Há que não perder a noção das prioridades e agora, mais do que nunca, a família e os amigos são o mais importante que temos.
30 outubro 2012
A crise nas nossas vidas
Há que não perder a noção das prioridades e agora, mais do que nunca, a família e os amigos são o mais importante que temos.
29 outubro 2012
O ACORDO ORTOGRÁFICO E A CONSTITUIÇÃO – por Ivo Miguel Barroso*
O n.º 1 do 2.º Protocolo modificativo ao Acordo Ortográfico, assinado em 2004, que deu nova redacção ao artigo 3.º do AO, que determinou o modo de entrada em vigor apenas com as ratificações de 3 Estados, substituindo a regra da unanimidade, é ilegítimo no plano do Direito Internacional, por falta de causa.
O n.º 1 da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de Janeiro (que determinou a antecipação parcial do prazo de transição, mandando aplicar o Acordo Ortográfico à Administração Pública directa, indirecta e autónoma), é organicamente inconstitucional, por violação do artigo 165.º, n.º 1, alínea b), da Constituição, pois regulamenta, a título principal, direitos, liberdades e garantias.
O AO viola aspectos nevrálgicos da língua portuguesa, enquanto pertença ao património cultural.
3.1. A ortografia da Constituição instrumental não pode ser alterada através de actos infraconstitucionais
Uma das consequências de a Constituição instrumental ser rígida é a impossibilidade de proceder a alterações através de textos com valor infraconstitucional (legislativos ou outros).
3.2. A inconstitucionalidade resultante de desconformidades ortográficas com a Constituição instrumental
No pressuposto do princípio jurídico de a variante consagrada pela Constituição Portuguesa ser a do português de Portugal, temos mais inconstitucionalidades de carácter formal e material.
3.3. As posições jusfundamentais dos particulares face à ortografia: entre o princípio da liberdade e dever fundamental de não atentar contra o núcleo identitário da língua portuguesa
Há que ter em conta a previsão do dever fundamental de preservar, defender e valorizar o património cultural (artigo 78.º, n.º 1, 2.ª parte), de que a língua portuguesa faz parte.
3.4. Ortografia e revisão constitucional
A Constituição instrumental não pode ser alterada, através de uma lei de revisão constitucional, segundo o Acordo Ortográfico, por atentar contra limites materiais de revisão: o princípio da identidade nacional e cultural; o “direito à língua portuguesa” e o direito à identidade cultural, bem como o princípio da independência nacional (devido às remissões para usos e costumes de outros países, para se apurar quais as normas resultantes de algumas disposições do AO, que remetem para o critério da pronúncia).
4.1. Inconstitucionalidades materiais das normas constantes do Acordo Ortográfico e das Resoluções da Assembleia da República, do Conselho de Ministros (bem como do n.º 1 da Resolução do Conselho do Governo Regional dos Açores n.º 83/2011, de 6 de Junho; do n.º 1 da Resolução da Assembleia Legislativa Regional dos Açores n.º 7/2012/A, de 24 de Janeiro)
Quanto a outras inconstitucionalidades materiais, temos:
4.2. Cumulação dos vícios de inconstitucionalidade e de ilegalidade
O “Vocabulário de Língua Portuguesa” e o conversor “Lince”, previstos pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, padecem de inconstitucionalidades várias:
A Assembleia da República deve repor a normatividade violada, operando um autocontrolo da validade, fazendo aprovar uma resolução que, reconhecendo a inconstitucionalidade das normas contidas no AO e, também, na Resolução parlamentar n.º 35/2008, retire eficácia a essa, autodesvinculando o Estado português.
O AO não assenta em nenhum consenso alargado.
(BARROSO, Ivo Manuel - O Acordo Ortográfico e a Constituição)
17 outubro 2012
Adeus - Eugénio de Andrade
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor, já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
(Eugénio de Andrade, in “Poesia e Prosa”)
Maria Bethânia - Texto: ULTIMATUM - Álvaro de Campos
Mandato de despejo aos mandarins do mundo
Fora tu,
eles,
snob,
plebeu,
E fora tu, imperialista das sucatas
Charlatão da sinceridade
e tu, da juba socialista, e tu, qualquer outro
Ultimatum a todos eles
E a todos que sejam como eles
Todos!
Monte de tijolos com pretensões a casa
Inútil luxo, megalomania triunfante
E tu, Brasil, blague de Pedro Álvares Cabral
Que nem te queria descobrir
Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
Que confundis tudo
Vós, anarquistas deveras sinceros
Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores
Para quererem deixar de trabalhar
Sim, todos vós que representais o mundo
Homens altos
Passai por baixo do meu desprezo
Passai, aristocratas de tanga de ouro
Passai, frouxos
Passai, radicais do pouco
Quem acredita neles?
