Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

11 novembro 2009

Concerto no Jardim Botânico - Hoje!


Para lembrar: é hoje o aniversário do Jardim Botânico de Lisboa a que o Grupo Vocal Arsis se junta com um concerto de música profana dos séculos 16, 17 e 19 de temática bucólica.
Venham ouvir música coral de Mendelsshon, Brahms e Dowland. Surpreendam-se com Manuel Machado, Rutter e Moore. Um concerto muito relaxante no ambiente encantador do Jardim Botânico de Lisboa.
É às 19h00 e eu lá estarei.

10 novembro 2009

António Teixeira e «As variedades de Proteu»


Quinta-feira, às 18h00, a conferência sobre António Teixeira e a sua ópera «As variedades de Proteu», sobre libreto de António José da Silva (o Judeu), por Sílvia Sequeira.
Já sabem: saem da sessão sobre Tomás Alcaide, que termina às 17h00, metem-se no metro e vêm até à BNP, assistir à palestra.

Sessão aberta sobre Tomás Alcaide no Museu da Música


Quinta-feira, dia 12, às 14h30, no Museu da Música.

«Organizada pelo projecto de investigação “O Teatro de S. Carlos: as artes do espectáculo em Portugal”, do CESEM/FCSH-UNL, em parceria com o Museu da Música, esta sessão aberta irá reunir, num diálogo informal, alguns dos melhores amigos e antigos alunos de Tomás Alcaide – Carlos Fonseca, Álvaro Malta e Mário Moreau, contando igualmente com a presença especial da sua esposa, Asta-Rose Alcaide.

«De 12 a 30 de Novembro de 2009, o Museu da Música terá também patente uma exposição de peças e documentos do espólio de Tomás Alcaide, proporcionando assim ao público, um encontro mais próximo com este artista, verdadeiro embaixador português da arte lírica no mundo.

«Nascido em Estremoz em 1901, Tomás Alcaide parte aos 25 anos para Milão, ao encontro da sua ímpar e excelsa carreira artística, na qual foi ovacionado e reconhecido como um dos melhores tenores di grazia, nos mais prestigiados teatros de ópera do mundo, onde cantou sempre os papéis principais.

«A sua voz de belo timbre, aliada a um domínio absoluto do diafragma, permitiam-lhe passar do forte ao pianíssimo, quase inaudível, num smorzando que movia cascatas de palmas. Primava pela criatividade e perfeição enquanto actor, esforçando-se por ter um guarda-roupa de cena sumptuoso e cuidado ao mais ínfimo pormenor. Estas preocupações estéticas, somadas à sua figura alta, elegante, de pose distinta e sedutora, davam-lhe uma presença carismática, única e inesquecível, em palco.»

(Fonte: sítio web do Museu da Música)

06 novembro 2009

05 novembro 2009

Concerto de aniversário do Jardim Botânico de Lisboa

O próximo dia 11 de Novembro é dia de S. Martinho, de castanhas e de... 131 anos do Jardim Botânico de Lisboa.
As colecções vegetais do Jardim Botânico de Lisboa - as quais incluem, além de árvores, arbustos e flores, também líquenes e fungos de Portugal e de todo o planeta - remontam a mais do que 131 anos: foram reunidas em expedições e viagens em África, Brasil, Ásia e Timor desde há mais de 200 anos. Nos 4 hectares que o constituem, observam-se cicadácias, gimnospérmicas, palmeiras e figueiras tropicais. Possui ainda um valiosíssimo Banco de Sementes onde são preservadas espécies raras ou ameaçadas de extinção.
Nos tempos que correm, em que tanto se fala (e bem!) de biodiversidade, o Jardim Botânico merece ser visitado e acarinhado pois reúne um património de grande valor não apenas científico mas também histórico e cultural.

A comemorar 131 anos no dia 11 de Novembro, o Grupo Vocal Arsis junta-se, com grande alegria, a esta efeméride, apresentando um programa de música profana dos séculos 16, 17 e 19 de temática bucólica. É às 19h00 e eu lá estarei.

(Fonte: sítio web do Jardim Botânico de Lisboa)

28 outubro 2009

Quousque tandem, Saramage (et alia), abutere patientia nostra?

