Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.
Daniel Faria
(1971-1999)
25 fevereiro 2013
Explicação da Ausência
15 fevereiro 2013
Nausícaa a Ulisses
Pudera, meu Amor, trazer-te ao peito
Já despido de sal e maresias!
Ajustar-me entre o teu corpo e o meu leito,
adossar-me ao aroma que trazias
do mar, das dunas e do vento Leste,
da Penélope longínqua - longa espera! -
Da Tálassa sentindo o odor agreste
do vento enfunando uma quimera...
Se estás ao pé de mim sem estares comigo
é porque te amei sem te conhecer
e dei ao mar meus sonhos já desfeitos.
Se nunc'antes te deras por vencido
e à minha juventude vens render
é porque à lei do Amor estamos sujeitos.
(Inspirado no soneto de David Mourão Ferreira "Ulisses a Nausícaa")
Já despido de sal e maresias!
Ajustar-me entre o teu corpo e o meu leito,
adossar-me ao aroma que trazias
do mar, das dunas e do vento Leste,
da Penélope longínqua - longa espera! -
Da Tálassa sentindo o odor agreste
do vento enfunando uma quimera...
Se estás ao pé de mim sem estares comigo
é porque te amei sem te conhecer
e dei ao mar meus sonhos já desfeitos.
Se nunc'antes te deras por vencido
e à minha juventude vens render
é porque à lei do Amor estamos sujeitos.
(Inspirado no soneto de David Mourão Ferreira "Ulisses a Nausícaa")
14 fevereiro 2013
Sérgio Godinho - O primeiro dia
E pronto, agora deu-me para aqui. Excelente versão ao vivo. Excelente solo de piano. Excelente.
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Sérgio Godinho - Espalhem a Notícia
Tive um namorado que andava sempre de viola às costas. Esta foi uma das primeiras canções que ele me cantou...
Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Divulguem o encanto
o ventre da que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita
A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou
Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita
Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
Bonita
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13 fevereiro 2013
Memento, Homo, quia pulvis es... (II)
Diogo Dias Melgás (1638-1700)
Pro Cantione Antiqua. Dir. Mark Brown
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Memento, Homo, quia pulvis es...
«Naquelas sepulturas, ou abertas, ou cerradas, o estão vendo os olhos. Que dizem aquelas letras? Que cobrem aquelas pedras? As letras dizem pó, as pedras cobrem pó, e tudo o que ali há é o nada que havemos de ser: tudo pó. Vamos para maior exemplo, e maior horror, a esses sepulcros recentes do Vaticano. Se perguntardes de quem são pó aquelas cinzas, responder-vos-ão os epitáfios (que só as distinguem). Aquele pó foi Urbano; aquele pó foi Inocêncio; aquele pó foi Alexandre; e este, que ainda não está de todo desfeito, foi Clemente.»
(Fonte: Biblioteca Nacional Digital)
12 fevereiro 2013
Música e Amor
«Il n'y a pas de différence entre musique et amour: l'écoute d'une émotion authentique égare absolument.»
(Pascal Quignard - Vie secrète)
06 fevereiro 2013
SPA não adopta o novo acordo ortográfico perante as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria
Na biblioteca de Jacinto congratulamo-nos com a decisão da Sociedade Portuguesa de Autores, não obstante o argumento apresentado - «não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido» - ser um tanto perverso. Achará a SPA que, caso o Brasil não tivesse recuado, deveria adoptar o Acordo Ortográfico?
Eu acho que não e acho isso mesmo que Portugal tivesse apenas um ou dois milhões de habitantes. Mal de nós quando a salvaguarda da nossa cultura estiver dependente da demografia.
Também acho de muito mau tom apontar apenas um nome como responsável por toda a série de disparates que tem envolvido o AO. Porquê o Dr. Luís Amado? Mas foi só ele? Há um lençol de nomes que teremos de responsabilizar - e que a História, a seu tempo julgará - a começar pelo senhor Presidente da República, quando era Primeiro Ministro, e a acabar nos actuais governantes, passando por todos aqueles que, ao longo de mais de 20 anos - conforme os casos, por estupidez, negligência, incompetência, cobardia ou dolo - permitiram que chegássemos a este ponto.
Em todo o caso, a minha saudação à SPA. Parece que acordou. Continue assim que não vai mal.
«A SPA continuará a utilizar a norma ortográfica antiga nos seus documentos e na comunicação escrita com o exterior, uma vez que o Conselho de Administração considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.
«Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.
«O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola»
Lisboa, 9 de Janeiro de 2013
(Fonte: sítio web da Sociedade Portuguesa de Autores)
Eu acho que não e acho isso mesmo que Portugal tivesse apenas um ou dois milhões de habitantes. Mal de nós quando a salvaguarda da nossa cultura estiver dependente da demografia.
