25 fevereiro 2011
07 fevereiro 2011
17 janeiro 2011
13 janeiro 2011
O sentido das palavras
Já notei, num texto anterior, como a palavra "sacrifício" está a ser utilizada num sentido inapropriado com a intenção subliminar de dar à palavra uma conotação de santidade, eliminando assim a carga negativa das privações e dificuldades que estão a ser impostas aos portugueses pelos políticos.
Mas não é caso único. Vejamos a palavra "coragem". Outra palavra com uma carga simbólica positiva, que associamos à bravura de D. Nuno Álvares Pereira ou à frontalidade de Humberto Delgado. O termo cai bem e mexe com valores muito enraizados que acarinhamos intimamente.
Acontece que também esta palavra está a ser aplicada ao conceito errado. Se não, vejamos: diz o senhor presidente da CIP que "há um conjunto de reformas que corajosamente têm de ser feitas". Bem sabemos quais são: despedimentos, redução de salários, a cassete do costume.
Independentemente de se concordar ou não com este senhor, coloco uma questão em relação à palavra que ele (e tantos outros) escolheu para adjectivar essas medidas: "corajosas".
Ora, eu aprendi algumas coisas quando era pequenina, coisas simples e básicas que os meus pais (cujo perfil moral irrepreensível me esforço por seguir) me ensinaram: não se mete as mãos no prato, não se cospe no chão, não se tira a borracha ao colega, não se mente para nos protegermos, não se bate nos meninos mais pequenos.
Bater nos pequeninos (coisa que nunca me passaria pela cabeça porque eu era sempre mais pequena do que os outros...) era apelidado de "cobardia" palavra que aprendi cedo.
Parece, porém, que estes senhores que mandam em nós (e não me refiro só aos que mandam de jure, mas também aos que mandam de facto) ensinam aos seus filhos que aquele menino lá da escola, alto e grandalhão, que bate nos pequeninos é... corajoso.12 janeiro 2011
Havia de ser cá
Quem pensava que o CSI é um retrato fiel da investigação criminal nos EUA, desengane-se.
Claro, havia de ser cá e não faltariam críticas nem vozes a clamar... "só mesmo cá!".
Carlos Castro: cremação prevista para hoje, cinzas poderão ser espalhadas no Rio Hudson - Sociedade - PUBLICO.PT
31 dezembro 2010
Feliz 2011
E, mesmo quando acharem que vão bater no fundo, lembrem-se de que no fundo também há coisas belas.
28 dezembro 2010
Dies irae
É minha convicção que a religião está na natureza humana. Não sei porquê, não tenho qualquer explicação racional para isso, não sei em que zona do cérebro ou em que subtil registo do nosso código genético se encontra essa peculiaridade exclusivamente humana mas é um facto observável que o homem precisa de religão e, mesmo quando não a tem, arranja algo que a substitua.
Jesus de Nazaré, cujos seguidores chamaram Cristo, teve essa intuição - ou essa sabedoria. Disse que não se podem servir dois senhores sendo esses dois senhores Deus e o dinheiro. Ou um ou outro. Quem não serve Deus, serve o dinheiro. Também no Antigo Testamento a condenação da idolatria tinha esse carácter de contraponto: os que adoravam o Deus único e os que adoravam os ídolos. Mas adora-se ou idolatra-se sempre algo ou alguém: seja uma religião monoteísta, seja uma qualquer forma de idolatria, está sempre lá qualquer forma de adoração (ou de alienação) que nos afasta da simples vivência canina do caça-come-dorme. Não tenho explicação para isto.
É um facto que vivemos numa sociedade laica. Na Constituição está consagrada a liberdade religiosa mas não existe uma religião oficial. Ou será que existe?
A avaliar pelo que estamos a atravessar, parece que sim. Depois de décadas de laicismo, começa a desenhar-se uma nova religião oficial: o Capitalismo.
Bertrand Russell dizia (não por estas palavras, pois não tenho à mão o texto) que o Comunismo é uma religião cujo deus é o Estado. E eu acrescento: nessa religião, o diabo é o Capital.
Na nova religião ocidental - o Capitalismo - o diabo é o Estado e o deus é o Mercado.
O Capitalismo é, pois, a nova religião do mundo ocidental, já cansado de viver sem fés e sem crenças. E não uso a palavra religião em sentido figurado, uso-a literalmente.
A religião Capitalismo tem a sua teologia, os seus dogmas, os seus ritos, os seus sacerdotes e os seus prosélitos: tudo a que uma verdadeira religião tem direito.
O deus do Capitalismo é o Mercado. A sua teologia é a Economia (os sacerdotes-teólogos são os economistas).
A Economia tem dogmas:
O primeiro dogma é, desde logo, a existência do Mercado. Sim, a sua existência. Temos de acreditar em algo que não vemos, como num deus. O Mercado existe, é omnipresente, omnisciente e omnipotente e segui-Lo é o Caminho da Salvação.
O segundo dogma diz que o Mercado existe por si mesmo e se auto-regula não podendo nem devendo sofrer qualquer tentativa de domínio exterior. Tal como o Criador Incriado, Eterno e Necessário de São Tomás de Aquino. Quando as coisas correm mal, é porque houve tentativas (necessariamente falhadas) de O manipular.
O terceiro dogma diz que o Mercado é Bom. Não precisa de ser demonstrado, o Mercado é Bom porque só pode ser Bom. As catástrofes que provoca, a dôr, miséria e fome que propaga, a ganância e a rapina que são feitas em Seu nome, são apenas resultado do mau uso e da deturpação. O Mercado é Bom e isso não carece de demonstração. É um dogma. Como é bom, o Mercado é providente e generoso para os seus seguidores. Pelo contrário, para os Infiéis é impiedoso. Daí, dizem os sacerdotes-teólogos, não seja conveniente criticá-Lo. Sim, como o Mercado é omnisciente, sabe quando dizemos mal d'Ele, quando blasfemamos. O Mercado ira-se com as blasfémias. Quando iramos o Mercado, desabam sobre nós pragas como o desemprego.
O Mercado é caprichoso: não sabemos ao certo o que fazer para O satisfazer. Os seus desígnios são insondáveis e por isso os sacerdotes-teólogos se dedicam a estudá-Lo e a prescrutar os Seus sinais. Analisam as bolsas, como quem lê nas entranhas das aves, e fazem previsões. De acordo com essa análise, indicam os dias fasti e nefasti para investir, de acordo com critérios que só eles entendem. Tentam convencer-nos de que estes fenómenos são naturais e espontâneos embora quase todos saibamos - ou, pelo menos, intuamos - que as cotações das bolsas são manipuláveis.
O Mercado dá sinais, tem estados de espírito, reage: os sacerdotes-teólogos usam termos como "sentimento negativo" ou "sentimento positivo", "deprime-se" ou "anima-se". É preciso desagravá-Lo, pois, quando está deprimido. Defendê-Lo, criticar os que O acusam, é uma forma de O desagravar para que não se zangue ou para que tenha piedade dos pobres ignorantes (nós todos) que não sabem o que fazem nem o que dizem.
Em qualquer sistema confessional, a proximidade entre políticos e sacerdotes-teólogos é elevada, estes estão sempre no poder, seja formalmente, exercendo cargos, seja informalmente, como oráculos e conselheiros. Esta proximidade não é casual nem circunstancial: tem um suporte teológico. É assim, dizem os sacerdotes-teólogos, porque sim, porque está certo, porque tem de se fazer política em função de Economia e de nenhum outro critério.
No sistema confessional Capitalista (recordo que não existe Estado), as leis são feitas em função das indicações do Mercado, interpretadas pelos sacerdotes-teólogos. Noções como soberania e independência nacional, além de hereges, chegam a ser ridicularizadas pelo sistema confessional Capitalista. Quem sugira que as leis deveriam defender a independência nacional e os cidadãos e promover o bem comum é apelidado de socialista (sinónimo de herege, na religião Capitalista) - se tiver meios e cultura - ou de simplório e ingénuo - se for de mais modesta condição. Em qualquer dos casos, é conservador e ultrapassado.
