Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

06 novembro 2009

05 novembro 2009

Concerto de aniversário do Jardim Botânico de Lisboa

O próximo dia 11 de Novembro é dia de S. Martinho, de castanhas e de... 131 anos do Jardim Botânico de Lisboa.
As colecções vegetais do Jardim Botânico de Lisboa - as quais incluem, além de árvores, arbustos e flores, também líquenes e fungos de Portugal e de todo o planeta - remontam a mais do que 131 anos: foram reunidas em expedições e viagens em África, Brasil, Ásia e Timor desde há mais de 200 anos. Nos 4 hectares que o constituem, observam-se cicadácias, gimnospérmicas, palmeiras e figueiras tropicais. Possui ainda um valiosíssimo Banco de Sementes onde são preservadas espécies raras ou ameaçadas de extinção.
Nos tempos que correm, em que tanto se fala (e bem!) de biodiversidade, o Jardim Botânico merece ser visitado e acarinhado pois reúne um património de grande valor não apenas científico mas também histórico e cultural.

A comemorar 131 anos no dia 11 de Novembro, o Grupo Vocal Arsis junta-se, com grande alegria, a esta efeméride, apresentando um programa de música profana dos séculos 16, 17 e 19 de temática bucólica. É às 19h00 e eu lá estarei.

(Fonte: sítio web do Jardim Botânico de Lisboa)

28 outubro 2009

Quousque tandem, Saramage (et alia), abutere patientia nostra?

Já uma vez aqui escrevi que gosto do Saramago-escritor mas não do Saramago-opinador. Ele está no seu direito de dizer o que lhe apetece, já que estamos numa sociedade livre e democrática onde não existe delito de opinião. A esse direito, que lhe assiste, corresponde o de outros dizerem o que pensam dele, com igual liberdade. Eu acho o escritor José Saramago um hábil artesão da língua e leio os seus romances com verdadeiro deleite sensorial. Mas também acho o senhor Saramago um ateu fanático, tão cego e ignorante como qualquer fanático religioso.

O texto que se segue não é meu. É do escritor Richard Zimler e intitula-se «Saramago e a insustentável leveza da ignorância». Está publicado na revista Ípsilon (do Jornal Público) e disponível aqui. Diz o que penso sobre o assunto e muito melhor do que eu seria capaz de fazer. E eu já não tenho paciência para este senhor nem para os outros, que lhe dão importância.

«Quando José Saramago decidiu espevitar o interesse pelo seu último livro afirmando que "a Bíblia é um manual de maus costumes", a minha primeira reacção - como escritor e como alguém de há muito tempo dedicado aos estudos de religião comparada - foi rir-me para comigo e murmurar "e depois?".

«São várias e de ordem vária as razões por que desvalorizei os comentários de Saramago. O Antigo Testamento, praticamente na sua totalidade, nunca teve como propósito constituir qualquer coisa de parecido com um manual de boas ou más maneiras. Ao ler a Bíblia, pouco que seja, ninguém pretende encontrar um modelo para o seu comportamento nos actos do Rei David, de Betsabé, de Noé, de Adão, de Eva ou de quaisquer outras pessoas referidas nas histórias bíblicas. Na tradição judaica, tal atitude pura e simplesmente nunca existiu. Nem o mais ortodoxo dos rabinos obedece hoje à maioria das regras de conduta doDeuteronómio, mais que não fosse por estarem de tal modo datadas que seriam irrelevantes para a vida dos nossos dias. Assim como ninguém no mundo judeu modela o seu comportamento pelo de Deus. Fazê-lo seria considerado ingénuo na melhor das hipóteses ou herético na pior. O Antigo Testamento é formado em grande parte por uma compilação de histórias, muito à semelhança de um romance. E o seu tema principal é a difícil e por vezes tumultuosa relação entre Deus e Israel, entre o criador transcendente de um universo e o seu povo escolhido. É uma história de sobrevivência, de como os israelitas usaram de todos os meios à sua disposição - incluindo a guerra - para defender aquilo que consideravam a sua particular aliança com o Senhor. Como qualquer romance ou outra forma de narrativa que intente descrever todos os cambiantes da conduta humana, dela fazem parte tanto a opressão intolerável, os crimes de guerra e os assassinatos, como também o amor, a dedicação e o heroísmo. Trata de seres humanos tal como eles são, e não como eles deveriam ser. Pegar no Antigo Testamento para criticar a brutalidade dos hebreus ou de outros povos da antiguidade é o mesmo que criticar Dostoievsky por escrever sobre um assassinato premeditado em Crime e Castigo ou criticar Anne Frank por descrever como a crueldade nazi afectou a sua família.

«Inclinava-me a pensar que qualquer escritor haveria de olhar como vital, tanto para ficcionistas como para ensaístas, a exploração de toda a gama das emoções e acções humanas, mas ao que parece enganava-me, pelo menos no caso particular de Saramago.

«Confesso que as palavras de Saramago me deixaram perplexo de um modo muito pessoal ao implicarem que não deveríamos escrever sobre os horrendos crimes cometidos por seres humanos, pois uma boa parte do que faço nos meus romances é explorar as vidas de pessoas cujas vozes têm sido sistematicamente silenciadas por ditadores, generais e inquisidores religiosos. Penso que escrever sobre a repressão violenta e sobre os tratamentos cruéis é essencial, sobretudo quando se busca a criação de um mundo de mais justiça e humanidade. E uma das coisas que mais respeito e valorizo no Antigo Testamento - apesar de não crer num Deus pessoal e de não praticar nenhuma forma de fé, nem sequer a religião dos meus pais, o judaísmo - é o facto de aí nada ser escamoteado ou escondido. Quem quer que deseje conhecer até onde pode chegar a abominação e a crueldade humanas e até que ponto Deus - ou o Destino - pode ser impiedoso bastar-lhe-á abrir o Antigo Testamento. Para quem nunca o fez, sugeriria que lessem o tratamento dado pelo Rei David a Urias, narrado no Segundo Livro de Samuel. Será difícil encontrar descrição mais poderosa da traição e da brutalidade humanas.