Mandem tudo isso para casa
Descascar batatas simbólicas
Fechem-me tudo isso a chave
E deitem a chave fora
Sufoco de ter só isso a minha volta
Deixem-me respirar
Abram todas as janelas
Abram mais janelas
Do que todas as janelas que há no mundo
Nenhuma ideia grande
Nenhuma corrente política
Que soe a uma ideia grão
E o mundo quer a inteligência nova
A sensibilidade nova
O mundo tem sede de que se crie
Porque aí está apodrecer a vida
Quando muito é estrume para o futuro
O que aí está não pode durar
Porque não é nada
Eu da raça dos navegadores
Afirmo que não pode durar
Eu da raça dos descobridores
Desprezo o que seja menos
Que descobrir um novo mundo
Proclamo isso bem alto
Braços erguidos
Fitando o Atlântico
E saudando abstractamente o infinito.
(Álvaro de Campos, em 1917)
01 outubro 2012
Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal: 21º aniversário
09 setembro 2012
Perdoa-nos, Salgueiro Maia!
06 setembro 2012
Fogos florestais
24 agosto 2012
D. Cecília
11 junho 2012
25 abril 2012
Talvez tenha havido o 25 de Abril dos Militares
O 25 de Abril dos Comunistas,
O 25 de Abril dos Social Democratas,
Talvez tenha havido o 25 de Abril dos que queriam a descolonização,
E o 25 de Abril dos que preferiam outra solução para as colónias,
Talvez tenha havido o 25 de Abril dos que esperavam rumar ao Socialismo,
E o 25 de Abril dos que ansiavam por uma Democracia ocidental,
Talvez tenha havido o 25 de Abril dos Monárquicos,
E o 25 de Abril dos Trotskistas,
O 25 de Abril dos Maoistas,
O 25 de Abril dos Democratas Cristãos,
O 25 de Abril da Reforma Agrária
E o 25 de Abril dos empresários,
Independentemente do que cada um esperou do 25 de Abril,
Independentemente da forma como cada um o viveu,
E de como cada um viveu o 26, o 27, o 28 de Abril,
Independentemente das ilusões e das desilusões,
Independentemente das esperança e do desespero,
Uma coisa teve aquela manhã,
Uma coisa pura, única, instantânea,
«uma coisa maravilhosa aconteceu»!
Nos meus sete anos,
Nos teus quinze,
Nos trinta, nos cinquenta, nos setenta anos de cada português de boa vontade,
O 25 de Abril representou a Esperança de um Portugal Melhor
E é esse - e nenhum outro! - que eu quero celebrar!
12 abril 2012
Não consigo arranjar um título
26 março 2012
Resposta ao Deputado Acácio Pinto
21 março 2012
Antes que acabe o dia em que Johann Sebastian Bach nasceu, há327 anos
Menuhin & Oistrakh - Concerto para dois violinos, em ré menor, BWV 1043
08 março 2012
Mulher
Já não compreendo o feminismo que pretende elevar a mulher a uma espécie de superioridade moral em relação aos homens. Esse discurso, aliás, já é antigo e é machista: não há muitos dias li num jornal dos anos quarenta um artigo em que um cavalheiro defendia as mulheres ilibando-as de culpas no estado da humanidade (decorria a segunda guerra mundial) já que elas não tinham qualquer peso nas decisões políticas. Não vou perder tempo a discorrer sobre Margareth Tatcher ou Angela Merkel...
Eu gosto dos homens. Relacionei-me e relaciono-me com eles de diversas formas: tive Pai, tenho irmãos, tenho amigos, tive namorados e tenho marido. Conheço-os com todos os defeitos e com todas as qualidades. São amigos leais e atentos, são muito mais frágeis do que querem parecer e - ao contrário da maioria das mulheres - gostam das mulheres e não se acham superiores a nós.
Nunca ouvi um homem dizer mal das mulheres de forma generalizada, ao contrário do que já tenho ouvido (e lido) às mulheres. Na verdade, mesmo no passado, quando o papel político e social das mulheres era nulo ou diminuto, milhões de páginas foram escritas por homens a dizer maravilhas das mulheres. Os maiores tesouros das artes - em particular da poesia - foram escritos em honra de mulheres. Nós não precisamos de nos auto-elogiar porque os homens encarregam-se de o fazer há séculos.
