Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

24 dezembro 2010

FELIZ NATAL

A todos os visitantes da biblioteca de Jacinto, os meus votos de que atravessem esta quadra com alegria e felicidade e que estas se prolonguem pelo ano de 2011.

(Pintura anónima existente o Museu da Misericórdia de Viseu e fotografada por mim)

06 dezembro 2010

Banquetes de Platão IV

«Nas tardes em que havia "banquete de Platão" (que assim denominávamos essas festas de trufas e ideias gerais)» (QUEIRÓS, Eça de - Civilização)

Quase dois anos depois da última receita apresentada n'A biblioteca de Jacinto, e mais de quatro anos depois da primeira, eis que me decido a publicar mais uma. Desta vez é de bochechas de porco, algo para que não encontrei qualquer receita em livros de cozinha. Como de costume, fui inventando à medida que ia fazendo...

BOCHECHAS DE PORCO EM VINHO VERDE TINTO

Eu faço tudo a olho, por isso, não dou quantidades.

Fiz uma marinada com vinho verde tinto e cenouras cortadas às rodelas e nela mergulhei as bochechas (as do porco) tendo o cuidado de as virar uma ou duas vezes para ganharem sabor por igual.
À parte, preparei uma mistura de sal marinho, tomilho seco, noz moscada e pimenta preta. Moí tudo num moinho de café que costumo usar para moer especiarias.
Esfreguei esta mistura nas bochechas (nas do porco!) e reservei.
Num tacho derreti banha de porco preto e alho esmagado. Coloquei dentro as bochechas (sim, essas...) e despejei por cima a marinada. Deixei cozinhar em lume brandinho cerca de uma hora e dez. De vez em quando deitava umas pinguinhas de água para não queimar.
Acompanhei com puré de batata.
Bom apetite!

08 novembro 2010

O rigor da informação nos media portugueses

Vem este meu post a propósito da notícia que ouvi hoje, de manhã, na TSF, sobre o (aí anunciado) encerramento da Biblioteca Nacional.
aqui escrevi sobre o encerramento parcial e temporário da Biblioteca Nacional pelo que não vou alongar-me com esclarecimentos redundantes.
O que me traz de novo ao tema é o grande destaque dado hoje nos noticiários da TSF ao (suposto) encerramento total da Biblioteca Nacional. A falta de rigor com que foi dada a notícia sobre a Biblioteca Nacional - mascarada de grande rigor, acompanhada até de uma entrevista à sub-directora da instituição - é inadmissível numa rádio que se pretende de referência na informação em Portugal. Continuo a interrogar-me se é estupidez ou má fé o que leva pessoas responsáveis (desde a Doutora Maria Filomena Mónica aos jornalistas da TSF, passando pelo deputado e professor universitário Rui Tavares e tantos distintos signatários da famosa Petição) a insistir em ignorar toda a informação e todas as explicações técnicas que têm sido repetidamente fornecidas a quem quiser estar informado. Devo dizer que não tenho na conta de estúpida nenhuma das pessoas que nomeei...
E eu pergunto-me, como é que posso confiar em outras notícias sobre as quais não tenho informações de outras fontes? Como posso formar opinião esclarecida sobre qualquer tema em relação ao qual não tenha informação directa? Quantas vezes terei até formado juízos errados sobre qualquer tema apenas porque a informação que me foi disponibilizada pelos meios de comunicação social é truncada, distorcida ou mesmo falsa?
Pelas costas dos outros vemos as nossas, diz o povo. E pela forma como a comunicação social trata um assunto que eu conheço bem posso imaginar como trata os que conheço mal. E ficar de pé atrás.

02 novembro 2010

Rio Homem, de André Gago

Já todos ouvimos falar de Vilarinho da Furna (ou das Furnas) a aldeia submersa numa barragem, no início dos anos 70 do século XX. Mas nem todos ouvimos bem ou ouvimos o que devíamos e merecíamos saber. Vilarinho da Furna foi um dos últimos exemplos (a par de uma já muito deturpada aldeia Rio de Onor) de sistema social e económico comunitário, com leis próprias, propriedade colectiva, verdadeiramente natural e não fruto de uma qualquer macaqueação ideológica. Tal aldeia seria para sempre submergida pela barragem da Caniçada, sem que se manifestasse da parte das autoridades o mínimo respeito pela sua população. Objecto de investigação por etnólogos, entre os quais Jorge Dias (que também estudou Rio de Onor), e de observação por cineastas, fotógrafos e curiosos, temos hoje, de Vilarinho da Furna, o equivalente ao catálogo da biblioteca de D. João IV: sabemos o que continha mas já não podemos consultá-la nem ouvir a sua música. Com a diferença de que, no caso desta biblioteca, foi uma catástrofe natural, imprevisível e inevitável que a fez desaparecer; Vilarinho da Furna, foram a estupidez, a ignorância e a cupidez humanas que a destruíram para sempre.
André Gago debruçou-se sobre este tema desde os anos 80. Conhecemo-nos há mais de vinte anos, ele a começar a carreira de actor e eu sem saber ainda que carreira iria ter. Ele viajava já habitualmente entre Lisboa e Trás-os-Montes para fazer as suas recolhas sobre máscaras tradicionais, tema que continua a estudar com entusiasmo. Na altura, ajudei-o a desenvolver uma ficha de inventário e tivémos interessantes conversas sobre a sua pesquisa. Circunstâncias da vida afastaram-nos por quase vinte anos e vim a reencontrá-lo no umbigo da rede em que se tornou o Facebook.
Há dias, topo com uma capa e um título sugestivo: Rio Homem. Autor, André Gago. O Rio Homem conheço-o bem (ou pensava que conhecia); trouxe o livro para casa e não consegui parar de ler.
Rio Homem é uma história e é três histórias: é a história dos últimos trinta anos da existência de Vilarinho das Furnas, dos seus costumes e modos de vida. Mas lá fora, no mundo, tudo o que acontece, acaba por se repercutir na vida desta aldeia: a Guerra Civil de Espanha, a política florestal do Estado Novo, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Colonial e, finalmente, o Plano Hidroeléctrico Nacional. O fio condutor, Rogélio, é um herói à maneira Romântica, um refugiado da Guerra Civil de Espanha, único sobrevivente do seu grupo, qual holandês voador, facto que lhe corrói a consciência apesar de não ter tido culpa de escapar, ao contrário do mítico navegador. Figura trágica, viajante sem lugar e sem tempo, vergado pela adversidade, naufraga na vetusta aldeia, também ela fora do espaço e do tempo, e aí cuida encontrar um lugar de redenção. Tão semelhantes, herói e aldeia, na singularidade e no Destino, ambos lutam contra o rolo compressor do Progresso numa guerra de derrota anunciada.
Extraordinariamente bem escrito e bem documentado, este romance leva tempo a abandonar o leitor depois de lida a última linha. Ficam no ar perguntas e um sentimento contido de revolta. O mal está feito, Vilarinho da Furna desapareceu irremediavelmente, mas a questão que fica é esta: que lugar têm ainda, neste mundo onde somos obrigados a viver, a diferença, a singularidade, a cultura e a tradição? Quantos lugares ainda terão de ser reduzidos a tabuletas «Neste lugar existiu...» até que responsáveis políticos, poderes económicos e vulgares cidadãos percebam que não são (não somos!) donos de nada, nem da terra, nem da cultura, nem da tradição e apenas tomamos conta do que levou séculos a construir e nos foi confiado nesta breve passagem pelo Mundo?