«Por outro lado, considerei que no fundo não valia a pena dar importância aos comentários de Saramago, pela ingenuidade e infantilidade da interpretação literal que ele (juntamente com os fundamentalistas religiosos) faz das histórias do Antigo Testamento. Uma das mais importantes lições que retirei do estudo da história das religiões e da mitologia é que as narrativas mitológicas são - na sua maior parte - poesia e não prosa. A história de Adão e Eva é poesia. Ou será que haverá alguém que acredite que Eva foi feita de uma costela de Adão? O autor desta narrativa do Antigo Testamento está a recorrer a uma linguagem simbólica - tal como poetas muito posteriores, como Shakespeare ou Camões, recorreram à linguagem simbólica para criarem as suas obras-primas. Ou será que algum leitor de Os Lusíadas pensa que os navegadores portugueses depararam com um temível gigante chamado Adamastor nas suas viagens da época das Descobertas? Ou, quando a narrativa bíblica conta que Moisés separou as águas do Mar Vermelho no Livro do Êxodo para que o seu povo pudesse fugir do Egipto, será que alguém com mais de dez anos acredita que ele possa ter murmurado algum abracadabra hebraico e produzido tal milagre? Espero bem que não. O Antigo Testamento pode ter como referência um acontecimento histórico - a libertação do povo hebraico -, mas a linguagem utilizada é poética e simbólica. Por assim ser, está aberto a diferentes interpretações. Pode acontecer que o que aqui se pretende é falar da viagem espiritual que cada um de nós pode fazer ao longo das nossas vidas, da escravidão para a liberdade. Nesse caso, a história de Moisés será sobre a nossa aspiração - como indivíduos e como povo - à segurança, a uma vida realizada e com sentido.

«Tomar à letra estas histórias é simplesmente não entender o Antigo Testamento e ignorar por completo dois mil anos da tradição poética ocidental.

«As palavras de Saramago pareceram-me ainda como o "much ado about nothing", o muito barulho para nada, com que soa qualquer coisa que nem remotamente é novidade. Há cerca de dois mil anos que os filósofos judeus vêm debatendo a brutalidade de Deus e da humanidade no Antigo Testamento, em tons bastante mais emocionados do que os usados no debate em causa. Talvez a história mais criticada do Antigo Testamento seja narrada no livro deJob. Depois de um Satanás céptico dizer a Deus que a piedade de Job se deve apenas à prosperidade de que goza, Deus põe à prova a fé e a dedicação de Job arruinando-lhe a vida da forma mais horrível. Podemos encontrar comentários sobre a interpretação a dar a esta história - assim como de qualquer outra história bíblica - em centenas de livros escritos por filósofos judeus - e também alguns cristãos - ao longo dos últimos dois mil anos. Como é possível que alguém que se considera instruído não tenha consciência desta herança cultural?

«As primeiras obras escritas analisando a natureza de Deus, tal como é descrita no Antigo Testamento, são o Talmude, um compêndio dos textos rabínicos sobre ética e cultura compilados entre os anos 200 e 500 da era cristã. Mais tarde, na época medieval, o tema da natureza de Deus foi explorado por dezenas de talentosos filósofos medievais, incluindo pensadores magníficos como Maimónides e Moisés de Leão, autor do século XIII, que escreveu o livro mais influente do misticismo judaico, oZohar. Mais recentemente, estudiosos como Walter Benjamin e Martin Buber acrescentaram facetas modernas ao debate. A natureza da relação de Deus com o homem - a Sua crueldade e, em particular, a Sua "surdez" face ao sofrimento humano - tornou-se num dos mais importantes tópicos de discussão no mundo judaico desde o Holocausto, pelo mais óbvio e terrível dos motivos. Simultaneamente, este debate filosófico foi sendo reflectido na literatura judaica desde os meados do século XIX, na obra de muitos escritores, de Sholem Aleichem e Shmuel Yosef Agnon - que recebeu o Prémio Nobel em 1966 - a Philip Roth.

«Concluindo, custa-me compreender como é que alguém, ainda que vagamente familiarizado com a filosofia e a literatura ocidentais, pode acreditar que erguer-se em 2009 contra a crueldade contida no Antigo Testamento tem alguma coisa de novo ou de chocante. Ou sequer interessante.

«O que é interessante é perguntarmo-nos por que razão exige Deus uma tão absoluta fidelidade aos israelitas e os castiga tão brutalmente por Lhe desobedecerem. Por que são outros povos, como os cananitas, olhados com tanto desprezo. O que diz tudo isto sobre as condições políticas e sociais em Israel em 500 a.C. E o que diz a relação de Deus com Israel sobre a "natureza tribal" das religiões da antiguidade.

«Estes, sim, são temas importantes a merecer respostas sérias dos estudiosos.

«Mas, naturalmente, nada disto mereceu a atenção de Saramago nem dos que reagiram às suas críticas ao Antigo Testamento. O que me traz ao aspecto mais perturbador e alarmante de toda esta tola controvérsia. Os jornalistas e os responsáveis religiosos portugueses de um modo geral trataram os comentários de Saramago como importantes! Graças a eles, os meios de comunicação deram-lhe mais tempo na televisão e mais espaço nos jornais do que a outras questões muito mais importantes. E alguns representantes da Igreja Católica atacaram-no com uma ferocidade emocional que revela bem que consideram tais opiniões sobre o Antigo Testamento como um obstáculo à fé. Mais uma vez, tal como salientei mais atrás, os comentários de Saramago não são nem chocantes nem novos. E apenas representam um obstáculo à fé para quem não tenha a menor ideia do que é e do que pretendia ser o Antigo Testamento. As críticas de Saramago são unicamente banalidades superficiais, que revelam uma profunda ignorância da filosofia e da religião ocidentais e uma total incompreensão da linguagem poética e narrativa de desde há mais de três mil anos. Só quem ignora tal herança, jornalistas e responsáveis religiosos incluídos, poderia tornar o patético desabafo do romancista numa tal polémica. E, para mim, essa foi a parte mais desanimadora e mais perturbante de toda esta "inventada" notícia: descobrir que na sociedade onde vivemos, entre os seus membros mais ilustres e cultivados, possa prolongar-se tão lastimosa ignorância de uma parte importantíssima do legado civilizacional da filosofia e da cultura ocidentais.»

(Tradução de José Lima)

Obras na BNP

E cresce. E cresce. E cresce...


Em 17 de Fevereiro:

Em 14 de Maio:

Em 16 de Junho:

Em 31 de Julho:

Em 11 de Agosto:

Em 13 de Agosto:

E hoje, 28 de Outubro, chega ao último piso!

27 outubro 2009

Para porem na agenda

Ainda faltam três semanas mas já podem ir pondo na agenda:

Concerto "As Sete Últimas Palavras do Nosso Salvador na Cruz" de Joseph Haydn, pelo Coro do teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, dia 15 de Novembro, pelas 18h00, na sala de leitura da Biblioteca Nacional de Portugal.
Como sempre, a entrada é livre.
Aproveitam e espreitam o avanço das obras da Torre.

08 outubro 2009

Amor

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Moraes)

01 outubro 2009

Viola ou guitarra: that's the question!