Também acho de muito mau tom apontar apenas um nome como responsável por toda a série de disparates que tem envolvido o AO. Porquê o Dr. Luís Amado? Mas foi só ele? Há um lençol de nomes que teremos de responsabilizar - e que a História, a seu tempo julgará - a começar pelo senhor Presidente da República, quando era Primeiro Ministro, e a acabar nos actuais governantes, passando por todos aqueles que, ao longo de mais de 20 anos - conforme os casos, por estupidez, negligência, incompetência, cobardia ou dolo - permitiram que chegássemos a este ponto.
Em todo o caso, a minha saudação à SPA. Parece que acordou. Continue assim que não vai mal.
«A SPA continuará a utilizar a norma ortográfica antiga nos seus documentos e na comunicação escrita com o exterior, uma vez que o Conselho de Administração considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.
«Assim, considera a SPA que não faz sentido dar como consensualizada a nova norma ortográfica quando o maior país do espaço lusófono (Brasil) e também Angola tomaram posições em diferente sentido. Perante esta evidência, a SPA continuará a utilizar a norma ortográfica anterior ao texto do Acordo, reafirmando a sua reprovação pela forma como este assunto de indiscutível importância cultural e política foi tratado pelo Estado Português, designadamente no período em que o Dr. Luís Amado foi ministro dos Negócios Estrangeiros e que se caracterizou por uma ausência total de contactos com as entidades que deveriam ter sido previamente ouvidas sobre esta matéria, sendo a SPA uma delas. Refira-se que também a Assembleia da República foi subalternizada no processo de debate deste assunto.
«O facto de não terem sido levadas em consideração opiniões e contributos que poderiam ter aberto caminho para outro tipo de consenso, prejudicou seriamente todo este processo e deixa Portugal numa posição particularmente embaraçosa, sobretudo se confrontado com as recentes posições do Brasil e de Angola»
Lisboa, 9 de Janeiro de 2013
(Fonte: sítio web da Sociedade Portuguesa de Autores)
01 fevereiro 2013
A honrada Alemanha
Não resisto a transcrever um excerto de «O jogador», de Dostoievski - que estou a ler numa vetusta edição dos Livros RTP - e que me fez pensar nos tempos que estamos a viver.
«Eu preferiria - disse - passar toda a vida numa tenda de quirguizes nómadas em vez de adorar o ídolo alemão.
- Que ídolo - perguntou o general, que começava a aborrecer-se seriamente.
- O modo alemão de acumular riquezas. Não estou aqui há muito tempo mas o que pude ver e comprovar chega para revoltar o meu sangue de tártaro. Na verdade, não quero essas virtudes! Ontem tive tempo de andar umas dez verstas pelos arredores. Pois bem, é exactamente como nos livrinhos ilustrados de moral alemã: em cada casa há um Vater, terrivelmente virtuoso e extraordinariamente honrado. Tão honrado que temos medo de nos chegarmos a ele. Não posso suportar as pessoas honradas que inspiram medo. Cada um destes Vater tem a sua família e à noite, reunidos todos eles, lêem em voz alta livros instrutivos. Sobre o telhado da casa rumorejam os ulmos e os castanheiros. O Sol que se põe, a cegonha no telhado, tudo isto é extraordinariamente poético e comovedor. Se não o incomoda, general - continuei - permito-me referir algo ainda mais comovedor. Lembro-me que o meu falecido pai, também sob as tílias, diante da casa, lia-nos todas as tardes, a minha mãe e a mim, livros desse género... Posso, pois, avaliar bem tudo isso. Bom, aqui todas as famílias se encontram sob o jugo e a submissão mais completa do Vater. Trabalham como bois e acumulam dinheiro como judeus. Supunhamos que o Vater reuniu já uns tantos florins e espera legar ao primogénito o seu táler ou a sua parcela de terreno. Para isso, não dá qualquer dote à filha e esta fica para tia. Para isso vende o filho mais pequeno, como criado ou como soldado, e este dinheiro é incorporado no capital familiar. Faz-se assim, acreditem-me. Procurei informar-me. E fazem tudo isto movidos pela honradez, por um exaltado espírito de honradez, até ao ponto de o filho mais pequeno, que foi vendido, estar convencido de que o venderam movidos pela honradez. E isto é o ideal: a própria vítima alegra-se por ter sido oferecida em holocausto. Que acontece depois? As coisas também não correm de feição para o primogénito. Há ali uma certa Amalchen à qual o seu coração se sente unido. Mas não pode casar-se porque não arrolou os florins necessários para fazê-lo. Ficam também à espera, digna e sinceramente, aceitando o holocausto com um sorriso nos lábios. Amalchen continua extenuada e fraca. Finalmente, ao cabo de vinte anos, os bens foram multiplicados: dispõem dos florins honrada e virtuosamente poupados. O Vater dá a bênção ao primogénito, de quarenta anos, e à Amalchen, de trinta e cinco, peitos flácidos e nariz avermelhado. Chora, dá-lhes conselhos e morre. O primogénito transforma-se, por sua vez, num virtuoso Vater e a sua história volta a repetir-se. Aos cinquenta ou sessenta anos, o neto do primeiro Vater dispõe, na verdade, de um capital considerável que lega ao seu filho e este ao seu e assim, ao cabo de cinco ou seis gerações, deparamos com um barão Rotschild ou um qualquer Goppe & C.ª. Não é um espectáculo grandioso? Um trabalho permanente de cem ou duzentos anos, paciência, inteligência, honradez, carácter, decisão, cálculo, a cegonha no telhado! Que mais querem? Porque nada há superior a isto e, a partir deste ponto de vista, começam a julgar o mundo e a castigar os culpados, quer dizer, aqueles que se diferenciam deles um milímetro que seja. Eis a questão: prefiro a agitação no estilo russo ou enriquecer à roleta. Não quero ser Goppe & C.ª nas próximas cinco gerações. Tenho necessidade de dinheiro para mim próprio e não me considero como um apêndice fornecedor do capital. Sei que disse muitas barbaridades mas não importa. Essas são as minhas convicções.»
