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22 setembro 2006

Soares de Passos

«Era no Inverno; e sentada à janela, por dentro dos vidros, com o seu bordado de lã, julgava-se desiludida, pensava no convento, seguindo com um olhar melancólico os guarda-chuva gotejantes que passavam sob as cordas d'água; ou sentando-se ao piano, ao anoitecer, cantava Soares de Passos:
«Ai, adeus, acabaram-se os dias Que ditoso vivi a teu lado...»

(Queirós, Eça de - O primo Basílio)


Não sei se foi publicada a música (de Pedro Gastão Mesenier) escrita para este poema de Soares de Passos. Mas deve ter sido. Se não, como a conheceria a pobre e malfadada Luísinha para a tocar enquanto pensava no vilão do primo, lá longe? Não deve ter tido acesso (ou o Eça por ela) às seis folhas manuscritas que existem hoje na Biblioteca Nacional, com a cota M.M. 189//6. Essas estavam em casa do nosso querido Ernesto Vieira. A menos que o Eça fosse amigo do Vieira...