Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

02 outubro 2006

«A biblioteca é uma oficina sempre aberta»

«Não é conservar os livros, mas torná-los úteis, o fim das Bibliotecas. Estabelecimentos de ensino público destinados ao progresso da inteligência, à extensão da cultura científica; focos de intensa irradiação mental, quer na frequência da sua sede, quer na leitura domiciliária, ou na expansão das colecções móveis; instituições de objectivo pedagógico, actuando pela franca e ilimitada comunicação com o público; as Bibliotecas são sempre elemento de instrução, por mais que as suas colecções pareçam dever ser apenas alvo da avara contemplação dos bibliómanos, pois que, quanto maior for a importância das suas obras de génio, tanto maior será a acção emancipadora do pensamento, franqueando às novas gerações o caminho do progresso incessante, a conquista de mais felicidade e de mais justiça.
(...)
«O franco acesso à Biblioteca, a ampla leitura domiciliária, as colecções móveis, as salas para crianças, a leitura no caminho de ferro, nos hospitais e nas prisões (...) tem sido completamente posto à margem neste país.
(...)
«Serviram em Portugal as Bibliotecas para sequestrar o livro, defendendo o povo do pecado de saber, repelindo a criança e o operário, contrariando o estudioso, traíndo o princípio que manda reservar o volume raro, para impedir a leitura do livro emancipador, exercendo a censura sobre a requisição do leitor, anulando de facto o livro, como o fazia a Inquisição, cujo crime não era destruír pelo fogo o exemplar, mas impedir pelo fogo a sua leitura.
(...)
«Devem as Bibliotecas publicar listas de livros que possam pôr o cidadão ao corrente dos negócios públicos, habilitando-o a conhecer as leis eleitorais, as constituições, as reformas de instrução, os planos financeiros, tudo quanto é submetido ao seu exame pelas publicações oficiais, pela discussão do Parlamento e pelo programa dos candidatos ao mandato eleitoral.
(...)
«A Biblioteca é, pois, uma oficina sempre aberta.»

(D.R., Min. do Interior, Decreto de 18 de Março de 1911)

1 comentário:

T. disse...

Olá! Afinal consegui aqui chegar...
Então, furei, furei e vim parar, ao que julgo, a uma oficina... muito bem visto! A um oficina do livro, onde é suposto ter gente a trabalhar para pôr o livro «bonitinho» e, se possível, de fotografia bem tirada. Pois claro! Estamos no tempo das bibliotecas digitais, por isso, exigimos o livro no écrã do nosso computador. E qualquer dia estamos a exigir que o computador nos leia o livro! É assim ou não é? Por isso é que tem de haver muitas oficinas atrabalhar para nós...
:)
Beijinhos!
Vá! Toca a trabalhar...