16 maio 2017
25 abril 2017
Ciência e Democracia
Defender a Ciência contra a crença também é uma forma de defender a Democracia, ainda que não pareça. As ditaduras, todas as ditaduras, promovem a crença: numa religião, numa ideologia escatológica, numa "mão invisível"...
E atenção, a Democracia não é uma ideologia. A Democracia está para as ideologias como a Ciência está para as crenças: é o único sistema que se auto-questiona, se problematiza, aprende com os erros e se adapta sem cessar. Também é o mais difícil de manter.
O Nazismo baseou em pseudo-ciência toda a sua ideologia racista. E não é por acaso, repito, não é por acaso que nunca, depois da II Guerra, a Ciência esteve tanto sob ataque (fora e até dentro das universidades) na Europa e no dito Mundo Ocidental, como nos últimos anos de escalada capitalista e neo-fascista. E obscurantista.
24 março 2017
In memoriam de Raul Vital
Conheci o Raul em 1992. Foi meu colega de turma (e do Jorge), durante dois anos, no Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras de Lisboa. Terminado o curso, quase perdemos o contacto, embora ainda nos tenhamos encontrado num ou noutro dos poucos jantares de turma que ainda se fizeram até ao final da década.
Em 2002, quando eu e o Jorge nos inscrevemos na Juventude Musical Portuguesa, logo numa das primeiras aulas de Prática Coral, deparámos com ele, no naipe dos Baixos, coisa que nos parecia quase surreal pois nunca imagináramos que o nosso colega arquivista, sempre de poucas palavras, também se interessasse por música. Foi nessa altura que descobrimos que se interessava por música, por teologia e por uma quantidade de outras coisas das quais nunca falava com ninguém.
Pouco anos depois (não sei ao certo quando) voltámos a encontrá-lo na Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, da qual eu era sócia desde 1990 mas sem que nunca me tivesse cruzado com ele. O Raul teve um papel determinante numa fase em que aquela associação estava sem rumo e chegou a apresentar uma lista e a ganhar a Direcção. O Raul, mais uma vez, a surpreender-nos.
Um dia, em 2005, talvez em Maio (eu já tinha entregue a dissertação de mestrado e também já tínhamos a data de casamento marcada), encontrámos o Raul, em Entrecampos. Disse-nos que ia a caminho do ensaio do Grupo Vocal Arsis e convidou-nos para o acompanharmos. Subimos com ele até ao ICS, falámos com o Paulo Brandão (com quem eu sempre quisera cantar!), fizemos os testes de voz e - uma vez que o ano coral estava a acabar - combinámos que entraríamos, em Outubro, depois do regresso de lua-de-mel.
Nos últimos anos descobri do Raul a sua escrita, reveladora de uma personalidade muito mais densa e brilhante do que a sua atitude discreta e até apagada permitia adivinhar.
O Raul fez parte intermitente da minha história de vida, ao longo de vinte e cinco anos, e a ele devo, com gratidão, a entrada para o Arsis.
Vi-o pela última vez há três dias, no Hospital do SAMS. Disse-me que estava a escrever um artigo sobre os aguadeiros de Lisboa.
Já não o vai acabar. Não sei quantos mais escritos terá que nunca viram a luz do dia.
Até sempre, Raul. Boas cantorias, lá para onde foste.
(Foto de Odete Baptista)
20 março 2017
No primeiro dia da Primavera
DE TARDE
(Cesário Verde)
Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
(Cesário Verde)
Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
25 fevereiro 2017
21 fevereiro 2017
Festival da Canção 2017 - Amar pelos dois - Salvador Sobral (1ª semifinal)
Há uns vinte anos que não ouvia uma canção tão boa no Festival RTP da Canção. Se calhar, há trinta anos...
23 janeiro 2017
22 outubro 2016
WILSON, Robert - Último acto em Lisboa
Um policial muito bem esgalhado, uma trama complexa, o assassínio de uma adolescente, em Paço de Arcos, no fim da década de 90 cujas causas remontam a Berlim e à Segunda Guerra Mundial. O volfrâmio português, o ouro nazi, um banco com origens obscuras e ligações perigosas, uma família disfuncional, o desumano mundo da finança. E uma vítima inocente, bode expiatório de pecados alheios.
18 outubro 2016
Ética
Há uma diferença entre medo e cobardia, entre agressividade e violência, entre curiosidade e indiscrição (ou, mais prosaicamente, bisbilhotice), entre desejo e cupidez, ganância ou inveja.
Os primeiros são instintos animais que ajudaram os nossos antepassados a sobreviver numa natureza hostil; os segundos são defeitos de carácter.
Também há virtudes que lhes correspondem: a prudência, a combatividade, a aprendizagem, a ambição.
No dia-a-dia temos, frequentemente, de escolher entre uns e outros e são essas escolhas que determinam uma conduta ética.
10 outubro 2016
Viagem a Itália II
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18 agosto 2016
Rosa tyranna
«O teu Pai está lá em baixo, no sítio do costume, a assobiar a Rosa Tirana...»
Perde a rosa os seus espinhos,
Ó Rosa tyranna,
Perde o cheiro e perde a côr,
Trólaró-laró-laró...
Mas não perde as suas graças,
Ó Rosa tyranna,
De mimosa e fina flor,
Trólaró-laró-laró...
O cravo por sympathia,
Ó Rosa tyranna,
À meiga rosa se uniu,
Trólaró-laró-laró...
D'estes dois ditosos laços,
Ó Rosa tyranna,
Amor perfeito sahiu,
Trólaró-laró-laró...
Que é das tuas falas doces,
Ó Rosa tyranna,
Que é da tua tyrannia?
Trólaró-laró-laró...
Que é das tuas fallas doces,
Ó Rosa tyranna,
Que me davas algum dia?
Trólaró-laró-laró...
Perde a rosa os seus espinhos,
Ó Rosa tyranna,
Perde o cheiro e perde a côr,
Trólaró-laró-laró...
Mas não perde as suas graças,
Ó Rosa tyranna,
De mimosa e fina flor,
Trólaró-laró-laró...
O cravo por sympathia,
Ó Rosa tyranna,
À meiga rosa se uniu,
Trólaró-laró-laró...
D'estes dois ditosos laços,
Ó Rosa tyranna,
Amor perfeito sahiu,
Trólaró-laró-laró...
Que é das tuas falas doces,
Ó Rosa tyranna,
Que é da tua tyrannia?
Trólaró-laró-laró...
Que é das tuas fallas doces,
Ó Rosa tyranna,
Que me davas algum dia?
Trólaró-laró-laró...
Etiquetas:
"O Pátio das Cantigas",
"Rosa tirana"
18 julho 2016
12 julho 2016
Grupo Vocal Arsis - Concerto na Igreja do Menino Deus
Igreja do Menino Deus (Lisboa). 10 de Julho de 2016
Primeira parte: polifonia sacra portuguesa, de Estêvão Lopes Morago e Duarte Lobo, pelo Grupo Vocal Arsis.
Segunda parte (25'30"): Cantus Missae, missa em Mi bemol para dois coros, de Josef Rheinberger pelo Grupo Vocal Arsis com In the Chorus.
28 junho 2016
Marinaresca - Roberto De Simone - Media Aetas
Sabem o que é uma marinaresca? Também eu não sabia.
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Marinaresca,
Música italiana,
Roberto de Simone
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