Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

13 dezembro 2007

Vem aí o Natal

AFONSO, Jorge, ca 1470 - ca 1540 - Anunciação, ca 1500

Não tenho tempo para escrever mas tenho tempo para desejar a todos os visitantes da Biblioteca de Jacinto um feliz Natal.

21 novembro 2007

Holding back the years

Simply Red - Holding back the years (1985).

Uma das bandas pop minhas preferidas da década de 80. Embora com bastante sucesso, este grupo irlandês nunca foi um fenómeno de popularidade como os seus compatriotas U2 ou os ingleses Duran Duran. O seu álbum de estreia, em 1985 (esse ano!), ao qual pertence este Holding back the years, esteve nos tops bastante tempo. Hoje, esta canção não é das minhas preferidas pois, entretanto, fizeram mais e melhor; ao contrário da maioria, a banda de Mick Hucknall conseguiu manter um nível constante de qualidade ao longo de mais de 20 anos. A prova de como é possível fazer boa música num registo comercial.



Thinking of the fear I’ve had so long
When somebody hears
Listen to the fear that’s gone
Strangled by the wishes of pater
Hoping for the arms of mater
Get to me the sooner or later

Holding back the years
Chance for me to escape from all I’ve known
Holding back the tears
Cause nothing here has grown
I’ve wasted all my tears
Wasted all those years
And nothing had the chance to be good
Nothing ever could yeah

I’ll keep holding on
I’ll keep holding on
I’ll keep holding on
I’ll keep holding on
So tight

I’ve wasted all my tears
Wasted all of those years
And nothing had the chance to be good
Cause nothing ever could oh yeah

I’ll keep holding on
I’ll keep holding on
I’ll keep holding on
I’ll keep holding on
Holding, holding, holding

That’s all I have today
It’s all I have to say

15 novembro 2007

É hoje! É hoje...

... à meia-noite que sai o último livro do Harry Potter!
Não me interessa o que pensem, eu estou em pulgas! Sou uma néscia, prontes!

14 novembro 2007

Bloggers...?

«Os sábios falam porque têm alguma coisa para dizer. Os néscios falam porque têm de dizer alguma coisa».
(Atribuída a Platão. Mas se non é vero, é bene trovato...)

12 novembro 2007

1985

Por vezes, a propósito desta loucura terrorista, anti-terrorista e terrorista-anti-terrorista que estamos a viver desde o malfadado 11 de Setembro de 2001, lembro-me de uma música que há muito tempo não ouvia. Ouvi-a há dias, na RFM, quando ia para a Biblioteca.
Corria o ano de 1985, ano extraordinário. 1985 foi um daqueles anos raros em que se sentiu a História a acontecer. Tal como sentiram os que viveram o ano de 1939 e todos sentimos em 2001.
Mikhail Gorbachev assumia o puder supremo do Império Soviético e lançava a Perestroika. Nada seria como dantes e nós percebemos isso.
Elton John compunha Nikita, aquela canção deliciosamente banal que andou nos ouvidos e na boca de toda agente. Nikita era aquela moça de olhos transparentes que guardava uma fronteira, mas era também o nome próprio de Krushov... «Oh Nikita you will never know, anything about my home... And if there comes a time Guns and gates no longer hold you in And if you're free to make a choice Just look towards the west and find a friend».
E o Live Aid! Esse concerto único, acompanhado gulosamente pela televisão, em que uma geração de adolescentes que crescia já em liberdade e pouco dada a ideais, teve o seu momento idealista, o seu cheirinho de anos 60, de peace and love, de Woodstock.
Eu, caloira em História, vivia a crise da Livre (a única universidade privada de então) e tentava concentrar-me para as frequências, enquanto os alunos das públicas - principalmente da Clássica - não tinham mais que fazer que manifestações contra o ensino superior privado. Eles, que podiam passar oito ou dez anos nos copos a fingir que faziam o curso porque, nessa época, não o pagavam, ao contrário de nós que pagávamos os nossos e os deles. Adiante, o que lá vai, lá vai...