Já uma vez aqui escrevi que gosto do Saramago-escritor mas não do Saramago-opinador. Ele está no seu direito de dizer o que lhe apetece, já que estamos numa sociedade livre e democrática onde não existe delito de opinião. A esse direito, que lhe assiste, corresponde o de outros dizerem o que pensam dele, com igual liberdade. Eu acho o escritor José Saramago um hábil artesão da língua e leio os seus romances com verdadeiro deleite sensorial. Mas também acho o senhor Saramago um ateu fanático, tão cego e ignorante como qualquer fanático religioso.

O texto que se segue não é meu. É do escritor Richard Zimler e intitula-se «Saramago e a insustentável leveza da ignorância». Está publicado na revista Ípsilon (do Jornal Público) e disponível aqui. Diz o que penso sobre o assunto e muito melhor do que eu seria capaz de fazer. E eu já não tenho paciência para este senhor nem para os outros, que lhe dão importância.

«Quando José Saramago decidiu espevitar o interesse pelo seu último livro afirmando que "a Bíblia é um manual de maus costumes", a minha primeira reacção - como escritor e como alguém de há muito tempo dedicado aos estudos de religião comparada - foi rir-me para comigo e murmurar "e depois?".

«São várias e de ordem vária as razões por que desvalorizei os comentários de Saramago. O Antigo Testamento, praticamente na sua totalidade, nunca teve como propósito constituir qualquer coisa de parecido com um manual de boas ou más maneiras. Ao ler a Bíblia, pouco que seja, ninguém pretende encontrar um modelo para o seu comportamento nos actos do Rei David, de Betsabé, de Noé, de Adão, de Eva ou de quaisquer outras pessoas referidas nas histórias bíblicas. Na tradição judaica, tal atitude pura e simplesmente nunca existiu. Nem o mais ortodoxo dos rabinos obedece hoje à maioria das regras de conduta doDeuteronómio, mais que não fosse por estarem de tal modo datadas que seriam irrelevantes para a vida dos nossos dias. Assim como ninguém no mundo judeu modela o seu comportamento pelo de Deus. Fazê-lo seria considerado ingénuo na melhor das hipóteses ou herético na pior. O Antigo Testamento é formado em grande parte por uma compilação de histórias, muito à semelhança de um romance. E o seu tema principal é a difícil e por vezes tumultuosa relação entre Deus e Israel, entre o criador transcendente de um universo e o seu povo escolhido. É uma história de sobrevivência, de como os israelitas usaram de todos os meios à sua disposição - incluindo a guerra - para defender aquilo que consideravam a sua particular aliança com o Senhor. Como qualquer romance ou outra forma de narrativa que intente descrever todos os cambiantes da conduta humana, dela fazem parte tanto a opressão intolerável, os crimes de guerra e os assassinatos, como também o amor, a dedicação e o heroísmo. Trata de seres humanos tal como eles são, e não como eles deveriam ser. Pegar no Antigo Testamento para criticar a brutalidade dos hebreus ou de outros povos da antiguidade é o mesmo que criticar Dostoievsky por escrever sobre um assassinato premeditado em Crime e Castigo ou criticar Anne Frank por descrever como a crueldade nazi afectou a sua família.

«Inclinava-me a pensar que qualquer escritor haveria de olhar como vital, tanto para ficcionistas como para ensaístas, a exploração de toda a gama das emoções e acções humanas, mas ao que parece enganava-me, pelo menos no caso particular de Saramago.

«Confesso que as palavras de Saramago me deixaram perplexo de um modo muito pessoal ao implicarem que não deveríamos escrever sobre os horrendos crimes cometidos por seres humanos, pois uma boa parte do que faço nos meus romances é explorar as vidas de pessoas cujas vozes têm sido sistematicamente silenciadas por ditadores, generais e inquisidores religiosos. Penso que escrever sobre a repressão violenta e sobre os tratamentos cruéis é essencial, sobretudo quando se busca a criação de um mundo de mais justiça e humanidade. E uma das coisas que mais respeito e valorizo no Antigo Testamento - apesar de não crer num Deus pessoal e de não praticar nenhuma forma de fé, nem sequer a religião dos meus pais, o judaísmo - é o facto de aí nada ser escamoteado ou escondido. Quem quer que deseje conhecer até onde pode chegar a abominação e a crueldade humanas e até que ponto Deus - ou o Destino - pode ser impiedoso bastar-lhe-á abrir o Antigo Testamento. Para quem nunca o fez, sugeriria que lessem o tratamento dado pelo Rei David a Urias, narrado no Segundo Livro de Samuel. Será difícil encontrar descrição mais poderosa da traição e da brutalidade humanas.