(Dostoievski, Fedor - O jogador. Trad. Armando Luiz)
«Eu preferiria - disse - passar toda a vida numa tenda de quirguizes nómadas em vez de adorar o ídolo alemão.
- Que ídolo - perguntou o general, que começava a aborrecer-se seriamente.
- O modo alemão de acumular riquezas. Não estou aqui há muito tempo mas o que pude ver e comprovar chega para revoltar o meu sangue de tártaro. Na verdade, não quero essas virtudes! Ontem tive tempo de andar umas dez verstas pelos arredores. Pois bem, é exactamente como nos livrinhos ilustrados de moral alemã: em cada casa há um Vater, terrivelmente virtuoso e extraordinariamente honrado. Tão honrado que temos medo de nos chegarmos a ele. Não posso suportar as pessoas honradas que inspiram medo. Cada um destes Vater tem a sua família e à noite, reunidos todos eles, lêem em voz alta livros instrutivos. Sobre o telhado da casa rumorejam os ulmos e os castanheiros. O Sol que se põe, a cegonha no telhado, tudo isto é extraordinariamente poético e comovedor. Se não o incomoda, general - continuei - permito-me referir algo ainda mais comovedor. Lembro-me que o meu falecido pai, também sob as tílias, diante da casa, lia-nos todas as tardes, a minha mãe e a mim, livros desse género... Posso, pois, avaliar bem tudo isso. Bom, aqui todas as famílias se encontram sob o jugo e a submissão mais completa do Vater. Trabalham como bois e acumulam dinheiro como judeus. Supunhamos que o Vater reuniu já uns tantos florins e espera legar ao primogénito o seu táler ou a sua parcela de terreno. Para isso, não dá qualquer dote à filha e esta fica para tia. Para isso vende o filho mais pequeno, como criado ou como soldado, e este dinheiro é incorporado no capital familiar. Faz-se assim, acreditem-me. Procurei informar-me. E fazem tudo isto movidos pela honradez, por um exaltado espírito de honradez, até ao ponto de o filho mais pequeno, que foi vendido, estar convencido de que o venderam movidos pela honradez. E isto é o ideal: a própria vítima alegra-se por ter sido oferecida em holocausto. Que acontece depois? As coisas também não correm de feição para o primogénito. Há ali uma certa Amalchen à qual o seu coração se sente unido. Mas não pode casar-se porque não arrolou os florins necessários para fazê-lo. Ficam também à espera, digna e sinceramente, aceitando o holocausto com um sorriso nos lábios. Amalchen continua extenuada e fraca. Finalmente, ao cabo de vinte anos, os bens foram multiplicados: dispõem dos florins honrada e virtuosamente poupados. O Vater dá a bênção ao primogénito, de quarenta anos, e à Amalchen, de trinta e cinco, peitos flácidos e nariz avermelhado. Chora, dá-lhes conselhos e morre. O primogénito transforma-se, por sua vez, num virtuoso Vater e a sua história volta a repetir-se. Aos cinquenta ou sessenta anos, o neto do primeiro Vater dispõe, na verdade, de um capital considerável que lega ao seu filho e este ao seu e assim, ao cabo de cinco ou seis gerações, deparamos com um barão Rotschild ou um qualquer Goppe & C.ª. Não é um espectáculo grandioso? Um trabalho permanente de cem ou duzentos anos, paciência, inteligência, honradez, carácter, decisão, cálculo, a cegonha no telhado! Que mais querem? Porque nada há superior a isto e, a partir deste ponto de vista, começam a julgar o mundo e a castigar os culpados, quer dizer, aqueles que se diferenciam deles um milímetro que seja. Eis a questão: prefiro a agitação no estilo russo ou enriquecer à roleta. Não quero ser Goppe & C.ª nas próximas cinco gerações. Tenho necessidade de dinheiro para mim próprio e não me considero como um apêndice fornecedor do capital. Sei que disse muitas barbaridades mas não importa. Essas são as minhas convicções.»
