Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

28 outubro 2009

Obras na BNP

E cresce. E cresce. E cresce...


Em 17 de Fevereiro:

Em 14 de Maio:

Em 16 de Junho:

Em 31 de Julho:

Em 11 de Agosto:

Em 13 de Agosto:

E hoje, 28 de Outubro, chega ao último piso!

27 outubro 2009

Para porem na agenda

Ainda faltam três semanas mas já podem ir pondo na agenda:

Concerto "As Sete Últimas Palavras do Nosso Salvador na Cruz" de Joseph Haydn, pelo Coro do teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, dia 15 de Novembro, pelas 18h00, na sala de leitura da Biblioteca Nacional de Portugal.
Como sempre, a entrada é livre.
Aproveitam e espreitam o avanço das obras da Torre.

08 outubro 2009

Amor

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)

01 outubro 2009

Viola ou guitarra: that's the question!

«Na Biblioteca Nacional de Portugal guarda-se a maior colecção musical dedicada aos cordofones de mão, nomeadamente violas, guitarras e bandolins. Deste riquíssimo e diversificado repertório, que se inicia no séc. XVI e vai até ao XX, escolhemos para tema da nossa apresentação o cordofone de mão de caixa em forma de oito, e intitulámo-la Viola ou guitarra? That’s the question!.

«Em Portugal, desde os finais do séc. XVIII, o mencionado cordofone de mão aparece algumas vezes escrito indistintamente (sobretudo em manuscritos portugueses, nunca nas obras impressas), umas vezes com a grafia de viola e outras com a de guitarra, embora na realidade se trate do mesmo instrumento músico, de caixa em forma de oito e braço longo, montado com cinco ordens de cordas (duplas ou algumas triplicadas) ou, desde os inícios de oitocentos, com seis cordas simples. Se por um lado, o uso do vocábulo guitarra é tomado no séc. XVIII do nome com que este instrumento era designado em Espanha (Violas de mão que em Espanha chamaõ Guitarra, Morato, 1762), por outro (sobretudo desde o séc. XX) a hegemonia da língua inglesa vem contaminar a terminologia musical portuguesa, sobretudo no que respeita à designação deste instrumento, daí que tenhamos acrescentado, ao título da apresentação, um subtítulo em inglês.
«Questões da correcta terminologia musical a usar em português, são uma preocupação constante para quem tem a responsabilidade de catalogar e indexar muitas das obras contidas neste acervo. Para os técnicos da Área de Música da BNP estas questões de organologia e terminologia musical portuguesa são uma preocupação candente quando se deparam perante o dilema de saber qual o verdadeiro vocábulo a empregar na identificação das peças para os cordofones de mão.
«Este evento é acompanhado de uma exposição temática onde são mostradas algumas das mais significativas peças musicais e métodos do séc. XVII ao início do séc. XX (portuguesas e espanholas) tanto impressas como manuscritas e complementada com três instrumentos originais: uma viola francesa (ou violão) de meados do séc. XIX, uma guitarra portuguesa construída no Funchal por Matheus Januário da Silva (s.d., c. 1900) e um bandolim de inícios do séc. XX. Também se usaram duas gravuras (uma do séc. XVII e outra do início do séc. XIX) e um guache de c. 1832, provenientes da Área de Iconografia desta instituição.
«Para complementar a nossa apresentação, que se insere no programa Música na Biblioteca, faremos ouvir gravações pelos “Segréis de Lisboa”, de algumas das músicas expostas, sobretudo Modinhas e Lunduns dos finais do séc. XVIII e inícios do seguinte, para uma e duas vozes, acompanhadas pela viola de cinco ordens e pela viola francesa ou violão.»
MANUEL MORAIS (Fonte: sítio da Biblioteca Nacional de Portugal)

23 setembro 2009

Doação à BNP de parte do espólio de Luís de Freitas Branco e do espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas


