas diversificaram-se ainda mais: "escreveu" sobre stress, terminologia médica, psicologia, bibliotecas virtuais, comunicação, emoções, gestão, neurolinguística, direito informático, história da imprensa, história medieval, teoria da história, bibliotecas públicas e história da ciência.
E eu pergunto: como se pode falar de qualidade do ensino superior quando uma universidade tem (e sabe que tem) um plagiador compulsivo, um doente mental, num lugar importante e publica os seus plágios na revista da própria universidade?
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27 fevereiro 2007
O plagiador volta a atacar
11 janeiro 2007
Eu sou Clara mas...
Apesar de estar a dedicar mais tempo e espaço n'A biblioteca de Jacinto ao tema do aborto, não quero deixar passar uma polémica que está a decorrer, neste momento, no blogue do provedor do leitor do Público sobre um plágio particado pela jornalista Clara Barata, daquele diário e denunciado por um leitor.
Depois da Clara Pinto Correia ter sido apanhada a, digamos eufemisticamente, esquecer-se de mencionar a fonte, e agora esta Clara Barata fazer o mesmo, aviso desde já... eu sou Clara mas nada de confusões!
Os meus outros posts sobre o tema estão aqui em baixo:
Outro plágio desmascarado? II (25-10-2006). Outro plágio desmascarado? (24-10-2006). Plágio desmascarado (16-10-2006). De novo o plágio (7-10-2006). O plágio (20-09-2006).
Depois da Clara Pinto Correia ter sido apanhada a, digamos eufemisticamente, esquecer-se de mencionar a fonte, e agora esta Clara Barata fazer o mesmo, aviso desde já... eu sou Clara mas nada de confusões!
Os meus outros posts sobre o tema estão aqui em baixo:
Outro plágio desmascarado? II (25-10-2006). Outro plágio desmascarado? (24-10-2006). Plágio desmascarado (16-10-2006). De novo o plágio (7-10-2006). O plágio (20-09-2006).
25 outubro 2006
Outro plágio desmascarado? II
Onde acaba a referência implícita e começa o plágio?


Outro plágio desmascarado? (24-10-2006)
Plágio desmascarado (16-10-2006)
De novo o plágio (7-10-2006)
O plágio (20-09-2006)


Outro plágio desmascarado? (24-10-2006)
Plágio desmascarado (16-10-2006)
De novo o plágio (7-10-2006)
O plágio (20-09-2006)
24 outubro 2006
Outro plágio desmascarado?
Desta vez não vou falar do plagiador Paulo Sempre. Vou antes divulgar um site anónimo que afirma que o jornalista Miguel Sousa Tavares plagiou um romance no seu famosíssimo "Equador".
Quero deixar claro que não li o "Equador" nem li o livro alegadamente plagiado. Também não tenho especial simpatia ou antipatia pelo Dr. Miguel Sousa Tavares. É-me geralmente indiferente e pontualmente simpático ou antipático. Mas neste site alguém denuncia um plágio. Só comparando as obras se poderá confirmar.
Refiro o site porque o assunto me interessa.
Fico à espera que o Dr. Miguel Sousa Tavares processe os seus difamadores, já que ele garante ao "24 Horas" que o caso «vai ser resolvido em tribunal e à paulada». Pessoalmente, acredito na velha máxima dos escuteiros que diz que «se temos razão, não precisamos de perder a calma, se não temos razão não podemos dar-nos ao luxo de perder a calma». Mas também há um ditado que diz que «quem não se sente não é filho de boa gente» e o Dr. MST é, todos os sabemos, filho de boa gente.
Entretanto, vou ver se comparo as duas obras para confirmar ou infirmar o dito plágio.
Prometo, desde já, solenemente, que o farei logo que tenha tempo. E se verificar que se trata de uma calúnia voltarei aqui para a denunciar. O plágio é um acto demasiado infame para que se façam acusações de ânimo leve; mas a calúnia anónima ultrapassa o plágio, em infâmia.