«Na Biblioteca Nacional de Portugal guarda-se a maior colecção musical dedicada aos cordofones de mão, nomeadamente violas, guitarras e bandolins. Deste riquíssimo e diversificado repertório, que se inicia no séc. XVI e vai até ao XX, escolhemos para tema da nossa apresentação o cordofone de mão de caixa em forma de oito, e intitulámo-la Viola ou guitarra? That’s the question!.

«Em Portugal, desde os finais do séc. XVIII, o mencionado cordofone de mão aparece algumas vezes escrito indistintamente (sobretudo em manuscritos portugueses, nunca nas obras impressas), umas vezes com a grafia de viola e outras com a de guitarra, embora na realidade se trate do mesmo instrumento músico, de caixa em forma de oito e braço longo, montado com cinco ordens de cordas (duplas ou algumas triplicadas) ou, desde os inícios de oitocentos, com seis cordas simples. Se por um lado, o uso do vocábulo guitarra é tomado no séc. XVIII do nome com que este instrumento era designado em Espanha (Violas de mão que em Espanha chamaõ Guitarra, Morato, 1762), por outro (sobretudo desde o séc. XX) a hegemonia da língua inglesa vem contaminar a terminologia musical portuguesa, sobretudo no que respeita à designação deste instrumento, daí que tenhamos acrescentado, ao título da apresentação, um subtítulo em inglês.
«Questões da correcta terminologia musical a usar em português, são uma preocupação constante para quem tem a responsabilidade de catalogar e indexar muitas das obras contidas neste acervo. Para os técnicos da Área de Música da BNP estas questões de organologia e terminologia musical portuguesa são uma preocupação candente quando se deparam perante o dilema de saber qual o verdadeiro vocábulo a empregar na identificação das peças para os cordofones de mão.
«Este evento é acompanhado de uma exposição temática onde são mostradas algumas das mais significativas peças musicais e métodos do séc. XVII ao início do séc. XX (portuguesas e espanholas) tanto impressas como manuscritas e complementada com três instrumentos originais: uma viola francesa (ou violão) de meados do séc. XIX, uma guitarra portuguesa construída no Funchal por Matheus Januário da Silva (s.d., c. 1900) e um bandolim de inícios do séc. XX. Também se usaram duas gravuras (uma do séc. XVII e outra do início do séc. XIX) e um guache de c. 1832, provenientes da Área de Iconografia desta instituição.
«Para complementar a nossa apresentação, que se insere no programa Música na Biblioteca, faremos ouvir gravações pelos “Segréis de Lisboa”, de algumas das músicas expostas, sobretudo Modinhas e Lunduns dos finais do séc. XVIII e inícios do seguinte, para uma e duas vozes, acompanhadas pela viola de cinco ordens e pela viola francesa ou violão.»
MANUEL MORAIS (Fonte: sítio da Biblioteca Nacional de Portugal)

23 setembro 2009

Doação à BNP de parte do espólio de Luís de Freitas Branco e do espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas


«No dia 23 de Setembro, pelas 15H30, terá lugar na Sala do Conselho da Biblioteca Nacional de Portugal a assinatura do Termo de Doação de parte do acervo documental do compositor Luís de Freitas Branco e do Espólio de Nuno Barreiros/Maria Helena de Freitas, doados à Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) pelo compositor Alexandre Delgado

«Figura incontornável na história da música portuguesa, Luís de Freitas Branco (1890-1955) nasceu em Lisboa e recebeu de seu tio João de Freitas Branco os primeiros ensinamentos literários e musicais. Revelando um talento precoce, estudou composição, primeiro com Augusto Machado e Tomás Borba, depois com Désiré Pâque e Luigi Mancinelli.

«Entre 1910 e 1915 deslocou-se algumas vezes ao estrangeiro, completando a sua formação com Humperdinck, em Berlim, e com Gabriel Grovlez, em Paris. Datam deste período algumas composições que reflectem a influência das mais modernas correntes da música europeia, como o impressionismo francês e o atonalismo schoenberguiano, entre elas o poema sinfónico Paraísos artificiais, inspirado na obra homónima de Baudelaire (1913), e Vathek: Variações Sinfónicas sobre um tema oriental (1914). Desenvolveu uma importante acção pedagógica, colaborando com Viana da Mota na reforma do Conservatório Nacional, tendo sido seu subdirector entre 1919 e 1924. Esta reforma englobou medidas como a adopção exclusiva de solfejo entoado, a criação de cadeiras de cultura geral e a inclusão da classe de Ciências Musicais, dividida em Acústica, História da Música e Estética Musical que o próprio Freitas Branco passou a leccionar, entre 1916 e 1939. Como professor denotou uma atitude pedagógica voltada essencialmente para a orientação de vocações, tendo um papel importante na preparação de uma nova geração de compositores, destacando-se de entre os seus discípulos António Fragoso, Armando José Fernandes, Joly Braga Santos e Fernando Lopes Graça, a que se juntaram, na qualidade de seguidores, António Nuno Barreiros, Maria Helena de Freitas e José Atalaya.

«Como compositor, o período seguinte é marcado por algumas obras de carácter nacionalista, de que são exemplo as duas Suites Alentejanas, e de outras de raiz neoclássica e inspiração renascentista como os Madrigais Camonianos.

«Autor com importante produção ensaística, escreveu, entre outros títulos, A Música em Portugal (1927), Vida de Beethoven (1943) e D. João IV, Músico (publicado postumamente), sem esquecer, no âmbito da pedagogia, Elementos de Ciências Musicais (1922), Acústica e História da Música (1930) e Tratado de Harmonia (1930), livros que durante largos anos fizeram parte da bibliografia adoptada nos cursos de música do Conservatório Nacional. Exerceu também a actividade de crítico musical em periódicos como Diário Ilustrado, Monarquia, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e o Século. Em 1929 fundou a revista Arte Musical, da qual foi director até 1948.

«António Nuno Barreiros (1928-2001), musicógrafo, crítico e profissional de Rádio, nasceu em Castendo (actual Penalva do Castelo). Fez estudos de composição, instrumentação, estética e história da música com Luís de Freitas Branco, de quem se tornou incondicional seguidor. Em 1959, ingressou como assistente musical na antiga Emissora Nacional, ali ocupando sucessivamente os cargos de realizador, chefe do sector de música erudita, chefe de programas nacionais e director do Programa 2. Foi crítico musical permanente do Diário Ilustrado, do Diário de Lisboa e do Jornal do Comércio, além de colaborador assíduo noutros periódicos como a Gazeta Musical, Vértice, Boletim da Juventude Musical Portuguesa, Diário de Notícias, O Século e Comércio do Porto. Além de vasta produção escrita, de que se destacam ainda os artigos que escreveu para a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, proferiu inúmeras conferências e palestras sobre música e músicos portugueses.

