Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

18 agosto 2016

Rosa tyranna

«O teu Pai está lá em baixo, no sítio do costume, a assobiar a Rosa Tirana...»












Perde a rosa os seus espinhos,
Ó Rosa tyranna,
Perde o cheiro e perde a côr,
Trólaró-laró-laró...

Mas não perde as suas graças,
Ó Rosa tyranna,
De mimosa e fina flor,
Trólaró-laró-laró...

O cravo por sympathia,
Ó Rosa tyranna,
À meiga rosa se uniu,
Trólaró-laró-laró...

D'estes dois ditosos laços,
Ó Rosa tyranna,
Amor perfeito sahiu,
Trólaró-laró-laró...

Que é das tuas falas doces,
Ó Rosa tyranna,
Que é da tua tyrannia?
Trólaró-laró-laró...

Que é das tuas fallas doces,
Ó Rosa tyranna,
Que me davas algum dia?
Trólaró-laró-laró...

12 julho 2016

Grupo Vocal Arsis - Concerto na Igreja do Menino Deus


Igreja do Menino Deus (Lisboa). 10 de Julho de 2016

Primeira parte: polifonia sacra portuguesa, de Estêvão Lopes Morago e Duarte Lobo, pelo Grupo Vocal Arsis.
Segunda parte (25'30"): Cantus Missae, missa em Mi bemol para dois coros, de Josef Rheinberger pelo Grupo Vocal Arsis com In the Chorus.

21 junho 2016

Viagem a Itália



(Foto de Jorge Afonso)





(Foto de Jorge Afonso)






(Foto de Jorge Afonso)



(Foto de Jorge Afonso)



(Todas as fotos são da Bibliotecária de Jacinto, excepto as devidamente creditadas)

28 abril 2016

Como explicar?

Quando uma criança escreve "conselho" em vez de "concelho" explicamos (e ela percebe) que, apesar de soarem da mesma maneira, estas palavras se escrevem de forma diferente porque têm significados diferentes? E a diferença está expressa naquela letra. Se ela for mais crescidinha podemos até explicar alguma coisa sobre etimologia, evolução, etc.
Como explicar a esta mesma criança que "ata" e "acta", apesar de soarem da mesma maneira, têm significados diferentes e a diferença está expressa naquela letra mas neste caso já não interessa nada e podem escrever-se da mesma maneira?
E como explicar a esta mesma criança que "corrector" e "corretor", apesar de não soarem da mesma maneira (a diferença está naquela letra) nem terem o mesmo significado (a diferença também está naquela letra), isso não interessa nada e podem escrever-se da mesma maneira?
E como fazer essa criança acreditar que, apesar de não dizermos coisa com coisa, não somos parvos?

Parece que hoje é o dia do sorriso.

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

(Eugénio de Andrade)

21 abril 2016

Torquato da Luz (1943-2013)

Em 4 de Dezembro de 2012 publiquei um poema, de Torquato da Luz que, na ocasião, exprimia fortemente o que eu estava a sentir. Hoje, quando fazia uma pesquisa sobre o poeta, descobri que ele morreu, apenas três meses depois deste post, a 24 de Março de 2013.

Fiquei triste. Aqui fica a minha homenagem. O mesmo poema que publiquei há três anos e que continua a falar por mim.

Recomeçar

Vontade de partir, de largar tudo,
de acordar amanhã num hotel em Veneza,
de esquecer o passado, o futuro, o mundo
e baralhar as cartas expostas na mesa.
Vontade de zarpar,
de abandonar as mínimas coisas algum dia amadas
e procurar no mapa das estradas
o que teima em faltar.
Vontade de abalar
sem um aceno
sequer de despedida
e de um modo expedito mas sereno
recomeçar a vida.

(Torquato da Luz)

19 março 2016

Ala dos Namorados - Águas-Furtadas

Duas lágrimas deixadas na hora da despedida
São duas águas-furtadas num céu onde não há escadas,
O último andar da vida.

Quem lá sobe diz que alcança tudo o que a vida lhe deu,
Tudo o que deixou de herança, desde os sonhos de criança,
São janelinhas no céu.

Ninguém parte em boa hora, tu partiste adiantado,
Deixaste a chave onde mora a saudade, foste embora,
Deixaste ficar o fado.

Naquelas águas-furtadas onde a vista não tem fim,
São as últimas moradas, subiste sem ter escadas,
E o fado leva-me a mim.

Ninguém parte em boa hora, tu partiste adiantado,
Deixaste a chave onde mora a saudade, foste embora,
Deixaste ficar o fado.

Aquelas águas-furtadas onde a vista não tem fim
São as últimas moradas. Tu subiste sem ter escadas
E o fado leva-me a mim.