Pelo contrário, é muito raro ouvir ou ler uma mulher a ser elogiosa com os homens. Por isso, neste dia mundial da Mulher, quero evocar Maria Teresa Horta, uma grande Mulher, feminista, poeta extraordinária que tem a rara ousadia de escrever sobre o homem e de cantá-lo com lirismo.
Poema antigo
O homem que percorro
com as mãos
e a lua que concebo
na altitude
do tédio
Só
o oceano
penso paralelo - ventre
à praia intacta
das janelas brancas
com silêncio
ciclamens-astros
entre as vozes que calaram
para sempre
o verbo - bússola
com raiz - grito de relevo
O homem que percorro
com as mãos
a estátua que consinto
a lua que concebo.
07 março 2012
Ainda o Acordo Ortográfico
29 fevereiro 2012
216 anos da Biblioteca Nacional de Portugal
25 fevereiro 2012
Sei que dormes em paz
A lua não tem morada
Alumia qualquer rua
Mas só a mim me foi dada
Não entendo onde tu estás
Nem porque chegaste ao fim
Não entendo onde tu estás
Mas sei que dormes em paz
Descansas dentro de mim
Já nasci com a saudade
Nada mais herdei de ti
Deste-me o nome e a idade
Da lua quando nasci
Não sei se há lugar no céu
À minha espera ao teu lado
Não sei se há lugar no céu
O lugar que Deus me deu
Para viver é o Fado
("Fado da herança". Poema de João Monge para música de Alfredo Marceneiro)
17 fevereiro 2012
15 fevereiro 2012
07 fevereiro 2012
Viagem a Portugal dos Cavalleiros Tron e Lipomain, ca 1580, In. "A tradição : revista mensal d'ethnographia portugueza ilustrada. A. 4, n.º 7 (Julho 1902)
03 fevereiro 2012
A voz da maioria silenciada
02 fevereiro 2012
Versão de "O Mostrengo" (de Fernando Pessoa), dedicada ao "corretor"/"conversor" LINCE
«O “corretor” lince que eu não quis instalar
Varreu o ecrã, ergueu-se a voar;
À roda do texto veio três vezes,
Roubou três letras a chiar,
E disse: «Quem ousa desafiar
As minhas razões que nem eu entendo,
Meu lápis invisível infecundo?»
E ao leme da tecla eu disse, tremendo:
«Séculos de Língua Portuguesa no Mundo!»
«De quem são as letras de que troço?
De quem o linguajar que leio e ouço?»
Disse o “corretor” lince, e arrotou três vezes,
Três vezes arrotou imundo e grosso.
«Quem vem escrever como não posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
Instalado no medo, mas do nada oriundo?»
E ao leme da tecla tremendo, eu disse:
«Séculos de Língua Portuguesa no Mundo!»
Três vezes do teclado as mãos ergui,
Três vezes ao leme de mim escrevi,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Tremo com fúria, sou mais do que eu:
O que este Povo escreve não é teu;
Mais que o raivoso lince que me a alma pisa
Mutilando palavras furibundo,
Mandam as raizes que erguem a divisa,
Séculos de Língua Portuguesa no Mundo!»
(Madalena Homem Cardoso, a partir de “O Mostrengo” de Fernando Pessoa”)
26 janeiro 2012
06 janeiro 2012
Escravos e assalariados (2)
(Nassim Nicholas Taleb)
02 janeiro 2012
FELIZ 2012
23 dezembro 2011
Zeca Afonso - Canção de Embalar
16 novembro 2011
Canta!
CANTA
Atreve-te a julgar. Julga os outros julgando-te a ti mesmo.
A natureza das coisas é a tua natureza. Respira-te, despe-te,
faz amor com as tuas convicções, não te limites a sorrir
quando não sabes mais o que dizer. Os teus dentes
estão lavados, as tuas mãos são amáveis, mas falta-te
decisão nos passos e firmeza nos gestos.
Procura-te. Tenta encontrar-te antes que te agarre a
voracidade do tempo.
Faz as coisas com paixão. Uma paixão irrequieta,
que não te dê descanso
e te faça doer a respiração. Aspira o ar, bebe-o com força, é
teu, nem um cêntimo pagarás por ele.
Quanto deves é à vida, o que deves é a ti mesmo. Canta.
Canta a água e a montanha e o pescoço do rio,
e o beijo que deste e o beijo que darás, canta
o trabalho doce da abelha e a paciência com que crescem
as árvores,
canta cada momento que partilhas com amigos, e cada amigo
como um astro que desponta no firmamento breve do teu corpo.
E canta o amor. E canta tudo o que tiveres razão para cantar.
E o que não souberes e o que não entenderes, canta.