Claro que, todos sabemos, este sistema não existe em lado algum, pelo menos implantado de forma exaustiva. Ainda existem Estados independentes, pelo menos formalmente, e a religião Capitalista ainda não é oficial. O objectivo é que um número suficiente de pessoas creiam e se submetam voluntariamente à religião e, para isso, são necessários muito proselitismo, muita alienação e muita repressão conjugados por diferentes agentes: políticos, economistas, jornalistas, comentadores. A pouco e pouco, as pessoas começam a achar normal e moralmente aceitável ser despedido sem uma causa justa, trabalhar por um salário muito inferior ao que os lucros reais do empregador permitiriam ou não ter acesso a cuidados de saúde por falta de meios para os pagar.
24 dezembro 2010
FELIZ NATAL
(Pintura anónima existente o Museu da Misericórdia de Viseu e fotografada por mim)
06 dezembro 2010
Banquetes de Platão IV
Quase dois anos depois da última receita apresentada n'A biblioteca de Jacinto, e mais de quatro anos depois da primeira, eis que me decido a publicar mais uma. Desta vez é de bochechas de porco, algo para que não encontrei qualquer receita em livros de cozinha. Como de costume, fui inventando à medida que ia fazendo...
BOCHECHAS DE PORCO EM VINHO VERDE TINTO
Eu faço tudo a olho, por isso, não dou quantidades.
Fiz uma marinada com vinho verde tinto e cenouras cortadas às rodelas e nela mergulhei as bochechas (as do porco) tendo o cuidado de as virar uma ou duas vezes para ganharem sabor por igual.
À parte, preparei uma mistura de sal marinho, tomilho seco, noz moscada e pimenta preta. Moí tudo num moinho de café que costumo usar para moer especiarias.
Esfreguei esta mistura nas bochechas (nas do porco!) e reservei.
Num tacho derreti banha de porco preto e alho esmagado. Coloquei dentro as bochechas (sim, essas...) e despejei por cima a marinada. Deixei cozinhar em lume brandinho cerca de uma hora e dez. De vez em quando deitava umas pinguinhas de água para não queimar.
Acompanhei com puré de batata.
Bom apetite!
08 novembro 2010
O rigor da informação nos media portugueses
Já aqui escrevi sobre o encerramento parcial e temporário da Biblioteca Nacional pelo que não vou alongar-me com esclarecimentos redundantes.
O que me traz de novo ao tema é o grande destaque dado hoje nos noticiários da TSF ao (suposto) encerramento total da Biblioteca Nacional. A falta de rigor com que foi dada a notícia sobre a Biblioteca Nacional - mascarada de grande rigor, acompanhada até de uma entrevista à sub-directora da instituição - é inadmissível numa rádio que se pretende de referência na informação em Portugal. Continuo a interrogar-me se é estupidez ou má fé o que leva pessoas responsáveis (desde a Doutora Maria Filomena Mónica aos jornalistas da TSF, passando pelo deputado e professor universitário Rui Tavares e tantos distintos signatários da famosa Petição) a insistir em ignorar toda a informação e todas as explicações técnicas que têm sido repetidamente fornecidas a quem quiser estar informado. Devo dizer que não tenho na conta de estúpida nenhuma das pessoas que nomeei...
E eu pergunto-me, como é que posso confiar em outras notícias sobre as quais não tenho informações de outras fontes? Como posso formar opinião esclarecida sobre qualquer tema em relação ao qual não tenha informação directa? Quantas vezes terei até formado juízos errados sobre qualquer tema apenas porque a informação que me foi disponibilizada pelos meios de comunicação social é truncada, distorcida ou mesmo falsa?
Pelas costas dos outros vemos as nossas, diz o povo. E pela forma como a comunicação social trata um assunto que eu conheço bem posso imaginar como trata os que conheço mal. E ficar de pé atrás.
02 novembro 2010
Rio Homem, de André Gago
André Gago debruçou-se sobre este tema desde os anos 80. Conhecemo-nos há mais de vinte anos, ele a começar a carreira de actor e eu sem saber ainda que carreira iria ter. Ele viajava já habitualmente entre Lisboa e Trás-os-Montes para fazer as suas recolhas sobre máscaras tradicionais, tema que continua a estudar com entusiasmo. Na altura, ajudei-o a desenvolver uma ficha de inventário e tivémos interessantes conversas sobre a sua pesquisa. Circunstâncias da vida afastaram-nos por quase vinte anos e vim a reencontrá-lo no umbigo da rede em que se tornou o Facebook.
Há dias, topo com uma capa e um título sugestivo: Rio Homem. Autor, André Gago. O Rio Homem conheço-o bem (ou pensava que conhecia); trouxe o livro para casa e não consegui parar de ler.
Rio Homem é uma história e é três histórias: é a história dos últimos trinta anos da existência de Vilarinho das Furnas, dos seus costumes e modos de vida. Mas lá fora, no mundo, tudo o que acontece, acaba por se repercutir na vida desta aldeia: a Guerra Civil de Espanha, a política florestal do Estado Novo, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Colonial e, finalmente, o Plano Hidroeléctrico Nacional. O fio condutor, Rogélio, é um herói à maneira Romântica, um refugiado da Guerra Civil de Espanha, único sobrevivente do seu grupo, qual holandês voador, facto que lhe corrói a consciência apesar de não ter tido culpa de escapar, ao contrário do mítico navegador. Figura trágica, viajante sem lugar e sem tempo, vergado pela adversidade, naufraga na vetusta aldeia, também ela fora do espaço e do tempo, e aí cuida encontrar um lugar de redenção. Tão semelhantes, herói e aldeia, na singularidade e no Destino, ambos lutam contra o rolo compressor do Progresso numa guerra de derrota anunciada.
Extraordinariamente bem escrito e bem documentado, este romance leva tempo a abandonar o leitor depois de lida a última linha. Ficam no ar perguntas e um sentimento contido de revolta. O mal está feito, Vilarinho da Furna desapareceu irremediavelmente, mas a questão que fica é esta: que lugar têm ainda, neste mundo onde somos obrigados a viver, a diferença, a singularidade, a cultura e a tradição? Quantos lugares ainda terão de ser reduzidos a tabuletas «Neste lugar existiu...» até que responsáveis políticos, poderes económicos e vulgares cidadãos percebam que não são (não somos!) donos de nada, nem da terra, nem da cultura, nem da tradição e apenas tomamos conta do que levou séculos a construir e nos foi confiado nesta breve passagem pelo Mundo?
01 novembro 2010
O estado da Nação (em 1871)
«Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: fizemos muitas revoluções para sair dela. Ficámos exactamente em condições idênticas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, carrascos, que o vai buscar alegremente, ao meio-dia, cantando o Bendito; é uma classe média inteira que vive dele, de chapeu alto e paletó.
«Este caldo é o Estado. A classe média vive do Estado. A velhice conta com ele como condição da sua vida. Logo desde os primeiros exames no liceu, a mocidade vê nele o seu repouso e a garantia da sua tranquilidade. A classe eclesiástica não significa a realização de uma crença; é ainda uma multidão de desocupados que quer viver à custa do Estado. A vida militar não é uma carreira, como se compreendia outrora, é uma ociosidade organizada por conta do Estado. Os proprietários procuram viver à custa do Estado, vindo ser deputados a 2$500 réis por dia. A própria indústria faz-se proteccionar pelo Estado e trabalha sobretudo em vista do Estado. A imprensa até certo ponto vive também do Estado. A ciência depende do Estado. O Estado é a esperança das famílias pobres e das casas arruinadas; é a ocupação natural das mediocridades; é o usofruto da burguezia. Ora como o Estado, pobre, paga tão pobremente que ninguém se pode libertar da sua tutela para ir para a indústria ou para o comércio, esta situação perpetua-se de pais a filhos como uma fatalidade. Resulta uma pobreza geral. Com o seu ordenado ninguém pode acumular, poucos podem equilibrar-se. Nascem o recurso perpétuo para a agiotagem, a dívida e a letra protestada, como elementos regulares da vida. Por outro lado o comércio sofre desta pobreza da burocracia, arruina-se, quebra e fica ele mesmo na alternativa de recorrer também ao Estado ou de cair no proletariado. O mesmo sucede aos industriais. A agricultura, sem recursos, sem progresso, não sabendo fazer valer a terra, arqueja à beira da pobreza e termina sempre recorrendo ao Estado.
«Tudo é pobre: a preocupação geral é o pão de cada dia. Disto uma lei exclusiva, dominante, áspera: o egoismo. Tudo se torna meio de comer.
[...]
«A pobreza geral produz um aviltamento na dignidade. Todos vivem na dependência: nunca temos por isso a atitude da nossa consciência, temos a atitude do nosso interesse.
