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02 março 2007

O quadrante político

O Political Compass (a que o Público chamou Bússula política) é um curioso gráfico que posiciona politicamente as pessoas de acordo com critérios diferentes dos tradicionais direita/esquerda. Já existe há bastante tempo mas lembrei-me de o trazer aqui hoje, já vão perceber porquê.

Mediante um questionário, vamos respondendo as várias questões relacionadas com a forma como encaramos diversos aspecto da organização da sociedade, da liberdade e da educação. Essas respostas são depois tratadas pelo sistema e o resultado situa-nos num quadrante político. A avaliação é curiosa: nos extremos da linha vertical estão as posições autoritária ou libertária (com todas as posições intermédias); nos extremos da linha horizontal, estão as posições colectivista e neo-liberal (ou individualista?) também com as suas posições intermédias.
É uma abordagem curiosa embora o questionário não seja, ele mesmo, imparcial. Pressupor que uma determinada resposta nos coloca, necessariamente, numa determinada posição do quadrante pode ser abusivo. O questionário reflecte uma visão demasiado "americana" do mundo. Mas não deixa de ser interessante responder, para ver o que dá. Quanto mais não seja para vermos com que figura histórica partilhamos o quadrante em que nos posicionam...



A versão do Público é esta:



Ainda no Público, a posição de diferentes líderes mundiais está representada assim:



Mas mais engraçado ainda - e é por isso que faço este post - é ver a análise que eles fizeram - no Political Compass, não no Público - à posição de diversos compositores. Não foram os próprios compositores que responderam, claro, por isso isto talvez diga mais sobre o que os autores do Political Compass pensam dos compositores do que o que pensavam os próprios compositores sobre política. Mas tem piada ver o resultado (clicando na imagem vê-se melhor).

2 comentários:

Luís Galego disse...

mto interessante este post....

PJA disse...

Como sabes, não concordo nada com este tipo de classificações, que relevam, no essencial, de uma visão profundamente distorcida da cultura e da política.
Claro que, dentro do baú, sempre encontramos o que lá pusemos, pelo que isto está tão certo como o seu oposto. Se o Ivan, o Terrível, não é da esquerda autoritária, por que razão há-de sê-lo o seu clone Stalin? O mesmo em relação aos neo-liberais (já falámos sobre isto...) que são tudo menos liberais, a não ser que as palavras possam ser usurpadas à vontade de cada um! Os "neo-liberais" são os herdeiros dos privilégios do "antigo regime", os que foram combatidos pelos... liberais.
Claro que, para construir diagramas, é mais relevante perceber de computadores do que ter leituras de história, filosofia, ciência política e outras minudências.