«Maria Helena de Freitas (1913-2004) pianista e crítica musical, comentou ao vivo concertos e espectáculos de ópera. Manteve na Emissora Nacional, mais tarde RDP, um programa de grande longevidade dedicado fundamentalmente ao canto lírico, O canto e os seus intérpretes, emitido de 1959 a 2000. Muitas pessoas foram conquistada através desse programa para o prazer da ópera e para o conhecimento dos seus intérpretes mais significativos. Escreveu em jornais como A Voz, Diário Popular e Diário de Notícias.

«O conjunto documental agora doado à BNP pelo compositor Alexandre Delgado é constituído por manuscritos (autógrafos e cópias) de obras de Luís de Freitas Branco, bem como por textos e documentação variada de e sobre o compositor (programas, críticas e correspondência), reunidos pelo casal Nuno Barreiros/ Maria Helena de Freitas, e, ainda, por documentos relacionados com Freitas Branco produzidos por estes dois melómanos.

«Importa salientar que a BNP já integra no seu Arquivo de Música Portuguesa, os espólios de muitos dos grandes compositores citados na presente nota, designadamente Augusto Machado, Viana da Mota, Armando José Fernandes ou Joly Braga Santos

(Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal)

28 agosto 2009

Mais luz!

Gostei!

(Tirada daqui)

Nunca tinha pensado nisso mas é o que somos, realmente.

14 agosto 2009

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?

13 agosto 2009

Olhares (7)

Mais Olhares. Tiradas sábado, em Belém, depois da ópera Susana, de Alfredo Keil.





03 agosto 2009

Olhares (6)

As mais recentes inclusões na minha galeria do Olhares. Tiradas ontem, entre o Chiado e a Madragoa, depois de um concerto do Quarteto Arabesco, no Miradouro de Santa Catarina.





24 julho 2009

Olhares (5)

Quatro das dezassete mais recentes inclusões na minha galeria do Olhares.

Verde de São Miguel

Alcochete II

Maré baixa II

Olhares

23 julho 2009

Há gripe, há...

Em vez de andar a distribuir mails de credibilidade duvidosa, o melhor mesmo é ir buscar a informação correcta e actual onde ela está. Recomendo, é bom contra a Gripe A e contra a histeria: Portal da Saúde. É actualizado diariamente e tem muita informação adicional. Esqueçam os boatos, os mails brasileiros e as recomendações do Dr. Não-Sei-Quantos que se calhar nem existe.

20 julho 2009

Banquetes de Platão III


«Nas tardes em que havia "banquete de Platão" (que assim denominávamos essas festas de trufas e ideias gerais)» (QUEIRÓS, Eça de - Civilização)

Quase dois anos depois da última receita apresentada n'A biblioteca de Jacinto, eis que me decido a publicar mais uma. Desta vez é um risotto que preparei para acompanhar filetes de linguado. Como de costume, fui inventando à medida que fazia...

RISOTTO DE LIMÃO E CEBOLINHO

Eu faço tudo a olho, por isso, não dou quantidades. Aprendi com a experiência que um risotto, para ser mesmo um risotto, deve ser feito com o arroz apropriado, ou seja, o arroz arbóreo, de bagos grandes, redondos e duros, mais semelhantes a gravilha do que a arroz.

Meia caneca de arroz dá para duas pessoas mas há que ter em atenção que este arroz incha menos que o carolino logo, também rende menos.

Aquece-se um pouco de azeite e alho num tacho e frita-se nele o arroz. Quando o arroz está bem impregnado do azeite, refresca-se com um pouco de vinho branco e deixa-se absorver.
Entretanto tem-se ao lume (ou no microondas) caldo de legumes a ferver com cascas de limão.

Como mandam as regras, o risotto deve ser feito lentamente, mexendo sempre, em lume brando ou médio mas sem nunca baixar do estado de ebulição. As bolhinhas à superfície têm de estar sempre presentes.

Para não quebrar a ebulição, o caldo que se vai juntando deve estar mesmo a ferver. Lentamente, mexendo sempre, vai-se acrescentando caldo fervente à medida que o arroz absorve. Para meia caneca de arroz, deitei três canecas de caldo o que dá uma proporção muito superior à habitual. Com a última porção de caldo, quando o arroz está quase pronto, adiciona-se cebolinho picado. Deixa-se quase absorver (mas tem de ficar húmido) e está pronto. É excelente para acompanhar filetes.

15 julho 2009

Doação do espólio de Santiago Kastner à Biblioteca Nacional de Portugal

Hoje, pelas 15h30, terá lugar a assinatura do Termo de Doação do Espólio de Santiago Kastner à Biblioteca Nacional de Portugal.

«Macario Santiago Kastner (1908-1992), musicólogo, instrumentista, professor, conferencista, crítico; nasceu em Londres e aí iniciou os seus estudos musicais. Posteriormente estudou cravo e piano na Holanda e na Alemanha, e ainda Musicologia e construção de instrumentos de tecla. A partir de 1929 instalou-se em Barcelona, prosseguindo os estudos de Musicologia com Higino Anglès e de instrumentos de tecla (piano, cravo e clavicórdio) com Joan Gilbert Camins. O seu interesse pela Música Antiga portuguesa trouxe-o a Portugal em 1934, aqui se radicando até à sua morte.

Inicialmente, a sua actividade em Portugal desenvolveu-se sobretudo como concertista e investigador; em 1947 foi nomeado professor do Conservatório Nacional, onde dirigiu, até 1984, as classes de Clavicórdio, de Interpretação de Música Antiga e, ainda, as de Cravo e História da Música. Com ele trabalharam muitos músicos ainda hoje activos (instrumentistas e cantores), em quem soube despertar o interesse pela recuperação e interpretação da música antiga. A sua actividade pedagógica estendeu-se a Espanha, onde foi também colaborador permanente do Instituto Espanhol de Musicologia (Barcelona), participando ainda em júris de exame em instituições portuguesas e estrangeiras.

Como conferencista, apresentou-se um pouco por toda a Europa, podendo referir-se a sua participação nas comemorações do quarto centenário da impressão da obra de Francisco Salinas (1513-1590), em Salamanca. Recebeu convites para leccionar em Universidades nos EUA e na África do Sul. O seu reconhecimento internacional levou a que fosse chamado a colaborar nas mais prestigiadas publicações científicas e de divulgação musicológica.

Como concertista, apresentou-se em recitais e em gravações para a rádio e televisão de diversos países europeus. Mas se o seu interesse se centrava na música para tecla, não deixou de lado o repertório renascentista, maneirista e barroco para instrumentos de sopro, para o que fundou e dirigiu o grupo de câmara Menestréis de Lisboa, com o qual se apresentou em Portugal e no estrangeiro.