Plágio desmascarado (16-10-2006)
De novo o plágio (7-10-2006)
O plágio (20-09-2006)
Quero deixar claro que não li o "Equador" nem li o livro alegadamente plagiado. Também não tenho especial simpatia ou antipatia pelo Dr. Miguel Sousa Tavares. É-me geralmente indiferente e pontualmente simpático ou antipático. Mas neste site alguém denuncia um plágio. Só comparando as obras se poderá confirmar.
Refiro o site porque o assunto me interessa.
Fico à espera que o Dr. Miguel Sousa Tavares processe os seus difamadores, já que ele garante ao "24 Horas" que o caso «vai ser resolvido em tribunal e à paulada». Pessoalmente, acredito na velha máxima dos escuteiros que diz que «se temos razão, não precisamos de perder a calma, se não temos razão não podemos dar-nos ao luxo de perder a calma». Mas também há um ditado que diz que «quem não se sente não é filho de boa gente» e o Dr. MST é, todos os sabemos, filho de boa gente.
Entretanto, vou ver se comparo as duas obras para confirmar ou infirmar o dito plágio.
Prometo, desde já, solenemente, que o farei logo que tenha tempo. E se verificar que se trata de uma calúnia voltarei aqui para a denunciar. O plágio é um acto demasiado infame para que se façam acusações de ânimo leve; mas a calúnia anónima ultrapassa o plágio, em infâmia.
Plágio desmascarado (16-10-2006)
De novo o plágio (7-10-2006)
O plágio (20-09-2006)
Etiquetas:
"Equador",
Miguel Sousa Tavares,
Plágio
16 outubro 2006
Plágio desmascarado
A pedido de "várias famílias" e porque acusar sem provas é calúnia:
"Fátima desmascarada [I]": plagiado da Parte I "A velha história de Fátima", Capítulo V "Lúcia é uma histérica mitomaníaca" In Ilharco, João - Fátima desmascarada: a verdade histórica acerca de Fátima documentada com provas. 4ª ed. do Autor. Coimbra: ed. do A., 1971. p. 55-56.
A "Nota" final é transcrita do "Preâmbulo", p. 11 e a frase final desta "Nota" é citada por Ilharco de um artigo de fundo do jornal "O Mensageiro" (30 de Maio de 1917).
"Fátima desmascarada II": plagiado de:
Parte I, Capítulo V, p. 59-62.
Parte II, Capítulo IX, p. 287-288.
"Fátima desmascarada III": plagiado de:
Almeida e Paiva - Liberdade, Ciência e Religião. Apud Ilharco, João - Fátima desmascarada... p. 195
Martindale, C.C. - The message of Fátima. Apud Ilharco, João, idem, ibidem
Só a citação do Papa João XXIII está atribuída, talvez por ser facilmente verificável. Isto demonstra claramente a má fé do autor do blog.
Plagiado ainda da Parte I, Capítulo XII "A dança do Sol na Cova da Iria" In Fátima desmascarada..., p. 125-126 (substituindo apenas "no final do terceiro quartel do Século XX" por "Século XXI").
A suposta citação do Prof. Doutor Moisés Espírito Santo (numa imaginária conversa durante as férias) foi transcrita da Parte II "A nova história de Fátima", Capítulo X "Conclusão" da mesma obra, p. 293-294, e inclui palavras do Papa Paulo VI.
A obra plagiada (2ª ed.) está disponível na Biblioteca Nacional, nas cotas R. 13247 V. e R. 14462 V. e ainda uma 6ª edição, na cota R. 15118 V.
O meu exemplar é da 4ª edição. No final, na página do colofão, o "ex-libris" do autor narra assim: Veritas omnia vincit. Espero que sim!
De novo o plágio (7-10-2006)
O plágio (20-09-2006)
"Fátima desmascarada [I]": plagiado da Parte I "A velha história de Fátima", Capítulo V "Lúcia é uma histérica mitomaníaca" In Ilharco, João - Fátima desmascarada: a verdade histórica acerca de Fátima documentada com provas. 4ª ed. do Autor. Coimbra: ed. do A., 1971. p. 55-56.