«Serve-se, não quem se respeita, mas quem se vê no poder. Um governador civil dizia: –É boa! dizem que sou sucessivamente regenerador, histórico, reformista! Eu nunca quiz ser senão – governador civil! - Este homem tinha razão, porque mudar do Sr. Fontes para o Sr. Braamcamp, não é mudar de partido; – ambos aqueles cavalheiros são monárquicos e constitucionais e católicos. A desgraça é que, se em Portugal houvesse partidos republicanos, monárquicos, socialistas, aquele homem, assim como fôra sucessivamente reformista, histórico, regenerador – isto é as coisas mais iguais – seria republicano, monárquico e socialista – as coisas mais contraditórias.
[...]
«Perdeu-se através de tudo isto o sentimento de cidade e de pátria: o cidadão desapareceu. E todo o País não é mais do que: uma agregação heterogénea de inactividades que se enfastiam.
(QUEIRÓS, Eça de – As farpas. Transcrito da edição original Lisboa: Typographia Universal, 1871, disponível em http://purl.pt/256)
27 outubro 2010
A Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico

Nós, portugueses, que estamos sempre com lamúrias sobre a partidocracia, sobre a falta de poder efectivo dos cidadão face à omnipresença dos partidos, dos grupos económicos e de todos os lobbies reais e imaginários, nós, portugueses - dizia - temos na figura da ILC uma oportunidade ímpar para o exercício da cidadania. Para nosso próprio mal, somos melhores nas lamúrias.
Ao contrário das vulgares petições que circulam na Internet, uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos carece da assinatura do subscritor. Por outro lado, também ao contrário daquelas, esta produz, necessariamente, efeitos. Para tal, tem de ser entregue numa das seguintes formas: em papel, enviada por correio normal, ou em imagem digitalizada, enviada por correio-electrónico.
O texto da Iniciativa Legislativa de Cidadãos está disponível no site da ILC bem como qualquer das formas de subscrição.
Para quem tiver dúvidas sobre a viabilidade legal desta Iniciativa Legislativa de Cidadãos, está também disponível um parecer do jurista Paulo Jorge Assunção. Para aqueles que, como eu, não são versados em Direito, vale a pena começar por ler a síntese, mais acessível, e só depois enfrentar a densa argumentação do parecer.
Eu já assinei. Convido todos os visitantes da biblioteca de Jacinto a fazerem o mesmo.
07 outubro 2010
Autógrafo de uma obra desconhecida de Niccolò Jommelli (1714-1774) descoberto na Biblioteca Nacional
Laudate pueri Dominum a 16 vozes
«À data da sua morte o compositor Niccolò Jommelli era considerado um dos maiores compositores vivos, vindo posteriormente a ser consistentemente incluído na plêiade dos mais memoráveis autores do século XVIII. Na ocasião Schubart escreveu: “O maior Pã está morto… Se a riqueza de pensamento, a fantasia cintilante, a melodia inesgotável, a harmonia celestial, o profundo domínio de todos os instrumentos e particularmente da poderosa mágica da voz humana […], se tudo isto combinado com a mais acutilante compreensão da poesia musical constitui o génio, então a Europa perdeu o seu maior compositor.”
«Dois anos depois de ter subido ao trono, D. José tentou contratar Jommelli que, por esta altura, já era o mais afamado e o mais inovador compositor de ópera italiana em actividade. No entanto, a proposta do Duque de Württemberg, que incluía um novo teatro, acabou por aliciar o compositor, que se mudou para a Corte de Estugarda em 1754. Durante 15 anos produziu música religiosa e contribuiu para reescrever a história da ópera. Em 1769 e a troco de uma vantajosa reforma, D. José conseguiu finalmente obter os serviços de Jommelli, que entretanto passou a viver em Aversa, Itália. O contrato incluía o envio de obras religiosas, e sobretudo de óperas. Até à morte do Rei em 1777, e com adaptações de João Cordeiro da Silva, os teatros reais portugueses chegaram a levar anualmente à cena quatro óperas suas.«No género sacro, a influência de Jommelli em Portugal ainda está por avaliar, mas foi certamente duradoura. Algumas das suas obras religiosas mantiveram-se no repertório das igrejas até finais do século XIX. O Requiem (Hochstein, A.I.3), obra composta em 1756 para as exéquias da Duquesa de Württemberg, foi a mais importante e paradigmática. Ernesto Vieira, na entrada do seu Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes (1900), escreve: “Executa-se ainda muito frequentemente nas egrejas de Lisboa a missa de requiem e libera-me de Jommelli, composições primorosas no estylo sacro.”
«O estatuto de Niccolò Jommelli e os laços históricos que o ligam a Portugal tornam a descoberta deste autógrafo (ainda que incompleto) um acontecimento relevante no contexto dos estudos de música sacra de estilo romano de meados do século XVIII. O caso em epígrafe é particularmente interessante porque se trata de uma obra policoral para 16 vozes e baixo contínuo (com utilização de 3 órgãos) completamente desconhecida e sem paralelo na produção do compositor. O trabalho seminal de Wolfgang Hochstein, Die Kirchenmusik von Niccolò Jommelli (1984), que inclui um catálogo temático, não menciona qualquer obra para 16 vozes.
«A razão para a ausência de referências na bibliografia da especialidade prende-se com o facto de o primeiro caderno (4 fólios) se encontrar desaparecido. Em consequência, informações cruciais como o autor, a data e o título da obra, grafadas na página de rosto, perderam-se.
«A identificação do autor foi realizada através de estudos caligráficos comparativos. Uma proposta para a génese da obra assim como a sua contextualização na vida e obra de Jommelli serão alguns dos temas abordados.»
António Jorge Marques
(Fonte: sítio da Biblioteca Nacional de Portugal)
05 outubro 2010
31 agosto 2010
Quem diz que a História não se repete?
Cultura de Férias / Para a Clara

"É do conhecimento público que a Biblioteca Nacional vai fechar a fim de se mudar para as novas instalações na Cidade Universitária. A inauguração está marcada para Dezembro e pensa-se que os livros todos da Biblioteca só poderão estar em leitura em Fevereiro ou Março do próximo ano. Embora seja natural que haja um período de encerramento para mudança, é de estranhar que nesta altura, já tivessem sido fechadas as secções de Jornais e de Literatura. Também vai fechar a secção de História e Ciências Civis, esperando-se que, a partir de meados de Março, os serviços estejam todos encerrados.
Dado que uma grande parte das investigações sobre os diversos aspectos da cultura portuguesa depende da Biblioteca Nacional, como é que para uma mudança tão importante como esta não se põe um número suficiente de empregados a trabalhar de modo que ela se faça num mínimo de tempo? A mudança será também mais demorada porque, por uma questão de rigorosa economia (aproveitamento de espaço) , os volumes têm de ser dispostos nas camionetas que os transportam e nas câmaras de desinfecção segundo os seus formatos. Assim, uma mudança que poderia demorar cerca de três meses vai prolongar-se durante cerca de um ano, período durante o qual quase todas as investigações se suspendem, as teses dos estudantes universitários se interrompem, as bolsas para trabalhos cessam, numa palavra a cultura portuguesa fica de férias durante um ano!
Tive ocasião de percorrer as novas instalações. Verifiquei não apenas a sua largueza e elegância requintada como o seu luxo... Não posso deixar de achar estranho o contraste com a modéstia de recursos demonstrada nos trabalhos de mudança."
Vera Lagoa, 15/4/66
Bisbilhotices, Diário Popular
Fotografia: Biblioteca Nacional, 1961, Artur Goulart
04 agosto 2010
Acordo entre a Biblioteca Central da Marinha e a Biblioteca Nacional de Portugal
«A BCM é a sucessora da Biblioteca da Academia dos Guardas-Marinhas, e da Biblioteca da Escola Naval, criada por decreto de 1835 de D. Maria II "para difundir... as luzes... na Classe de Marinha do Estado".
«Os fundos da BCM têm várias proveniências, mas no caso dos mais antigos, é de salientar a importância dos recebidos das livrarias dos conventos das antigas Ordens religiosas, extintas no segundo quartel do século XIX, que versam, além de temas náuticos de muito interesse para o estudo dos descobrimentos e da expansão portuguesa no mundo, Literatura, Filosofia, Religião e História, obras clássicas e renascentistas portuguesas, italianas, espanholas, flamengas, alemãs e francesas em edições dos séculos XV a XVIII.