«Por outro lado, considerei que no fundo não valia a pena dar importância aos comentários de Saramago, pela ingenuidade e infantilidade da interpretação literal que ele (juntamente com os fundamentalistas religiosos) faz das histórias do Antigo Testamento. Uma das mais importantes lições que retirei do estudo da história das religiões e da mitologia é que as narrativas mitológicas são - na sua maior parte - poesia e não prosa. A história de Adão e Eva é poesia. Ou será que haverá alguém que acredite que Eva foi feita de uma costela de Adão? O autor desta narrativa do Antigo Testamento está a recorrer a uma linguagem simbólica - tal como poetas muito posteriores, como Shakespeare ou Camões, recorreram à linguagem simbólica para criarem as suas obras-primas. Ou será que algum leitor de Os Lusíadas pensa que os navegadores portugueses depararam com um temível gigante chamado Adamastor nas suas viagens da época das Descobertas? Ou, quando a narrativa bíblica conta que Moisés separou as águas do Mar Vermelho no Livro do Êxodo para que o seu povo pudesse fugir do Egipto, será que alguém com mais de dez anos acredita que ele possa ter murmurado algum abracadabra hebraico e produzido tal milagre? Espero bem que não. O Antigo Testamento pode ter como referência um acontecimento histórico - a libertação do povo hebraico -, mas a linguagem utilizada é poética e simbólica. Por assim ser, está aberto a diferentes interpretações. Pode acontecer que o que aqui se pretende é falar da viagem espiritual que cada um de nós pode fazer ao longo das nossas vidas, da escravidão para a liberdade. Nesse caso, a história de Moisés será sobre a nossa aspiração - como indivíduos e como povo - à segurança, a uma vida realizada e com sentido.

«Tomar à letra estas histórias é simplesmente não entender o Antigo Testamento e ignorar por completo dois mil anos da tradição poética ocidental.

«As palavras de Saramago pareceram-me ainda como o "much ado about nothing", o muito barulho para nada, com que soa qualquer coisa que nem remotamente é novidade. Há cerca de dois mil anos que os filósofos judeus vêm debatendo a brutalidade de Deus e da humanidade no Antigo Testamento, em tons bastante mais emocionados do que os usados no debate em causa. Talvez a história mais criticada do Antigo Testamento seja narrada no livro deJob. Depois de um Satanás céptico dizer a Deus que a piedade de Job se deve apenas à prosperidade de que goza, Deus põe à prova a fé e a dedicação de Job arruinando-lhe a vida da forma mais horrível. Podemos encontrar comentários sobre a interpretação a dar a esta história - assim como de qualquer outra história bíblica - em centenas de livros escritos por filósofos judeus - e também alguns cristãos - ao longo dos últimos dois mil anos. Como é possível que alguém que se considera instruído não tenha consciência desta herança cultural?

«As primeiras obras escritas analisando a natureza de Deus, tal como é descrita no Antigo Testamento, são o Talmude, um compêndio dos textos rabínicos sobre ética e cultura compilados entre os anos 200 e 500 da era cristã. Mais tarde, na época medieval, o tema da natureza de Deus foi explorado por dezenas de talentosos filósofos medievais, incluindo pensadores magníficos como Maimónides e Moisés de Leão, autor do século XIII, que escreveu o livro mais influente do misticismo judaico, oZohar. Mais recentemente, estudiosos como Walter Benjamin e Martin Buber acrescentaram facetas modernas ao debate. A natureza da relação de Deus com o homem - a Sua crueldade e, em particular, a Sua "surdez" face ao sofrimento humano - tornou-se num dos mais importantes tópicos de discussão no mundo judaico desde o Holocausto, pelo mais óbvio e terrível dos motivos. Simultaneamente, este debate filosófico foi sendo reflectido na literatura judaica desde os meados do século XIX, na obra de muitos escritores, de Sholem Aleichem e Shmuel Yosef Agnon - que recebeu o Prémio Nobel em 1966 - a Philip Roth.