Esquerda e Direita, Leste e Ocidente, «Progresso» e «Reacção», era essa a dicotomia neste já longínquo ano de 1985. Os russos - essa diabólica ameaça! - invadiam países estrangeiros para lhes imporem governos favoráveis. Nada que aconteça hoje, não senhor.

Realmente, eu fui daqueles que respiraram de alívio, que viram uma luz ao fundo do túnel, que imaginaram um futuro risonho, um longo período de paz e prosperidade para a espécie humana, quando finalmente caísse o Império Soviético.
Enquanto isso, Sting lembrava que os nossos «inimigos» também amam os seus filhos. Mas alguém se lembra disso?...

09 novembro 2007

Exposição de fotografia de Teresa Huertas (2)

Teresa Huertas perdeu a mãe aos dezasseis anos.
Na impossibilidade de lhe tocar hoje, de lhe falar hoje, de a compreender hoje (quem compreendia a sua mãe aos dezasseis anos?), de a fotografar hoje, o diálogo e o reencontro (im)possível entre a mulher adulta e a sua mãe é feito hoje através de fotografias de fotografias e fotografias de objectos. Um maço de cartas de amor, um colar de pérolas, uma fotografia da primeira comunhão. De uma simplicidade e beleza tocantes e de uma sensibilidade comovente, esta exposição (no mais pleno sentido da palavra) além de uma excelente exposição de fotografia (porque as fotografias são mesmo muito boas) é uma interpelação a cada um de nós, visitante, à relação que mantemos com o nosso passado adolescente, as nossas dores de crescimento, os nossos pequenos ressentimentos, tão irrelevantes quando comparados com a riqueza maravilhosa de ainda termos Mãe.

06 novembro 2007

Exposição de fotografia de Teresa Huertas

H. in memoriam

Sala Arendt da Fábrica Braço de Prata
Inauguração a 8 de Novembro (5ª feira) pelas 22 horas. Eu tenciono ir!

30 outubro 2007

Modernices de linguagem: Adição

Outra modernice de linguagem que me irrita: "adição" em vez de dependência.

Em português existe a palavra "adicto" (que se apega ou afeiçoa a, dedicado, devotado) derivada do latim addictus (adjudicado ao seu credor, submisso, escravizado) de onde deriva, seguramente, a palavra inglesa. Poder-se-ia, pois, adoptar a forma "adicção" (pronuncionado-se mesmo o "c"), que decorre da raiz latina, embora mediante um sinuoso percurso pelo inglês. Mas a palavra "adição" com o sentido de dependência é uma mera adopção acrítica do inglês addiction sem qualquer respeito pela etimologia.

Quando eu andava na escola, "adição" (do lat. additionis = acção de juntar) era uma operação aritmética... hoje, já o próprio dicionário Huaiss contempla um significado psicológico para o termo (propensão a ter hábitos compulsivos, consumo persistente de drogas, dependência) mas este significado deve-se apenas ao aportuguesamento de termos ingleses, tão usual no português falado do outro lado do Atlântico (onde o grito do Ipiranga em relação aos Estados Unidos parece cada vez mais difícil de acontecer).

Poderemos considerar esta persistência em usar termos ingleses aportuguesados uma forma de adição, de adicção ou apenas... saloice?

26 outubro 2007

Indústrias culturais

Estive ontem no lançamento do livro "Indústrias culturais: imagens, valores e consumos" (Edições 70), homónimo do excelente blogue que Rogério Santos criou em 2003.

A amizade que me liga a Rogério Santos poderia tornar-me suspeita na avaliação do livro ou do blogue mas os visitantes da Biblioteca de Jacinto têm a oportunidade de avaliar por si aquele que eu considero um dos melhores blogues portugueses, pela diversidade temática, pelo distanciamento crítico e pelo rigor de análise. Aos mais distraídos, recordo que Indústrias culturais é uma das mais antigas presenças no meu blogroll.