(Dostoievski, Fedor - O jogador. Trad. Armando Luiz)
29 janeiro 2013
Exposição sobre Marcos Portugal: visita guiada, duplo lançamento e recital
Visita guiada à exposição | 17h00 | Entrada livre
Lançamento | 31 Janeiro | 18h00 | Auditório BNP

Duplo lançamento no último dia da exposição dedicada a Marcos Portugal na BNP, contará com breves apontamentos musicais de obras do autor por Ana Paula Russo, Mário Trilha e David Cranmer.
A anteceder as apresentações das duas obras - Marcos Portugal: uma reavaliação, coord. de David Cranmer e Marcos Portugal (1762-1830): 250 anos do nascimento, comiss. António Jorge Marques - pelos respectivos autores e Mário Vieira de Carvalho, será conduzida uma visita guiada à exposição por António Jorge Marques
Marcos Portugal (1762-1830): 250 anos do nascimento, António Jorge Marques (comiss.)
(...) As pesquisas realizadas nos últimos anos permitiram descobrir inúmeras fontes primárias, tanto musicais como biográficas, que vieram situar o compositor e a sua obra no contexto sociopolítico em que viveu, e atribuir-lhe um justo protagonismo. O presente catálogo incorpora uma parte significativa dessas fontes, e inclui a republicação fac-similada de três incontornáveis fontes bibliográficas de difícil acesso, além de textos que reflectem o actual estado do conhecimento sobre Marcos Portugal e uma detalhada cronologia.
Marcos Portugal, uma reavaliação, David Cranmer (coord.)
O presente volume reúne 26 capítulos sobre a vida e obra de Marcos António Portugal (1762-1830), o compositor luso-brasileiro que, em vida, obteve uma ainda não igualada ou ultrapassada projecção internacional. Num acto de estreita colaboração sobretudo entre especialistas portugueses e brasileiros, pretende expôr, desmitificar e reavaliar esta destacada figura, tantas vezes alvo de polémica. No cumprimento desta tarefa, para além de propôr um extenso texto biográfico devidamente fundamentado, debruça-se sobre um leque de temas, entre outros a recepção e disseminação internacional da sua produção teatral, aspectos de várias óperas individuais, a música ocasional profana, os contextos e popularidade de certas obras religiosas, as modinhas e a actividade didáctica do compositor, como Mestre de Suas Altezas Reais, os filhos de D. João VI e D. Carlota Joaquina.»
(Fonte: sítio da BNP)
Lançamento | 31 Janeiro | 18h00 | Auditório BNP

Duplo lançamento no último dia da exposição dedicada a Marcos Portugal na BNP, contará com breves apontamentos musicais de obras do autor por Ana Paula Russo, Mário Trilha e David Cranmer.
A anteceder as apresentações das duas obras - Marcos Portugal: uma reavaliação, coord. de David Cranmer e Marcos Portugal (1762-1830): 250 anos do nascimento, comiss. António Jorge Marques - pelos respectivos autores e Mário Vieira de Carvalho, será conduzida uma visita guiada à exposição por António Jorge Marques
Marcos Portugal (1762-1830): 250 anos do nascimento, António Jorge Marques (comiss.)
(...) As pesquisas realizadas nos últimos anos permitiram descobrir inúmeras fontes primárias, tanto musicais como biográficas, que vieram situar o compositor e a sua obra no contexto sociopolítico em que viveu, e atribuir-lhe um justo protagonismo. O presente catálogo incorpora uma parte significativa dessas fontes, e inclui a republicação fac-similada de três incontornáveis fontes bibliográficas de difícil acesso, além de textos que reflectem o actual estado do conhecimento sobre Marcos Portugal e uma detalhada cronologia.
Marcos Portugal, uma reavaliação, David Cranmer (coord.)