(Ala dos Namorados. Letra de João Monge, música de Manuel Paulo)


05 março 2016

Moedas

«Entre os homens nada se criou se tão funesto como as moedas. Elas destroem as cidades; afastam da pátria os cidadãos; encarregam-se de perder a gente de bons princípios, ao ensinarem-lhe a entregarem-se, comodamente, à vileza; tanto para o bem como para o mal, dispõem dos homens e fazem-nos conhecer a impiedade; e a tudo o mais se atrevem. [...] Da ganância que gera actos vergonhosos, poucos se salvam; mas, como deveis saber, muitos mais, por ela, são castigados».
(Sófocles - Antígona)

25 fevereiro 2016

Pai

Pai, Dizem-me que Ainda Te Chamo

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.

(Maria do Rosário Pedreira, in 'Nenhum Nome Depois')

05 fevereiro 2016

A propósito das reacções à tolerância de ponto no Carnaval

Às vezes gostava de ter o poder mágico de, por um dia (bastava um dia) acabar com toda a administração pública, todos os serviços públicos, toda a função pública. Tudo o que é Estado ou que depende directa ou indirectamente da Administração Central, Regional e Local, tudo o que é pago pelo chorado dinheiro dos contribuintes. Não só repartições públicas, escolas, museus e bibliotecas, mas também hospitais, higiene urbana, transportes, obras, cemitérios, polícia, forças armadas, manutenção de esgotos, abastecimento de água, emergência médica, bombeiros, serviços de meteorologia, parar tudo, tudo, tudo. Sem serviços mínimos, acontecesse o que acontecesse. Como se o Estado, por um dia, deixasse pura e simplesmente de existir.
Bastava um dia.

15 setembro 2015

Aquilo que eu não fiz - Tiago Bettencourt

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Não fui eu que gastei
Mais do que era para mim
Não fui eu que tirei
Não fui eu que comi
Não fui eu que comprei
Não fui eu que escondi
Quando estavam a olhar
Não fui eu que fugi
Não é essa a razão
Para me querem moldar
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão
Este barco afundou
Houve alguém que o cegou
Não fui eu que não vi

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Talvez do que não sei
Talvez do que não vi
Foi de mão para mão
Mas não passou por mim
E perdeu-se a razão
Todo o bom se feriu
foi mesquinha a canção

Desse amor a fingir
Não me falem do fim
Se o caminho é mentir
Se quiseram entrar
Não souberam sair
Não fui eu quem falhou
Não fui eu quem cegou
Já não sabem sair

Meu sonho é de armas e mar
Minha força é navegar
Meu Norte em contraluz
Meu fado é vento que leva e conduz.

JOLY BRAGA SANTOS: A PORTUGUESE PORTRAIT - Showreel

10 setembro 2015

A política

«A política é uma occupação dos ociosos, uma sciencia dos ignorantes uma riqueza dos pobres e uma fidalguia dos plebeus. – Reside em S. Bento».
Eça de Queirós In: As farpas: chronica mensal da política das letras e dos costumes. Janeiro de 1872 / Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz. Lisboa: Typographia Universal, 1871)

09 setembro 2015

A gargalhada

«A unica critica é a gargalhada! Nós bem o sabemos: a gargalhada nem é um raciocínio, nem uma idéia, nem um sentimento, nem uma critica: nem é o desdém, nem é a indignação; nem julga, nem repelle, nem pensa; não cria nada, destroe tudo, não responde por coisa alguma. E no entanto é o único inventario do mundo político em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Falla? Gargalhada. Reprime? gargalhada. Cae? gargalhada. E sempre esta politica, aqui, ou pensando ou creando, ou liberal ou oppressiva, terá em redor d’ella, diante d’ella, sobre ella, envolvendo-a, como a palpitação d’azas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacavel – a gargalhada! Política querida, sê o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime – nós riremos. A tua atmosfera é de chalaça.»

Eça de Queirós In: As farpas: chronica mensal da política das letras e dos costumes. Julho de 1871 / Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz. Lisboa: Typographia Universal, 1871)

03 junho 2015

JOLY BRAGA SANTOS: A PORTUGUESE PORTRAIT

No próximo sábado, dia 6, vai ocorrer em Londres um acontecimento da maior importância para a projecção da cultura portuguesa no mundo: a estreia internacional do Concerto para Piano e Orquestra, op. 52 de Joly Braga Santos.
Já vos contei como estive envolvida, em Janeiro de 2009, no processo de doação do espólio de Joly Braga Santos à Biblioteca Nacional de Portugal e o impacto que teve em mim esse facto, aparentemente rotineiro.

