Há muito tempo que me interrogo o que aconteceu à música italiana, nos últimos vinte anos. Pura e simplesmente, desapareceu do espaço mediático e o pouco que aparece é francamente mau. Por isso resolvi fazer umas pesquisas por conta própria. Ainda não encontrei nada de extraordinário mas vou apanhando algumas coisas interessantes. Por exemplo, este Niccolò Fabi, de quem nunca tinha ouvido falar.
28 agosto 2017
10 agosto 2017
Um sósia de Hitchcock... no século XVIII
Desde 2008 que não publicava um sósia. Não estão sempre a aparecer.
Este caíu-me nas mãos há pouco, um desenho no verso da última folha de uma sonata de Clementi, publicada em Paris, por volta de 1780, por Jean-Georges Sieber. Um aprendiz de cravista, farto da aula, resolveu desenhar o professor. Isto sou eu a imaginar...
Este caíu-me nas mãos há pouco, um desenho no verso da última folha de uma sonata de Clementi, publicada em Paris, por volta de 1780, por Jean-Georges Sieber. Um aprendiz de cravista, farto da aula, resolveu desenhar o professor. Isto sou eu a imaginar...
17 julho 2017
Banquetes de Platão VIII
«Nas tardes em que havia "banquete de Platão"
(que assim denominávamos essas festas de trufas e ideias gerais)»
(QUEIRÓS, Eça de - Civilização)
Esta é a oitava receita de minha invenção que aqui publico. Não é completamente de minha invenção pois baseei-me numa outra, de escalopes de vitela, que vi num supermercado mas alterei-a o suficiente para poder considerá-la minha. Além disso, interrogo-me se existirá absoluta originalidade em culinária? No fundo, todas as receitas se baseiam em outras.
Não dou quantidades, é tudo a olho.
FILETES DE PEIXE-ESPADA PRETO À MILANESA (À MINHA MANEIRA)
Filetes de peixe-espada preto (ou qualquer outro peixe)
Tomate pelado em pedaços pequenos
Alho picado
Manteiga
Farinha
Sal e pimenta
Passei os filetes por farinha, muito bem enfarinhados para ficarem bem sequinhos.
Numa frigideira suficientemente grande para caberem todos os filetes derreti manteiga e fritei os filetes rapidamente, até ficarem lourinhos de ambos os lados. Dispus os filetes numa travessa.
Na mesma manteiga deitei o tomate pelado em pedaços pequenos, temperado, e o alho muito picadinho.
Deixei cozinhar na manteiga. Juntei salsa picada e deitei este molho sobre os filetes.
Acompanhei com esparguete.
Esta é a oitava receita de minha invenção que aqui publico. Não é completamente de minha invenção pois baseei-me numa outra, de escalopes de vitela, que vi num supermercado mas alterei-a o suficiente para poder considerá-la minha. Além disso, interrogo-me se existirá absoluta originalidade em culinária? No fundo, todas as receitas se baseiam em outras.
Não dou quantidades, é tudo a olho.
FILETES DE PEIXE-ESPADA PRETO À MILANESA (À MINHA MANEIRA)
Filetes de peixe-espada preto (ou qualquer outro peixe)
Tomate pelado em pedaços pequenos
Alho picado
Manteiga
Farinha
Sal e pimenta
Passei os filetes por farinha, muito bem enfarinhados para ficarem bem sequinhos.
Numa frigideira suficientemente grande para caberem todos os filetes derreti manteiga e fritei os filetes rapidamente, até ficarem lourinhos de ambos os lados. Dispus os filetes numa travessa.
Na mesma manteiga deitei o tomate pelado em pedaços pequenos, temperado, e o alho muito picadinho.
Deixei cozinhar na manteiga. Juntei salsa picada e deitei este molho sobre os filetes.
Acompanhei com esparguete.
Etiquetas:
Culinária,
Filetes de peixe-espada
05 julho 2017
É o profissionalismo, estúpidos!
É um fenómeno do tempo em que vivemos. Depois da hiper-especialização do
século XX (com as profissões cada vez mais e mais especializadas) no
século XXI assiste-se à diluição das competências e das profissões.
Embora fosse necessário pôr um fim à hiper-especialização, que estava a
conduzir a que se soubesse cada vez mais acerca de cada vez menos até ao
ponto de se chegar a saber tudo acerca de nada, é necessário não cair
no extremo oposto. O saber específico do arquitecto não
é o saber específico do engenheiro. Na minha área isto começou há mais
tempo, quando as carreiras de bibliotecário e arquivista foram extintas e
se diluiu a formação em diferentes cursos de uma coisa vaga denominada
Ciência da Informação que é tudo e não é nada. Como se médicos,
enfermeiros, analistas clínicos, fisioterapeutas pudessem ser colocados
todos no mesmo saco a fazer as mesmas coisas e chamar-lhes Profissionais
de Saúde.