A "Nota" final é transcrita do "Preâmbulo", p. 11 e a frase final desta "Nota" é citada por Ilharco de um artigo de fundo do jornal "O Mensageiro" (30 de Maio de 1917).
"Fátima desmascarada II": plagiado de:
Parte I, Capítulo V, p. 59-62.
Parte II, Capítulo IX, p. 287-288.
"Fátima desmascarada III": plagiado de:
Almeida e Paiva - Liberdade, Ciência e Religião. Apud Ilharco, João - Fátima desmascarada... p. 195
Martindale, C.C. - The message of Fátima. Apud Ilharco, João, idem, ibidem
Só a citação do Papa João XXIII está atribuída, talvez por ser facilmente verificável. Isto demonstra claramente a má fé do autor do blog.
Plagiado ainda da Parte I, Capítulo XII "A dança do Sol na Cova da Iria" In Fátima desmascarada..., p. 125-126 (substituindo apenas "no final do terceiro quartel do Século XX" por "Século XXI").
A suposta citação do Prof. Doutor Moisés Espírito Santo (numa imaginária conversa durante as férias) foi transcrita da Parte II "A nova história de Fátima", Capítulo X "Conclusão" da mesma obra, p. 293-294, e inclui palavras do Papa Paulo VI.
A obra plagiada (2ª ed.) está disponível na Biblioteca Nacional, nas cotas R. 13247 V. e R. 14462 V. e ainda uma 6ª edição, na cota R. 15118 V.
O meu exemplar é da 4ª edição. No final, na página do colofão, o "ex-libris" do autor narra assim: Veritas omnia vincit. Espero que sim!
De novo o plágio (7-10-2006)
O plágio (20-09-2006)
07 outubro 2006
De novo o plágio
Recentemente, comprei num alfarrabista - daqueles que costumam estar ao fim-de-semana nas Amoreiras - um livro intitulado «Fátima desmascarada». O autor é João Ilharco, um senhor que escreveu poemas, livros escolares de aritmética e gramática para o ensino primário e, pelo menos, um romance. Penso que já morreu ou deve ser muito idoso pois o seu primeiro título é de 1923. Este livro foi editado pelo autor em 1971, com algumas reedições e depois desapareceu. Parece, não sei se é verdade, que a "pide" o apreendeu. O facto é que nunca mais foi publicado e agora só se encontra em alfarrabistas.
O livro é muito interessante, li-o todo no mesmo dia, apesar das quase 300 páginas. Não está em causa a minha opinião sobre o livro nem se acredito nas aparições, não é disso que quero falar.
Quero falar de plágio. Ao fazer uma pesquisa na net, sob o título do livro, deparei com um blogue contendo três posts precisamente com esse título: «Fátima desmascarada», «Fátima desmascarada II» e «Fátima desmascarada III».
Como a leitura do livro estava bem fresca - tinha-o lido todo na véspera - o conteúdo dos posts soou-me familiar. Reproduziam ipsis verbis parágrafos inteiros do livro de João Ilharco mas sem fazer qualquer referência à fonte. E, para cúmulo, punham na boca do Prof. Moisés Espírito Santo, num suposto diálogo tido com o autor do blogue, frases retiradas, também ipsis verbis, do mesmo livro. Não sei se o Prof. Moisés Espírito Santo sabe disto mas, certamente, se soubesse não iria ficar contente.
Confesso que fiquei bastante incomodada. Irritada mesmo. Não é nada comigo, não fui eu a plagiada, mas o plágio, o acto em si mesmo, causa-me uma enorme perturbação.
Fiz um comentário (assinado Campos Elísios 202) em cada um dos posts, demonstrando ao autor o meu desagrado. Ele apagou os comentários. Insisti, pedindo-lhe que mencionasse a fonte dos textos dele. Ele voltou a apagar. Desisti.
Mais recentemente verifiquei que "escreveu" mais um post sobre o assunto. Já vai no "Fátima desmascarada IV".