O Concerto para Piano e Orquestra de Joly Braga Santos foi composto em 1973 para ser tocado por Sérgio Varela Cid, pianista português de prestígio mundial, especialmente reconhecido pelo seu virtuosismo. Contudo, o pianista, residente em São Paulo e desaparecido (literalmente) em 1981, nunca chegou a executá-lo.
A estreia em Lisboa deu-se em 1978, no São Luíz, pela grande pianista Helena Sá e Costa e só voltaria a ser tocado em 1999 no Centro Cultural de Belém. Parece que terá sido ainda tocado em Paris mas não tenho informação sobre esta apresentação. Vai ser agora apresentado em Londres, pela jovem e talentosa pianista portuguesa Ana Beatriz Ferreira que, com apenas 23 anos, se abalança, com este concerto, ao maior desafio da sua ainda curta carreira como profissional.

Ana Beatriz Ferreira nasceu em 1991 e iniciou os seus estudos musicais aos sete anos, na Academia de Música de Santa Cecília. Prosseguiu os estudos no Conservatório Nacional e concluíu a licenciatura em piano no Royal College of Music de Londres, cidade onde reside e onde se encontra agora a frequentar o Mestrado. Vencedora de vários prémios e distinções, incluindo o 1º Prémio no Concurso Nacional Maria Christina Pimentel, 1º Prémio no Concurso Lopes Graça e três Mérito e Prémios de Excelência pela Fundação Eugénio de Almeida, estreou-se como solista com a Orquestra Filarmonia das Beiras, em 2012, tocando o Concerto para piano n.º 2 de Shostakovich, e participou em festivais no Centro Cultural de Belém (Main Hall e Sala Amália Rodrigues), Teatro de São Luiz (Jardim de Inverno), Pavilhão de Portugal e Palácio Foz (Sala dos Espelhos) e em recitais na Fundação Eugénio de Almeida e Centro Cultural de São Lourenço.

A partitura que agora vai ser tocada nunca tinha sido publicada o que significa que não estava facilmente acessível a qualquer pianista ou maestro que a desejasse executar. Falei nela à Ana Beatriz Ferreira, há cerca de um ano e o seu interesse por conhecer a obra foi imediato. O manuscrito autógrafo (assinado e datado de Lisboa, 19 de Setembro de 1973) encontra-se depositado - juntamente com o restante espólio do compositor - na Biblioteca Nacional de Portugal, onde a pianista o consultou pela primeira vez. O primeiro contacto com a partitura, realizado no piano digital da Sala de Leitura de Música, permitiu-lhe perceber a extraordinária qualidade da música e a urgência de a dar a conhecer. O próprio Royal College of Music cuidou de adquirir a cópia do manuscrito, a Ava Musical Editions procedeu à publicação da partitura (com edição e revisão técnica da própria Ana Beatriz Ferreira) e agora, graças a esta conjugação de esforços, já é possível adquirir um exemplar para que este magnífico Concerto possa ser apresentado em qualquer parte do mundo.


O espectáculo terá lugar na igreja de St. James's, Picadilly, numa noite dedicada a Joly Braga Santos: na primeira parte serão tocadas em orquestra obras de Schubert e Tchaikovsky, que se sabe terem sido apreciadas pelo compositor português, e a segunda parte incluirá a estreia absoluta de uma composição de Edmund Hartzell completada este ano e inspirada por Braga Santos. A segunda parte terminará com o Concerto para Piano Op. 52.

Eu lá estarei, para ouvir e aplaudir.
É sempre uma emoção indescritível quando a música silenciada nas prateleiras da BNP vem cá para fora gritar que existe e que está viva.





20 maio 2015

Ortografia e chocolates

Estava aqui a lembrar-me de como o meu Pai prometia uma tablete de chocolate por cada ditado com zero erros que eu fizesse. As minhas preferidas eram aquelas da Regina, com sabor a ananás. Como eu, muito rapidamente, deixei de dar erros de ortografia, comecei a ter um enorme crédito de tabletes de chocolate (o meu Pai não me autorizava a comer os chocolates à mesma velocidade a que os ganhava) e a brincadeira acabou quando ele percebeu que eu nunca mais ia dar erros de ortografia e iria fazer uma reserva infinita de chocolates na despensa.
E depois lembrei-me de que, a partir de agora, ao fim de 40 anos, vou voltar a dar - oficialmente - erros de ortografia.

