Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

11 dezembro 2006

Quarenta

Não tenho escrito nada nos últimos dias porque andei muito ocupada a preparar a minha festa de anos e, depois, a descansar da minha festa de anos.
Por isso, só hoje posso vir anunciar solenemente que passei a barreira mais temida das mulheres de todo o mundo e arredores. Os QUARENTA!
Quarenta é uma palavra tremenda.
Quarenta anos passou o povo eleito no deserto.
Quarenta dias jejuou Jesus Cristo.
Quarenta dias, também, tem a quaresma.
Quando se tem uma doença contagiosa fica-se de quarentena.
Também me lembro de um filme (provavelmente pouco recomendável) que esteve em cartaz quando eu tinha uns oito anos e que se chamava "Quarenta, idade perigosa".
Aos quarenta é-se quarentona, o que rima com matrona e maratona (que tem... quarenta quilómetros).
Decididamente, queira-se ou não, quarenta tem um peso muito grande.
E há duas atitudes possíveis perante tal bicho-papão. Fingir que não se vê ou pegá-lo de frente.
Optei pela segunda atitude.
Pronto. Havia de chegar o dia. Já chegou. Já passou. Já tenho quarenta anos e três dias.
Entrei na ternura dos quarenta...

6 comentários:

peacelove disse...

parabéns!

Te disse...

Passei por aqui e não resisti a comentar os 40 anos... lindo!!!
Parabéns! interessante porque coincide com os meus comentários qd fiz tb 40 anos (4 Out.05). Qd tiver mais dados sobre o nº 40, envio-lhe para juntar aos seus. Eu gostei mt dos meus 40 anos...
Te

helena disse...

Lindinha, quem te vê não te dá mais de 25 ;)!!! e eu que o diga que ainda me lembro de ti acabadinha de entrar na década de 20

Anónimo disse...

Parabéns...também já lá estou.
GCFEIO

Bruno Duarte Eiras disse...

Muitos parabéns!

Gaspar disse...

Canção dos Quarenta Anos

Poema, suspende a taça
pelos dias que vivi,
Espelho, diz-me em que jaça
mais fiel me refleti.
Quarenta anos correram
e neles também corrí.

Quarenta anos, quarenta !
(Quantos mais ainda virão ?)
Morrerei hoje de infarto
ou amanhã de solidão ?
Serei pasto da malária ?
Serei presa do avião ?

A morte engendra a esperança.
A morte sabe fingir.
A morte apaga a lembrança
da morte que vai ferir.
E em cada instante que passa
a morte pode surgir.

Quem pode medir um homem ?
Quem pode um homem julgar ?
Um homem é terra de sonhos,
sonho é mundo a decifrar,
naveguei ontem no vento,
hoje cavalgo no mar.

Hoje sou. Ontem, não era.
Amanhã, de quem serei ?
Um homem é sempre segredos.
(Por qual deles purgarei ?)
Dos meus netos, qual o neto,
em que me repetirei ?

Que virtudes foram minhas ?
Que pecados confessar ?
Que territórios de enganos
a meus filhos vou legar ?
A quem passarei meu canto
quando meu canto passar !

Ah! como a vida é ligeira !
Ah! como o tempo deflui !
Este espelho não mais fala
da criança que já fui,
das minhas rugas ruindo
apenas um nome rui

Quedê rede balançando ?
Quedê peixinhos do mar ?
Quedê figo da figueira
pru passarinho bicar ?
E o anel que tu me deste
em que dedo foi parar ?

Dezembro chama janeiro,
(fevereiro vai chamar ?)
Monte-Cristo se me visse
não iria acreditar.
Como está velho, diria
a donzela Dagmar.

Um homem cresce espalhando
o reino em que foi feliz.
Onde Athos ? Onde Porthos ?
Onde o tímido Aramis ?
Um homem cresce querendo
e cresce quando não quis.

Crescer é rima de vida
mas também é de morrer.
Crescer é terna ferida,
que só dói no entardecer.
Em cada raiz da morte
há sempre um verbo crescer.

E cresço: macho e poeta.
(Subo em linha, volto em cor)
cresço violentamente,
cresço em rajadas de amor,
cresço nos filhos crescendo,
cresço depois que me for.

Cresço em tempo e eternidade,
cresço em luta, cresço em dor,
não fiz meu verso castrado
nem me rendo ao opressor,
cresço no povo crescendo,
cresço depois que me for.

E cresço na aurora livre
galopando esse corcel.
cresço no verso espumando
entre as linhas do papel.
cresço rubro de esperança
na barba de Don Fidel.

Quarenta anos, quarenta !
( E nem sequer percebi ! )
Quarenta anos correram
e neles também corri.
E nesses quarenta anos,
Oitenta de amor por ti.


Ruy Paranatinga Barata

Violão de Rua - 1962
(Cadernos de Povo Brasileiro)

P.S. – Dou-te os parabéns em dobro: pelo aniversário e pela qualidade do blog. Tenho-o visitado com alguma frequência, ainda não deixei um post, mas um destes dias também me meto ao barulho!