«O facto de desde meados do século XVII até 1910 ter pertencido ao mesmo departamento governamental, Secretaria de Estado primeiro e depois Ministério, a tutela da Marinha e do Ultramar, e desta biblioteca ser a que lhe dava apoio bibliográfico, deu origem à criação de um importante fundo sobre matérias ligadas ao Ultramar e administração ultramarina.
«A BCM, ao longo dos seus 175 anos, tem procurado adquirir as obras de maior significado sobre a Marinha e o mar editadas no país e muitas das estrangeiras mais relevantes, contando actualmente com cerca de 54.000 títulos.
«Importantes legados como os dos Almirantes Gago Coutinho e Teixeira da Mota, dos Comandantes Marques Esparteiro e Nunes Ribeiro e outros, muito vieram enriquecer o vasto património já existente na Biblioteca em matéria de história náutica e de descobrimentos. Dispõe também a BCM de uma considerável colecção de cartas e uma preciosa colecção de atlas.
«Por tudo isto, a Biblioteca Central da Marinha é um importante centro bibliográfico e documental para o estudo de temas de História dos Descobrimentos e Expansão, Ultramar, Marinha e Assuntos do Mar.
«A BCM é pública para livros do acervo geral e restrita aos investigadores credenciados para livros e documentos reservados. A Sala de Leitura da Biblioteca está aberta ao público, de segunda a sexta-feira, de manhã, das 9.30h às 12.30h, e de tarde, das 13.30h às 16.45h.
«O Arquivo Histórico (AH)O Arquivo Histórico da Marinha (AH) é um Departamento da Biblioteca Central da Marinha (BCM), responsável pela conservação da memória da Marinha, nas suas múltiplas actividades - pessoal, navios, organismos, infra-estruturas, e legislação - em áreas geográficas diversificadas, ao longo dos últimos 250 anos.
«As origens do Arquivo remontam ao ano de 1843, quando o Decreto de 15 de Fevereiro reorganizou a Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar e estabeleceu um arquivo a cargo de oficial ou amanuense.
«Os documentos mais antigos do AH remontam aos séculos XVII e XVIII, mas a documentação efectivamente expressiva em termos quantitativos corresponde à produzida nos séculos XIX e XX. Quanto à tipologia documental, esta é variada e altamente especializada, obviamente virada para a História Marítima, agrupando-se em documentação avulsa, códices, documentação encadernada, fotografias, cartografia e planos de navios, planos e desenhos de cartografia urbana.Através dos seus fundos, podem ser estudados temas tão diversificados como, por exemplo, a saúde e evolução da medicina, a alimentação, o desenvolvimento científico, novas tecnologias, construção naval, pescas, marinha mercante e de recreio, emigração, religião, relações internacionais, entre outros.A documentação do AH é ainda enriquecida através da custódia de arquivos particulares, recebidos por doação ou depósito, de militares da Marinha e dos seus descendentes, entre outros, “Alm. Sarmento Rodrigues”, “Moniz da Maia”, etc.
«O Arquivo Histórico possui também uma pequena biblioteca com cerca de 9.000 títulos que servem de apoio aos investigadores, destacando-se roteiros dos Séculos XVIII e XIX, legislação, manuais escolares, astronomia, etc.A Sala de Leitura do AH encontra-se aberta ao público em geral, de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 18h00, sendo possível requisitar documentação até às 16h30.»
02 agosto 2010
Bolseiros da FCT não são prejudicados pelas obras - Artes - DN
«Os investigadores bolseiros da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) que estão a desenvolver o seu trabalho na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e que "tenham necessidades inadiáveis de consulta de documentação não supríveis até ao encerramento [ da BNP para obras] e sem alternativas noutras instituições" poderão solicitar uma entrevista para que o seu caso seja analisado e se possam encontrar soluções.
«A BNP tenta assim minorar o impacto do encerramento da principal sala de leitura, de 15 de Novembro a 1 de Setembro do próximo ano, devido à realização de profundas obras de remodelação na torre de depósitos. As obras na BNP têm causado alguma polémica, tendo sido mesmo lançada uma petição contra encerramento, já assinada por 3900 pessoas e na qual se diz que "a indisponibilização dos acervos da BNP comprometerá a viabilização de projectos em curso, muitos deles com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior ou de outras instituições, e porá em causa o cumprimento de calendários e compromissos académicos estabelecidos."
«Para que isso não aconteça, Jorge Couto, director da BNP, relembra que o serviço de empréstimo interbibliotecas continuará em funcionamento, assim como os meios normais de requisição de obras em microfilme. No entanto, a BNP está disponível para encontrar soluções individuais para os bolseiros da FCT que têm cartão de leitor da BNP, cujos prazos coincidam com o encerramento e que necessitem de obras que apenas existem na BNP.
«Esta não é a única medida que visa reduzir o impacto do encerramento dos principais serviços da BNP durante quase onze meses. Assim que foi possível confirmar o calendário das obras, a BNP começou a "contactar bibliotecas, quer na área de Lisboa, quer no resto país, para estabelecer acordos de cooperação que permitissem dispor de uma rede de alternativas ao essencial das colecções da BNP", explica Jorge Couto.
«Para já, estão firmados acordos para que os leitores da BNP possam consultar, sem custos adicionais, as bibliotecas da rede da Universidade de Coimbra (cerca de 70 bibliotecas com um espólio de dois milhões de volumes), da Academia das Ciências de Lisboa, da Assembleia da República, da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Fundação para a Ciência e Tecnologia, da Câmara Municipal (com a sua rede de bibliotecas e a hemeroteca) e a Biblioteca Cen-tral da Marinha. "Poderá haver mais mas este são os acordos já assinados e que, em certos casos, poderão, implicar a alocação de meios humanos e materiais para acolher um maior número de leitores do que é habitual", diz o director.»
27 julho 2010
Acordo entre a Direcção-Geral de Arquivos e a Biblioteca Nacional de Portugal
«A Biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, composta por cerca de 50.000 monografias e 3.044 títulos de periódicos, é uma biblioteca especializada em áreas diferenciadas, tais como: arquivística; história; genealogia; heráldica; monografias locais; religião; temas olisiponenses, legislação; estatística; etc.
De salientar que cerca de 10.000 volumes constituem a designada "Série Preta", a qual inclui espécies raras e preciosas, desde o séc. XV ao início do séc. XIX.
Uma outra característica não menos importante é o facto de o acervo documental desta biblioteca ter proveniências diversas e especializadas, sendo de realçar a magnifica biblioteca e arquivo oferecida por Júlio de Castilho; o conjunto documental reunido pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses; a biblioteca técnica do ex-Instituto Português de Arquivos e as publicações pertencentes ao extinto Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, bem como um conjunto significativo de publicações produzidas pelas diferentes Secretarias de Estado, durante o século XIX.
«O Arquivo Nacional da Torre do Tombo possui ainda uma importante colecção denominada de "Manuscritos da Livraria", com obras desde o século XVI ao século XX, a qual pode ser caracterizada da seguinte forma:
- livros manuscritos (códices que apresentam uma unidade física e intelectual; entendido como produto intelectual de um autor, organizado de forma estruturada, clara e inteligível);
- códices factícios (constituídos por conjuntos de documentos originariamente independentes, mas fisicamente reunidos numa mesma encadernação, sendo frequentemente compostos por documentos de arquivo descontextualizados e reunidos numa fase posterior à sua produção, por razões alheias ao seu processo de formação e obedecendo por vezes a critérios de agregação pouco coerentes);
- miscelâneas ("códices" constituídos por vários textos, com ou sem ligação temática entre si).
«O primeiro conjunto é o mais vasto em número de volumes, sendo de diversos géneros literários e sobre os mais diversificados assuntos e temas. É importante referir que apesar de isoladamente, unidade a unidade, poderem ser descritas como unidades bibliográficas, são em última análise unidades arquivísticas porque originalmente faziam parte dos processos de requerimento para obtenção de licença para impressão, série integrante do fundo Real Mesa Censória, da qual foram desintegrados. Da mesma proveniência e tendo sofrido as mesmas vicissitudes, são os catálogos de livrarias particulares, quer de indivíduos, quer de instituições religiosas, e as listas de livros proibidos pela Real Mesa Censória.
Em número muito significativo são obras de carácter eclesiástico e de vivência religiosa: regras e constituições de ordens religiosas, direito canónico, sermões, orações, vidas de santos, crónicas conventuais, etc.
