Aviso: na biblioteca de Jacinto não se aplicará o novo Acordo Ortográfico.

18 março 2010

Tarde de mais.

Pedidos de saída da Função Pública duplicaram em Janeiro e Fevereiro - Economia - PUBLICO.PT

Saem dois, entra um. Saem três, entra um. Até onde é que isto vai?
Anos de redução de funcionários públicos. Anos em que, quem sai, não é substituído. Anos sem entrar ninguém. Anos em que, quem está, não tem a quem passar a informação. Perdas irreparáveis no "saber fazer" que levou gerações a construir. Ninguém vê isto, ninguém percebe isto. Um dia vão perceber, quando for demasiado tarde para corrigir o mal feito. Deixar que o conhecimento se perca por incuria equivale a derrubar uma floresta de sobreiros. De nada serve plantar outros logo a seguir pois os sobreiros levam 80 anos a crescer...
Quando falo de conhecimento refiro-me àquele conhecimento que, sendo técnico, não se aprende em curso nenhum mas apenas ao longo da vida, em contacto com o trabalho do dia-a-dia. É um conhecimento que não pode ser explicitado, mesmo que se queira. Nem tudo se pode reduzir a regras. Muito deste conhecimento tem a ver com intuição, uma intuição desenvolvida e apurada pela experiência. Não há como escrever isso.
Isso acontece nas bibliotecas mas também nos museus, nos centros de investigação, nos hospitais. É um conhecimento que pode ser parcialmente transmitido quando há continuidade geracional, quando as pessoas que estão perto da reforma já tiveram a oportunidade de transmitir o que sabem aos que estão agora a meio da carreira, ao longo de 10, 20, 30 anos de trabalho em conjunto e que estes, por sua vez, transmitem aos que vão chegando e que têm menos 10, 20 ou 30 anos. Se a diferença entre uma geração de trabalhadores e a seguinte for superior a 10 anos, não há tempo de transmitir esse conhecimento porque as diferentes gerações não coexistem durante tempo suficiente. E isto é irremediável.
Confesso: estou muito, muito pessimista.

2 comentários:

João Pedro disse...

Bom dia

Concordo com a opiniao da colega.

São saberes que desaparecem quando essas pessoas se reformam.
Devia haver possibilidade de quando as mesmas quisessem e eu sei de casos assim que as pessoas pudessem continuar a auxiliar os serviços com algumas horas do seu tempo com uma pequena gratificação.

Marina disse...

daqui uns tempo começaram a demitir funcionarios publicos como num empresa privada.