Kastner deixou uma vasta produção científica que vai das edições críticas de obras para tecla de autores ibéricos a um estudo sobre Carlos Seixas, no qual se interessou, mais do que traçar uma biografia do compositor, em averiguar a questão ‘Seixas dentro da música europeia’, sendo mais tarde responsável pela edição crítica das 80 Sonatas deste autor.

O reconhecimento pelo trabalho de Santiago Kastner em prol da Musicologia e da Música Antiga ibéricas teve o devido reconhecimento ainda em vida, recebendo diversas homenagens e condecorações. Ainda no ano da sua morte foi publicada a obra Livro de homenagem a Macario Santiago Kastner (FCG, 1992).

O espólio agora doado à BNP por dois dos seus alunos mais próximos, os Professores Rui Vieira Nery e Manuel Morais, é constituído por correspondência profissional; publicações periódicas, textos soltos, recortes com críticas e crónicas da autoria de Santiago Kastner; documentos pessoais, fotografias, programas e críticas a concertos por ele realizados, cobrindo a sua actividade entre 1931 e 1992.»
(Fonte: Sítio Web da BNP

Retratos à Sexta - e o futuro?

Na sexta-feira passada participei na última sessão da série Retratos à Sexta, subordinada nesse dia ao tema «O Futuro». Foi uma noite longa que eu acompanhei desde as onze e meia até para lá das quatro, com uma afluência ainda maior do que a habitual, talvez por esta sessão ter sido anunciada como a última.
Depois deste período estival, aguardo pelas ideias novas com que o Fabrice nos irá, certamente, surpreender.
Até lá fiquem com o resultado. Eu estou por lá, em vários momentos.
Se quiserem, podem também ver as outras duas sessões em que participei: «I have a dream» e «Vaidade».

06 julho 2009

Pôr-de-Sol


Pôr de Sol na Ericeira, no final de um dia muito feliz.

Aos 97 anos

Há dois anos e meio escrevi aqui sobre o recente blogue de uma idosa, então com 95 anos, a quem o neto oferecera pelo aniversário... um blogue.
Fala-se muito dos malefícios sociais da internet, do isolamento que provoca, mas este é um caso paradigmático do contrário. Esta senhora, residente em Muxía, pequena povoação da Galiza onde nascera em 1911, tornou-se em pouco tempo um fenómeno de sucesso sem efeitos perversos. Continuando a residir calmamente na sua casa, rodeada do carinho da família, durante dois anos e meio foi conhecida e lida em todo o mundo, descobriu realidades que lhe eram totalmente estranhas, recebeu 1812016 visitas no seu blogue, dos 5 continentes, e mensagens de todo o mundo às quais respondeu sempre com simpatia, foi encorajada quando esteve doente, recebeu felicitações quando foi bisavó, viajou até ao Brasil e contou as suas impressões no seu blogue. Tudo isto graças ao acompanhamento e apoio de um neto exemplar que discretamente, sem aparecer nunca, foi digitando com paciência tudo o que ela lhe ditava em plena liberdade. Escreveu que «Mis blogueros son la alegría de mi vejez».
Teve uma vida feliz até ao último dia, no passado 20 de Maio. Não podia deixar de a referir aqui, não como um fenómeno de popularidade ou mediatismo mas como um exemplo de vontade, de gosto pela vida, de família e, sempre, de uma grande simplicidade.
Descanse em paz, Aboiña.

03 julho 2009

Verdade observável

Sempre que oiço alguém apontar um defeito generalizado aos portugueses, exclui-se desse defeito dizendo «Isto é um país de... (aldrabões, oportunistas)».

Sempre que oiço alguém apontar uma virtude generalizada aos portugueses, inclui-se nessa virtude dizendo «Nós somos... (hospitaleiros, desenrascados, etc.)».

Um pormenor de linguagem que faz toda a diferença.

25 junho 2009

Flauta com 35 000 anos

De manhã, enquanto me preparava para saír de casa, ouvi uma crónica na TSF em que se referia a descoberta arqueológica de uma flauta em osso de grifo com trinta e cinco mil anos. No fim da crónica, colocava-se no ar o som de uma suposta "réplica" dessa flauta. Bastam rudimentos de história da música para perceber que uma flauta com 35000 anos nunca poderia produzir aquela melodia. Nem com 5000 anos. Provavelmente, nem com 1000 anos.
Antes mesmo de eu fazer uma pesquisa na Internet, uma colega bem intencionada enviou-me a ligação para o sítio do Público onde está a notícia e a ligação para essa gravação.

O mau jornalismo impera, já sabemos. A ignorância musical campeia, também já sabemos. O problema não está tanto na notícia, a qual resume o artigo apresentado na revista Nature de ontem.
O problema está na "informação" complementar: além do Público não apresentar em "outros recursos" a ligação para o artigo original, o que deveria fazer, remete, nessa secção, para a tal gravação de uma musiquinha tocada numa pseudo-réplica da dita flauta.

Só falta saber: estaria a flauta com 35 000 anos afinada em Lá 440?...

19 junho 2009

Concerto pelo coro do Teatro Nacional de São Carlos

A Biblioteca Nacional de Portugal, associada ao Teatro Nacional de São Carlos, promove amanhã, sábado, pelas 18h00, um concerto integrado no projecto Música na Biblioteca.
O coro do Teatro Nacional de São Carlos e os solistas Filipa Lopes (Soprano), Natália Carvalho Brito (Meio-Soprano), Laryssa Savchenko (Meio-Soprano) e Carlos Silva (Tenor), dirigidos pelo Maestro Anton Tremmel e acompanhados ao piano por Kodo Yamagishi, apresentarão música de Purcell, Donizetti, Mendelssohn, Alfredo Keil, Gounod, Tchaikovski e Johann Strauss.

18 junho 2009

E depois do adeus

Morreu o maestro José Calvário. Muito cedo, cedo de mais, com apenas 58 anos. Nascido em 1951, tinha apenas 23 anos quando compôs a mais emblemática e (para mim) a melhor canção de sempre do festival da canção: E depois do adeus.
José Calvário era, talvez, o mais jovem de uma linhagem de maestros dedicados, totalmente ou em parte, à composição de música ligeira. Linhagem de que fizeram parte Alves Coelho, Raúl Portela, Raúl Ferrão, Armando Leça, Belo Marques, Cruz e Sousa, Frederico de Freitas, Tavares Belo, Nóbrega e Sousa, Frederico Valério, Shegundo Galarza, Jorge Costa Pinto e Pedro Osório (estes dois ainda vivos), entre muitos outros.
A música ligeira já não é o que era e - salvo aqueles casos (que, felizmente, nem são assim tão poucos) em que um elevado talento musical consegue suprir a ausência de formação teórica - predomina, desde os anos 80, o "compositor de assobio" assoprado para o gravador e arranhado na viola ou no teclado, o solidó de sempre ajudado pelos efeitos especiais da electrónica. Do tão vituperiado nacional cançonetismo, desceu-se à música pimba e, talvez pior, às imitações da pop britânica e americana.
Não sei, presentemente, quem serão os herdeiros desta linhagem que Calvário abandonou tão cedo. O fenómeno não é apenas português: a canção italiana e a francesa desapareceram da rádio e, se ainda existem, não conseguem romper a malha apertada das grandes editoras, controladas pelos mesmos grupos económicos que controlam as rádios e as televisões e que, em todo o mundo, forjam sucessos com a mesma indiferença com que destroem sonhos.
Não sei como será, depois deste adeus.