O presente volume reúne 26 capítulos sobre a vida e obra de Marcos António Portugal (1762-1830), o compositor luso-brasileiro que, em vida, obteve uma ainda não igualada ou ultrapassada projecção internacional. Num acto de estreita colaboração sobretudo entre especialistas portugueses e brasileiros, pretende expôr, desmitificar e reavaliar esta destacada figura, tantas vezes alvo de polémica. No cumprimento desta tarefa, para além de propôr um extenso texto biográfico devidamente fundamentado, debruça-se sobre um leque de temas, entre outros a recepção e disseminação internacional da sua produção teatral, aspectos de várias óperas individuais, a música ocasional profana, os contextos e popularidade de certas obras religiosas, as modinhas e a actividade didáctica do compositor, como Mestre de Suas Altezas Reais, os filhos de D. João VI e D. Carlota Joaquina.»
(Fonte: sítio da BNP)
Ensaios Abertos, do Grupo Vocal Arsis
A partir da próxima quinta-feira, 31 de Janeiro, e até Junho, nas últimas quintas-feiras de cada mês, pelas 21h00, o Grupo Vocal Arsis vai realizar Ensaios Abertos, na Fábrica Braço de Prata. Tratam-se de ensaios normais abertos ao público. Aqueles que já estão habituados à lides corais terão a oportunidade de contactar com o método de trabalho do nosso Maestro, o compositor Paulo Brandão. Os que nunca cantaram em coro terão a oportunidade de espreitar os bastidores da actividade coral, o trabalho por detrás do concerto. É uma experiência nova e desafiante para nós pois nem sempre é confortável para os coralistas expôr as suas fragilidades - habituados que estamos à apresentação em concerto onde é suposto que nada falhe ou que, a falhar, não se note... - mostrando ao público os erros, as repetições e as correcções que sempre ocorrem durante os ensaios. Por outro lado, creio que será gratificante mostrar todo o trabalho de aperfeiçoamento e apuramento que é necessário para chegar à apresentação em concerto. Espero ver-vos por lá, na quinta-feira.
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"Chega de Saudade" de Tom Jobim e Vinícius de Moraes - por Paulinho da Viola
Dois génios do Século XX e um grande intérprete.
24 janeiro 2013
Alvíssaras! Alvíssaras!
O Dias que Voam voltou!
22 janeiro 2013
Este blogue viola os Termos de serviço do Blogger e está aberto apenas aos autores
O título deste post é estranho e reflecte a estranheza que sinto pelo que aconteceu com o blogue Dias que Voam da minha amiga virtual (que eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente) Teresa Guerreiro. Ao que parece, a Google terá recebido «uma queixa no âmbito dos Termos de Utilização relativamente à existência de código malicioso» no blogue.
Sendo o Dias que Voam um blogue simpático, de conteúdos interessantes e ambiente cordato e um dos meus blogues favoritos, espero que a Google corrija rapidamente este erro. Quero o Dias que Voam de volta, e é já.
19 janeiro 2013
24 horas de uma tempestade
Moro numa água-furtada virada ao Vale de Alcântara e vento é algo que já não estranho mas não me lembro de algo assim. A sequência de imagens de satélite que são mostradas na ligação abaixo mostram a chegada do "remoinho" ao continente, por volta das cinco da manhã, o que coindide com a hora a que acordei para já não conseguir dormir. Cheguei a pensar que as portas de vidro que ligam a cozinha ao terraço iriam rebentar, de tanto que abanavam. As imagens são eloquentes o quanto baste.
Imagens de satélite da tempestade
15 janeiro 2013
Ulisses a Nausícaa - David Mourão Ferreira
Não tinha sido fábula a saudade
de estar ao pé de mim sem estar comigo:
vejo-te agora em água, areia, carne,
se és o culto no sonho pressentido!
Cheiro de rocha a que não chega o mar,
por mais que o mar invente marés vivas…
Reconheço-te, ó palma tão sem par:
és a graça da terra ao céu erguida.
Pisas, ao caminhar, o próprio vento,
que se embuçou no manto de uma duna…
Desfazes sob os pés os grãos do tempo,
por do Tempo não teres noção nenhuma…
De que me serve ter vencido sempre,
se aqui me vence a tua juventude?
de estar ao pé de mim sem estar comigo:
vejo-te agora em água, areia, carne,
se és o culto no sonho pressentido!
Cheiro de rocha a que não chega o mar,
por mais que o mar invente marés vivas…
Reconheço-te, ó palma tão sem par:
és a graça da terra ao céu erguida.
Pisas, ao caminhar, o próprio vento,
que se embuçou no manto de uma duna…
Desfazes sob os pés os grãos do tempo,
por do Tempo não teres noção nenhuma…
De que me serve ter vencido sempre,
se aqui me vence a tua juventude?
09 janeiro 2013
Sem cravos nas espingardas
É assustador pensar que estamos a afastar-nos vertiginosamente de uma saída não violenta para a nossa situação. A continuar no caminho proposto (ou imposto) pelos agiotas internacionais, Portugal, a Grécia, talvez outros países europeus, transformar-se-ão em breve em albânias miseráveis, cheias de pobres e vazias de esperança, com ruas esburacadas, a agricultura, a indústria e o comércio exangues, a saúde e a educação públicas de rastos, o mercado negro e a corrupção em níveis inimagináveis e alguns condomínios e resorts de luxo bem distantes da realidade da população (como convém ao Terceiro Mundo).
