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10 setembro 2015

A política

«A política é uma occupação dos ociosos, uma sciencia dos ignorantes uma riqueza dos pobres e uma fidalguia dos plebeus. – Reside em S. Bento».
Eça de Queirós In: As farpas: chronica mensal da política das letras e dos costumes. Janeiro de 1872 / Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz. Lisboa: Typographia Universal, 1871)

09 setembro 2015

A gargalhada

«A unica critica é a gargalhada! Nós bem o sabemos: a gargalhada nem é um raciocínio, nem uma idéia, nem um sentimento, nem uma critica: nem é o desdém, nem é a indignação; nem julga, nem repelle, nem pensa; não cria nada, destroe tudo, não responde por coisa alguma. E no entanto é o único inventario do mundo político em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Falla? Gargalhada. Reprime? gargalhada. Cae? gargalhada. E sempre esta politica, aqui, ou pensando ou creando, ou liberal ou oppressiva, terá em redor d’ella, diante d’ella, sobre ella, envolvendo-a, como a palpitação d’azas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacavel – a gargalhada! Política querida, sê o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime – nós riremos. A tua atmosfera é de chalaça.»

Eça de Queirós In: As farpas: chronica mensal da política das letras e dos costumes. Julho de 1871 / Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz. Lisboa: Typographia Universal, 1871)

17 novembro 2014

Políticos

Por vezes questiono-me «Mas será possível que não exista um único político honesto, impoluto, que não esteja metido em esquemas ou negócios inconfessáveis, que não tenha ligações a bancos, a grandes empresas, a sociedades secretas, que esteja na política pelo serviço ao País? Mas será possível que não haja um único, um só, para amostra, para me devolver alguma esperança na classe política?!?».
E depois continuo na minha reflexão: «Ora bolas, não é possível! Tem de haver. Se eu estivesse na política não me metia nessas coisas, seria honesta, não me meteria em negócios, mesmo que tivesse oportunidade... e conheço tanta gente honesta, ora essa, a maioria das pessoas que eu conheço é honesta...».
E finalmente, caio na realidade: «Pois... mas eu não conheço ninguém na política...».

13 janeiro 2011

O sentido das palavras

As palavras andam a mudar de significado. É uma coisa estranha. Eu sei que isso acontece e faz parte da evolução natural da língua, mas nem sempre isso acontece naturalmente. Assistimos hoje a um fenómeno que não será novo mas tem sido recorrente nos últimos tempos.
Já notei, num texto anterior, como a palavra "sacrifício" está a ser utilizada num sentido inapropriado com a intenção subliminar de dar à palavra uma conotação de santidade, eliminando assim a carga negativa das privações e dificuldades que estão a ser impostas aos portugueses pelos políticos.
Mas não é caso único. Vejamos a palavra "coragem". Outra palavra com uma carga simbólica positiva, que associamos à bravura de D. Nuno Álvares Pereira ou à frontalidade de Humberto Delgado. O termo cai bem e mexe com valores muito enraizados que acarinhamos intimamente.
Acontece que também esta palavra está a ser aplicada ao conceito errado. Se não, vejamos: diz o senhor presidente da CIP que "há um conjunto de reformas que corajosamente têm de ser feitas". Bem sabemos quais são: despedimentos, redução de salários, a cassete do costume.
Independentemente de se concordar ou não com este senhor, coloco uma questão em relação à palavra que ele (e tantos outros) escolheu para adjectivar essas medidas: "corajosas".
Ora, eu aprendi algumas coisas quando era pequenina, coisas simples e básicas que os meus pais (cujo perfil moral irrepreensível me esforço por seguir) me ensinaram: não se mete as mãos no prato, não se cospe no chão, não se tira a borracha ao colega, não se mente para nos protegermos, não se bate nos meninos mais pequenos.
Bater nos pequeninos (coisa que nunca me passaria pela cabeça porque eu era sempre mais pequena do que os outros...) era apelidado de "cobardia" palavra que aprendi cedo.
Parece, porém, que estes senhores que mandam em nós (e não me refiro só aos que mandam de jure, mas também aos que mandam de facto) ensinam aos seus filhos que aquele menino lá da escola, alto e grandalhão, que bate nos pequeninos é... corajoso.

02 março 2007

O quadrante político

O Political Compass (a que o Público chamou Bússula política) é um curioso gráfico que posiciona politicamente as pessoas de acordo com critérios diferentes dos tradicionais direita/esquerda. Já existe há bastante tempo mas lembrei-me de o trazer aqui hoje, já vão perceber porquê.

Mediante um questionário, vamos respondendo as várias questões relacionadas com a forma como encaramos diversos aspecto da organização da sociedade, da liberdade e da educação. Essas respostas são depois tratadas pelo sistema e o resultado situa-nos num quadrante político. A avaliação é curiosa: nos extremos da linha vertical estão as posições autoritária ou libertária (com todas as posições intermédias); nos extremos da linha horizontal, estão as posições colectivista e neo-liberal (ou individualista?) também com as suas posições intermédias.
É uma abordagem curiosa embora o questionário não seja, ele mesmo, imparcial. Pressupor que uma determinada resposta nos coloca, necessariamente, numa determinada posição do quadrante pode ser abusivo. O questionário reflecte uma visão demasiado "americana" do mundo. Mas não deixa de ser interessante responder, para ver o que dá. Quanto mais não seja para vermos com que figura histórica partilhamos o quadrante em que nos posicionam...



A versão do Público é esta:



Ainda no Público, a posição de diferentes líderes mundiais está representada assim:



Mas mais engraçado ainda - e é por isso que faço este post - é ver a análise que eles fizeram - no Political Compass, não no Público - à posição de diversos compositores. Não foram os próprios compositores que responderam, claro, por isso isto talvez diga mais sobre o que os autores do Political Compass pensam dos compositores do que o que pensavam os próprios compositores sobre política. Mas tem piada ver o resultado (clicando na imagem vê-se melhor).