«Concluindo, custa-me compreender como é que alguém, ainda que vagamente familiarizado com a filosofia e a literatura ocidentais, pode acreditar que erguer-se em 2009 contra a crueldade contida no Antigo Testamento tem alguma coisa de novo ou de chocante. Ou sequer interessante.

«O que é interessante é perguntarmo-nos por que razão exige Deus uma tão absoluta fidelidade aos israelitas e os castiga tão brutalmente por Lhe desobedecerem. Por que são outros povos, como os cananitas, olhados com tanto desprezo. O que diz tudo isto sobre as condições políticas e sociais em Israel em 500 a.C. E o que diz a relação de Deus com Israel sobre a "natureza tribal" das religiões da antiguidade.

«Estes, sim, são temas importantes a merecer respostas sérias dos estudiosos.

«Mas, naturalmente, nada disto mereceu a atenção de Saramago nem dos que reagiram às suas críticas ao Antigo Testamento. O que me traz ao aspecto mais perturbador e alarmante de toda esta tola controvérsia. Os jornalistas e os responsáveis religiosos portugueses de um modo geral trataram os comentários de Saramago como importantes! Graças a eles, os meios de comunicação deram-lhe mais tempo na televisão e mais espaço nos jornais do que a outras questões muito mais importantes. E alguns representantes da Igreja Católica atacaram-no com uma ferocidade emocional que revela bem que consideram tais opiniões sobre o Antigo Testamento como um obstáculo à fé. Mais uma vez, tal como salientei mais atrás, os comentários de Saramago não são nem chocantes nem novos. E apenas representam um obstáculo à fé para quem não tenha a menor ideia do que é e do que pretendia ser o Antigo Testamento. As críticas de Saramago são unicamente banalidades superficiais, que revelam uma profunda ignorância da filosofia e da religião ocidentais e uma total incompreensão da linguagem poética e narrativa de desde há mais de três mil anos. Só quem ignora tal herança, jornalistas e responsáveis religiosos incluídos, poderia tornar o patético desabafo do romancista numa tal polémica. E, para mim, essa foi a parte mais desanimadora e mais perturbante de toda esta "inventada" notícia: descobrir que na sociedade onde vivemos, entre os seus membros mais ilustres e cultivados, possa prolongar-se tão lastimosa ignorância de uma parte importantíssima do legado civilizacional da filosofia e da cultura ocidentais.»

(Tradução de José Lima)

Obras na BNP

E cresce. E cresce. E cresce...


Em 17 de Fevereiro:

Em 14 de Maio:

Em 16 de Junho:

Em 31 de Julho:

Em 11 de Agosto:

Em 13 de Agosto:

E hoje, 28 de Outubro, chega ao último piso!

27 outubro 2009

Para porem na agenda

Ainda faltam três semanas mas já podem ir pondo na agenda:

Concerto "As Sete Últimas Palavras do Nosso Salvador na Cruz" de Joseph Haydn, pelo Coro do teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, dia 15 de Novembro, pelas 18h00, na sala de leitura da Biblioteca Nacional de Portugal.
Como sempre, a entrada é livre.
Aproveitam e espreitam o avanço das obras da Torre.

08 outubro 2009

Amor

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)

01 outubro 2009

Viola ou guitarra: that's the question!

«Na Biblioteca Nacional de Portugal guarda-se a maior colecção musical dedicada aos cordofones de mão, nomeadamente violas, guitarras e bandolins. Deste riquíssimo e diversificado repertório, que se inicia no séc. XVI e vai até ao XX, escolhemos para tema da nossa apresentação o cordofone de mão de caixa em forma de oito, e intitulámo-la Viola ou guitarra? That’s the question!.

