Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

29 maio 2008

Férias: crónica visual (4)

28-05-2008

Romeu (Mirandela)





Chaves




27-05-2008

Baçal (Bragança)




Rio de Onor (Bragança)







Puebla de Sanabria (Zamora, Espanha)


Vinhais

Um assador de castanhas improvável

Uma figueira improvável.

26-05-2008

Dia de chuva, todo em Bragança


(Foto de Jorge Afonso)


25-05-2008

Parque biológico de Vinhais

Giestas (Foto de Jorge Afonso)



Rio Rabaçal
(Fotos de Jorge Afonso)


25 maio 2008

Férias: crónica visual (3)

24-05-2008

Vinhais



Vila Verde (Vinhais)

(Foto de Jorge Afonso)

Argozelo (Vimioso)



Miranda do Douro


23-05-2008

Sendim (Miranda do Douro)





(Foto de Jorge Afonso)

Miranda do Douro

Menino Jesus da Cartolinha (Sé de Miranda, foto de Jorge Afonso)




Procissão do Corpus Christi (foto de Jorge Afonso)



22 maio 2008

Férias: crónica visual (2)

21-05-2008

Miranda do Douro


21:09

Palancar (Miranda do Douro)

D. Francisca



Aldeia Nova




Paradela (Miranda do Douro)

(Foto de Jorge Afonso)

Rio Douro, Embalse de Castro (Espanha), início do Douro Internacional.

(Foto de Jorge Afonso)

Burros de raça de Miranda (espécie protegida)

Ifanes (Miranda do Douro)

(Foto de Jorge Afonso)


20-05-2008

Rio Douro, junto à barragem da Bemposta

Zamora (Espanha)

20 maio 2008

Férias: crónica visual

19-05-2008

Miranda do Douro

20:17 (foto de Jorge Afonso)

Freixo de Espada à Cinta


(foto de Jorge Afonso)


Barca d'Alva (Figueira de Castelo Rodrigo)


Castelo Rodrigo


(foto de Jorge Afonso)


Rio Côa

Sob a ponte sobre o rio Côa



18-05-2008

Vila Velha de Ródão
(Fotos de Jorge Afonso)


08 maio 2008

06 maio 2008

Em defesa da Língua Portuguesa

contra o Acordo Ortográfico

(Ao abrigo do disposto nos Artigos n.ºs 52º da Constituição da República Portuguesa, 247º a 249º do Regimento da Assembleia da República, 1º nº. 1, 2º n.º 1, 4º, 5º 6º e seguintes, da Lei que regula o exercício do Direito de Petição)

Ex.mo Senhor Presidente da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro de Portugal

1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História.Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.
2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado), e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura. Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia.Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica. Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.
3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em “acordos” mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.
4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa.É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa.A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).
Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.
Os signatários,
Ana Isabel Buescu
António Emiliano
António Lobo Xavier
Eduardo Lourenço
Helena Buescu
Jorge Morais Barbosa
José Pacheco Pereira
José da Silva Peneda
Laura Bulger
Luís Fagundes Duarte
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Paulo Teixeira Pinto
Raul Miguel Rosado Fernandes
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva
Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho
Zita Seabra


Quem quiser, pode assinar aqui. Eu já assinei.

14 abril 2008

Retrato

Era um homem extraordinário mas, precisamente por isso, difícil de compreender. Contraditório, incoerente, pragmático e quixotesco, inteligente e casmurro. Frio e metódico em questões de trabalho, nas coisas que o apaixonavam perdia a frieza e tornava-se teimoso e fundamentalista.
Não se desviava um milímetro quando achava que tinha razão, mesmo que essa teimosia o viesse a prejudicar; e tantas vezes o prejudicou. Tantas vezes o ouvi dizer «maldito feitio o meu!».

Profundamente crente, nunca, até ao fim da vida, desistiu de tentar conciliar Fé e Razão porque, se a razão lhe dizia que a fé apenas pela crença é imprópria de um ser pensante, o coração lhe dizia que a existência sem Deus seria um absurdo incompatível com a razão.

A injustiça revoltava-lhe as entranhas. Ficava transtornado a ver o telejornal. Desligava a televisão e punha música. Não queria ver notícias de crianças raptadas, de pessoas que morriam a caminho do hospital porque tinham fechado a urgência mais próxima, não queria ver os encontros de políticos, com caterings de luxo, onde se discutia a redução da fome daqui a vinte anos.

Revoltava-o a injustiça mas também a hipocrisia a estupidez e a boçalidade que encontrava, em doses variáveis mas sem excepção, em todos os quadrantes políticos. Votava por descargo de consciência. Detestava todos os políticos porque não podia conceber que, mais de 30 anos depois do 25 de Abril, ainda houvesse aldeias sem saneamento básico e ainda houvesse necessidade de emigrar. Ele, que tinha crescido no tempo da Segunda Guerra, que tinha vivido o racionamento, que tinha começado a trabalhar aos doze anos e que tinha acreditado que os problemas do país eram culpa do Salazar, sentia-se defraudado pela política e pelos políticos.

Era convictamente republicano mas tinha espírito autoritário. A democracia, a tolerância, a conciliação soavam-lhe a fraqueza, a incompetência, a incerteza. Tinha muitas certezas que o tornavam frequentemente intolerante. Discordávamos muito e ele, rindo, dizia «pois, eu sei, tu achas que eu sou preconceituoso». O autoritarismo dele vinha das certezas que tinha e da convicção de que, enquanto se discute a melhor solução, o mundo não para à espera das decisões. Acreditava, porém, que a autoridade só devia ser praticada ao serviço do bem comum; a tirania era-lhe insuportável. Muitas das nossas discussões tinham por base essa ténue linha divisória entre autoridade e tirania.

Tinha um apurado sentido de honra e de dever. Não tolerava o laxismo, a pouca-vergonha, a falta de palavra, o dito-por-não-dito, a tibieza, a preguiça, a irresponsabilidade, o parasitismo. Era exigente, em primeiro lugar, consigo próprio.

Adorava música, era a sua maior paixão, mas a sua personalidade muito especial sempre o impediu de pensar sequer em viver da música, embora tenha tido essa oportunidade.

Era naturalmente bem disposto. O sentido de revolta não o tornava amargo nem triste. Amava a vida, adorava estar vivo, adorava tudo o que a vida tem de bom e valorizava sempre o lado bom de tudo. Amava a família, viveu para a família, a família era tudo para ele. Tudo o que fez, tudo o que deixou de fazer, tudo foi sempre a pensar na família. Nada lhe dava maior prazer do que estar em casa, numa grande almoçarada, rodeado do seu clã, todos a falar muito alto, todos a falar ao mesmo tempo. Casa de italianos, dizia a brincar, em alusão ao avô italiano, figura quase lendária que ele nunca chegou a conhecer mas sempre evocada nos anais familiares.
Foi assim que esteve, horas antes de partir. Sem que o soubesse (e o soubéssemos) estava a despedir-se. Partiu de surpresa, depressa e sem hesitação.
As olaias floriam.