16 junho 2009

A torre da Biblioteca Nacional cresce!

Se bem se lembram os visitantes da biblioteca de Jacinto, desde 10 de Outubro que eu venho a publicar fotografias das obras de ampliação da torre de depósitos da Biblioteca Nacional de Portugal.


Em 30 de Janeiro:

Em 17 de Fevereiro:

Em 3 de Março:

Em 20 de Março:

Em 7 de Maio:

Em 14 de Maio:

Em 2 de Junho:

Hoje, 16 de Junho:




Ponte do Poço de São Tiago, em Sever do Vouga

A Teresamaremar andou muito perto mas quem acertou mesmo foi a Teresa. Não dá prémio mas dá direito a parabéns!

15 junho 2009

Desafio...

... os visitantes da biblioteca de Jacinto a identificar a ponte do post anterior. Na quinta-feira passei lá em cima. A pé. E mais não digo.

05 junho 2009

Em contagem decrescente...

... para uma semana de férias. No campo, como nós gostamos.
Desta vez, para conhecer bem uma região onde só tínhamos passado, há pouco mais de um ano.

03 junho 2009

Concerto pelo Quarteto Vianna da Motta


A Biblioteca Nacional de Portugal, associada ao Teatro Nacional de São Carlos, promove esta quinta-feira, dia 4, pelas 19h00, um concerto integrado no projecto Música na Biblioteca. Serão apresentadas duas obras, o Quarteto n.º 8 em dó menor op. 110, de Dmitri Schostakovich (1906-1975), e o quarteto em Sol Maior, de José Viana da Mota (1868-1948), cujo manuscrito integra o acervo musical da Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal. A execução estará a cargo do Quarteto Vianna da Motta.
Entrada livre.

14 maio 2009

Bibliomóvel

O ridículo horário da Feira do Livro de Lisboa este ano - não sei qual será a ideia da APEL mas, seguramente, se quisessem acabar com a Feira do Livro de Lisboa este seria um bom método... - ainda não me permitiu cumprir aquele ritual anual, normalmente feito por duas vezes, de percorrer calmamente as várias "barraquinhas" e voltar carregada de sacos tão pesados que fazem doer as mãos.
Não obstante, não poderia deixar de ir lá ontem. O Nuno Marçal, incansável bibliotecário-ambulante das aldeias de Proença-a-Nova, que eu me orgulho de ter tido como aluno, autor do blogue O Papalagui esteve lá ontem a mostrar a sua Bibliomóvel.
Para memória futura, aqui está a prova.
Parabéns, Nuno, és um exemplo!


08 maio 2009

Babel bibliotecária

«No princípio Deus criou o bibliotecário.

«Disse Deus:
«- Funda bibliotecas por todo o mundo, selecciona os documentos de melhor qualidade, organiza a informação, presta serviços de excelência e vela pelo interesse dos utilizadores.
«- Mantém actualizado o catálogo e confortável a sala de leitura.
«- Porém, presta atenção, não escutes a Voz da Ignorância porque, se o fizeres, confundir-te-ás e desaparecerás profissionalmente.

«O bibliotecário fez tudo quanto Deus lhe pediu. Ergueu bibliotecas em belos edifícios e nelas colocou todo tipo de documento criado pelo homem para registar a informação: tabuinhas de argila, rolos de papiro, códices de pergaminho ou papel, livros, revistas, diários e boletins impressos e toda a gama de documentos iconográficos, audiovisuais, tridimensionais e legíveis por computador, incluindo os disponíveis na Internet.
«Inventou e reinventou o catálogo (e com ele a recuperação da informação), que evoluiu desde as antigas bibliotecas sumérias até as bibliotecas no ciberespaço.
«O mesmo sucedeu com múltiplas ferramentas e métodos de trabalho: regras de catalogação, sistemas de classificação, vocabulários controlados, análise por facetas e indexação pré e pós-coordenada, o serviço de referência e o de circulação, incluindo o empréstimo inter-bibliotecas e a comutação bibliográfica.
«Instruiu as pessoas em tudo o que é necessário para aceder à informação.
«Adoptou normas de qualidade e definiu indicadores de desempenho específicos para as bibliotecas, com o fim de avaliar e melhorar seus processos, produtos e serviços.
«Para tudo isto, utilizou a tecnologia de ponta disponível em cada época e em cada lugar, desde a punção requerida para a escrita cuneiforme até o computador e as telecomunicações do século XXI.
«Ergueu sua voz contra a censura e em defesa do direito de todos à informação.
«Elevou a sua carreira aos mais altos graus universitários, convertendo-a numa profissão útil, nobre, digna e respeitada.

«Entretanto, numa manhã, enquanto o bibliotecário realizava suas tarefas habituais, ouviu uma voz rouca e tenebrosa que o chamava:
«- Vem, aproxima-te.

«O bibliotecário voltou a cabeça e percebeu, entre incrédulo e surpreendido, a visão de uma árvore seca e retorcida, de tronco negro e negros ramos.

«A voz insistiu:
«- Vem, aproxima-te.

«Temeroso mas cheio de curiosidade, o bibliotecário aproximou-se com precaução. Uma sensação sobrenatural apoderou-se dele e o negro manto da noite cobriu o local, em pleno dia.

«- Vem, aproxima-te, não tenhas medo - voltou a escutar.

«- É a Voz da Ignorância? - perguntou o bibliotecário com ingenuidade. - Deus recomendou-me que não te escute.

«- Não digas disparates! Dialoguemos e verás que esta conversa te interessa - disse a Voz.

«O bibliotecário aproximou-se da estranha planta, o suficiente para ver as víboras que, arrastando-se pelo solo, começavam a enroscar-se no tronco.

«- Quem é? - perguntou intrigada a Víbora Primeira, mostrando sua venenosa língua de duas pontas.

«- Sou o bibliotecário - respondeu este com segurança.