«São também muitas as obras de poesia, e peças de teatro (tragédias e comédias), textos apologéticos em a defesa de algo ou de alguém, obras sobre o direito, leis e justiça, e filosofia. Menos frequentes são os textos de carácter técnico e científico, encontrando-se algumas obras de medicina. Em maior número surgem os livros relacionados com o ensino, textos didácticos em especial sobre aritmética, português, ortografia, gramática. Neste âmbito não faltam os dicionários e alguns estudos sobre línguas estrangeiras.
«A história, a genealogia, a heráldica, as biografias e memórias, e as crónicas, são temas muito frequentes entre estes manuscritos, a par de alguns romances, alguma literatura de viagens, e alguns raros exemplos de autores clássicos gregos e latinos. Já os volumes dedicados à economia, ao comércio e à industria existem em pequena quantidade.
«O segundo conjunto de dimensão mais reduzida em número de volumes (c. 300 vol.) tem uma descrição sumária, muitos deles intitulados de miscelâneas, sem pormenorização ou informação genérica do conteúdo. Neste conjunto encontra-se muita correspondência de carácter diplomático, sendo possível indicar os nomes de D. Luís da Cunha, José da Cunha Brochado, Diogo de Mendonça Corte Real, D. João Cosme da Cunha e Távora (Cardeal da Cunha), Pedro da Costa de Almeida Salema, D. João Xavier Telles de Castro (Conde de Unhão) e Marco António de Azevedo Coutinho.
«Dos documentos recolhidos, copiados e compilados pelo Visconde de Santarém, é de referir que abrangem um vasto período da história de Portugal, incidindo nas suas relações diplomáticas com as nações europeias, no tocante ao ambiente político-diplomático europeu, e às questões dos territórios ultramarinos. Existem, também, da mão do visconde de Santarém, documentos preparatórios das suas obras sobre política, diplomática e direito português.»
Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa vai disponibilizar gratuitamente os seus serviços aos utentes da BNP durante o fech
Segundo informação fornecida pela BNP, esta procederá à instalação do equipamento necessário, e do pessoal de apoio, de modo a que os portadores de cartão de leitura da BNP, que serão dotados de cartão de acesso gratuito à Biblioteca da Academia das Ciências, continuem o seu trabalho. A Biblioteca da Academia das Ciências é uma das mais importantes Bibliotecas de Portugal.
20 julho 2010
.: Cision Media Point - Bibliotecas da Universidade de Coimbra colaboram com a Biblioteca Nacional de Portugal
«A Biblioteca Geral (BGUC), associada à rede de Bibliotecas da Universidade de Coimbra, a pedido da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), com a qual desde sempre tem colaborado, vai passar a disponibilizar os seus serviços de forma mais alargada aos utentes da BNP, durante o período de fecho da Sala de Leitura Geral da BNP, de 15 de Novembro de 2010 a 31 de Agosto de 2011. Assim, os portadores de cartão de leitor da BNP terão direito gratuitamente a um cartão da rede de Bibliotecas da Universidade de Coimbra, que lhes permitirá não só o acesso à leitura presencial como o usufruto de outros serviços, como o empréstimo domiciliário, tanto da BGUC como das outras bibliotecas da rede.A BGUC tem quase 500 anos de história, com uma longa tradição de abertura ao público (pelo menos desde 1559). Reparte-se por dois edifícios, sendo a Biblioteca Joanina, construída no início do século XVIII, pela sua riqueza arquitectónica e decorativa, Monumento Nacional. O edifício joanino alberga um riquíssimo conjunto bibliográfico constituído por obras impressasque vão do século XVI ao início do século XIX, que tem vindo a ser objecto de tratamento técnico informatizado. A BGUC tem, desde há muito tempo, o benefício do Depósito Legal, e tem incorporado, ao longo dos anos, aquisições e doações várias, que lhe trouxeram um progressivo e vultuoso crescimento, tanto em monografias, como em periódicos, em manuscritos, iconografia, etc.Alberga bibliotecas pessoais notáveis como as de Oliveira Martins, Lopes de Almeida e Luís Albuquerque. Alguns dos mais valiosos fundos do país encontram-se à sua guarda, como uma primeira edição de “Os Lusíadas”, manuscritos originais de Almeida Garrett, as Tábuas do Roteiro da Índia de D. João de Castro, a música do Mosteiro de Santa Cruz, o espólio de Carolina Michaelis de Vasconcelos e do Instituto de Coimbra. No total, a BGUC possui mais de um milhão de volumes, dos quais cerca de um quarto são de fundo antigo. Desde 2008 que alargou ao público em geral o empréstimo domiciliário de obras publicadas depois de 1970.A BGUC e as cerca de 70 bibliotecas da Universidade de Coimbra dispõem de um catálogo comum com acesso na Web e de um serviço de empréstimo comum, num trabalho coordenado pelo Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra (SIBUC). O número total de volumes da rede de bibliotecas excede os dois milhões, boa parte dos quais fundo antigo,estando actualmente cerca de 1,2 milhões no catálogo informático comum (existem catálogos mais antigos, em fase de reconversão). O mesmo serviço disponibiliza na Web a biblioteca de fundo antigo da Universidade “Alma Mater”, recentemente inaugurada com 4000 itens, e o repositório de produção científica corrente da Universidade de Coimbra “Estudo Geral”, com 7500 itens.»
(Fonte: .: Cision Media Point - Bibliotecas da Universidade de Coimbra colaboram com a Biblioteca Nacional de Portugal)
10 julho 2010
Pôr a boca no... oficleide
06 julho 2010
Esclarecimento sobre o encerramento temporário do serviço de leitura da BNP
Deixo este esclarecimento, não para esses (que, felizmente, nem passam por aqui) mas para os estimados visitantes da biblioteca de Jacinto que merecem ser esclarecidos de forma honesta e completa. Ninguém pode ser criticado por não saber. Não querer saber é que é inaceitável.
«Face a informações que circulam na Internet duma forma incompleta e pouco precisa, não veiculando com rigor as informações já amplamente difundidas pela Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) tanto sobre a obra em causa como sobre as razões que exigem o encerramento parcial temporário de alguns dos seus serviços de leitura, a Biblioteca Nacional de Portugal, sob tutela do Ministério da Cultura, vem publicamente clarificar este assunto.
«A segunda fase da Obra de Ampliação e Remodelação da Torre de Depósitos da BNP, e a que corresponde a maior parcela do investimento, intervencionará profundamente os 12.500m2 da Torre existente e em funcionamento desde 1969. É nesta intervenção que reside o motivo do encerramento parcial temporário de serviços de leitura da BNP, afectando as colecções armazenadas na Torre:
«Fundo Geral - indisponibilidade parcial das colecções de 1 de Outubro a 15 de Novembro de 2010; e total, entre 15 de Novembro de 2010 e 1 de Setembro de 2011;
«Reservados - indisponibilidade total das colecções entre 1 de Abril e 1 de Setembro de 2011.
«A BNP não encerra, mantendo-se em funcionamento, com os restantes serviços de leitura abertos (Cartografia, Iconografia, Música e Leitura para Deficientes Visuais) e as respectivas colecções disponíveis ao público.
«A suspensão de serviço de leitura da BNP não é motivada por uma simples mudança de colecções para novas instalações, processo que seria bem mais simples e passível de comparação com ocorrências idênticas noutras bibliotecas. Nem configura, também, uma remodelação progressiva de espaços distintos de armazenamento de colecções, casos em que mais facilmente se poderiam encontrar soluções provisórias para manter o serviço de leitura a funcionar durante as obras de remodelação da Torre.
«Com efeito, quer as exigências da remodelação em causa, quer as condições logísticas da BNP fazem com que seja inevitável ter as colecções fora de serviço pelo tempo necessário quer aos trabalhos desta fase da obra, que decorrem entre Outubro de 2010 e Julho de 2011, quer às tarefas de higienização total dos espaços e de recolocação das colecções nas estantes, que decorrerão entre Junho e Agosto de 2011.
«A remodelação não consiste, pois, numa mera transferência das colecções, mas sim num processo complexo com intervenientes e tempos distintos, que se sintetizam em três operações diferentes.
