Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.
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25 setembro 2008

Modernices de linguagem: Mandatório

"Mandatório" (do inglês mandatory) em vez de imperativo ou obrigatório. Este caso é mais grave, uma vez que "mandatório" nem sequer existe em português (vd. Houaiss).

21 julho 2008

Modernices de linguagem: Deletar

Esta é uma modernice de linguagem que, felizmente, ainda não se vulgarizou na forma escrita, pelo menos deste lado do Atlântico. Na linguagem oral, porém, é cada vez mais usada.
Na origem da tecla "Del" está a palavra deleatur (do latim, apague-se)

símbolo de revisão tipográfica usado para indicar a supressão de uma palavra ou frase.
Deleatur é a 3ª pessoa do singular do presente do conjuntivo passivo do verbo latino deleo, que significa suprimir, destruir, apagar (Houaiss).
Quem não conhece a famosa frase (digna do Irão no seu melhor) Delenda Carthago! (Cartago tem de ser eliminada!) com a qual Catão terminava todos os seus discursos?

O mais curioso é que as pessoas que dizem "deletar" desconhecem que existe uma forma portuguesa para a palavrinha abreviada na tecla "Del" do teclado do seu computador: o inglês delete pode (e, no meu entender, deve) ser traduzido por "delir" (Houaiss).

Vá lá, não custa nada. Tem menos letras, é mais rápido de dizer e é português do melhor.

Conjugação do verbo delir.

11 janeiro 2008

Modernices de linguagem: Evidência

Evidência (do inglês evidence) em vez de prova ou indício. Desde quando é que todas as provas são evidentes e o que é evidente prova alguma coisa?

30 outubro 2007

Modernices de linguagem: Adição

Outra modernice de linguagem que me irrita: "adição" em vez de dependência.

Em português existe a palavra "adicto" (que se apega ou afeiçoa a, dedicado, devotado) derivada do latim addictus (adjudicado ao seu credor, submisso, escravizado) de onde deriva, seguramente, a palavra inglesa. Poder-se-ia, pois, adoptar a forma "adicção" (pronuncionado-se mesmo o "c"), que decorre da raiz latina, embora mediante um sinuoso percurso pelo inglês. Mas a palavra "adição" com o sentido de dependência é uma mera adopção acrítica do inglês addiction sem qualquer respeito pela etimologia.

Quando eu andava na escola, "adição" (do lat. additionis = acção de juntar) era uma operação aritmética... hoje, já o próprio dicionário Huaiss contempla um significado psicológico para o termo (propensão a ter hábitos compulsivos, consumo persistente de drogas, dependência) mas este significado deve-se apenas ao aportuguesamento de termos ingleses, tão usual no português falado do outro lado do Atlântico (onde o grito do Ipiranga em relação aos Estados Unidos parece cada vez mais difícil de acontecer).

Poderemos considerar esta persistência em usar termos ingleses aportuguesados uma forma de adição, de adicção ou apenas... saloice?

25 junho 2007

Modernices de linguagem: Antecipar

Voltando às modernices de linguagem, esta é outra que está muito na moda:
Antecipar (do inglês anticipate) em vez de prever.

14 maio 2007

Modernices de linguagem: Suposto

Mais uma modernice de linguagem, decalcadinha do inglês: «O que é que eu sou suposto fazer?» em vez de «O que é suposto que eu faça?» ou, melhor ainda, em portuguesinho mais chão «O que é que querem que eu faça?».

30 abril 2007

Modernices de linguagem: Inteligência

Uma coisa é perceber uma língua estrangeira, outra, bem diferente, é traduzi-la. Para traduzir uma língua não basta conhecer essa língua, é necessário dominar a língua da tradução. Como há cada vez menos gente a saber português, designadamente no meio jornalístico ( mas não só), têm aparecido nas últimas décadas umas modernices de linguagem que me irritam particularmente.
Uma delas é "serviços de inteligência" que ocorre em substituição dos velhinhos "serviços secretos" ou dos "serviços de informação". Não. Agora a moda é dizer "serviços de inteligência". Fui espreitar o Lello. Nada. Inteligência só com o sentido que a gente conhece. Fui ver o Huaiss. Já lá aparece, claro, mas como anglicismo. Palavrinha importada do inglês, por tradução directa. O que é, no mínimo, idiota. Porque a raiz é latina, porque em inglês a evolução semântica foi outra e porque é idiota ir a uma língua não latina buscar um termo de raiz latina, que nós também temos, e adoptá-lo com o sentido deles e não com o nosso.
E que tal um bocadinho mais de inteligência, ao escrever na língua de Camões?