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30 outubro 2007

Modernices de linguagem: Adição

Outra modernice de linguagem que me irrita: "adição" em vez de dependência.

Em português existe a palavra "adicto" (que se apega ou afeiçoa a, dedicado, devotado) derivada do latim addictus (adjudicado ao seu credor, submisso, escravizado) de onde deriva, seguramente, a palavra inglesa. Poder-se-ia, pois, adoptar a forma "adicção" (pronuncionado-se mesmo o "c"), que decorre da raiz latina, embora mediante um sinuoso percurso pelo inglês. Mas a palavra "adição" com o sentido de dependência é uma mera adopção acrítica do inglês addiction sem qualquer respeito pela etimologia.

Quando eu andava na escola, "adição" (do lat. additionis = acção de juntar) era uma operação aritmética... hoje, já o próprio dicionário Huaiss contempla um significado psicológico para o termo (propensão a ter hábitos compulsivos, consumo persistente de drogas, dependência) mas este significado deve-se apenas ao aportuguesamento de termos ingleses, tão usual no português falado do outro lado do Atlântico (onde o grito do Ipiranga em relação aos Estados Unidos parece cada vez mais difícil de acontecer).

Poderemos considerar esta persistência em usar termos ingleses aportuguesados uma forma de adição, de adicção ou apenas... saloice?

13 comentários:

Anónimo disse...

Definitivamente, preferia a última hipótese...

Gaspar Matos disse...

Ora aí está uma questão digna de um brainstorming!
;-)

Saloice, pois com certeza!
Um abraço!

carlos disse...

já não háa mesmo pachora para tanta adição...

Lord of Erewhon disse...

Nenhuma das três. É crime. Porque lesa a Língua, que é o sangue da Nação.

Terpsichore E. M. disse...
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Terpsichore E. M. disse...
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Terpsichore E. M. disse...
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PostScriptum disse...

Obviamente que sim. Curiosamente, Eça de quem toda a gente gosta - será moda? - tinha a mania igualmente dos estrangeirismos.
Bjs

MCA disse...

Pois tinha, é verdade. Aliás, usava-os em excesso na escrita privada. A correspondência dele está cheia de estrangeirismos. O séc. 19 usou e abusou principalmente dos francesismos, muitos dos quais permanecem hoje, aportuguesados, como "detalhe", "nuance", etc. Detesto estrangeirismos e evito-os. No entanto, há uma diferença entre usar uma palavra estrangeira quando não existe uma palavra portuguesa que lhe corresponda exactamente e adoptar bovinamente uma palavra estrangeira quando existe um termo equivalente em português.

Terpsichore E. M. disse...

Como todos sabem, temos ''dependência'', e também vicio ou o que vicia.

Addicted to drugs = viciado em drogas, e portanto dependente de drogas...

Eu nem nunca ouvira o estar ''adicionado'' - entrei um bocadinho em pânico. :):)

Cumprimentos

Terpsichore E. M. disse...

Cara Clara
Muito obrigada por ter reagido lá na Lira. A verdade é que eu no momento tenho esse blog parado, (mas não acabado) - e só pairo pel'A Ilha dos Amores.
Desculpe as mensagens que apaguei mas achei que estavam muito confusas e pensei que me poderia compreender mal. Vim aqui ver se me respondera... Foi por acaso que fui à Lira. Sim, eu ouvi dizer que a conversa já é à bastante tempo - mas eu penso que se não fizermos nada, eles a certa altura avançam. Acho que compete a nós fazermos alguma coisa. Ou sobretudo às pessoas formadas e competentes para organizarem algo, ao qual as outras podem aderir e apoiar.

O que é que já está organizado? Quais os protestos que se fizeram, as declarações de pessoas informadas?

Pergunto isto por respeito. Já alguém há-de ter feito alguma coisa, não?

É perfeitamente possível formar um grupo de resistência...

Cumprimentos

PS - Não esqueça, sff, se quiser dizer-me alguma coisa, por enquanto ''sou mais fácil de encontrar'' n'A Ilha. Mas também a visito.

F. do Valle disse...

Se um grupo de patos-bravos associado a meia-dúzia de governamentais (usando linguagem zapatista) pensasse em demolir a Torre de Belém ou o palácio da Pena, para fazer uma moderna e progressiva superfície comercial, o que poderíamos fazer? Isto também cabe na tutela dos chamados interesses difusos? ou será que podemos interpor providências cautelares para impedir a morte de 3 cegonhas mas nada podemos para salvar o nosso património? E, se podemos salvar essas pedras veneráveis, por que não, também, a nossa língua?
Em suma, como obstar à estúpida vigência dessa coisa de analfabrutos que dá pelo nome de acordo ortográfico? ou será haqôurdu hòrtugraficu?

MCA disse...

Naum sei. Hunidux vênsserêmux?