«Para a Clara e o Jorge...»

23 outubro 2007

Das Serras para a Cidade

Voltei, depois de duas semanas de afastamento dos admiráveis progressos deste século.
Não me despedi, há duas semanas, porque tencionava continuar a "postar", lá das serras para onde me exilei. Mas os admiráveis progressos deste século ainda não estão disponíveis em todo o lado e o acesso à net ainda não é o melhor nos montes e vales deste nosso Portugal. Agora volto a escrever-vos mas ainda tem de aquecer o carburador...

27 setembro 2007

Aux Champs Elysées



Obrigada por todos os "parabéns".
Deixo-vos esta lembrança (muito bem lembrada pelo Gaspar). Joe Dassin e um delicioso momento da chanson française. Coisas do século passado (tal como eu), que o triturador "gosto único" das globalização cultural desfez em fiapos de memória.

24 setembro 2007

Repositório de Acesso Aberto sobre Documentação, Bibliotecas e Arquivos

A Paula Sequeiros pediu-me para divulgar o seguinte:

«A equipa europeia do E-LIS, Repositório de Acesso Aberto sobre Documentação, Bibliotecas e Arquivos, pretende fazer um levantamento da situação nacional no que toca a projectos já implementados ou a implementar muito brevemente no nosso país.
Como editora para Portugal, vou iniciar este trabalho a apresentar em Novembro em conferência Internacional em Valencia.

«Acontece que os directórios internacionais sobre repositórios apontam para poucos projectos portugueses e por vezes a informação aí lançada é escassa e/ou desactualizada. O tempo urge e muitas vezes os contactos não são fáceis.

«Eis a lista dos Repositórios registados em directórios:

«Biblioteca Nacional de Portugal(BNP) - Depósito de Dissertações e Teses Digitais (DiTeD)

«International Mathematical Union (Portugal) (IMU) - Portuguese Archive of Mathematics (PAM)

«Sociedade Portuguesade Vida Selvagem (SPVS) -
Wildrepositorium

«Universidade do Minho - Papadocs

«Universidade do Minho: RepositoriUM

«Repositório do ISCTE»

«Em primeiro lugar dirigido aos responsáveis pelos repositórios de qualquer área científica ou multidisciplinares para que a contactem no sentido de verem os seus projectos identificados e a figurar nesse levantamento mediante resposta a um breve inquérito. Os já identificados serão por ela contactados em breve para saber da sua disponibilidade em responder.»

19 setembro 2007

1º aniversário

Morgan, Frederick, 1847-1927 - O primeiro aniversário

Foi há um ano. Como o tempo passa! Pelo caminho ficaram 242 posts, «conversando um pouco, rindo muito» e novos amigos.

A biblioteca de Jacinto cumpriu a sua função e espero que continue a fazê-lo: na paz estirada das suas poltronas encontrem sempre os seus visitantes motivos para quererem voltar. Cá estarei - assim o queira o Eterno! - para os receber com «o livro, o charuto, o lápis das notas, a taça de café».

18 setembro 2007

Hipócritas!

Bruxelas está preocupada com a concorrência desleal.
Pasme-se! Bruxelas está preocupada com a concorrência desleal... da Microsoft!
Sim, eu li bem. Li duas vezes e li bem. A Microsoft faz concorrência desleal porque inova onde os outros não conseguem e porque oferece software. E isso é concorrência desleal.

A China não! Oni soit qui mal y pense...
Direitos laborais? Eles estão habituados a trabalhar 16 horas, sempre foi assim.
Trabalho infantil? Não interessa! Os putos chineses têm bom corpo para trabalhar.
A Europa tem de permanecer limpa dessas abominações, claro, em nome da sacrossanta «Civilização Ocidental». Agora, os outros não. Os outros não precisam disso. Sempre viveram assim, que diferença faz? Mais escravo menos escravo. Mais chinês menos chinês. Eles já são tantos!