É assustador pensar que na fase seguinte (não sei quanto tempo depois) assistiremos (os que ficarem e sobreviverem) ao assassínio a eito de políticos e banqueiros, o terror nas ruas, a tomada do poder pela força - sabe-se lá por quem! - a instauração de um estado de sítio com limitação de direitos, liberdades e garantias, a nacionalização de bancos e empresas e a expropriação de fortunas cuja riqueza revertida a favor do Estado jamais será devolvida aos verdadeiros expoliados - nunca é! - o saque e, quem sabe, a guerra civil. Parece um cenário apocalíptico? Mas não é. Os tempos são outros, não há amanhãs que cantam, como há 40 anos. O 25 de Abril foi como um primeiro amor para uma geração virgem de Liberdade. Já não somos virgens. A próxima revolução não será feita por paixão mas por sobrevivência. A próxima revolução não terá cravos nas espingardas.
04 janeiro 2013
A Cidade de Ulisses - Teolinda Gersão
Um dos últimos livros que li em 2012 foi «A Cidade de Ulisses» de Teolinda Gersão. Li antes e depois várias críticas em blogues, que se debruçam sobre diferentes aspectos do romance, desde a relação edipiana de Paulo Vaz com o Pai até à crítica política - implícita e explícita - nas incursões que a autora faz pela História de Lisboa e de Portugal, mas, para mim, «A Cidade de Ulisses» é, antes de mais, um poema ao Amor. Depois de o acabar, as personagens ainda me acompanharam alguns dias, enquanto eu já lia outro romance.
«A Cidade de Ulisses» é, tão simplesmente, uma história de amor. Um homem e uma mulher conhecem-se e amam-se em Lisboa, sem dramas e sem arrebatamentos, amam-se porque sim e não há nada que explicar. É um amor feliz recordado na primeira pessoa pelo homem que o viveu e que escreve para a mulher que amou e, por duas vezes, perdeu. É uma história sobre a perda, sobre a oportunidade desperdiçada (a única que a vida nos dá) e, embora a palavra não ocorra, sobre a saudade.
Paulo Vaz é um artista plástico convidado a fazer uma exposição sobre Lisboa. Perante este convite, recorda Cecília, a mulher com quem vivera, durante quatro anos, o grande amor da sua vida. Nos anos oitenta, ele era professor e ela aluna. Apaixonaram-se sem saberem nada um sobre o outro, apenas porque trocaram o olhar durante as aulas. Amaram-se sem se conhecerem como Nausica amou Ulisses quando o viu, náufrago, atirado à praia. Durante esses quatro anos percorreram a Cidade de Ulisses, as suas ruas e vielas, os seus bairros e monumentos.
Um dia, um mal entendido, um gesto impensado, separa-os de forma irreconciliável e Cecília parte para sempre mas, no fim - não vou contar o fim - percebemos que esta separação física não representou uma verdadeira separação sentimental. Ainda que nunca mais se falem, ainda que nunca mais se vejam, o que há entre eles não acaba.
Quando ele percebe que a perdeu para sempre, Lisboa desaparece num terramoto simbólico. Desaparece porque ela a levou consigo ao partir e teceu-a de novo para ele devolvendo-a em dezenas de retalhos, os seus pequenos cadernos de apontamentos. Cecília é Nausica, que ama Ulisses sem o conhecer, mas é também Penélope, que tece uma tapeçaria ao longo de anos para ele: uma exposição sobre Lisboa. É isso que a liga a ele durante os mais de vinte anos de separação absoluta e lhe dá, como um fio de Ariane, um caminho de regresso ao passado feliz.
Há um ambiente trágico em todo o livro - ou não fosse permanentemente marcado pelo imaginário Grego - o sentimento de que a vida é permanentemente condicionada por factores que não controlamos e por gestos e decisões cujas consequências não podemos prever e nos ultrapassam inexoravelmente. O final feliz é mais o final possível do que o final desejado. O grande amor, aquele que parece único e irrepetível é, afinal, como disse Florbela Espanca, o mesmo amor de toda a gente.