«- Ha, ha, ha!... Pobre... Em que mundo vives? Não sabes que agora te chamas documentalista?

«- Que estás a dizer? - interveio a Víbora Segunda - O correcto é "especialista da informação" ou "cientista da informação".

«- "Gestor de informação", querida, os outros termos já eram! - interrompeu a Víbora Terceira.

«- Eu prefiro em inglês, information manager - opinou a Víbora Quarta – e, se for chefe, chief information officer ou "CIO".

«- Pois eu prefiro gestor do conhecimento, knowledge manager ou chief knowledge officer - ajuntou a Víbora Quinta, com ar de quem sabe tudo.

«- Mas - balbuciou confuso o bibliotecário - com esses títulos ninguém vai saber quem eu sou e o que faço.

«- Precisamente, é disso que se trata - informou a Víbora Sexta – todo o mundo vai perguntar o que faz essa pessoa e, como ninguém gosta de passar por ignorante, limitar-se-ão a dizer "Ahhh... que interessante...".

«- Bibliotecário! - troçou com desprezo a Víbora Sétima - Não existes! Desapareceste com o meteoro que extinguiu os dinossauros!

«Ressoavam ainda na sua mente as gargalhadas de zombaria dos répteis, quando o bibliotecário se deu conta de que, repentinamente, a visão havia desaparecido. Invadido pelo temor, ocultou-se entre as estantes do depósito. Dali escutou a voz de Deus que o chamava:
«- Bibliotecário, onde estás? Que fazes aí? Por que te escondes?

«- Porque sinto vergonha que me vejam nesta profissão de idiota que tenho - respondeu o bibliotecário, sem se atrever a levantar a cabeça do chão.

«- Quem te fez pensar que é uma profissão de idiota? Acaso prestaste atenção à Voz da Ignorância?" - perguntou Deus.

«- As víboras chamaram-me com insistência e não pude evitar... - murmurou cobardemente.

«Então, Deus enfureceu-se com o bibliotecário e pronunciou o seu severo castigo:
«- Por teres escutado a Voz da Ignorância viverás para sempre na confusão e falta de identidade.
«- Tirar-te-ão a direcção da Biblioteca que será ocupada por outros, de outras profissões, ainda que não saibam nada de bibliotecas.
«- Ocupar-te-ás apenas das tarefas técnicas e todos te farão sentir que só serves para fazer fichas.
«- Quando solicitares um ajudante catalogador, enviar-te-ão alguém sem qualificação ou em tratamento psiquiátrico e nunca te comprarão um thesaurus actualizado.
«- Apesar de teres mais habilitações do que a maioria dos teus colegas, ganharás o mesmo (se não menos) do que eles e nunca conseguirás um estatuto profissional que te proteja.
«- Qualquer um virá e te dirá "não se diz utilizador e sim, cliente" e tu repetirás como um papagaio, ainda que tenhas dedicado a vida a satisfazer o utilizador. Ou então dir-te-ão "o paradigma da biblioteca não é a conservação mas o acesso" e tu impressionar-te-ás com a frase, embora tenhas passado séculos a facilitar o acesso.
«- O teu lugar de trabalho será chamado "centro de documentação", "centro de materiais didácticos", "centro de informação" ou "centro de gestão do conhecimento" e, quando a confusão entre todas estas organizações, - que, afinal, fazem a mesma coisa - for incontrolável, chamar-lhes-ás "unidades de informação" ou UI. É claro que a sociedade não será capaz de diferenciá-las e continuará a chamá-las bibliotecas.
«- Todos te dirão como deves fazer o teu trabalho e acharão que o fazem melhor do que tu.
«- Víboras-informáticas e víboras-gestoras nacionais e estrangeiras proporão cursos inúteis nos quais aprenderás apenas que catalogação se chama agora "representação descritiva" ou "descrição bibliográfica" e que a classificação passou a ser "organização do conhecimento"; termos novos para coisas que tu mesmo inventaste.
«- Pagarás estes cursos a preço de ouro, terás formadores que sabem menos do que tu e sairás deles sabendo o mesmo que sabias antes de te inscreveres.
«- Porei inimizade entre os bibliotecários universitários e os das bibliotecas públicas.
«- Farei proliferar pseudo-licenciaturas de três anos em "tecnologias da informação", "ciência da informação", "gestão de informação", "bibliotecas disto e daquilo", as quais conduzirão aos mesmos cargos e salários que o teu, apesar de tu teres estudado seis ou sete anos na universidade; deste modo, permanecerão eternamente divididos e frustrados.
«- Por causa desta disparidade na formação, virão víboras-políticas que considerarão que a tua profissão não tem qualquer saber específico que a distinga de outras e a tua carreira será extinta. Então, qualquer um poderá exercer a tua profissão em pé de igualdade contigo, apesar de a ti ter sido exigida formação pós-graduada e de tu teres necessitado de concorrer ao lugar que ocupas em paridade com outros tão habilitados como tu.
«- Chegará, então, o dia em que avaliarás seriamente tua profissão, avaliar-te-ás a ti mesmo e aos numerosos bibliotecários que têm oferecido a sua criativa contribuição para que, durante milénios, os seres humanos tenham podido aceder à informação.
«- Tu e os outros verdadeiros bibliotecários unir-se-ão em defesa da dignidade e qualidade técnica e científica da tua profissão.
«- Então, se assim o fizeres e compreenderes, eu te perdoarei.»

(Texto de autor não identificado, lançado na rede em castelhano por Ana María Martínez Tamayo. Versão livre adaptada à realidade portuguesa a partir de uma tradução para português do Brasil de Maria das Mercês Apóstolo. Recebido por correio electrónico)

05 maio 2009

Joaquim Mestre

A 6 de Novembro de 2006 anunciei nesta vossa casa a publicação do romance "O perfumista" do bibliotecário Joaquim Mestre, Chefe da Divisão de Bibliotecas e Museus da Câmara Municipal de Beja. Entretanto, publicou "A imperfeição do amor" (2007) e acabou de publicar, já este ano, "Breviário das Almas", Prémio Manuel da Fonseca 2008. Infelizmente, recebi hoje a notícia de que já não poderei pedir-lhe que me autografe um dos seus livros. Joaquim Mestre faleceu no dia 3, Domingo, em Lisboa, com apenas 54 anos e muito ainda para dar.
Ao colega cujo trabalho e profissionalismo honra todos os bibliotecários portugueses, a minha homenagem.