Quem é que se interessa, no conforto dos sofás de Bruxelas, nos frescos gabinetes com ar condicionado, se todos os anos milhares de crianças de olhos em bico são roubadas à miséria das suas choupanas, em aldeias cujo nome ninguém consegue pronunciar, para serem lançadas à pazada (a forquilha podia danificar o material) em fábricas de brinquedos, de tecidos, de componentes eléctricos, de tapetes, de roupas, de sapatos... Isso interessa a quem?!? Na baiuca minguavam com meia tijela de arroz. Na fábrica minguam com uma tijela de arroz. Minguam menos.

Podiam, no entanto, estes senhores de Bruxelas, que comem números ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar (o que prova um fenómeno nutricional curioso: os numeros engordam!) podiam estes senhores de Bruxelas, estar preocupados com a concorrência desleal: menos direitos laborais, preços mais baixos, prejuízo para as empresas europeias. Podiam até estar preocupados com o controlo de qualidade, com as famosas normas europeias que espartilham o trabalho das nossas fábricas até à obsessão em nome da qualidade, da saúde pública, da segurança. Mas não. Os senhores de Bruxelas só se preocupam com a segurança dos produtos produzidos dentro da Europa.

Resumindo, podiam os senhores de Bruxelas - já que não se preocupam com os outros - estar ao menos preocupados com o bem estar, a prosperidade e a felicidade dos cidadãos europeus que lhes pagam os ordenados. Mas não. Aos senhores de Bruxelas isso não interessa para nada.
Há muito empresário europeu a quem convém que na China - e em outros países onde não se respeitam os direitos humanos, onde os salários (quando há salários) são despudoradamente baixos, onde os direitos laborais são inexistentes - a quem convém, dizia, que a situação se mantenha para poderem, precisamente, fazer lá (aos desgraçados que não têm onde caír mortos e a quem uma tijela de arroz é uma benção do céu) o que não podem fazer cá, aos europeus, porque Bruxelas não deixa, porque parece mal, porque isso não é civilizado. Na pior das hipóteses, por cá mandam-se umas famílias para o desemprego mas isso é o menos porque o Estado social não deixa ninguém morrer à fome.

A bem dizer, os senhores de Bruxelas estão-se nas tintas (tintas sem chumbo e certificadas por uma ISO qualquer, claro!) para a concorrência desleal. A bem dizer, a concorrência desleal é um pretexto desconchavado que eles inventam para enganar os papalvos.
Deviam cobrir-se de alcatrão e penas, estes senhores de Bruxelas.

«Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, fingidos! Tão cuidadosos em polir o copo por fora, enquanto que por dentro está todo sujo de roubos e de cobiça!»
(Mt. 23, 25-26)

07 setembro 2007

Nessun dorma!

Imagem tirada daqui.



Nessun dorma! nessun dorma!
Tu pure, o, principessa,
Nella tua fredda stanza,
Guardi le stelle
Che fremono d'amore
E di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
Il nome mio nessun sapra!
No, no, sulla tua bocca lo diro
Quando la luce splendera!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
Che ti fa mia!

(il nome suo nessun sapra!...
E noi dovrem, ahime, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincero!
Vincero, vincero!

06 setembro 2007

A carta

Recebi uma carta das Finanças. Senti um aperto no estômago. Abri o envelope, com a chave do correio, enquanto subia ao meu 3º andar sem elevador. Não foi só a subida que me dificultou a respiração. Ainda não tinha entrado em casa, já respirava melhor: era o selo do carro.

Porque é que, sempre que recebo um carta das Finanças, sinto medo de qualquer coisa?
Porque é que naqueles segundos entre pegar na carta e ver o seu conteúdo prescruto mentalmente o meu passado tentando lembrar-me do que poderei ter esquecido de pagar, como alguém que, às portas da morte, revê toda a sua vida numa fracção de segundo?
Porque é que eu tenho sempre a sensação de que, no planeta fiscal, todos os habitantes, por mais cumpridores que sejam, são sempre culpados de alguma coisa?
Porque é que eu tenho a sensação de que as Finanças são as herdeiras directas da pide?
É mania minha? É peso na consciência? Devo revirar os meus papéis à procura do aviso não pago, da declaração esquecida, de algum pecado sem perdão que me vai custar o magro ordenado, a casa hipotecada e, quem sabe, a liberdade?
Serei só eu?...