«No dia 23 de Setembro, pelas 15H30, terá lugar na Sala do Conselho da Biblioteca Nacional de Portugal a assinatura do Termo de Doação de parte do acervo documental do compositor Luís de Freitas Branco e do Espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas, doados à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) pelo compositor Alexandre Delgado

«Figura incontornável na história da música portuguesa, Luís de Freitas Branco (1890-1955) nasceu em Lisboa e recebeu de seu tio João de Freitas Branco os primeiros ensinamentos literários e musicais. Revelando um talento precoce, estudou composição, primeiro com Augusto Machado e Tomás Borba, depois com Désiré Pâque e Luigi Mancinelli.

«Entre 1910 e 1915 deslocou-se algumas vezes ao estrangeiro, completando a sua formação com Humperdinck, em Berlim, e com Gabriel Grovlez, em Paris. Datam deste período algumas composições que reflectem a influência das mais modernas correntes da música europeia, como o impressionismo francês e o atonalismo schoenberguiano, entre elas o poema sinfónico Paraísos artificiais, inspirado na obra homónima de Baudelaire (1913), e Vathek: Variações Sinfónicas sobre um tema oriental (1914). Desenvolveu uma importante acção pedagógica, colaborando com Viana da Mota na reforma do Conservatório Nacional, tendo sido seu subdirector entre 1919 e 1924. Esta reforma englobou medidas como a adopção exclusiva de solfejo entoado, a criação de cadeiras de cultura geral e a inclusão da classe de Ciências Musicais, dividida em Acústica, História da Música e Estética Musical que o próprio Freitas Branco passou a leccionar, entre 1916 e 1939. Como professor denotou uma atitude pedagógica voltada essencialmente para a orientação de vocações, tendo um papel importante na preparação de uma nova geração de compositores, destacando-se de entre os seus discípulos António Fragoso, Armando José Fernandes, Joly Braga Santos e Fernando Lopes Graça, a que se juntaram, na qualidade de seguidores, António Nuno Barreiros, Maria Helena de Freitas e José Atalaya.

«Como compositor, o período seguinte é marcado por algumas obras de carácter nacionalista, de que são exemplo as duas Suites Alentejanas, e de outras de raiz neoclássica e inspiração renascentista como os Madrigais Camonianos.

«Autor com importante produção ensaística, escreveu, entre outros títulos, A Música em Portugal (1927), Vida de Beethoven (1943) e D. João IV, Músico (publicado postumamente), sem esquecer, no âmbito da pedagogia, Elementos de Ciências Musicais (1922), Acústica e História da Música (1930) e Tratado de Harmonia (1930), livros que durante largos anos fizeram parte da bibliografia adoptada nos cursos de música do Conservatório Nacional. Exerceu também a actividade de crítico musical em periódicos como Diário Ilustrado, Monarquia, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e o Século. Em 1929 fundou a revista Arte Musical, da qual foi director até 1948.

«António Nuno Barreiros (1928-2001), musicógrafo, crítico e profissional de Rádio, nasceu em Castendo (actual Penalva do Castelo). Fez estudos de composição, instrumentação, estética e história da música com Luís de Freitas Branco, de quem se tornou incondicional seguidor. Em 1959, ingressou como assistente musical na antiga Emissora Nacional, ali ocupando sucessivamente os cargos de realizador, chefe do sector de música erudita, chefe de programas nacionais e director do Programa 2. Foi crítico musical permanente do Diário Ilustrado, do Diário de Lisboa e do Jornal do Comércio, além de colaborador assíduo noutros periódicos como a Gazeta Musical, Vértice, Boletim da Juventude Musical Portuguesa, Diário de Notícias, O Século e Comércio do Porto. Além de vasta produção escrita, de que se destacam ainda os artigos que escreveu para a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, proferiu inúmeras conferências e palestras sobre música e músicos portugueses.