23 abril 2015

Dia mundial do livro

«Se o livro que estamos a ler não nos despertar, como um punho a martelar-nos o crânio, para que o leremos? Para que o livro nos faça felizes? Valha-me Deus, seríamos igualmente felizes se não tivéssemos livros, e livros que nos façam felizes, podemos, se quisermos, escrevê-los nós. Mas aquilo que nos falta são esses livros que caem em cima de nós como uma desgraça, e nos afligem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como o suicídio. Um livro tem de ser uma picareta de gelo que quebre o mar gelado dentro de nós».
(Kafka, numa carta citada por George Steiner)

Dia Mundial do Livro

Por um Dia Mundial do Livro livre do Acordo Ortográfico de 1990.


28 março 2015

Na senda do Milénio

Na senda do Milénio, de Norman Cohn, não é uma obra de ficção mas até parece. Trata-se de um ensaio muito bem documentado, resultante de uma década de investigação séria sobre aspectos muito obscuros de uma época que, no seu todo, também é pouco conhecida.
Estou a lê-lo pela segunda vez (a primeira foi há mais de 25 anos). Faz uma interessantíssima viagem pelos movimentos milenaristas, pelas seitas heréticas e libertárias de origem popular e pelas suas ideologias surpreendentemente próximas dos movimentos revolucionários dos séculos XIX e XX. Anti-clericalismo, comunismo, liberdade sexual, igualitarismo, messianismo e todos os ideais utópicos de sociedade que atravessaram a Idade Média deixando rastos muito ténues para os historiadores pois, na maior parte dos casos, os seus mentores e seguidores pouco ou nada deixaram escrito. É maioritariamente por fontes secundárias que o autor consegue reconstituir este fascinante puzzle de extraordinária diversidade, contrariando a visão habitual de uma sociedade medieval monolítica.
COHN, Norman - Na senda do Milénio: milenaristas revolucionários e anarquistas místicos da Idade Média. Lisboa: Presença, imp. 1981

27 março 2015

Carta Aberta do PEN Clube Português



Carta Aberta do PEN Clube Português ao Presidente da República Portuguesa, aos membros do Governo e da Assembleia da República, aos órgãos de comunicação social e à população em geral, respeitante à língua portuguesa

A língua portuguesa é o nosso património comum com o qual convivemos e que utilizamos no domínio público e privado, oralmente e por escrito. Bastaria esta razão para fazer dela algo mais do que um património imaterial, que nunca deveria poder ser intervencionado sem uma ampla consulta pública e o apoio de pareceres qualificados. Ora sabemos que tal consulta pública nunca existiu e que em 2008, aquando da votação do chamado “2º Protocolo Modificativo” que permitia a imposição do “Acordo Ortográfico de 1990) ” (AO 1990), foram ignorados tanto uma petição com mais de 100000 assinaturas como opiniões e pareceres de qualificados especialistas, tendo sido tomado em conta apenas o parecer de um dos autores do AO 1990. Três anos após essa forçada “implementação”, os resultados estão à vista e decorrem não só da precipitação da mesma como da contradição básica entre as facultatividades previstas pelo texto do AO 1990 e a acção redutora do programa Lince, elaborado por uma instância (ILTEC) sem legitimidade para tal.
O PEN Clube Português segue com profunda apreensão tal processo que se traduz numa crescente iliteracia e num ostensivo caos linguístico, que chegou até às escolas e aos órgãos administrativos, e fornece diariamente exemplos que seriam ridículos se não fossem tristes sinais de insensibilidade e ignorância face a um património que é de todos. Logo nos primeiros dias após o início da forçada “implementação”, o PEN organizou uma sessão sobre o “Mal-estar com o Acordo Ortográfico” (9.1.2012) e desde então não deixou de apresentar, nas Assembleias do PEN Nacional e Internacional, propostas construtivas visando a suspensão de uma situação crescentemente insustentável até à conclusão de um amplo e sério debate que tenha em conta a experiência entretanto verificada.
O PEN Clube Português apela ao bom senso político dos agentes decisores no sentido de, no mínimo, não impor um grafolecto deficientemente elaborado e aniquilador das raízes etimológicas. Sublinhamos, dento do espírito de diálogo aberto e crítico que sempre cultivámos, a conveniência da sua suspensão enquanto se debatem medidas de fundo para colmatar o caos resultante da aplicação arbitrária de um instrumento comprovadamente ineficaz para alcançar os propósitos estabelecidos. Estes são por natureza incongruentes e absurdos: nem uma língua se pode “unificar” nas suas variantes (como o comprovam o inglês, francês e espanhol) nem uma escrita se pode “simplificar” fazendo cada indivíduo recorrer à instabilidade da sua pronúncia própria.

Lisboa, 25 de Março de 2015
Os sócios do PEN Clube Português, reunidos na Assembleia Geral ordinária