«A primeira operação consiste no empacotamento e deslocação, no interior da Biblioteca, de mais de 1.200 toneladas de espécies bibliográficas que sairão da Torre, a partir de 1 de Outubro, (o que, por exemplo, a uma cadência de 20 toneladas por dia útil perfaz, no mínimo, 3 meses). As colecções empacotadas serão distribuídas por zonas fechadas com pisos capazes de suportar 400kg/m2, o que implica também, a partir de certa altura, a necessidade de se utilizar a própria Sala de Leitura Geral, quando as restantes áreas possíveis já estiverem ocupadas com documentação e enquanto ainda não estiverem prontos os respectivos pisos de depósito.
«A segunda operação consiste na execução dos trabalhos de obra de remodelação de todos e de cada um dos 10 pisos da Torre (ca de 1.500m2 cada), que ocorrerá entre Outubro 2010 e Julho 2011, à cadência média prevista de 20 dias úteis (1 mês) por cada piso. Dada a natureza global de alguns dos sistemas técnicos a remodelar, grande parte dos trabalhos são efectuados de forma integrada em vários pisos ao mesmo tempo e em ligação com as áreas contíguas da parte nova da Torre. Os trabalhos de obra a realizar, a seguir descritos, exigem a completa evacuação das colecções.
«Os trabalhos em cada piso compreendem a completa remoção e substituição de todas as infra-estruturas e sistemas técnicos existentes: todo o sistema eléctrico, que de há muito não cumpre os requisitos legais e de segurança; os sistemas anti-intrusão, anti-incêndio e de tratamento de ar, refrigeração e controlo das condições de temperatura e humidade, que de há muito se encontram degradados ou fora de funcionamento e que são fundamentais para a conservação das colecções a longo prazo. Além de um ambiente livre de poeiras, as condições que garantem a preservação do papel no tempo impõem parâmetros rígidos de temperatura e humidade relativa, de 18º C e 50% de HR, que há muitos anos estão longe de ser garantidos. Todos os pisos serão ainda dotados de um sistema de compartimentação corta-fogo (actualmente inexistente) que evitará a propagação de incêndios em caso de sinistro, e da construção de separação dos espaços de trabalho dos depósitos, com climatização adequada à permanência de pessoas, também inexistente. Todos os pisos serão objecto de trabalhos de pintura.
«Simultaneamente, esta fase da obra inclui ainda a completa renovação dos sistemas de transporte de livros (elevadores), a total substituição da cobertura da Torre existente e a execução dos trabalhos de ligação entre a Sala de Leitura Geral e a nova Sala de Leitura para colecções especiais, situada sob a nova ala da Torre. Estes trabalhos implicam que a Sala de Leitura Geral esteja ainda fechada e só poderão ser efectuados no final, uma vez que ambas as salas serão utilizadas para armazenamento de colecções empacotadas.
«Finalmente, a terceira e última operação compreenderá os trabalhos de higienização dos espaços, e de retorno e rearrumação metódica, correcta e rigorosa de todas as colecções nos depósitos. Esse trabalho será gradual, à medida que os pisos forem recepcionados, e terá a sua conclusão nos meses de Junho a Agosto de 2011. Refira-se que as tarefas de rearrumação das colecções são do mesmo volume que as do empacotamento inicial mas exigirão o reforço das equipas de mudança por ser esta uma operação mais morosa que a primeira, de modo a tornar viável a conclusão do trabalho até início de Setembro de 2011.
«Por fim, dado que até à conclusão das obras nos pisos da Torre (Julho 2011) a Sala de Leitura Geral conterá armazenamento provisório de colecções empacotadas, e que a mesma sala sofrerá, no final, obras de ligação com a nova sala de leitura para colecções especiais, sob a nova ala da Torre, não haverá possibilidade de antecipar o funcionamento, mesmo parcial, do serviço de leitura.
«Todo o processo foi estudado para reduzir ao mínimo o tempo de indisponibilidade do serviço de leitura. A extensão e natureza da obra de remodelação da Torre de Depósitos e o volume das colecções a movimentar não permitem diminuir o tempo de execução de cada uma e do conjunto das operações acima referidas; e as características logísticas da BNP não permitem alternativas à manutenção do serviço de leitura durante os trabalhos de remodelação.
«Por um lado, não existe possibilidade de efectuar de forma mais faseada uma remodelação de 12.500m2 de área numa intervenção que tecnicamente é global, que tem o seu tempo, e que apenas se pode efectuar com as instalações vazias. Por outro, tratando-se de um acervo de cerca de 3.500.000 espécies (cerca de 50 km de prateleiras), não existem espaços alternativos que permitam ter esse acervo, ou parte dele, ao mesmo tempo retirado do seu local normal e acessível para leitura.
«Para proporcionar aos Leitores o melhor aproveitamento possível do período anterior ao encerramento, a BNP não praticará em 2010 o horário de Verão, mantendo a Sala de Leitura Geral aberta até às 19h30, nos dias de semana, e até às 17h30 aos Sábados.
«Durante o período de encerramento da Sala de Leitura Geral, o Serviço de Referência da BNP, que continuará aberto, irá manter, nessa zona, a leitura de microfilmes. Providenciará, igualmente, todo o apoio possível aos Leitores para encontrarem bibliotecas alternativas para a consulta de publicações de que necessitem.»
(Direcção da BNP In: Esclarecimento sobre o encerramento temporário do serviço de leitura )
Saudades do campo

Eu sou de Lisboa, alfacinha de gema. Tenho raizes rurais, como toda a gente, mas essas são muito antigas, não tenho contacto com elas. No entanto, os meus pais tiveram uma casa de campo onde passei férias e fins-de-semana entre os cinco e os dezasseis anos. Lá tinhamos um quintal bastante grande onde produzíamos tudo o que produz uma horta: batatas, cebolas, alhos, couves, alfaces, tomates, feijão verde (de trepar), feijão seco, nabos, nabiças, cenouras, ervas aromáticas... eu apanhava legumes para a sopa e para a salada, ajudava nas sementeiras e nas colheitas, lembro-me bem de como se preparavam os alfobres, como se transplantavam os rebentos para os canteiros, como se cortavam as batatas greladas para semear.
Tenho saudades desse tempo, sempre tive, mas a actual situação do país, a insegurança em relação ao futuro e a desmotivação que se vive na administração pública acentua essas saudades. Tanto mais quanto as férias que tenho passado a conhecer o nosso país, o cheiro das aldeias (continua o mesmo), da urze e da esteva, os campos cobertos de flores, o estrume misturado com feno, o tempo que nunca mais acaba, as vacas a pastar perto da estrada agitando os badalos, tudo isso me tem trazido uma vontade insaciável de voltar ao campo, de me entregar ao ritmo da natureza, às rotinas simples e sempre novas de dar o milho e a couve migada às galinhas, cuidar da horta, afagar o gato no alpendre enquanto vejo o pôr-do-sol, acender a lareira no Inverno embrulhada numa manta, cozinhar os meus próprios produtos (e eu gosto tanto de cozinhar!) num daqueles enormes fogões com cinco ou seis bicos, preparar as receitas de compotas e conservas que permanecem arrumadas na prateleira dos livros de cozinha à espera de uma oportunidade.
Por enquanto, tudo isto não passa de um sonho. Gostava de acordar um dia para o poder realizar.
29 junho 2010
Férias: crónica visual (2)
As vinhas da Casa de Santar (foto de Jorge Afonso).
O Rio Mondego, perto de Seixo da Beira.
A Anta da Cunha Baixa (perto de Mangualde). A maior e mais bem conservada anta que eu já vi.
No jardim do palacete do Tojal (Sátão). Foto de Jorge Afonso, claro...
17 junho 2010
Férias: crónica visual
Combóio fantasma?
O conjunto contemporâneo de altar, evangelho e cátedra integra-se perfeitamente no espaço antigo da Sé na qual as várias épocas se misturam.
Claustro da Sé de Viseu.
Capela baptismal (Sé de Viseu)
Sagrada Família com Santos (Museu da Misericórdia).Gostei imenso deste quadro, de autor anónimo, pela doçura da expressão de todas as personagens.
Viseu, junto ao rio.
Roubadas da árvore!
Alecrim aos molhos!19 maio 2010
Hino revolucionário

06 maio 2010
Uma nova e fantástica tecnologia!
29 abril 2010
Revista Glosas
Na biblioteca de Jacinto estamos entusiasmados e não poderemos faltar a este acontecimento. Cada número custa 3€ mas vale muito mais: vale a divulgação merecida do património musical português.22 abril 2010
Igreja da Pena, Torel e Elevador do Lavra
Um passeio pela Lisboa Romântica, a pretexto do próximo concerto do Grupo Vocal Arsis (Igreja da Pena (Lisboa), 25 de Abril, 16h00).