«Maria Helena de Freitas (1913-2004) pianista e crítica musical, comentou ao vivo concertos e espectáculos de ópera. Manteve na Emissora Nacional, mais tarde RDP, um programa de grande longevidade dedicado fundamentalmente ao canto lírico, O canto e os seus intérpretes, emitido de 1959 a 2000. Muitas pessoas foram conquistada através desse programa para o prazer da ópera e para o conhecimento dos seus intérpretes mais significativos. Escreveu em jornais como A Voz, Diário Popular e Diário de Notícias.

«O conjunto documental agora doado à BNP pelo compositor Alexandre Delgado é constituído por manuscritos (autógrafos e cópias) de obras de Luís de Freitas Branco, bem como por textos e documentação variada de e sobre o compositor (programas, críticas e correspondência), reunidos pelo casal Nuno Barreiros/ Maria Helena de Freitas, e, ainda, por documentos relacionados com Freitas Branco produzidos por estes dois melómanos.

«Importa salientar que a BNP já integra no seu Arquivo de Música Portuguesa, os espólios de muitos dos grandes compositores citados na presente nota, designadamente Augusto Machado, Viana da Mota, Armando José Fernandes ou Joly Braga Santos

(Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal)

28 agosto 2009

Mais luz!

Gostei!

(Tirada daqui)

Nunca tinha pensado nisso mas é o que somos, realmente.

14 agosto 2009

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?

13 agosto 2009

Olhares (7)

Mais Olhares. Tiradas sábado, em Belém, depois da ópera Susana, de Alfredo Keil.





03 agosto 2009

Olhares (6)

As mais recentes inclusões na minha galeria do Olhares. Tiradas ontem, entre o Chiado e a Madragoa, depois de um concerto do Quarteto Arabesco, no Miradouro de Santa Catarina.





24 julho 2009

Olhares (5)

Quatro das dezassete mais recentes inclusões na minha galeria do Olhares.

Verde de São Miguel

Alcochete II

Maré baixa II

Olhares

23 julho 2009

Há gripe, há...

Em vez de andar a distribuir mails de credibilidade duvidosa, o melhor mesmo é ir buscar a informação correcta e actual onde ela está. Recomendo, é bom contra a Gripe A e contra a histeria: Portal da Saúde. É actualizado diariamente e tem muita informação adicional. Esqueçam os boatos, os mails brasileiros e as recomendações do Dr. Não-Sei-Quantos que se calhar nem existe.

20 julho 2009

Banquetes de Platão III


«Nas tardes em que havia "banquete de Platão" (que assim denominávamos essas festas de trufas e ideias gerais)» (QUEIRÓS, Eça de - Civilização)

Quase dois anos depois da última receita apresentada n'A biblioteca de Jacinto, eis que me decido a publicar mais uma. Desta vez é um risotto que preparei para acompanhar filetes de linguado. Como de costume, fui inventando à medida que fazia...

RISOTTO DE LIMÃO E CEBOLINHO

Eu faço tudo a olho, por isso, não dou quantidades. Aprendi com a experiência que um risotto, para ser mesmo um risotto, deve ser feito com o arroz apropriado, ou seja, o arroz arbóreo, de bagos grandes, redondos e duros, mais semelhantes a gravilha do que a arroz.

Meia caneca de arroz dá para duas pessoas mas há que ter em atenção que este arroz incha menos que o carolino logo, também rende menos.

Aquece-se um pouco de azeite e alho num tacho e frita-se nele o arroz. Quando o arroz está bem impregnado do azeite, refresca-se com um pouco de vinho branco e deixa-se absorver.
Entretanto tem-se ao lume (ou no microondas) caldo de legumes a ferver com cascas de limão.

Como mandam as regras, o risotto deve ser feito lentamente, mexendo sempre, em lume brando ou médio mas sem nunca baixar do estado de ebulição. As bolhinhas à superfície têm de estar sempre presentes.