Hoje, um bibliotecário que reclame o regresso da carreira e da regulação do exercício da profissão corre sérios riscos de ser acusado de corporativismo. Não é corporativismo. "É o profissionalismo, estúpido!"
Siza Vieira e Souto Moura reagem a pretensões de engenheiros
Hoje, um bibliotecário que reclame o regresso da carreira e da regulação do exercício da profissão corre sérios riscos de ser acusado de corporativismo. Não é corporativismo. "É o profissionalismo, estúpido!"
Siza Vieira e Souto Moura reagem a pretensões de engenheiros
23 junho 2017
18 maio 2017
17 maio 2017
16 maio 2017
25 abril 2017
Ciência e Democracia
Defender a Ciência contra a crença também é uma forma de defender a Democracia, ainda que não pareça. As ditaduras, todas as ditaduras, promovem a crença: numa religião, numa ideologia escatológica, numa "mão invisível"...
E atenção, a Democracia não é uma ideologia. A Democracia está para as ideologias como a Ciência está para as crenças: é o único sistema que se auto-questiona, se problematiza, aprende com os erros e se adapta sem cessar. Também é o mais difícil de manter.
O Nazismo baseou em pseudo-ciência toda a sua ideologia racista. E não é por acaso, repito, não é por acaso que nunca, depois da II Guerra, a Ciência esteve tanto sob ataque (fora e até dentro das universidades) na Europa e no dito Mundo Ocidental, como nos últimos anos de escalada capitalista e neo-fascista. E obscurantista.
24 março 2017
In memoriam de Raul Vital
Conheci o Raul em 1992. Foi meu colega de turma (e do Jorge), durante dois anos, no Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras de Lisboa. Terminado o curso, quase perdemos o contacto, embora ainda nos tenhamos encontrado num ou noutro dos poucos jantares de turma que ainda se fizeram até ao final da década.
Em 2002, quando eu e o Jorge nos inscrevemos na Juventude Musical Portuguesa, logo numa das primeiras aulas de Prática Coral, deparámos com ele, no naipe dos Baixos, coisa que nos parecia quase surreal pois nunca imagináramos que o nosso colega arquivista, sempre de poucas palavras, também se interessasse por música. Foi nessa altura que descobrimos que se interessava por música, por teologia e por uma quantidade de outras coisas das quais nunca falava com ninguém.
Pouco anos depois (não sei ao certo quando) voltámos a encontrá-lo na Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, da qual eu era sócia desde 1990 mas sem que nunca me tivesse cruzado com ele. O Raul teve um papel determinante numa fase em que aquela associação estava sem rumo e chegou a apresentar uma lista e a ganhar a Direcção. O Raul, mais uma vez, a surpreender-nos.
Um dia, em 2005, talvez em Maio (eu já tinha entregue a dissertação de mestrado e também já tínhamos a data de casamento marcada), encontrámos o Raul, em Entrecampos. Disse-nos que ia a caminho do ensaio do Grupo Vocal Arsis e convidou-nos para o acompanharmos. Subimos com ele até ao ICS, falámos com o Paulo Brandão (com quem eu sempre quisera cantar!), fizemos os testes de voz e - uma vez que o ano coral estava a acabar - combinámos que entraríamos, em Outubro, depois do regresso de lua-de-mel.
Nos últimos anos descobri do Raul a sua escrita, reveladora de uma personalidade muito mais densa e brilhante do que a sua atitude discreta e até apagada permitia adivinhar.
O Raul fez parte intermitente da minha história de vida, ao longo de vinte e cinco anos, e a ele devo, com gratidão, a entrada para o Arsis.
Vi-o pela última vez há três dias, no Hospital do SAMS. Disse-me que estava a escrever um artigo sobre os aguadeiros de Lisboa.
Já não o vai acabar. Não sei quantos mais escritos terá que nunca viram a luz do dia.
Até sempre, Raul. Boas cantorias, lá para onde foste.
(Foto de Odete Baptista)
20 março 2017
No primeiro dia da Primavera
DE TARDE
(Cesário Verde)
Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
(Cesário Verde)
Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
25 fevereiro 2017
21 fevereiro 2017
Festival da Canção 2017 - Amar pelos dois - Salvador Sobral (1ª semifinal)
Há uns vinte anos que não ouvia uma canção tão boa no Festival RTP da Canção. Se calhar, há trinta anos...
23 janeiro 2017
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