(Foto tirada daqui)
«Na ligação do Campo dos Mártires da Pátria com o Rossio pela íngreme Calçada de Santana encontra-se a Igreja da pena, sede de paróquia, criada em 1570 pelo Cardeal D. Henrique no convento de Santana. Foi concluída em 1705 e teve elegante fachada ladeada por uma torre. Interior de uma só nave com pinturas de Pedro Alexandrino, bela obra de talha, bom quadro alegórico de N.ª Sr.ª da Pena e óptima imagem de S. Sebastião na capela deste santo».
(Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)
«O novo templo era muito vasto e elegante, construido de boa cantaria, tendo os altares adornados de bellos trabalhos de talha. [...] O interior da egreja é vistoso, vendo-se as paredes adornadas de diversos paineis sobre assumptos religiosos; no tecto admira-se uma pintura valiosa, em perspectiva, trabalho de Pedro Alexandrino de Carvalho; é um grande quadro allegorico dedicado á Senhora da Pena. Tem dois púlpitos de pedra, de fórma elegante, com ornato de grande valor atístico. A capella-mor é toda guarnecida de talha dourada, trabalho delicado, vendo-se sobre o altar a imagem da padroeira. [...] No côro, que é espaçoso, está o órgão, de excellentes vozes. [...] A festa do orago realisa-se no dia de Nossa Senhora dos Prazeres, na segunda feira seguinte ao domingo de Paschoela».
(Portugal: diccionario historico, chorographico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artistico)
Recomendamos ir cedo para aproveitar um passeio por um dos jardins mais bonitos e menos conhecidos de Lisboa: o Jardim do Torel.
(Imagem tirada daqui)
(Imagem tirada daqui)
Depois do concerto, um café na associação Xuventude de Galicia...
E finalmente, ao caír da tarde, descer pelo Elevador do Lavra para jantar num dos animados restaurantes da Rua das Portas de Santo Antão.
(Imagem tirada daqui)
Uma tarde muito bem passada!
MCA
14 abril 2010
Concerto do Grupo Vocal Arsis na Biblioteca Nacional de Portugal

Pela terceira vez a Biblioteca Nacional acolhe o Grupo Vocal Arsis, desta vez para um concerto sacro constituído exclusivamente por música de compositores portugueses dos séculos XVI e XVII.
Os visitantes da biblioteca de Jacinto são convidados a assistir com a promessa de que não irão dar por perdido o seu tempo.
09 abril 2010
Grupo Vocal Arsis - concerto em Alenquer
O programa é idêntico ao do concerto na Igreja de Santa Catarina, exclusivamente constituído por música de compositores portugueses dos séculos 16 e 17.
08 abril 2010
Blogue do Grupo Vocal Arsis
05 abril 2010
Festas do Império do Divino Espírito Santo, em Alenquer
04-04-2010 - Domingo de Páscoa
12:00 Missa Solene da Páscoa iniciando-se com a Procissão das Insígnias do Espírito Santo para a Igreja de São Francisco
Igreja da Misericórdia
10-04-2010 - Sábado
21:30 Grupo Vocal ARSIS
Igreja do Espírito Santo
11-04-2010 - Domingo
15:00 Festa da Solidariedade “O Espírito sopra onde quer”
Jardim Vaz Monteiro
17-04-2010 - Sábado
21:30 Coro do Laboratório Nacional Engenharia Civil
Igreja do Espírito Santo
18-04-2010 - Domingo
15:00 Festa da Solidariedade “O Espírito sopra onde quer”
Jardim Vaz Monteiro
24-04-2010 - Sábado
21:30 Coro Polifónico de Cascais
Igreja do Espírito Santo
01-05-2010 - Sábado
21:30 Coro Polifónico Jubilare
Igreja do Espírito Santo
02-05-2010 - Domingo
16:00 Conferência “Toirada à Corda, Origem e Tradição"
Apresentação das Actas do Colóquio de 2009
(Encontro numa Tarde de Domingo)
17:00 Festa da Solidariedade “O Espírito sopra onde quer”
Jardim Vaz Monteiro
08-05-2010 - Sábado
21:30 Grupo Coral “ARS Música”
Igreja do Espírito Santo
09-05-2010 - Domingo
15:00 Festa da Solidariedade “O Espírito sopra onde quer”
Jardim Vaz Monteiro
22-05-2010 - Sábado
12:30 Gastronomia dos Açores
Restaurante D. Nuno
14:30 Documentário “Em Nome do Divino. Açores”
Auditório Damião de Góis
16:00 Toirada à Corda
Largo do Espírito Santo
21:30 Festa da Luz e Vigília de Pentecostes
Igreja do Espírito Santo
23-05-2010 - Domingo de Pentecostes
12:30 Gastronomia dos Açores
Restaurante D. Nuno, 12:30
15:00 Missa Solene da Festa do Império do Divino Espírito Santo sob a presidência do senhor D. Tomaz da Silva Nunes, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa
Igreja de São Francisco
18:00 Procissão do Espírito Santo
Igreja de São Francisco para o Largo do Espírito Santo
16:30 Bodo - Folia com Tocadores dos Açores, Vida Activa e Vindimeiros
Jardim Vaz Monteiro
04 abril 2010
Ressurreição
02 abril 2010
Pietá
01 abril 2010
Agonia no horto
25 março 2010
Fonoteca Nacional: quando, onde, como?
Devo dizer que tal instituição só peca por tardia e só me surpreende que tal não tenha sido anunciado há mais tempo: e "há mais tempo" não quer dizer no governo anterior, quer dizer há décadas. Se a fundação da Real Biblioteca Pública da Corte (hoje, Biblioteca Nacional de Portugal), em 1796, pela Rainha D. Maria I, dista mais de três séculos desde a invenção de Gutenberg, já parecia que teríamos de esperar outro tanto, desde a invenção Thomas Edison, para a criação de uma Fonoteca Nacional.
Alvíssaras, parece que, afinal, não temos de esperar tanto.
No entanto, como tem sido habitual nas políticas culturais deste país, pelo menos desde que vivemos em Democracia (outros contextos implicam outras avaliações), as coisas são pensadas para o imediato, mesmo quando vêm embrulhadas numa aparente "visão de futuro".
Esta minha reflexão decorre da entrevista que ouvi hoje, na Antena 2, à Senhora Ministra da Cultura, a pianista Gabriela Canavilhas, onde ela, entre outras coisas, admitia que a Fonoteca Nacional viesse a depender - ou ficar associada, não percebi bem - ao Museu da Música.
Uma Fonoteca Nacional é uma coisa demasiado grande, demasiado séria e demasiado perene para ser criada sem uma grande reflexão prévia porque os erros pagam-se caros e prolongam-se no tempo de forma irreversível.
Em primeiro lugar, é preciso saber o que se pretende que seja a Fonoteca Nacional. Não se pode ficar pela conversa de café, pelo senso comum.
Do que se fala, afinal, quando se fala de uma Fonoteca Nacional?
De um equivalente à Biblioteca Nacional para discos e cassetes, uma instituição que recebe o Depósito Legal dos fonogramas?
De um equivalente ao Arquivo Nacional das Imagens em Movimento mas para registos sonoros de arquivo?
De um misto das duas, uma instituição patrimonial que reúna, em simultâneo, as funções de fonoteca (literalmente, colecção de registos sonoros) e de arquivo sonoro?
Em qualquer dos casos, tal instituição terá de ter uma autonomia institucional equivalente à da Biblioteca Nacional e à da Torre do Tombo.
Em ambos os casos, ainda, a sua organização terá de obedecer a princípios técnicos biblioteconómicos e arquivísticos, no que diz respeito ao desenvolvimento das colecções, ao tratamento documental e à gestão da informação. Nunca a princípios técnicos museológicos.
Outras questões se colocam:
Tal Fonoteca Nacional conterá apenas os registos sonoros de música ou abrangerá todo o património sonoro português?
Em qualquer dos casos, quem recolherá os audio-livros? A Fonoteca Nacional ou a Biblioteca Nacional?
Se a Fonoteca Nacional tiver também a função de Arquivo Nacional de Som (com funções equivalentes à Torre do Tombo), recolherá os registos oficiais das instituições públicas, por exemplo, os da Assembleia da República?