Não fujas da alegria. A própria dor ajuda-te a medir
a felicidade. Carrega nos teus ombros os séculos passados e
os séculos vindouros,
muito do pó que sacodes já foi vida,
talvez beleza, orgulho, pedaços de prazer.
A estrela que contemplas talvez já não exista, quem sabe,
o que te ajudou a ser vida de quantas vidas precisou. Canta!
Se sentires medo, canta. Mas se em ti não couber a alegria,
não pares de cantar.
Canta. Canta. Canta. Canta. Canta. Constrói o teu amor,
vive o teu amor,
ama o teu amor. De tudo o que as pessoas querem, o que
mais querem é o amor.
Sem ele, nada nunca foi igual, nada é igual, nada será igual
alguma vez.
Canta. Enquanto esperas, canta.
Canta quando não quiseres esperar.
Canta se não encontrares mais esperança. E canta quando a
esperança te encontrar.
Canta porque te apetece cantar e porque gostas de cantar e
porque sentes que é preciso cantar.
E canta quando já não for preciso. Canta porque és livre.
E canta se te falta a liberdade.
Joaquim Pessoa
02 novembro 2011
Poema de agradecimento à corja (Joaquim Pessoa)
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada. Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade. E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade. Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço. E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são. Para que não sejamos também assim. E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.
Joaquim Pessoa
20 outubro 2011
Área de Música da Biblioteca Nacional de Portugal fez vinte anos
Para assinalar a efeméride o Grupo Vocal Arsis apresenta-se hoje, pelas 18h30, no auditório da Biblioteca Nacional, com um concerto de música portuguesa dos séculos XVII, XX e XXI. Serão executadas obras de Estêvão Lopes Morago, D. João IV, Diogo Dias Melgaz, Paulo Brandão e Filipe Pires.

09 agosto 2011
Domenico Modugno - Dio, come ti amo
Uma vez ouvi alguém que dizia: gosto da música italiana, de toda, mesmo da má, lembra-me sempre carros descapotáveis e mulheres de lenços às bolinhas.
Pois passa-se exactamente o mesmo comigo. Adoro música italiana, adoro aquela lamechice, adoro aquela língua, adoro tudo.
Esta é do ano em que nasci.
Nel cielo passano le nuvole
Che vanno verso il mare
Sembrano fazzoletti bianchi
Che salutano il nostro amore.
Dio, come ti amo!
Non è possibile
Avere tra le braccia
Tanta felicità.
Baciare le tue labbra
Che odorano di vento
Noi due innamorati
Come nessuno al mondo.
Dio, come ti amo!
Mi vien da piangere.
In tutta la mia vita
Non ho provato mai
Un bene così caro
Un bene così vero
Chi può fermare il fiume
Che corre verso il mare.
Le rondini nel cielo
Che vanno verso il sole
Che può cambiar l'amore
L'amore mio per te.
Dio, come ti amo!
Dio, come ti amo!
Dio, come ti amo!
Dio, come ti amo!
Há lá língua mais bonita?...
04 agosto 2011
Casta Diva
Sem palavras. Escutai apenas.
12 julho 2011
MOZART - Batti, batti, o bel Masetto
Audição de alunos de canto do Professor Fernando Serafim, em 9 de Julho de 2011, no Museu da Música (Lisboa). Ao piano, a Sr.ª D. Maria Helena Matos
MOZART - Porgi amor
Audição de alunos do Professor Fernando Serafim, dia 9 de Julho de 2011, no Museu da Música (Lisboa). Ao piano, a Sr.ª D. Maria Helena Matos.
10 julho 2011
BELLINI - Vaga luna
(Audição de alunos de canto do Professor Fernando Serafim, dia 9 de Julho de 2011, no Museu da Música (Lisboa). Ao piano, a Sr.ª D. Maria Helena Matos)
07 julho 2011
(Capa de Stuart Carvalhais para É bonito, não é?!... / versos e música de António Cândido Ferreira)Que rapaz tão catita
Lá na Baixa encontrei!
Cara, assim, tão bonita,
Eu nunca namorei!
Oh, que lindo cabelo
E que olhar sedutor!
Que sorriso tão belo
E tão encantador!...
É bonito, não é?!...
Diga, faça favor!
Tão bonito que até
Eu receio, olaré,
Que ele tenha outro amor...
É bonito não é?!...
Ninguén há que o não diga!
Fazer dele o meu "Zé"...
Oxalá eu consiga!
É tão fino e galante
Que outro assim, nunca vi!
Todo ele é elegante,
Todo ele sorri!...
Quando o vejo, meu Deus!
Que desejos sem fim,
De ter os olhos seus,
Sempre junto de mim!...