«Em Portugal, desde os finais do séc. XVIII, o mencionado cordofone de mão aparece algumas vezes escrito indistintamente (sobretudo em manuscritos portugueses, nunca nas obras impressas), umas vezes com a grafia de viola e outras com a de guitarra, embora na realidade se trate do mesmo instrumento músico, de caixa em forma de oito e braço longo, montado com cinco ordens de cordas (duplas ou algumas triplicadas) ou, desde os inícios de oitocentos, com seis cordas simples. Se por um lado, o uso do vocábulo guitarra é tomado no séc. XVIII do nome com que este instrumento era designado em Espanha (Violas de mão que em Espanha chamaõ Guitarra, Morato, 1762), por outro (sobretudo desde o séc. XX) a hegemonia da língua inglesa vem contaminar a terminologia musical portuguesa, sobretudo no que respeita à designação deste instrumento, daí que tenhamos acrescentado, ao título da apresentação, um subtítulo em inglês.
«Questões da correcta terminologia musical a usar em português, são uma preocupação constante para quem tem a responsabilidade de catalogar e indexar muitas das obras contidas neste acervo. Para os técnicos da Área de Música da BNP estas questões de organologia e terminologia musical portuguesa são uma preocupação candente quando se deparam perante o dilema de saber qual o verdadeiro vocábulo a empregar na identificação das peças para os cordofones de mão.
«Este evento é acompanhado de uma exposição temática onde são mostradas algumas das mais significativas peças musicais e métodos do séc. XVII ao início do séc. XX (portuguesas e espanholas) tanto impressas como manuscritas e complementada com três instrumentos originais: uma viola francesa (ou violão) de meados do séc. XIX, uma guitarra portuguesa construída no Funchal por Matheus Januário da Silva (s.d., c. 1900) e um bandolim de inícios do séc. XX. Também se usaram duas gravuras (uma do séc. XVII e outra do início do séc. XIX) e um guache de c. 1832, provenientes da Área de Iconografia desta instituição.
«Para complementar a nossa apresentação, que se insere no programa Música na Biblioteca, faremos ouvir gravações pelos “Segréis de Lisboa”, de algumas das músicas expostas, sobretudo Modinhas e Lunduns dos finais do séc. XVIII e inícios do seguinte, para uma e duas vozes, acompanhadas pela viola de cinco ordens e pela viola francesa ou violão.»
MANUEL MORAIS (Fonte: sítio da Biblioteca Nacional de Portugal)

23 setembro 2009

Doação à BNP de parte do espólio de Luís de Freitas Branco e do espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas


«No dia 23 de Setembro, pelas 15H30, terá lugar na Sala do Conselho da Biblioteca Nacional de Portugal a assinatura do Termo de Doação de parte do acervo documental do compositor Luís de Freitas Branco e do Espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas, doados à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) pelo compositor Alexandre Delgado

«Figura incontornável na história da música portuguesa, Luís de Freitas Branco (1890-1955) nasceu em Lisboa e recebeu de seu tio João de Freitas Branco os primeiros ensinamentos literários e musicais. Revelando um talento precoce, estudou composição, primeiro com Augusto Machado e Tomás Borba, depois com Désiré Pâque e Luigi Mancinelli.

«Entre 1910 e 1915 deslocou-se algumas vezes ao estrangeiro, completando a sua formação com Humperdinck, em Berlim, e com Gabriel Grovlez, em Paris. Datam deste período algumas composições que reflectem a influência das mais modernas correntes da música europeia, como o impressionismo francês e o atonalismo schoenberguiano, entre elas o poema sinfónico Paraísos artificiais, inspirado na obra homónima de Baudelaire (1913), e Vathek: Variações Sinfónicas sobre um tema oriental (1914). Desenvolveu uma importante acção pedagógica, colaborando com Viana da Mota na reforma do Conservatório Nacional, tendo sido seu subdirector entre 1919 e 1924. Esta reforma englobou medidas como a adopção exclusiva de solfejo entoado, a criação de cadeiras de cultura geral e a inclusão da classe de Ciências Musicais, dividida em Acústica, História da Música e Estética Musical que o próprio Freitas Branco passou a leccionar, entre 1916 e 1939. Como professor denotou uma atitude pedagógica voltada essencialmente para a orientação de vocações, tendo um papel importante na preparação de uma nova geração de compositores, destacando-se de entre os seus discípulos António Fragoso, Armando José Fernandes, Joly Braga Santos e Fernando Lopes Graça, a que se juntaram, na qualidade de seguidores, António Nuno Barreiros, Maria Helena de Freitas e José Atalaya.