Será que autor daquele blog não podia mencionar a fonte? Precisa de roubar aqueles textos - a um homem que, provavelmente, já morreu e não pode reclamar o seu trabalho - para se afirmar? O que é que ganha?
Mais uma vez, não consigo perceber o mecanismo mental do plágio. Haverá estudos psiquiátricos sobre o fenómeno?
Dar uma espreitadela a O plágio (20 setembro 2006)
O livro é muito interessante, li-o todo no mesmo dia, apesar das quase 300 páginas. Não está em causa a minha opinião sobre o livro nem se acredito nas aparições, não é disso que quero falar.
Quero falar de plágio. Ao fazer uma pesquisa na net, sob o título do livro, deparei com um blogue contendo três posts precisamente com esse título: «Fátima desmascarada», «Fátima desmascarada II» e «Fátima desmascarada III».
Como a leitura do livro estava bem fresca - tinha-o lido todo na véspera - o conteúdo dos posts soou-me familiar. Reproduziam ipsis verbis parágrafos inteiros do livro de João Ilharco mas sem fazer qualquer referência à fonte. E, para cúmulo, punham na boca do Prof. Moisés Espírito Santo, num suposto diálogo tido com o autor do blogue, frases retiradas, também ipsis verbis, do mesmo livro. Não sei se o Prof. Moisés Espírito Santo sabe disto mas, certamente, se soubesse não iria ficar contente.
Confesso que fiquei bastante incomodada. Irritada mesmo. Não é nada comigo, não fui eu a plagiada, mas o plágio, o acto em si mesmo, causa-me uma enorme perturbação.
Fiz um comentário (assinado Campos Elísios 202) em cada um dos posts, demonstrando ao autor o meu desagrado. Ele apagou os comentários. Insisti, pedindo-lhe que mencionasse a fonte dos textos dele. Ele voltou a apagar. Desisti.
Mais recentemente verifiquei que "escreveu" mais um post sobre o assunto. Já vai no "Fátima desmascarada IV".
Será que autor daquele blog não podia mencionar a fonte? Precisa de roubar aqueles textos - a um homem que, provavelmente, já morreu e não pode reclamar o seu trabalho - para se afirmar? O que é que ganha?
Mais uma vez, não consigo perceber o mecanismo mental do plágio. Haverá estudos psiquiátricos sobre o fenómeno?
Dar uma espreitadela a O plágio (20 setembro 2006)
20 setembro 2006
O plágio
O plágio é um acto que me confunde um bocado. Não me interessa tanto o lado criminal da coisa, o poder ir preso, o acto de roubar. O que me confunde não é isso. Quando alguém rouba um pão, um televisor ou um quadro, está a apropriar-se fisicamente de um objecto para o usar para si. Passa, de factu, a possuí-lo. Roubo um pão, como-o. Poderei mais tarde pagá-lo mas já o comi. Roubo um rádio, uso-o. Ainda que venha a pagá-lo ou a ser presa por o ter roubado, possuí-o em determinado momento ou troquei-o por dinheiro com o qual pude possuir outras coisas. O mesmo para um quadro, um carro, um livro ou um colar. Há uma posse efectiva, um benefício real, palpável.
O plagiador nunca chega a possuir aquilo que plagia. Não é ele o autor e nunca será porque a autoria decorre do pensamento e o pensamento não se possui.
O que leva alguém a plagiar? Que processo psicológico estranho está por detrás do acto de plagiar? O plagiador acredita realmente que passa a ser autor daquilo que plagia? E se não acredita, plagia para quê? Não percebo.
Conheço um plagiador compulsivo. Conheci, melhor dizendo, porque, de alguém assim, quer-se distância. É um senhor de idade avançada, sofre de parkinson e, a última vez que o vi, arrastava os pés pelo chão das Amoreiras, de olhar vazio. Deu-me pena aquela figura frágil e vulnerável. Vi tudo o que ele podia ter sido e não foi por ter levado a vida a esforçar-se por fingir que era o que não é. Patético.