01 novembro 2010

O estado da Nação (em 1871)

«Fomos outrora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taverna.
«Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: fizemos muitas revoluções para sair dela. Ficámos exactamente em condições idênticas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, carrascos, que o vai buscar alegremente, ao meio-dia, cantando o Bendito; é uma classe média inteira que vive dele, de chapeu alto e paletó.
«Este caldo é o Estado. A classe média vive do Estado. A velhice conta com ele como condição da sua vida. Logo desde os primeiros exames no liceu, a mocidade vê nele o seu repouso e a garantia da sua tranquilidade. A classe eclesiástica não significa a realização de uma crença; é ainda uma multidão de desocupados que quer viver à custa do Estado. A vida militar não é uma carreira, como se compreendia outrora, é uma ociosidade organizada por conta do Estado. Os proprietários procuram viver à custa do Estado, vindo ser deputados a 2$500 réis por dia. A própria indústria faz-se proteccionar pelo Estado e trabalha sobretudo em vista do Estado. A imprensa até certo ponto vive também do Estado. A ciência depende do Estado. O Estado é a esperança das famílias pobres e das casas arruinadas; é a ocupação natural das mediocridades; é o usofruto da burguezia. Ora como o Estado, pobre, paga tão pobremente que ninguém se pode libertar da sua tutela para ir para a indústria ou para o comércio, esta situação perpetua-se de pais a filhos como uma fatalidade. Resulta uma pobreza geral. Com o seu ordenado ninguém pode acumular, poucos podem equilibrar-se. Nascem o recurso perpétuo para a agiotagem, a dívida e a letra protestada, como elementos regulares da vida. Por outro lado o comércio sofre desta pobreza da burocracia, arruina-se, quebra e fica ele mesmo na alternativa de recorrer também ao Estado ou de cair no proletariado. O mesmo sucede aos industriais. A agricultura, sem recursos, sem progresso, não sabendo fazer valer a terra, arqueja à beira da pobreza e termina sempre recorrendo ao Estado.
«Tudo é pobre: a preocupação geral é o pão de cada dia. Disto uma lei exclusiva, dominante, áspera: o egoismo. Tudo se torna meio de comer.
[...]
«A pobreza geral produz um aviltamento na dignidade. Todos vivem na dependência: nunca temos por isso a atitude da nossa consciência, temos a atitude do nosso interesse.
«Serve-se, não quem se respeita, mas quem se vê no poder. Um governador civil dizia: –É boa! dizem que sou sucessivamente regenerador, histórico, reformista! Eu nunca quiz ser senão – governador civil! - Este homem tinha razão, porque mudar do Sr. Fontes para o Sr. Braamcamp, não é mudar de partido; – ambos aqueles cavalheiros são monárquicos e constitucionais e católicos. A desgraça é que, se em Portugal houvesse partidos republicanos, monárquicos, socialistas, aquele homem, assim como fôra sucessivamente reformista, histórico, regenerador – isto é as coisas mais iguais – seria republicano, monárquico e socialista – as coisas mais contraditórias.
[...]
«Perdeu-se através de tudo isto o sentimento de cidade e de pátria: o cidadão desapareceu. E todo o País não é mais do que: uma agregação heterogénea de inactividades que se enfastiam.
«É uma Nação talhada para a conquista, para a tirania, para a ditadura e para os domínios clericais»
(QUEIRÓS, Eça de – As farpas. Transcrito da edição original Lisboa: Typographia Universal, 1871, disponível em http://purl.pt/256)

27 outubro 2010

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico


Desde 2008 que João Pedro Graça se tem batido contra o absurdo Acordo Ortográfico promovendo uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, ao abrigo da Lei da Iniciativa Legislativa de Cidadãos (Lei 17/2003, de 4 de Junho), que permite que um Projecto de Lei seja redigido e submetido a aprovação parlamentar por parte de um grupo de cidadãos. Esta é, juntamente com as eleições e o referendo, uma das mais interessantes e nobres formas de intervenção política que é permitida aos cidadãos no contexto do Estado de Direito: interessante porque é eficaz e nobre porque é construtiva.
Nós, portugueses, que estamos sempre com lamúrias sobre a partidocracia, sobre a falta de poder efectivo dos cidadão face à omnipresença dos partidos, dos grupos económicos e de todos os lobbies reais e imaginários, nós, portugueses - dizia - temos na figura da ILC uma oportunidade ímpar para o exercício da cidadania. Para nosso próprio mal, somos melhores nas lamúrias.