05 setembro 2007

Banquetes de Platão II

«Nas tardes em que havia "banquete de Platão" (que assim denominávamos essas festas de trufas e ideias gerais)» (QUEIRÓS, Eça de - Civilização)

A que se segue é a segunda de uma série de receitas inventadas por mim. É que o Jacinto Galião também gosta de comer. Tal como na receita anterior, o peixe para esta receita deve ser pescado num elevador.

Começo por explicar que isto é uma paella um bocado aldrabada. Bocado é favor. É bastante aldrabada. Baseei-me na receita original da paella (que aprendi em Valência) mas, como não consigo seguir uma receita, modifiquei aqui e ali e o resultado, honestamente, não é uma paella, é mais um risotto de peixe na paellera. Perdoem-me os puristas mas, com um bisavô italiano e outro espanhol, eu só podia saír assim desalinhada...

RISOELLA DE PEIXE

Esta receita começou por se denominar Paella de peixe. Depois, decidi seguir a sugestão do meu amigo do Ars Coquinaria e mudei-lhe o nome, já depois da receita ter sido publicada. Não é muito ortodoxo alterar posts publicados mas quem faz um risotto numa paellera tem desculpa...

Azeite virgem
Alho
Tomate
Pimento verde
Açafrão da Mancha
Sal
Arroz
Peixe branco e carnudo (cherne, tamboril...)

Dou um violento murro no dente de alho (costuma ser inspirador pensar no nariz do meu pior inimigo) usando o lado de uma faca e frito-o no azeite que aqueci numa paellera (ou, na falta dela, numa frigideira grande). Deixo dourar bem mas, antes de começar a queimar, retiro para não amargar. A seguir, deito o tomate cortado em pedaços e frito-o bem. Isto é básico: a paella não leva refogado; a base é a fritura em azeite.

Por esta altura, junto o pimento cortado em tiras muito fininhas e completamente livre de sementes e da parte esbranquiçada da polpa (são as sementes e esta polpa esbranquiçada que o tornam indigesto, aprendi isto com o chef Vítor Sobral).

Deixo fritar muito bem.

Junto então o arroz e frito-o. A aldrabice começa aqui. Na receita original da paella não se frita o arroz. Mas eu frito. Entretanto, desfaço muito bem uns estames de açafrão (para uma caneca de arroz uso uma colher de chá de açafrão).

Para quem pensa que o açafrão só dá côr e que, para isso, não vale a pena comprar a especiaria mais cara do mundo, fica a informação: o açafrão genuíno dá um sabor e um aroma muito subtis mas persistentes e inconfundíveis. Faz toda a diferença mas, pela sua subtileza, é preferível não usar outras ervas.

Junto ao arroz água a ferver, até cobrir, e é nesta altura que deito o açafrão e tempero de sal.

A aldrabice continua aqui: a paella transforma-se numa espécie de risotto porque eu vou deitando água a ferver à medida que consome (e consome muito porque a paellera, como é larga, promove a evaporação).

Quase no fim da cozedura, com o arroz ainda bem ensopado, espalho o peixe cortado em cubos. O peixe coze depressa, mas é preciso estar com muita atenção porque o arroz também pega facilmente por causa da rápida perda de água. Nesta fase, o equilíbrio entre o tempo de cozedura do peixe e o grau de evaporação/secura do arroz é muito precário: se o arroz seca de mais, o peixe não tem tempo de cozer, se se deita mais água para o peixe cozer, o arroz fica demasiado "malandrinho" e isso não é suposto numa paella. Como não sou uma cozinheira experiente, às vezes a coisa não sai lá muito bem mas, quando sai bem, este prato fica uma delícia!

Bom apetite!