LEIGHTON, Frederic - Nausica
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«A cidade de Ulisses»,
Teolinda Gersão
27 dezembro 2012
2012
2012 está a acabar. Foi um ano muito cheio mas que pouco partilhei convosco, visitantes desta vossa biblioteca. Já devem ter reparado que tenho tentado recuperar um pouco o hábito perdido de aqui escrever. O Facebook, com o seu imediatismo voraz, acabou por levar muitas vezes coisas que ficariam muito melhor aqui, onde todos podem entrar à vontade sem terem de pedir licença, sentar-se, tirar uns livros da prateleira e folheá-los a seu bel-prazer, na pacatez destas poltronas sempre prontas para vos receber. Mas estou de volta, espero. Recomecei a ler (ando novamente com um livro na mala, hábito havia muito perdido) e a escrever. Dizia-vos que este ano foi muito cheio mas vós não sabeis porquê. Foi cheio de acontecimentos e de emoções, quase todos relacionados com música, coisas que aconteceram por fora de mim mas, principalmente, coisas que aconteceram dentro de mim.
O Grupo Vocal Arsis participou num Festival Internacional de Canto Coral, em Barcelona, e todo o ano foi uma azáfama de preparativos: escolher repertório, conceber programas, organizar viagens, ensaiar, ensaiar, ensaiar... e, depois, lá em Barcelona, apresentar dois concertos diferentes - um sacro e um profano - e preparar intensivamente, em apenas cinco tardes de ensaios, o Requiem de Mozart para ser cantado no grande concerto final, no Palau de la Musica Catalana. Para mim, que não passo de uma amadora, foi a realização de um sonho de longos anos cuja emoção se prolongou por semanas depois do regresso. Não consigo explicar-vos a emoção! Cantar é, provavelmente, a coisa que eu mais gosto de fazer na vida. Nada me transporta a um tal estado de absoluta felicidade e é em coro que me sinto mais completamente feliz a fazer música. É como se eu fosse mais Eu quando deixo de contar como eu para só fazer sentido no Todo. É uma coisa quase religiosa que não se consegue explicar. Lembro-me como se fosse ontem, em pé no meio daqueles coralistas todos, aquela sala linda, o público na obscuridade, o Maestro, a orquestra e eu a pensar «isto está mesmo a acontecer, eu estou mesmo aqui e estou a realizar um sonho», a pensar no meu Pai a quem finalmente, fiz a minha homenagem... naquela noite, sem que ninguém soubesse, no silêncio do meu coração, foi para ele que cantei.
2012 foi, talvez, o ano mais musical da minha vida. Não tive férias. Todo o tempo de férias foi ocupado a fazer música. Em Agosto participei, pela primeira vez, numa Semana de Estudos Gregorianos, em Viseu. Sempre desejei participar destas semanas mas, por várias razões, nunca tinha tido oportunidade. Fiz o primeiro grau de Canto Gregoriano, em curso intensivo e o meu desejo, agora, é conseguir voltar em 2013.
Mas 2012 foi um ano de outras emoções. Participei, pela primeira vez na vida, numa manifestação, cantei o Acordai no meio de centenas de desconhecidos, em frente ao Palácio de Belém. Vi duas irmãs de meia-idade - que deveriam ter cerca de 20 anos em 1974 - abraçadas a chorar e a recordarem o Pai que teria orgulho em vê-las ali. Foi um momento de intimidade que violei involuntariamente mas que me comoveu até às lágrimas. Vi um País comatoso a mexer um dedo e a dar a esperança de que talvez ainda consiga acordar. Vi também a melhor música e a melhor poesia portuguesas a serem cantadas na rua, por pessoas que, se calhar, nunca tinham ouvido falar de Lopes Graça ou de José Gomes Ferreira. E vi a música, a boa música coral a saír à rua e a incendiar os corações.
2012 foi também um ano de conhecer as pessoas. Não digo apenas de conhecer novas pessoas mas de conhecer melhor as pessoas que já conhecia. Tive boas e más surpresas mas todas me fizeram conhecer-me melhor e conhecer melhor a natureza humana. Não lamento nenhumas.
Enfim, talvez tivesse mais para dizer, tenho com certeza, mas este é o meu balanço, hoje, de 2012. E uma promessa de regresso, em 2013, à biblioteca de Jacinto, com mais frequência, para vos receber com um livro, uma música ou uma imagem, com uma ideia ou uma recordação.
Voltem sempre.