Ao contrário das vulgares petições que circulam na Internet, uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos carece da assinatura do subscritor. Por outro lado, também ao contrário daquelas, esta produz, necessariamente, efeitos. Para tal, tem de ser entregue numa das seguintes formas: em papel, enviada por correio normal, ou em imagem digitalizada, enviada por correio-electrónico.
O texto da Iniciativa Legislativa de Cidadãos está disponível no site da ILC bem como qualquer das formas de subscrição.

Para quem tiver dúvidas sobre a viabilidade legal desta Iniciativa Legislativa de Cidadãos, está também disponível um parecer do jurista Paulo Jorge Assunção. Para aqueles que, como eu, não são versados em Direito, vale a pena começar por ler a síntese, mais acessível, e só depois enfrentar a densa argumentação do parecer.

Eu já assinei. Convido todos os visitantes da biblioteca de Jacinto a fazerem o mesmo.

07 outubro 2010

Autógrafo de uma obra desconhecida de Niccolò Jommelli (1714-1774) descoberto na Biblioteca Nacional

CONFERÊNCIA: 15 Outubro, 18h00. Auditório da BNP. Entrada livre

Laudate pueri Dominum a 16 vozes

«À data da sua morte o compositor Niccolò Jommelli era considerado um dos maiores compositores vivos, vindo posteriormente a ser consistentemente incluído na plêiade dos mais memoráveis autores do século XVIII. Na ocasião Schubart escreveu: “O maior Pã está morto… Se a riqueza de pensamento, a fantasia cintilante, a melodia inesgotável, a harmonia celestial, o profundo domínio de todos os instrumentos e particularmente da poderosa mágica da voz humana […], se tudo isto combinado com a mais acutilante compreensão da poesia musical constitui o génio, então a Europa perdeu o seu maior compositor.”

«Dois anos depois de ter subido ao trono, D. José tentou contratar Jommelli que, por esta altura, já era o mais afamado e o mais inovador compositor de ópera italiana em actividade. No entanto, a proposta do Duque de Württemberg, que incluía um novo teatro, acabou por aliciar o compositor, que se mudou para a Corte de Estugarda em 1754. Durante 15 anos produziu música religiosa e contribuiu para reescrever a história da ópera. Em 1769 e a troco de uma vantajosa reforma, D. José conseguiu finalmente obter os serviços de Jommelli, que entretanto passou a viver em Aversa, Itália. O contrato incluía o envio de obras religiosas, e sobretudo de óperas. Até à morte do Rei em 1777, e com adaptações de João Cordeiro da Silva, os teatros reais portugueses chegaram a levar anualmente à cena quatro óperas suas.
«No género sacro, a influência de Jommelli em Portugal ainda está por avaliar, mas foi certamente duradoura. Algumas das suas obras religiosas mantiveram-se no repertório das igrejas até finais do século XIX. O Requiem (Hochstein, A.I.3), obra composta em 1756 para as exéquias da Duquesa de Württemberg, foi a mais importante e paradigmática. Ernesto Vieira, na entrada do seu Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes (1900), escreve: “Executa-se ainda muito frequentemente nas egrejas de Lisboa a missa de requiem e libera-me de Jommelli, composições primorosas no estylo sacro.”
«O estatuto de Niccolò Jommelli e os laços históricos que o ligam a Portugal tornam a descoberta deste autógrafo (ainda que incompleto) um acontecimento relevante no contexto dos estudos de música sacra de estilo romano de meados do século XVIII. O caso em epígrafe é particularmente interessante porque se trata de uma obra policoral para 16 vozes e baixo contínuo (com utilização de 3 órgãos) completamente desconhecida e sem paralelo na produção do compositor. O trabalho seminal de Wolfgang Hochstein, Die Kirchenmusik von Niccolò Jommelli (1984), que inclui um catálogo temático, não menciona qualquer obra para 16 vozes.
«A razão para a ausência de referências na bibliografia da especialidade prende-se com o facto de o primeiro caderno (4 fólios) se encontrar desaparecido. Em consequência, informações cruciais como o autor, a data e o título da obra, grafadas na página de rosto, perderam-se.
«A identificação do autor foi realizada através de estudos caligráficos comparativos. Uma proposta para a génese da obra assim como a sua contextualização na vida e obra de Jommelli serão alguns dos temas abordados.»

António Jorge Marques

(Fonte: sítio da Biblioteca Nacional de Portugal)

31 agosto 2010

Quem diz que a História não se repete?

Muito agradeço à Teresa, do Dias que Voam, o ter-me recordado deste post já com mais de um ano. Na altura, eu não imaginava as polémicas que aí vinham. Inexperiência ou ingenuidade? Talvez as duas coisas. Leiam os caros visitantes da Biblioteca de Jacinto e tirem as vossas conclusões.