04 maio 2009

Koniek

Morreu Vasco Granja.
Mal compreendido pelas gerações anteriores à minha e praticamente desconhecido da geração mais jovem, Vasco Granja marcou a minha geração, aquela que cresceu e fez a sua escolaridade nos dez anos posteriores ao 25 de Abril de 1974. Foi mal compreendido pelas gerações anteriores à minha porque estavam habituadas aos desenhos animados americanos do Woody Woodpecker e do Daffy Duck (desenhos magistrais de técnica, humor e divertimento, que eu adorava) e não percebiam o interesse daqueles programas com desenhos de países estranhos em línguas estranhas, em que nunca caíam pianos em cima de coiotes. Numa época de forte politização, em que nada nem ninguém era apolítico, é compreensível que fosse baixa, para uma parte da população, a aceitação desses desenhos dos países da "cortina de ferro".
O objectivo de "Cinema de Animação", contudo, nunca foi apenas passar desenhos animados. Nunca pretendeu ser um programa de divertimento puro e simples. Chamava-se "Cinema de Animação" e era um programa sobre cinema de animação, enquanto género cinematográfico, enquanto arte e enquanto técnica.
Não era um programa para crianças ou apenas para crianças, embora pudesse ser e fosse visto maioritariamente por crianças. Era educativo. Foi Vasco Granja que me deu a conhecer a animação com sombras chinesas, com bonecos de plasticina, com bonecos recortados e com outras técnicas cujos nomes desconheço, muitos deles vindos de países de leste, é certo, mas também do Canadá, da República Federal da Alemanha, da Suécia ou da Austrália e mesmo dos Estados Unidos.
Vasco Granja divulgou géneros e cineastas que, de outra forma, nunca chegariam à televisão e que nunca passariam - nem passam hoje! - dos cineclubes e dos festivais. Apresentava desenhos de carácter artístico, desenhos didáticos e também lúdicos. Mostrou-nos línguas estranhas como o polaco e o romeno e, para mim, que lia fluentemente desde os cinco anos, foi uma novidade deliciosa ler as fichas técnicas em romeno e perceber que, afinal, até conseguia ler e perceber muitas palavras dessa língua distante.
Li que os seus programas duraram na RTP desde 1974 até 1990. No final dos anos oitenta já não os via, até pensei que tivessem acabado mais cedo. Não sei qual o seu impacto na geração a seguir à minha mas sei que a minha geração não esquecerá nunca Vasco Granja nem o Lápis Mágico.
Koniek.

23 abril 2009

Dia Mundial do Livro

«23 de Abril: uma data simbólica para o mundo da literatura por, nesta data e no mesmo ano de 1616, terem morrido Cervantes, Shakespeare e o Inca Garcilaso de la Vega.» (In: UNESCO. Trad. minha)

No site oficial do ministério da cultura espanhol menciona-se apenas «por ser o da morte de Cervantes e o de nascimento ou morte de outros ilustres escritores»(In: Día del Libro 2009. Trad. minha). Porque é que isto não me surpreende?

(Il. de PRATT, Pierre, 1962. Fonte: Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas)

(Fonte: UNESCO)

20 abril 2009

Ah, se o ridículo matasse!...

«Conselho da Corrupção vai criar regras para quem trabalha em organismos públicos. As prendas vão ter limite e os funcionários do Estado vão circular entre serviços.»
(Continuar a ler: Público)

Será que podemos receber uma caixa de chocolates gentilmente oferecida por um leitor depois de ter sido bem atendido? Hum... uma ainda vá, até 200g. Mais que isso não. E toca a rodar daqui pra fora que isso de conhecer o leitor pelo nome, saber o que anda a pesquisar, ficar com o endereço electrónico dele para o avisar se descobrirmos algum documento que lhe pode interessar, isso são «relações de proximidade com o meio envolvente» inadmissíveis e intoleráveis. O "utente" tem de ser atendido de forma impessoal, de preferência sem ser olhado nos olhos, de preferência, ainda, de trombas, para se sentir o pior possível e não querer voltar.
Aí, sim, temos um serviço público isento, neutro, impessoal, igualitário, enfim, de qualidade!

15 abril 2009

Mapa etno-musical de Portugal no Centro Virtual Camões

Do sítio web do Instituto Camões:
«A música tradicional portuguesa está bem e recomenda-se. E vai ter a partir de Abril um mapa etno-musical em linha no Centro Virtual Camões, que mostra a distribuição pelo território da música e dos instrumentos musicais característicos de cada região, permitindo ainda ler a propósito textos explicativos e ouvir peças ilustrativas.
«O projecto é da autoria Júlio Pereira, um dos músicos que maior actividade tem desenvolvido pela preservação dos instrumentos tradicionais portugueses, e conta com a colaboração do historiador e produtor musical João Luís Oliva, responsável pelos textos do mapa, e com o grafismo de Sara Nobre.
«Na base do mapa estão os levantamentos feitos pelo etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira, que foi director do Museu de Etnologia e que «dedicou cerca de 40 anos da sua vida ao estudo das raízes tradicionais» portuguesas, conjuntamente com Benjamim Pereira, e pelo muito conhecido musicólogo Michel Giacometti.»
(In: sítio web do Instituto Camões. Continuar a ler aqui)

14 abril 2009

Pergunta talvez sem resposta

O que é que leva alguém a dar-se ao trabalho de se introduzir numa escada de um prédio, a meio da noite, subir a um 3º andar sem elevador e roubar um vaso de flores?

09 abril 2009

08 abril 2009

Mário Moreau

Tive hoje o prazer de ser apresentada a uma pessoa que muito admiro pelo seu trabalho, o Dr. Mário Moreau.
Mário Moreau nasceu em 1926 e é médico. Paralelamente à sua actividade clínica desenvolveu, desde os anos oitenta, uma intensa actividade de pesquisa sobre a vida operática portuguesa tendo escrito "Cantores de ópera portugueses" (em três grossos volumes), "Coliseu dos Recreios: um século de história", "O Teatro de São Carlos: dois séculos de história" e ainda, mais recentemente, as biografias de Tomás Alcaide e Luísa Todi.
Em especial, das suas primeiras três obras pode dizer-se que, se não existissem, tinham de ser inventadas. Não são trabalhos científicos, são obras de referência fundamentais. Têm-lhes sido apontados defeitos pelos investigadores de "escola", defeitos que fariam todo o sentido se apontados a obras de natureza académica. A menção de fontes, por exemplo, é deficitária e não segue os critérios exigidos a um trabalho científico. Acontece que as obras de Moreau não são nem pretendem ser trabalhos académicos, não têm o objecto, nem o método, nem pretendem atingir os objectivos de um trabalho académico. São obras de paciência infinita, de dedicação absoluta, como já ninguém faz.
Porque há neste país a mania irritante de só homenagear os mortos (não fossem eles, em vida, ainda fazerem alguma asneira...), aqui fica a minha sentida homenagem a alguém que está bem vivo e em actividade.