Quando o conheci, há uns seis ou sete anos, apenas tremia um pouco das mãos, mas o olhar era vivo e disfarçava a custo uma ambição desmedida. Ambição de dinheiro? Não. Ambição de reconhecimento. De honrarias. De beija-mão. Tinha feito, tardiamente, um doctorado em Espanha, numa universidade bastante prestigiada de Madrid. Eu li a tese dele. Má. Muito má mesmo. Daquelas que desprestigiam uma universidade prestigiada. Mas isso não parece ter interessado à universidade madrilena, que precisa de mostrar resultados quantitativos, e menos a ele interessa. Na sua inconsciência doentia, ele acha aquilo uma obra-prima. Exibe o seu "chapéu" de Doutor na fotografia do B.I. Nos cartões de visita escreveu «Cientista da informação». Faz questão de usar o grau académico em todas as ocasiões. Inunda a Biblioteca Nacional de cópias dos seus livros que ninguém publica e que não são livros nem são seus. São trabalhos de alunos que ele pede sempre em formato digital para depois imprimir com uma folha de rosto alterada na qual ele figura como autor. O resultado é, no mínimo, intrigante: é tal a diversidade temática que dir-se-ia ser este senhor um especialista em tudo. Da filosofia às ciências da informação, passando pela linguística e pela psicologia, este pobre de espírito "escreveu" àcerca de tudo. Cento e duas entradas na porbase e não tenho a certeza de que alguma seja realmente dele. Claro que, sendo trabalhos não publicados que plagiam outros trabalhos não publicados é quase impossível detectar o plágio e também prová-lo, não havendo queixa não há crime e aqueles títulos vão dando entrada, paulatinamente, na base nacional de dados bibliográficos. O certo é que vai levando a água ao seu moinho, conseguiu lugar cativo numa grande universidade lisboeta (grande em tamanho, entenda-se), tem lá os seus cargos, os seus amigos (ou aliados) e a partir de lá vai exercendo a sua influência. Pouca influência porque ninguém o leva realmente a sério, pelas costas é motivo de anedotas, mas é um "doutor" por extenso e isso é útil a algumas pessoas e à própria instituição que - cá como lá - precisa de mostrar resultados quantitativos.
Ao olhar o pobre velho, cada vez mais deteriorado pela terrível doença, senti pena dele. Apesar de ele, em determinado momento, me ter prejudicado porque eu não fui ao beija-mão e isso, para ele, é imperdoável. Apesar disso, senti pena. Eu tenho quase 40 anos e um mestrado feito em Portugal, com o meu esforço e com o dispêndio dos meus poucos e fracos neurónios, mas tenho o respeito dos meus colegas e, principalmente, o respeito de mim mesma. Ele tem o seu doctorado feito sabe-se lá como, o seu "chapéu" engraçado, os seus cartões de visita e... cento e duas entradas na base nacional de dados bibliográficos, referentes a "livros" que plagiou a alunos de licenciatura.
Compulsivamente, mesmo quando já toda a gente sabia que ele plagiava os alunos, ele continuava a fazê-lo. Só em 1997, enviou para BN vinte e sete títulos (o que dá uma produção superior a dois por mês), em 1998, dez e em 2000, vinte e três. Não sei se foi a doença ou se alguém na universidade lhe chamou a atenção mas, desde 2001, não consta nada deste senhor na base nacional.
Por muitas voltas que eu dê à cabeça - eu sei que os neurónios são poucos mas... - continuo sem perceber o que levou este senhor a plagiar. O que leva alguém a plagiar.
Voltarei ao assunto.
O plagiador nunca chega a possuir aquilo que plagia. Não é ele o autor e nunca será porque a autoria decorre do pensamento e o pensamento não se possui.
O que leva alguém a plagiar? Que processo psicológico estranho está por detrás do acto de plagiar? O plagiador acredita realmente que passa a ser autor daquilo que plagia? E se não acredita, plagia para quê? Não percebo.