Cultura de Férias / Para a Clara




"É do conhecimento público que a Biblioteca Nacional vai fechar a fim de se mudar para as novas instalações na Cidade Universitária. A inauguração está marcada para Dezembro e pensa-se que os livros todos da Biblioteca só poderão estar em leitura em Fevereiro ou Março do próximo ano. Embora seja natural que haja um período de encerramento para mudança, é de estranhar que nesta altura, já tivessem sido fechadas as secções de Jornais e de Literatura. Também vai fechar a secção de História e Ciências Civis, esperando-se que, a partir de meados de Março, os serviços estejam todos encerrados.
Dado que uma grande parte das investigações sobre os diversos aspectos da cultura portuguesa depende da Biblioteca Nacional, como é que para uma mudança tão importante como esta não se põe um número suficiente de empregados a trabalhar de modo que ela se faça num mínimo de tempo? A mudança será também mais demorada porque, por uma questão de rigorosa economia (aproveitamento de espaço) , os volumes têm de ser dispostos nas camionetas que os transportam e nas câmaras de desinfecção segundo os seus formatos. Assim, uma mudança que poderia demorar cerca de três meses vai prolongar-se durante cerca de um ano, período durante o qual quase todas as investigações se suspendem, as teses dos estudantes universitários se interrompem, as bolsas para trabalhos cessam, numa palavra a cultura portuguesa fica de férias durante um ano!
Tive ocasião de percorrer as novas instalações. Verifiquei não apenas a sua largueza e elegância requintada como o seu luxo... Não posso deixar de achar estranho o contraste com a modéstia de recursos demonstrada nos trabalhos de mudança."
Vera Lagoa, 15/4/66
Bisbilhotices, Diário Popular


Fotografia: Biblioteca Nacional, 1961, Artur Goulart

04 agosto 2010

Acordo entre a Biblioteca Central da Marinha e a Biblioteca Nacional de Portugal

«A BCM, que a partir de 1994 integrou o Arquivo Histórico (AH), encontra-se acessível na Web em http://www.marinha.pt/ e está instalada num edifício anexo ao conjunto do Mosteiro dos Jerónimos.
«A BCM é a sucessora da Biblioteca da Academia dos Guardas-Marinhas, e da Biblioteca da Escola Naval, criada por decreto de 1835 de D. Maria II "para difundir... as luzes... na Classe de Marinha do Estado".
«Os fundos da BCM têm várias proveniências, mas no caso dos mais antigos, é de salientar a importância dos recebidos das livrarias dos conventos das antigas Ordens religiosas, extintas no segundo quartel do século XIX, que versam, além de temas náuticos de muito interesse para o estudo dos descobrimentos e da expansão portuguesa no mundo, Literatura, Filosofia, Religião e História, obras clássicas e renascentistas portuguesas, italianas, espanholas, flamengas, alemãs e francesas em edições dos séculos XV a XVIII.
«O facto de desde meados do século XVII até 1910 ter pertencido ao mesmo departamento governamental, Secretaria de Estado primeiro e depois Ministério, a tutela da Marinha e do Ultramar, e desta biblioteca ser a que lhe dava apoio bibliográfico, deu origem à criação de um importante fundo sobre matérias ligadas ao Ultramar e administração ultramarina.
«A BCM, ao longo dos seus 175 anos, tem procurado adquirir as obras de maior significado sobre a Marinha e o mar editadas no país e muitas das estrangeiras mais relevantes, contando actualmente com cerca de 54.000 títulos.
«Importantes legados como os dos Almirantes Gago Coutinho e Teixeira da Mota, dos Comandantes Marques Esparteiro e Nunes Ribeiro e outros, muito vieram enriquecer o vasto património já existente na Biblioteca em matéria de história náutica e de descobrimentos. Dispõe também a BCM de uma considerável colecção de cartas e uma preciosa colecção de atlas.
«Por tudo isto, a Biblioteca Central da Marinha é um importante centro bibliográfico e documental para o estudo de temas de História dos Descobrimentos e Expansão, Ultramar, Marinha e Assuntos do Mar.
«A BCM é pública para livros do acervo geral e restrita aos investigadores credenciados para livros e documentos reservados. A Sala de Leitura da Biblioteca está aberta ao público, de segunda a sexta-feira, de manhã, das 9.30h às 12.30h, e de tarde, das 13.30h às 16.45h.
«O Arquivo Histórico (AH)O Arquivo Histórico da Marinha (AH) é um Departamento da Biblioteca Central da Marinha (BCM), responsável pela conservação da memória da Marinha, nas suas múltiplas actividades - pessoal, navios, organismos, infra-estruturas, e legislação - em áreas geográficas diversificadas, ao longo dos últimos 250 anos.
«As origens do Arquivo remontam ao ano de 1843, quando o Decreto de 15 de Fevereiro reorganizou a Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar e estabeleceu um arquivo a cargo de oficial ou amanuense.
«Os documentos mais antigos do AH remontam aos séculos XVII e XVIII, mas a documentação efectivamente expressiva em termos quantitativos corresponde à produzida nos séculos XIX e XX. Quanto à tipologia documental, esta é variada e altamente especializada, obviamente virada para a História Marítima, agrupando-se em documentação avulsa, códices, documentação encadernada, fotografias, cartografia e planos de navios, planos e desenhos de cartografia urbana.Através dos seus fundos, podem ser estudados temas tão diversificados como, por exemplo, a saúde e evolução da medicina, a alimentação, o desenvolvimento científico, novas tecnologias, construção naval, pescas, marinha mercante e de recreio, emigração, religião, relações internacionais, entre outros.A documentação do AH é ainda enriquecida através da custódia de arquivos particulares, recebidos por doação ou depósito, de militares da Marinha e dos seus descendentes, entre outros, “Alm. Sarmento Rodrigues”, “Moniz da Maia”, etc.
«O Arquivo Histórico possui também uma pequena biblioteca com cerca de 9.000 títulos que servem de apoio aos investigadores, destacando-se roteiros dos Séculos XVIII e XIX, legislação, manuais escolares, astronomia, etc.A Sala de Leitura do AH encontra-se aberta ao público em geral, de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 18h00, sendo possível requisitar documentação até às 16h30.»