É bonito, não é?!...
...
Portugal
Portugal
Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
(Alexandre O'Neill)
26 junho 2011
A reminder of the important things in life
Difundido para todos os amigos da Biblioteca de Jacinto.
Gostei. Espero que também gostem.
12 junho 2011
01 junho 2011
Rachmaninov Piano Concerto No.2 in Rhapsody.
28 maio 2011
MADREDEUS - Haja o Que Houver
Haja o que houver eu estou aqui
Haja o que houver espero por ti
Volta no vento, ó meu amor!
Volta depressa por favor.
Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor!
Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver espero por ti
18 maio 2011
«Ao Provedor do Telespetador [sic] da RTP» [FMV]
Bruxelas, 14 de Maio de 2011
Ex.mo Senhor
Dr. José Carlos Abrantes
Senhor Provedor do Telespetador [sic] da RTP,
Prometo a V. Ex.ª que tentarei evitar comentários demasiado técnicos, pedindo desculpa por eventuais imprecisões terminológicas, que se justificam (parece paradoxo, mas garanto que não é) por ser meu único objectivo explicar a leigos em fonologia e fonética (áreas diferentes do saber) e em grafemática e grafética (idem) o erro de se chamar “telespetador” a um telespectador. De antemão, portanto, as minhas sinceras desculpas.
Gostaria de chamar a atenção para o facto de a designação do cargo de V. Ex.ª violar as regras mais elementares quer dos compostos morfológicos da língua portuguesa (1), quer das regras do processo do vocalismo átono do português europeu (2), devendo V. Ex.ª rever com carácter de urgência a designação, pois existe solução para este problema (3).
(1) A palavra telespectador (com C) designa “Que ou aquele que assiste a um espectáculo de televisão”. Esta acepção (do dicionário em linha da Priberam) parece ser adepta da tese segundo a qual o elemento tele- é desconsiderado enquanto radical grego, preferindo afirmar-se que provém da palavra “televisão”. Não sou adepto desta tese, mas não é aqui o lugar para debater matérias do foro académico. Contudo, considerando o radical (espect), que sucede a um prefixo (tel) e precede uma vogal temática (a) e um sufixo (dor), peço a V. Ex.ª que se concentre no radical. ‘Espect’ explica-se pelo latim spectātor. Contudo, V. Ex.ª é “Provedor dos Telespetadores”. Teremos então um inexistente radical ‘espet’, que não se explica pelo latim spectātor, mas pelo germânico speuta, que deu palavras portuguesas como “espeto” (espet + o) e alemãs como Spieß .
(2) Direi a V. Ex.ª que, segundo o processo do vocalismo átono do português europeu, i.e., o processo que ocorre em português europeu, citando de cor palavras de Esperança Cardeira (poderei enviar mais tarde as referências a V. Ex.ª), “as vogais não acentuadas sofreram, na norma do português europeu, um acentuado processo de enfraquecimento”. Ou seja: perante “telespetador” é previsível que V. Ex.ª (ou qualquer outro falante de português europeu) pronuncie [tɛlɛʃpɨtɐ'doɾ] em vez de [tɛlɛʃpɛtɐ'doɾ].
(3) «telespectador/telespetador» são duas acepções aceites (princípio da facultatividade do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990) em português europeu, como verificará no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa de João Malaca Casteleiro (caso V. Ex.ª não saiba, co-autor e negociador do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990), publicado pela Porto Editora. Gostaria de perguntar a V. Ex.ª qual a razão de optar pela segunda e não pela primeira. A primeira é válida, conforme poderá verificar na página 555 da publicação que acabo de mencionar.
Tenho outros comentários sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, mas, para já, limito-me a esta matéria do “telespectador” vs. “telespetador”.
Para o esclarecimento de qualquer dúvida, encontro-me ao inteiro dispor de V. Ex.ª
Agradeço toda a atenção dispensada,
E envio os meus cordiais cumprimentos.
Francisco Miguel Valada
Intérprete de Conferência profissional junto das Instituições da União Europeia e autor do livro Demanda, Deriva, Desastre – os três dês do Acordo Ortográfico (Textiverso, 2009), do artigo “Os lemas em ‘-acção’ e a base IV do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990″, Diacrítica – Série Ciências da Linguagem, n.º 24/1, pp. 97-108, Braga: Universidade do Minho, 2010 e de artigos na imprensa sobre a matéria em apreço.
06 maio 2011
Creio
Creio nos anjos que andam pelo mundo
Creio na deusa com olhos de diamantes
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro
Creio na carne que enfeitiça o além
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Amén
(Natália Correia)


