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08 abril 2009

Mário Moreau

Tive hoje o prazer de ser apresentada a uma pessoa que muito admiro pelo seu trabalho, o Dr. Mário Moreau.
Mário Moreau nasceu em 1926 e é médico. Paralelamente à sua actividade clínica desenvolveu, desde os anos oitenta, uma intensa actividade de pesquisa sobre a vida operática portuguesa tendo escrito "Cantores de ópera portugueses" (em três grossos volumes), "Coliseu dos Recreios: um século de história", "O Teatro de São Carlos: dois séculos de história" e ainda, mais recentemente, as biografias de Tomás Alcaide e Luísa Todi.
Em especial, das suas primeiras três obras pode dizer-se que, se não existissem, tinham de ser inventadas. Não são trabalhos científicos, são obras de referência fundamentais. Têm-lhes sido apontados defeitos pelos investigadores de "escola", defeitos que fariam todo o sentido se apontados a obras de natureza académica. A menção de fontes, por exemplo, é deficitária e não segue os critérios exigidos a um trabalho científico. Acontece que as obras de Moreau não são nem pretendem ser trabalhos académicos, não têm o objecto, nem o método, nem pretendem atingir os objectivos de um trabalho académico. São obras de paciência infinita, de dedicação absoluta, como já ninguém faz.
Porque há neste país a mania irritante de só homenagear os mortos (não fossem eles, em vida, ainda fazerem alguma asneira...), aqui fica a minha sentida homenagem a alguém que está bem vivo e em actividade.

6 comentários:

Anónimo disse...

Assino por baixo. Conheci o Dr. Mário Moreau no meus idos tempos de Museu. Um Senhor a não esquecer.
MRF

PJA disse...

Esses infalíveis cientistas, cuja maior ocupação é a maledicência da obra alheia, guardam a sua ciência subsidiada como coisa própria e oculta. Sem qualquer desprezo pela investigação (obviamente!), mantenho toda a admiração por pessoas como António José Saraiva, Natália Correia, A. Victorino de Almeida, José Hermano Saraiva, Vitorino Nemésio, David Mourão-Ferreira, António Manuel Baptista, entre outros de que, porventura, não me lembro, que ousaram falar de coisas sérias sem aquele ar estranho, soturno, que assusta o observador leigo e demove qualquer interesse nascente.
Conheço um pouco da obra de Mário Moreau. Num país com outro escol, seria elementar uma homenagem, não pela fanfarra, mas, apenas, porque é bonito dizer "obrigado".

MCA disse...

O mais extraordinário foi o ar de surpresa absolutamente sincera (há coisas impossíveis de fingir) quando eu lhe disse que era uma honra conhecê-lo e que o seu trabalho era importantíssimo.

Anónimo disse...

O dr. Mário Moreau foi condecorado com a medalha de mérito civil, no 10 de Junho de 2010 (se não estou em erro), pelo Presidente da República. No mesmo ano, o Teatro de São Carlos homenageou-o, num espétaculo em que se cantou a ópera Dona Branca, por ocasião da doação do seu espólio relacionado com a ópera àqule teatro. É pouco para uma obra tão vasta e tão completa, mas já é alguma coisa.
Às obras que mencionou, deve acrescentar-se um livro (Giacomo Puccini: o homem e a obra, edição do autor) que editou em 2011.

MCA disse...

Caro "anónimo", obrigada pelo seu comentário. Também estive nessa merecidíssima homenagem, no Teatro de São Carlos, e também tive conhecimento da condecoração. Nenhuma tinha ainda acontecido quando escrevi este post e mais vale tarde do que nunca. Quanto à "edição de autor", será que nenhuma editora o quereria publicar? Que tristeza!...

Anónimo disse...

MCA, eu sei que ainda não tinham sido as homenagens (diga-se que o coro do Teatro de São Carlos esteve particularmente bem). Não era uma crítica, era só para que a MCA soubesse (pelos vitos já sabia).
Quanto à publicação do livro sobre Puccini: foi parcialmente comparticipada pelo Ministério da Cultura. A outra parte é que foi paga pelo autor, porque nenhuma editora faz negócio com um livro que (infelizmente) vende poucos exemplares, sem que o Estado pague tudo.
O dr. Mário Moreau tem, aliás, segundo consta, mais dois livros para publicar, à espera de um subsídio, porque ninguém tem dinheiro para fazer publicações de autor todos os anos.