02 agosto 2010

Bolseiros da FCT não são prejudicados pelas obras - Artes - DN

«Investigadores podem recorrer, sem custos, a outras bibliotecas ou pedir uma entrevista para ter solução individual.
«Os investigadores bolseiros da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que estão a desenvolver o seu trabalho na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e que "tenham necessidades inadiáveis de consulta de documentação não supríveis até ao encerramento [ da BNP para obras] e sem alternativas noutras instituições" poderão solicitar uma entrevista para que o seu caso seja analisado e se possam encontrar soluções.
«A BNP tenta assim minorar o impacto do encerramento da principal sala de leitura, de 15 de Novembro a 1 de Setembro do próximo ano, devido à realização de profundas obras de remodelação na torre de depósitos. As obras na BNP têm causado alguma polémica, tendo sido mesmo lançada uma petição contra encerramento, já assinada por 3900 pessoas e na qual se diz que "a indisponibilização dos acervos da BNP comprometerá a viabilização de projectos em curso, muitos deles com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior ou de outras instituições, e porá em causa o cumprimento de calendários e compromissos académicos estabelecidos."
«Para que isso não aconteça, Jorge Couto, director da BNP, relembra que o serviço de empréstimo interbibliotecas continuará em funcionamento, assim como os meios normais de requisição de obras em microfilme. No entanto, a BNP está disponível para encontrar soluções individuais para os bolseiros da FCT que têm cartão de leitor da BNP, cujos prazos coincidam com o encerramento e que necessitem de obras que apenas existem na BNP.
«Esta não é a única medida que visa reduzir o impacto do encerramento dos principais serviços da BNP durante quase onze meses. Assim que foi possível confirmar o calendário das obras, a BNP começou a "contactar bibliotecas, quer na área de Lisboa, quer no resto país, para estabelecer acordos de cooperação que permitissem dispor de uma rede de alternativas ao essencial das colecções da BNP", explica Jorge Couto.
«Para já, estão firmados acordos para que os leitores da BNP possam consultar, sem custos adicionais, as bibliotecas da rede da Universidade de Coimbra (cerca de 70 bibliotecas com um espólio de dois milhões de volumes), da Academia das Ciências de Lisboa, da Assembleia da República, da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Câmara Municipal (com a sua rede de bibliotecas e a hemeroteca) e a Biblioteca Cen-tral da Marinha. "Poderá haver mais mas este são os acordos já assinados e que, em certos casos, poderão, implicar a alocação de meios humanos e materiais para acolher um maior número de leitores do que é habitual", diz o director.»

27 julho 2010

Acordo entre a Direcção-Geral de Arquivos e a Biblioteca Nacional de Portugal

«A Biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a pedido da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), com a qual desde sempre tem colaborado, vai passar a disponibilizar os seus serviços aos utentes da BNP, durante o período de interrupção temporária da Sala de Leitura Geral da BNP (15 de Novembro de 2010 a 31 de Agosto de 2011). Assim, os portadores de cartão de leitor da BNP terão direito gratuitamente a utilizarem os serviços da biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e todas as bibliotecas dos Serviços Dependentes, que lhes permite não só o acesso à leitura presencial como o usufruto de outros serviços.

«A Biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, composta por cerca de 50.000 monografias e 3.044 títulos de periódicos, é uma biblioteca especializada em áreas diferenciadas, tais como: arquivística; história; genealogia; heráldica; monografias locais; religião; temas olisiponenses, legislação; estatística; etc.
De salientar que cerca de 10.000 volumes constituem a designada "Série Preta", a qual inclui espécies raras e preciosas, desde o séc. XV ao início do séc. XIX.
Uma outra característica não menos importante é o facto de o acervo documental desta biblioteca ter proveniências diversas e especializadas, sendo de realçar a magnifica biblioteca e arquivo oferecida por Júlio de Castilho; o conjunto documental reunido pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses; a biblioteca técnica do ex-Instituto Português de Arquivos e as publicações pertencentes ao extinto Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, bem como um conjunto significativo de publicações produzidas pelas diferentes Secretarias de Estado, durante o século XIX.

«O Arquivo Nacional da Torre do Tombo possui ainda uma importante colecção denominada de "Manuscritos da Livraria", com obras desde o século XVI ao século XX, a qual pode ser caracterizada da seguinte forma:

- livros manuscritos (códices que apresentam uma unidade física e intelectual; entendido como produto intelectual de um autor, organizado de forma estruturada, clara e inteligível);

- códices factícios (constituídos por conjuntos de documentos originariamente independentes, mas fisicamente reunidos numa mesma encadernação, sendo frequentemente compostos por documentos de arquivo descontextualizados e reunidos numa fase posterior à sua produção, por razões alheias ao seu processo de formação e obedecendo por vezes a critérios de agregação pouco coerentes);

- miscelâneas ("códices" constituídos por vários textos, com ou sem ligação temática entre si).

«O primeiro conjunto é o mais vasto em número de volumes, sendo de diversos géneros literários e sobre os mais diversificados assuntos e temas. É importante referir que apesar de isoladamente, unidade a unidade, poderem ser descritas como unidades bibliográficas, são em última análise unidades arquivísticas porque originalmente faziam parte dos processos de requerimento para obtenção de licença para impressão, série integrante do fundo Real Mesa Censória, da qual foram desintegrados. Da mesma proveniência e tendo sofrido as mesmas vicissitudes, são os catálogos de livrarias particulares, quer de indivíduos, quer de instituições religiosas, e as listas de livros proibidos pela Real Mesa Censória.
Em número muito significativo são obras de carácter eclesiástico e de vivência religiosa: regras e constituições de ordens religiosas, direito canónico, sermões, orações, vidas de santos, crónicas conventuais, etc.

«São também muitas as obras de poesia, e peças de teatro (tragédias e comédias), textos apologéticos em a defesa de algo ou de alguém, obras sobre o direito, leis e justiça, e filosofia. Menos frequentes são os textos de carácter técnico e científico, encontrando-se algumas obras de medicina. Em maior número surgem os livros relacionados com o ensino, textos didácticos em especial sobre aritmética, português, ortografia, gramática. Neste âmbito não faltam os dicionários e alguns estudos sobre línguas estrangeiras.