«Como compositor, o período seguinte é marcado por algumas obras de carácter nacionalista, de que são exemplo as duas Suites Alentejanas, e de outras de raiz neoclássica e inspiração renascentista como os Madrigais Camonianos.

«Autor com importante produção ensaística, escreveu, entre outros títulos, A Música em Portugal (1927), Vida de Beethoven (1943) e D. João IV, Músico (publicado postumamente), sem esquecer, no âmbito da pedagogia, Elementos de Ciências Musicais (1922), Acústica e História da Música (1930) e Tratado de Harmonia (1930), livros que durante largos anos fizeram parte da bibliografia adoptada nos cursos de música do Conservatório Nacional. Exerceu também a actividade de crítico musical em periódicos como Diário Ilustrado, Monarquia, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e o Século. Em 1929 fundou a revista Arte Musical, da qual foi director até 1948.

«António Nuno Barreiros (1928-2001), musicógrafo, crítico e profissional de Rádio, nasceu em Castendo (actual Penalva do Castelo). Fez estudos de composição, instrumentação, estética e história da música com Luís de Freitas Branco, de quem se tornou incondicional seguidor. Em 1959, ingressou como assistente musical na antiga Emissora Nacional, ali ocupando sucessivamente os cargos de realizador, chefe do sector de música erudita, chefe de programas nacionais e director do Programa 2. Foi crítico musical permanente do Diário Ilustrado, do Diário de Lisboa e do Jornal do Comércio, além de colaborador assíduo noutros periódicos como a Gazeta Musical, Vértice, Boletim da Juventude Musical Portuguesa, Diário de Notícias, O Século e Comércio do Porto. Além de vasta produção escrita, de que se destacam ainda os artigos que escreveu para a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, proferiu inúmeras conferências e palestras sobre música e músicos portugueses.

«Maria Helena de Freitas (1913-2004) pianista e crítica musical, comentou ao vivo concertos e espectáculos de ópera. Manteve na Emissora Nacional, mais tarde RDP, um programa de grande longevidade dedicado fundamentalmente ao canto lírico, O canto e os seus intérpretes, emitido de 1959 a 2000. Muitas pessoas foram conquistada através desse programa para o prazer da ópera e para o conhecimento dos seus intérpretes mais significativos. Escreveu em jornais como A Voz, Diário Popular e Diário de Notícias.

«O conjunto documental agora doado à BNP pelo compositor Alexandre Delgado é constituído por manuscritos (autógrafos e cópias) de obras de Luís de Freitas Branco, bem como por textos e documentação variada de e sobre o compositor (programas, críticas e correspondência), reunidos pelo casal Nuno Barreiros/ Maria Helena de Freitas, e, ainda, por documentos relacionados com Freitas Branco produzidos por estes dois melómanos.

«Importa salientar que a BNP já integra no seu Arquivo de Música Portuguesa, os espólios de muitos dos grandes compositores citados na presente nota, designadamente Augusto Machado, Viana da Mota, Armando José Fernandes ou Joly Braga Santos

(Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal)

28 agosto 2009

Mais luz!

Gostei!

(Tirada daqui)

Nunca tinha pensado nisso mas é o que somos, realmente.

14 agosto 2009

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?

13 agosto 2009

Olhares (7)

Mais Olhares. Tiradas sábado, em Belém, depois da ópera Susana, de Alfredo Keil.





03 agosto 2009

Olhares (6)

As mais recentes inclusões na minha galeria do Olhares. Tiradas ontem, entre o Chiado e a Madragoa, depois de um concerto do Quarteto Arabesco, no Miradouro de Santa Catarina.





24 julho 2009

Olhares (5)

Quatro das dezassete mais recentes inclusões na minha galeria do Olhares.

Verde de São Miguel

Alcochete II

Maré baixa II

Olhares

23 julho 2009

Há gripe, há...

Em vez de andar a distribuir mails de credibilidade duvidosa, o melhor mesmo é ir buscar a informação correcta e actual onde ela está. Recomendo, é bom contra a Gripe A e contra a histeria: Portal da Saúde. É actualizado diariamente e tem muita informação adicional. Esqueçam os boatos, os mails brasileiros e as recomendações do Dr. Não-Sei-Quantos que se calhar nem existe.