Para não quebrar a ebulição, o caldo que se vai juntando deve estar mesmo a ferver. Lentamente, mexendo sempre, vai-se acrescentando caldo fervente à medida que o arroz absorve. Para meia caneca de arroz, deitei três canecas de caldo o que dá uma proporção muito superior à habitual. Com a última porção de caldo, quando o arroz está quase pronto, adiciona-se cebolinho picado. Deixa-se quase absorver (mas tem de ficar húmido) e está pronto. É excelente para acompanhar filetes.

15 julho 2009

Doação do espólio de Santiago Kastner à Biblioteca Nacional de Portugal

Hoje, pelas 15h30, terá lugar a assinatura do Termo de Doação do Espólio de Santiago Kastner à Biblioteca Nacional de Portugal.

«Macario Santiago Kastner (1908-1992), musicólogo, instrumentista, professor, conferencista, crítico; nasceu em Londres e aí iniciou os seus estudos musicais. Posteriormente estudou cravo e piano na Holanda e na Alemanha, e ainda Musicologia e construção de instrumentos de tecla. A partir de 1929 instalou-se em Barcelona, prosseguindo os estudos de Musicologia com Higino Anglès e de instrumentos de tecla (piano, cravo e clavicórdio) com Joan Gilbert Camins. O seu interesse pela Música Antiga portuguesa trouxe-o a Portugal em 1934, aqui se radicando até à sua morte.

Inicialmente, a sua actividade em Portugal desenvolveu-se sobretudo como concertista e investigador; em 1947 foi nomeado professor do Conservatório Nacional, onde dirigiu, até 1984, as classes de Clavicórdio, de Interpretação de Música Antiga e, ainda, as de Cravo e História da Música. Com ele trabalharam muitos músicos ainda hoje activos (instrumentistas e cantores), em quem soube despertar o interesse pela recuperação e interpretação da música antiga. A sua actividade pedagógica estendeu-se a Espanha, onde foi também colaborador permanente do Instituto Espanhol de Musicologia (Barcelona), participando ainda em júris de exame em instituições portuguesas e estrangeiras.

Como conferencista, apresentou-se um pouco por toda a Europa, podendo referir-se a sua participação nas comemorações do quarto centenário da impressão da obra de Francisco Salinas (1513-1590), em Salamanca. Recebeu convites para leccionar em Universidades nos EUA e na África do Sul. O seu reconhecimento internacional levou a que fosse chamado a colaborar nas mais prestigiadas publicações científicas e de divulgação musicológica.

Como concertista, apresentou-se em recitais e em gravações para a rádio e televisão de diversos países europeus. Mas se o seu interesse se centrava na música para tecla, não deixou de lado o repertório renascentista, maneirista e barroco para instrumentos de sopro, para o que fundou e dirigiu o grupo de câmara Menestréis de Lisboa, com o qual se apresentou em Portugal e no estrangeiro.

Kastner deixou uma vasta produção científica que vai das edições críticas de obras para tecla de autores ibéricos a um estudo sobre Carlos Seixas, no qual se interessou, mais do que traçar uma biografia do compositor, em averiguar a questão ‘Seixas dentro da música europeia’, sendo mais tarde responsável pela edição crítica das 80 Sonatas deste autor.

O reconhecimento pelo trabalho de Santiago Kastner em prol da Musicologia e da Música Antiga ibéricas teve o devido reconhecimento ainda em vida, recebendo diversas homenagens e condecorações. Ainda no ano da sua morte foi publicada a obra Livro de homenagem a Macario Santiago Kastner (FCG, 1992).

O espólio agora doado à BNP por dois dos seus alunos mais próximos, os Professores Rui Vieira Nery e Manuel Morais, é constituído por correspondência profissional; publicações periódicas, textos soltos, recortes com críticas e crónicas da autoria de Santiago Kastner; documentos pessoais, fotografias, programas e críticas a concertos por ele realizados, cobrindo a sua actividade entre 1931 e 1992.»
(Fonte: Sítio Web da BNP

Retratos à Sexta - e o futuro?