«A história, a genealogia, a heráldica, as biografias e memórias, e as crónicas, são temas muito frequentes entre estes manuscritos, a par de alguns romances, alguma literatura de viagens, e alguns raros exemplos de autores clássicos gregos e latinos. Já os volumes dedicados à economia, ao comércio e à industria existem em pequena quantidade.

«O segundo conjunto de dimensão mais reduzida em número de volumes (c. 300 vol.) tem uma descrição sumária, muitos deles intitulados de miscelâneas, sem pormenorização ou informação genérica do conteúdo. Neste conjunto encontra-se muita correspondência de carácter diplomático, sendo possível indicar os nomes de D. Luís da Cunha, José da Cunha Brochado, Diogo de Mendonça Corte Real, D. João Cosme da Cunha e Távora (Cardeal da Cunha), Pedro da Costa de Almeida Salema, D. João Xavier Telles de Castro (Conde de Unhão) e Marco António de Azevedo Coutinho.

«Dos documentos recolhidos, copiados e compilados pelo Visconde de Santarém, é de referir que abrangem um vasto período da história de Portugal, incidindo nas suas relações diplomáticas com as nações europeias, no tocante ao ambiente político-diplomático europeu, e às questões dos territórios ultramarinos. Existem, também, da mão do visconde de Santarém, documentos preparatórios das suas obras sobre política, diplomática e direito português.»
(Fonte: BNP)

Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa vai disponibilizar gratuitamente os seus serviços aos utentes da BNP durante o fech

À semelhança do que já aconteceu com as Bibliotecas da Universidade de Coimbra, também a Academia das Ciências de Lisboa acordou com a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), a pedido desta, disponibilizar os seus serviços de forma mais alargada aos utentes desta última, tal como fizeram as Bibliotecas da Universidade de Coimbra, durante o período de fecho da Sala de Leitura Geral da BNP (15 de Novembro de 2010 a 31 de Agosto de 2011).
Segundo informação fornecida pela BNP, esta procederá à instalação do equipamento necessário, e do pessoal de apoio, de modo a que os portadores de cartão de leitura da BNP, que serão dotados de cartão de acesso gratuito à Biblioteca da Academia das Ciências, continuem o seu trabalho. A Biblioteca da Academia das Ciências é uma das mais importantes Bibliotecas de Portugal.

20 julho 2010

.: Cision Media Point - Bibliotecas da Universidade de Coimbra colaboram com a Biblioteca Nacional de Portugal

Bibliotecas da Universidade de Coimbra vão disponibilizar gratuitamente os seus serviços aos utentes da Biblioteca Nacional de Portugal durante o fecho da Sala de Leitura Geral.

«A Biblioteca Geral (BGUC), associada à rede de Bibliotecas da Universidade de Coimbra, a pedido da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), com a qual desde sempre tem colaborado, vai passar a disponibilizar os seus serviços de forma mais alargada aos utentes da BNP, durante o período de fecho da Sala de Leitura Geral da BNP, de 15 de Novembro de 2010 a 31 de Agosto de 2011. Assim, os portadores de cartão de leitor da BNP terão direito gratuitamente a um cartão da rede de Bibliotecas da Universidade de Coimbra, que lhes permitirá não só o acesso à leitura presencial como o usufruto de outros serviços, como o empréstimo domiciliário, tanto da BGUC como das outras bibliotecas da rede.A BGUC tem quase 500 anos de história, com uma longa tradição de abertura ao público (pelo menos desde 1559). Reparte-se por dois edifícios, sendo a Biblioteca Joanina, construída no início do século XVIII, pela sua riqueza arquitectónica e decorativa, Monumento Nacional. O edifício joanino alberga um riquíssimo conjunto bibliográfico constituído por obras impressasque vão do século XVI ao início do século XIX, que tem vindo a ser objecto de tratamento técnico informatizado. A BGUC tem, desde há muito tempo, o benefício do Depósito Legal, e tem incorporado, ao longo dos anos, aquisições e doações várias, que lhe trouxeram um progressivo e vultuoso crescimento, tanto em monografias, como em periódicos, em manuscritos, iconografia, etc.Alberga bibliotecas pessoais notáveis como as de Oliveira Martins, Lopes de Almeida e Luís Albuquerque. Alguns dos mais valiosos fundos do país encontram-se à sua guarda, como uma primeira edição de “Os Lusíadas”, manuscritos originais de Almeida Garrett, as Tábuas do Roteiro da Índia de D. João de Castro, a música do Mosteiro de Santa Cruz, o espólio de Carolina Michaelis de Vasconcelos e do Instituto de Coimbra. No total, a BGUC possui mais de um milhão de volumes, dos quais cerca de um quarto são de fundo antigo. Desde 2008 que alargou ao público em geral o empréstimo domiciliário de obras publicadas depois de 1970.A BGUC e as cerca de 70 bibliotecas da Universidade de Coimbra dispõem de um catálogo comum com acesso na Web e de um serviço de empréstimo comum, num trabalho coordenado pelo Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra (SIBUC). O número total de volumes da rede de bibliotecas excede os dois milhões, boa parte dos quais fundo antigo,estando actualmente cerca de 1,2 milhões no catálogo informático comum (existem catálogos mais antigos, em fase de reconversão). O mesmo serviço disponibiliza na Web a biblioteca de fundo antigo da Universidade “Alma Mater”, recentemente inaugurada com 4000 itens, e o repositório de produção científica corrente da Universidade de Coimbra “Estudo Geral”, com 7500 itens.»