Como se evitará o desmembramento dos fundos?
Ou recolhe uns e outros não? A selecção fica sujeita a que critérios?
Poderá esta instituição recolher em depósito ou em incorporação, o Arquivo Sonoro da Emissora Nacional?
Finalmente, a questão onde todas as porcas torcem o rabo:
E o pessoal técnico? Vem de onde, se todos os ministérios e instituições públicas estão a reduzir pessoal e os que estão já não chegam para as necessidades?
Vêm de fora, então? Novos funcionários públicos?
E que formação lhes vai ser exigida, agora que foram extintas as carreiras técnicas superiores de Arquivo e de Biblioteca e Documentação?
Não tenho respostas e duvido que alguém seja tão iluminado que as tenha, pelo menos para todas estas questões.
Espero que a Fonoteca Nacional seja criada, sim, mas depois de haver respostas para estas e outras questões. E espero que quem decide se lembre de perguntar a quem sabe.
24 março 2010
Concerto de Quaresma pelo Grupo Vocal Arsis
O programa é exclusivamente constituído por música de compositores portugueses dos séculos 16 e 17.
Pedro de Gamboa, 1563?-1638
Sacerdote e compositor português, não se conhece o local do seu nascimento. Frade menor na paróquia de S. Paio de Arcos, em Arcos de Valdevez, foi ordenado presbítero em 1585. Terá então sucedido a Baltazar Vieira como mestre de capela na Sé de Braga. Manteve este lugar até cerca de 1591, quando se retirou para a freguesia de S. Salvador de Bente, perto de Braga, onde ficou até ao fim da vida.
Miserere nostri, Domine
Estrofes 20 e 30 do hino Te Deum laudamus
A peça Miserere nostri, Domine foi transcrita por João Pedro d’Alvarenga do manuscrito existente na Biblioteca Pública Municipal do Porto.
Estêvão Lopes Morago, 1570-1630
Nascido em Vallecas, perto de Madrid, Estebán Lopez veio ainda criança para Portugal onde passou toda a vida. Estudou música em Évora onde foi menino de coro e onde fez toda a sua formação, no Colégio dos Jesuítas. Foi mestre de capela da Sé de Viseu de 1599 a 1628.
Oculi mei
Introitus da Missa do 3º Domingo da Quaresma (Salmo 25(24):15-16)
Domine, ne memineris
Tractus da Missa de Quarta-Feira de Cinzas (Salmo 79(78):8)
Ambas as peças executadas neste concerto foram transcritas por Manuel Joaquim dos manuscritos provenientes da Sé de Viseu, sendo de assinalar que Oculi mei foi a primeira peça deste compositor a ter audição moderna, em 1941, sob a direcção de Mário de Sampayo Ribeiro.
Francisco Martins, 1617-1680
Nascido em Évora, iniciou a sua formação musical em 1626 ou 1627, como menino de coro no Colégio da Sé de Évora. Em 1647 já era Padre e Mestre de Capela da Sé de Elvas, aí permanecendo toda a vida. Os manuscritos das suas obras encontram-se na Biblioteca Municipal de Elvas.
Tenebrae factae sunt
Responsório das Matinas de Sexta-Feira Santa (Mat. 27:46)
Tristis est anima mea
Responsório do Nocturno de Quinta-Feira Santa (Mat. 26:38)
As peças excutadas foram transcritas por Mário Sampayo Ribeiro.
Diogo Dias Melgás, 1638-1700
Nascido em Cuba do Alentejo, iniciou os seus estudos musicais como menino de coro no Colégio da Sé de Évora, provavelmente em 1647. Aluno do Padre Bento Nunes Pegado, sucedeu-lhe no cargo de Mestre da Claustra, em 1663. Sucedeu a António Rodrigues Vilalva, no cargo de Mestre de Capela, em 1678. Teve de abandonar o lugar quando cegou, em 1697.
Ille homo
Antífona de quarta-feira depois do quarto Domingo da Quaresma (Jo. 9:11)
Salve Regina
Antífona das Completas de Domingo
D. João IV, Rei de Portugal, 1604-1656
Adjuva nos Deus
Tractus da Missa de Quarta-Feira de Cinzas (Salmo 79(78):9)
23 março 2010
Declaração
18 março 2010
Tarde de mais.
Anos de redução de funcionários públicos. Anos em que, quem sai, não é substituído. Anos sem entrar ninguém. Anos em que, quem está, não tem a quem passar a informação. Perdas irreparáveis no "saber fazer" que levou gerações a construir. Ninguém vê isto, ninguém percebe isto. Um dia vão perceber, quando for demasiado tarde para corrigir o mal feito. Deixar que o conhecimento se perca por incuria equivale a derrubar uma floresta de sobreiros. De nada serve plantar outros logo a seguir pois os sobreiros levam 80 anos a crescer...
Quando falo de conhecimento refiro-me àquele conhecimento que, sendo técnico, não se aprende em curso nenhum mas apenas ao longo da vida, em contacto com o trabalho do dia-a-dia. É um conhecimento que não pode ser explicitado, mesmo que se queira. Nem tudo se pode reduzir a regras. Muito deste conhecimento tem a ver com intuição, uma intuição desenvolvida e apurada pela experiência. Não há como escrever isso.
Isso acontece nas bibliotecas mas também nos museus, nos centros de investigação, nos hospitais. É um conhecimento que pode ser parcialmente transmitido quando há continuidade geracional, quando as pessoas que estão perto da reforma já tiveram a oportunidade de transmitir o que sabem aos que estão agora a meio da carreira, ao longo de 10, 20, 30 anos de trabalho em conjunto e que estes, por sua vez, transmitem aos que vão chegando e que têm menos 10, 20 ou 30 anos. Se a diferença entre uma geração de trabalhadores e a seguinte for superior a 10 anos, não há tempo de transmitir esse conhecimento porque as diferentes gerações não coexistem durante tempo suficiente. E isto é irremediável.
Confesso: estou muito, muito pessimista.
10 março 2010
Encontro marcado
A certeza de que estamos sempre a começar...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto, devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo uma escada...
Do sonho uma ponte...
Da procura um encontro...
(Fernando Sabino - O Encontro Marcado)
25 fevereiro 2010
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
(Sophia de Mello Breyner Andersen)
07 fevereiro 2010
Clara
(MALHOA, José, 1855-1933 - Clara [Óleo sobre tela], 1918)
03 fevereiro 2010
Efeméride pessoal
A Área de Música tinha apenas quatro meses e eu vinha pelo Programa de Inventário do Património Cultural Móvel, para trabalhar na colecção de Livros de Coro. Ainda hoje tenho um especial carinho por aqueles calhamaços.
Posso estar cada vez mais pelintra mas não trocava isto por um trabalho que detestasse e onde ganhasse muito dinheiro! (Estou a ficar sentimental, deve ser da idade...).
01 fevereiro 2010
"Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal" - Sociedade - PUBLICO.PT
"Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal" - Sociedade - PUBLICO.PT
29 janeiro 2010
Moitos galegos quererían ser madrileños
Moitos galegos quererían ser madrileños, por Xosé henrique Costas
«"É falaz invocar o bilingüismo para non querer falar unha das linguas oficiais e querer elixir para non ter contacto co galego porque mancha", di o coordinador do estudo '55 mentiras sobre a lingua galega', que busca axudar a superar prexuizos sobre o idioma de Galicia.»
Ler mais aqui. Vale muito a pena ler os comentários dos leitores, para perceber melhor.
22 janeiro 2010
Enciclopédia da música em Portugal no século XX

Já tem lugar nas estantes da biblioteca de Jacinto o primeiro volume da «Enciclopédia da música em Portugal no século XX», lançada ontem em cerimónia que decorreu no Teatro de São Carlos.
Da frisa onde me sentei pude observar toda a música portuguesa, desde a pop à erudita música contemporânea, passando por aqueles que queimam as respectivas pestanas a estudar a música e os músicos em Portugal. Todos reunidos, os estudiosos e os objectos de estudo: a fauna, o David Attenborough e a Jane Goodall.


As intervenções musicais também foram muito boas, com a minha especial preferência (claro) para o Carlos do Carmo que cantou Ary dos Santos como só ele consegue.
Saí de lá com aquela pontinha de orgulho que se costuma sentir quando aqueles de quem gostamos fazem boa figura. E se aquela sala estava cheia de pessoas e de coisas de quem eu gosto!