O Grupo Vocal Arsis participou num Festival Internacional de Canto Coral, em Barcelona, e todo o ano foi uma azáfama de preparativos: escolher repertório, conceber programas, organizar viagens, ensaiar, ensaiar, ensaiar... e, depois, lá em Barcelona, apresentar dois concertos diferentes - um sacro e um profano - e preparar intensivamente, em apenas cinco tardes de ensaios, o Requiem de Mozart para ser cantado no grande concerto final, no Palau de la Musica Catalana. Para mim, que não passo de uma amadora, foi a realização de um sonho de longos anos cuja emoção se prolongou por semanas depois do regresso. Não consigo explicar-vos a emoção! Cantar é, provavelmente, a coisa que eu mais gosto de fazer na vida. Nada me transporta a um tal estado de absoluta felicidade e é em coro que me sinto mais completamente feliz a fazer música. É como se eu fosse mais Eu quando deixo de contar como eu para só fazer sentido no Todo. É uma coisa quase religiosa que não se consegue explicar. Lembro-me como se fosse ontem, em pé no meio daqueles coralistas todos, aquela sala linda, o público na obscuridade, o Maestro, a orquestra e eu a pensar «isto está mesmo a acontecer, eu estou mesmo aqui e estou a realizar um sonho», a pensar no meu Pai a quem finalmente, fiz a minha homenagem... naquela noite, sem que ninguém soubesse, no silêncio do meu coração, foi para ele que cantei.
2012 foi, talvez, o ano mais musical da minha vida. Não tive férias. Todo o tempo de férias foi ocupado a fazer música. Em Agosto participei, pela primeira vez, numa Semana de Estudos Gregorianos, em Viseu. Sempre desejei participar destas semanas mas, por várias razões, nunca tinha tido oportunidade. Fiz o primeiro grau de Canto Gregoriano, em curso intensivo e o meu desejo, agora, é conseguir voltar em 2013.
Mas 2012 foi um ano de outras emoções. Participei, pela primeira vez na vida, numa manifestação, cantei o Acordai no meio de centenas de desconhecidos, em frente ao Palácio de Belém. Vi duas irmãs de meia-idade - que deveriam ter cerca de 20 anos em 1974 - abraçadas a chorar e a recordarem o Pai que teria orgulho em vê-las ali. Foi um momento de intimidade que violei involuntariamente mas que me comoveu até às lágrimas. Vi um País comatoso a mexer um dedo e a dar a esperança de que talvez ainda consiga acordar. Vi também a melhor música e a melhor poesia portuguesas a serem cantadas na rua, por pessoas que, se calhar, nunca tinham ouvido falar de Lopes Graça ou de José Gomes Ferreira. E vi a música, a boa música coral a saír à rua e a incendiar os corações.
2012 foi também um ano de conhecer as pessoas. Não digo apenas de conhecer novas pessoas mas de conhecer melhor as pessoas que já conhecia. Tive boas e más surpresas mas todas me fizeram conhecer-me melhor e conhecer melhor a natureza humana. Não lamento nenhumas.
Enfim, talvez tivesse mais para dizer, tenho com certeza, mas este é o meu balanço, hoje, de 2012. E uma promessa de regresso, em 2013, à biblioteca de Jacinto, com mais frequência, para vos receber com um livro, uma música ou uma imagem, com uma ideia ou uma recordação.
Voltem sempre.
12 dezembro 2012
Fausto - A memória dos dias
A banda sonora da minha vida passa por Fausto. O Despertar dos Alquimistas, Por Este Rio Acima, Para Além das Cordilheiras…
Já não ouvia esta música – A Memória dos Dias – há quase vinte anos. O vinil, lá em casa, deixou de girar no prato. Nunca comprei o CD. Quando o ouvi, há minutos (posto por uma amiga no Facebook) todos os detalhes estavam na memória, como se o tivesse ouvido ontem.
A memória dos dias é, para mim, a memória de um amor antigo que também gostava de Fausto e conquistou o meu coração com uma cassete de Por este Rio Acima com os nomes das canções escritos em letra miudinha e que ainda tenho em casa mas não sei onde.
E isto dos amores antigos são como os frascos de perfume vazios: guardam-se bem fechados, no escuro do armário, e cheiram-se muito tempo depois.
Graças a Deus não perdi a memória nem a ternura.
Correste a dizer que o dia vinha às portas da saudade
E cobriste de mil flores as varandas da cidade
Ao cantar enrouqueceste mil canções feitas à toa
Dançaste todas as ruas embriagadas de Lisboa
Leste os clássicos do tempo como toda a novidade
E a sonhar adormeceste no prazer da liberdade
Inventando mil amigos
Esquecendo velhos perigos
Acordaste em sobressalto do teu sonho meio ferido
Dos confins do pesadelo, no limite dos sentidos
Soçobrado na ideia mais ou menos dolorosa
Que te negavam medonhos o teu plano cor-de-rosa
E na fúria dos enganados, na febre dos desvalidos
Na razão dos maltratados entre abraços desabridos
No delírio prematuro
Ainda foste forte e duro
Roda a espiral da história entre as garras da agonia
Diz adeus, oh, meu amor, que eu hei-de voltar um dia
E deixo-te uma palavrinha para te lembrares de mim
Perfumada pelo cravo, amanhã pelo alecrim
Deixo-te uma palavrinha
Para te lembrares de mim...
Etiquetas:
A banda sonora da minha vida,
Fausto,
Música portuguesa
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