(Fonte: .: Cision Media Point - Bibliotecas da Universidade de Coimbra colaboram com a Biblioteca Nacional de Portugal)

10 julho 2010

Pôr a boca no... oficleide


Nouvelle méthode d'ophicleide basse renfermant la tablature de l'instrument... avec le doigtè du Bass-horn (dit Sax-horn) Basse et Contre Basse... / par F. Vobaron

06 julho 2010

Esclarecimento sobre o encerramento temporário do serviço de leitura da BNP

Depois de tanto disparate que tem sido dito e escrito sobre o encerramento temporário do serviço de leitura na Biblioteca Nacional de Portugal, nuns casos motivado pela mais mesquinha má-fé, em outros por mera estupidez e em outros, ainda, por desconhecimento bem intencionado, tenho protelado o momento de trazer este tema para a biblioteca de Jacinto. Não por querer fugir às polémicas (de que até gosto) mas porque - será da idade? - a minha tolerância à má-fé e à estupidez têm vindo a baixar para níveis críticos.

Deixo este esclarecimento, não para esses (que, felizmente, nem passam por aqui) mas para os estimados visitantes da biblioteca de Jacinto que merecem ser esclarecidos de forma honesta e completa. Ninguém pode ser criticado por não saber. Não querer saber é que é inaceitável.

«Face a informações que circulam na Internet duma forma incompleta e pouco precisa, não veiculando com rigor as informações já amplamente difundidas pela Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) tanto sobre a obra em causa como sobre as razões que exigem o encerramento parcial temporário de alguns dos seus serviços de leitura, a Biblioteca Nacional de Portugal, sob tutela do Ministério da Cultura, vem publicamente clarificar este assunto.

«A segunda fase da Obra de Ampliação e Remodelação da Torre de Depósitos da BNP, e a que corresponde a maior parcela do investimento, intervencionará profundamente os 12.500m2 da Torre existente e em funcionamento desde 1969. É nesta intervenção que reside o motivo do encerramento parcial temporário de serviços de leitura da BNP, afectando as colecções armazenadas na Torre:

«Fundo Geral - indisponibilidade parcial das colecções de 1 de Outubro a 15 de Novembro de 2010; e total, entre 15 de Novembro de 2010 e 1 de Setembro de 2011;

«Reservados - indisponibilidade total das colecções entre 1 de Abril e 1 de Setembro de 2011.

«A BNP não encerra, mantendo-se em funcionamento, com os restantes serviços de leitura abertos (Cartografia, Iconografia, Música e Leitura para Deficientes Visuais) e as respectivas colecções disponíveis ao público.

«A suspensão de serviço de leitura da BNP não é motivada por uma simples mudança de colecções para novas instalações, processo que seria bem mais simples e passível de comparação com ocorrências idênticas noutras bibliotecas. Nem configura, também, uma remodelação progressiva de espaços distintos de armazenamento de colecções, casos em que mais facilmente se poderiam encontrar soluções provisórias para manter o serviço de leitura a funcionar durante as obras de remodelação da Torre.

«Com efeito, quer as exigências da remodelação em causa, quer as condições logísticas da BNP fazem com que seja inevitável ter as colecções fora de serviço pelo tempo necessário quer aos trabalhos desta fase da obra, que decorrem entre Outubro de 2010 e Julho de 2011, quer às tarefas de higienização total dos espaços e de recolocação das colecções nas estantes, que decorrerão entre Junho e Agosto de 2011.

«A remodelação não consiste, pois, numa mera transferência das colecções, mas sim num processo complexo com intervenientes e tempos distintos, que se sintetizam em três operações diferentes.

«A primeira operação consiste no empacotamento e deslocação, no interior da Biblioteca, de mais de 1.200 toneladas de espécies bibliográficas que sairão da Torre, a partir de 1 de Outubro, (o que, por exemplo, a uma cadência de 20 toneladas por dia útil perfaz, no mínimo, 3 meses). As colecções empacotadas serão distribuídas por zonas fechadas com pisos capazes de suportar 400kg/m2, o que implica também, a partir de certa altura, a necessidade de se utilizar a própria Sala de Leitura Geral, quando as restantes áreas possíveis já estiverem ocupadas com documentação e enquanto ainda não estiverem prontos os respectivos pisos de depósito.

«A segunda operação consiste na execução dos trabalhos de obra de remodelação de todos e de cada um dos 10 pisos da Torre (ca de 1.500m2 cada), que ocorrerá entre Outubro 2010 e Julho 2011, à cadência média prevista de 20 dias úteis (1 mês) por cada piso. Dada a natureza global de alguns dos sistemas técnicos a remodelar, grande parte dos trabalhos são efectuados de forma integrada em vários pisos ao mesmo tempo e em ligação com as áreas contíguas da parte nova da Torre. Os trabalhos de obra a realizar, a seguir descritos, exigem a completa evacuação das colecções.

«Os trabalhos em cada piso compreendem a completa remoção e substituição de todas as infra-estruturas e sistemas técnicos existentes: todo o sistema eléctrico, que de há muito não cumpre os requisitos legais e de segurança; os sistemas anti-intrusão, anti-incêndio e de tratamento de ar, refrigeração e controlo das condições de temperatura e humidade, que de há muito se encontram degradados ou fora de funcionamento e que são fundamentais para a conservação das colecções a longo prazo. Além de um ambiente livre de poeiras, as condições que garantem a preservação do papel no tempo impõem parâmetros rígidos de temperatura e humidade relativa, de 18º C e 50% de HR, que há muitos anos estão longe de ser garantidos. Todos os pisos serão ainda dotados de um sistema de compartimentação corta-fogo (actualmente inexistente) que evitará a propagação de incêndios em caso de sinistro, e da construção de separação dos espaços de trabalho dos depósitos, com climatização adequada à permanência de pessoas, também inexistente. Todos os pisos serão objecto de trabalhos de pintura.

«Simultaneamente, esta fase da obra inclui ainda a completa renovação dos sistemas de transporte de livros (elevadores), a total substituição da cobertura da Torre existente e a execução dos trabalhos de ligação entre a Sala de Leitura Geral e a nova Sala de Leitura para colecções especiais, situada sob a nova ala da Torre. Estes trabalhos implicam que a Sala de Leitura Geral esteja ainda fechada e só poderão ser efectuados no final, uma vez que ambas as salas serão utilizadas para armazenamento de colecções empacotadas.