Na sexta-feira passada participei na última sessão da série Retratos à Sexta, subordinada nesse dia ao tema «O Futuro». Foi uma noite longa que eu acompanhei desde as onze e meia até para lá das quatro, com uma afluência ainda maior do que a habitual, talvez por esta sessão ter sido anunciada como a última.
Depois deste período estival, aguardo pelas ideias novas com que o Fabrice nos irá, certamente, surpreender.
Até lá fiquem com o resultado. Eu estou por lá, em vários momentos.
Se quiserem, podem também ver as outras duas sessões em que participei: «I have a dream» e «Vaidade».

06 julho 2009

Pôr-de-Sol


Pôr de Sol na Ericeira, no final de um dia muito feliz.

Aos 97 anos

Há dois anos e meio escrevi aqui sobre o recente blogue de uma idosa, então com 95 anos, a quem o neto oferecera pelo aniversário... um blogue.
Fala-se muito dos malefícios sociais da internet, do isolamento que provoca, mas este é um caso paradigmático do contrário. Esta senhora, residente em Muxía, pequena povoação da Galiza onde nascera em 1911, tornou-se em pouco tempo um fenómeno de sucesso sem efeitos perversos. Continuando a residir calmamente na sua casa, rodeada do carinho da família, durante dois anos e meio foi conhecida e lida em todo o mundo, descobriu realidades que lhe eram totalmente estranhas, recebeu 1812016 visitas no seu blogue, dos 5 continentes, e mensagens de todo o mundo às quais respondeu sempre com simpatia, foi encorajada quando esteve doente, recebeu felicitações quando foi bisavó, viajou até ao Brasil e contou as suas impressões no seu blogue. Tudo isto graças ao acompanhamento e apoio de um neto exemplar que discretamente, sem aparecer nunca, foi digitando com paciência tudo o que ela lhe ditava em plena liberdade. Escreveu que «Mis blogueros son la alegría de mi vejez».
Teve uma vida feliz até ao último dia, no passado 20 de Maio. Não podia deixar de a referir aqui, não como um fenómeno de popularidade ou mediatismo mas como um exemplo de vontade, de gosto pela vida, de família e, sempre, de uma grande simplicidade.
Descanse em paz, Aboiña.

03 julho 2009

Verdade observável

Sempre que oiço alguém apontar um defeito generalizado aos portugueses, exclui-se desse defeito dizendo «Isto é um país de... (aldrabões, oportunistas)».

Sempre que oiço alguém apontar uma virtude generalizada aos portugueses, inclui-se nessa virtude dizendo «Nós somos... (hospitaleiros, desenrascados, etc.)».

Um pormenor de linguagem que faz toda a diferença.

25 junho 2009

Flauta com 35 000 anos

De manhã, enquanto me preparava para saír de casa, ouvi uma crónica na TSF em que se referia a descoberta arqueológica de uma flauta em osso de grifo com trinta e cinco mil anos. No fim da crónica, colocava-se no ar o som de uma suposta "réplica" dessa flauta. Bastam rudimentos de história da música para perceber que uma flauta com 35000 anos nunca poderia produzir aquela melodia. Nem com 5000 anos. Provavelmente, nem com 1000 anos.
Antes mesmo de eu fazer uma pesquisa na Internet, uma colega bem intencionada enviou-me a ligação para o sítio do Público onde está a notícia e a ligação para essa gravação.

O mau jornalismo impera, já sabemos. A ignorância musical campeia, também já sabemos. O problema não está tanto na notícia, a qual resume o artigo apresentado na revista Nature de ontem.
O problema está na "informação" complementar: além do Público não apresentar em "outros recursos" a ligação para o artigo original, o que deveria fazer, remete, nessa secção, para a tal gravação de uma musiquinha tocada numa pseudo-réplica da dita flauta.

Só falta saber: estaria a flauta com 35 000 anos afinada em Lá 440?...