Conheço um plagiador compulsivo. Conheci, melhor dizendo, porque, de alguém assim, quer-se distância. É um senhor de idade avançada, sofre de parkinson e, a última vez que o vi, arrastava os pés pelo chão das Amoreiras, de olhar vazio. Deu-me pena aquela figura frágil e vulnerável. Vi tudo o que ele podia ter sido e não foi por ter levado a vida a esforçar-se por fingir que era o que não é. Patético.
Quando o conheci, há uns seis ou sete anos, apenas tremia um pouco das mãos, mas o olhar era vivo e disfarçava a custo uma ambição desmedida. Ambição de dinheiro? Não. Ambição de reconhecimento. De honrarias. De beija-mão. Tinha feito, tardiamente, um doctorado em Espanha, numa universidade bastante prestigiada de Madrid. Eu li a tese dele. Má. Muito má mesmo. Daquelas que desprestigiam uma universidade prestigiada. Mas isso não parece ter interessado à universidade madrilena, que precisa de mostrar resultados quantitativos, e menos a ele interessa. Na sua inconsciência doentia, ele acha aquilo uma obra-prima. Exibe o seu "chapéu" de Doutor na fotografia do B.I. Nos cartões de visita escreveu «Cientista da informação». Faz questão de usar o grau académico em todas as ocasiões. Inunda a Biblioteca Nacional de cópias dos seus livros que ninguém publica e que não são livros nem são seus. São trabalhos de alunos que ele pede sempre em formato digital para depois imprimir com uma folha de rosto alterada na qual ele figura como autor. O resultado é, no mínimo, intrigante: é tal a diversidade temática que dir-se-ia ser este senhor um especialista em tudo. Da filosofia às ciências da informação, passando pela linguística e pela psicologia, este pobre de espírito "escreveu" àcerca de tudo. Cento e duas entradas na porbase e não tenho a certeza de que alguma seja realmente dele. Claro que, sendo trabalhos não publicados que plagiam outros trabalhos não publicados é quase impossível detectar o plágio e também prová-lo, não havendo queixa não há crime e aqueles títulos vão dando entrada, paulatinamente, na base nacional de dados bibliográficos. O certo é que vai levando a água ao seu moinho, conseguiu lugar cativo numa grande universidade lisboeta (grande em tamanho, entenda-se), tem lá os seus cargos, os seus amigos (ou aliados) e a partir de lá vai exercendo a sua influência. Pouca influência porque ninguém o leva realmente a sério, pelas costas é motivo de anedotas, mas é um "doutor" por extenso e isso é útil a algumas pessoas e à própria instituição que - cá como lá - precisa de mostrar resultados quantitativos.
Ao olhar o pobre velho, cada vez mais deteriorado pela terrível doença, senti pena dele. Apesar de ele, em determinado momento, me ter prejudicado porque eu não fui ao beija-mão e isso, para ele, é imperdoável. Apesar disso, senti pena. Eu tenho quase 40 anos e um mestrado feito em Portugal, com o meu esforço e com o dispêndio dos meus poucos e fracos neurónios, mas tenho o respeito dos meus colegas e, principalmente, o respeito de mim mesma. Ele tem o seu doctorado feito sabe-se lá como, o seu "chapéu" engraçado, os seus cartões de visita e... cento e duas entradas na base nacional de dados bibliográficos, referentes a "livros" que plagiou a alunos de licenciatura.
Compulsivamente, mesmo quando já toda a gente sabia que ele plagiava os alunos, ele continuava a fazê-lo. Só em 1997, enviou para BN vinte e sete títulos (o que dá uma produção superior a dois por mês), em 1998, dez e em 2000, vinte e três. Não sei se foi a doença ou se alguém na universidade lhe chamou a atenção mas, desde 2001, não consta nada deste senhor na base nacional.
Por muitas voltas que eu dê à cabeça - eu sei que os neurónios são poucos mas... - continuo sem perceber o que levou este senhor a plagiar. O que leva alguém a plagiar.
Voltarei ao assunto.
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