«Finalmente, a terceira e última operação compreenderá os trabalhos de higienização dos espaços, e de retorno e rearrumação metódica, correcta e rigorosa de todas as colecções nos depósitos. Esse trabalho será gradual, à medida que os pisos forem recepcionados, e terá a sua conclusão nos meses de Junho a Agosto de 2011. Refira-se que as tarefas de rearrumação das colecções são do mesmo volume que as do empacotamento inicial mas exigirão o reforço das equipas de mudança por ser esta uma operação mais morosa que a primeira, de modo a tornar viável a conclusão do trabalho até início de Setembro de 2011.

«Por fim, dado que até à conclusão das obras nos pisos da Torre (Julho 2011) a Sala de Leitura Geral conterá armazenamento provisório de colecções empacotadas, e que a mesma sala sofrerá, no final, obras de ligação com a nova sala de leitura para colecções especiais, sob a nova ala da Torre, não haverá possibilidade de antecipar o funcionamento, mesmo parcial, do serviço de leitura.

«Todo o processo foi estudado para reduzir ao mínimo o tempo de indisponibilidade do serviço de leitura. A extensão e natureza da obra de remodelação da Torre de Depósitos e o volume das colecções a movimentar não permitem diminuir o tempo de execução de cada uma e do conjunto das operações acima referidas; e as características logísticas da BNP não permitem alternativas à manutenção do serviço de leitura durante os trabalhos de remodelação.

«Por um lado, não existe possibilidade de efectuar de forma mais faseada uma remodelação de 12.500m2 de área numa intervenção que tecnicamente é global, que tem o seu tempo, e que apenas se pode efectuar com as instalações vazias. Por outro, tratando-se de um acervo de cerca de 3.500.000 espécies (cerca de 50 km de prateleiras), não existem espaços alternativos que permitam ter esse acervo, ou parte dele, ao mesmo tempo retirado do seu local normal e acessível para leitura.

«Para proporcionar aos Leitores o melhor aproveitamento possível do período anterior ao encerramento, a BNP não praticará em 2010 o horário de Verão, mantendo a Sala de Leitura Geral aberta até às 19h30, nos dias de semana, e até às 17h30 aos Sábados.

«Durante o período de encerramento da Sala de Leitura Geral, o Serviço de Referência da BNP, que continuará aberto, irá manter, nessa zona, a leitura de microfilmes. Providenciará, igualmente, todo o apoio possível aos Leitores para encontrarem bibliotecas alternativas para a consulta de publicações de que necessitem

(Direcção da BNP In: Esclarecimento sobre o encerramento temporário do serviço de leitura )

Saudades do campo


Eu sou de Lisboa, alfacinha de gema. Tenho raizes rurais, como toda a gente, mas essas são muito antigas, não tenho contacto com elas. No entanto, os meus pais tiveram uma casa de campo onde passei férias e fins-de-semana entre os cinco e os dezasseis anos. Lá tinhamos um quintal bastante grande onde produzíamos tudo o que produz uma horta: batatas, cebolas, alhos, couves, alfaces, tomates, feijão verde (de trepar), feijão seco, nabos, nabiças, cenouras, ervas aromáticas... eu apanhava legumes para a sopa e para a salada, ajudava nas sementeiras e nas colheitas, lembro-me bem de como se preparavam os alfobres, como se transplantavam os rebentos para os canteiros, como se cortavam as batatas greladas para semear.
Tenho saudades desse tempo, sempre tive, mas a actual situação do país, a insegurança em relação ao futuro e a desmotivação que se vive na administração pública acentua essas saudades. Tanto mais quanto as férias que tenho passado a conhecer o nosso país, o cheiro das aldeias (continua o mesmo), da urze e da esteva, os campos cobertos de flores, o estrume misturado com feno, o tempo que nunca mais acaba, as vacas a pastar perto da estrada agitando os badalos, tudo isso me tem trazido uma vontade insaciável de voltar ao campo, de me entregar ao ritmo da natureza, às rotinas simples e sempre novas de dar o milho e a couve migada às galinhas, cuidar da horta, afagar o gato no alpendre enquanto vejo o pôr-do-sol, acender a lareira no Inverno embrulhada numa manta, cozinhar os meus próprios produtos (e eu gosto tanto de cozinhar!) num daqueles enormes fogões com cinco ou seis bicos, preparar as receitas de compotas e conservas que permanecem arrumadas na prateleira dos livros de cozinha à espera de uma oportunidade.
Por enquanto, tudo isto não passa de um sonho. Gostava de acordar um dia para o poder realizar.

29 junho 2010

Férias: crónica visual (2)

Peço desculpa aos visitantes da biblioteca de jacinto mas o tempo para editar tem sido... zero!

As vinhas da Casa de Santar (foto de Jorge Afonso).

O Rio Mondego, perto de Seixo da Beira.

A Anta da Cunha Baixa (perto de Mangualde). A maior e mais bem conservada anta que eu já vi.

No jardim do palacete do Tojal (Sátão). Foto de Jorge Afonso, claro...

17 junho 2010

Férias: crónica visual

Combóio fantasma?

O conjunto contemporâneo de altar, evangelho e cátedra integra-se perfeitamente no espaço antigo da Sé na qual as várias épocas se misturam.

Claustro da Sé de Viseu.

Capela baptismal (Sé de Viseu)

Sagrada Família com Santos (Museu da Misericórdia).
Gostei imenso deste quadro, de autor anónimo, pela doçura da expressão de todas as personagens.

Viseu, junto ao rio.

Roubadas da árvore!

Alecrim aos molhos!

19 maio 2010

Hino revolucionário

Até parece do tempo do PREC mas não é... algures pelos finais da Monarquia, início da primeira República. Delicioso! As coisas que nos passam pelas mãos...