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11 janeiro 2008

Modernices de linguagem: Evidência

Evidência (do inglês evidence) em vez de prova ou indício. Desde quando é que todas as provas são evidentes e o que é evidente prova alguma coisa?

10 comentários:

Gaspar Matos disse...

Olá, Clara.

Não sou propriamente isento de pecado nisto dos estrangeirismos. Tenho de reconhecer que me deixo aculturar com alguma facilidade. Mas não pude deixar de ler esta notícia e me lembrar dos teus posts sobre o assunto.
Parece que, do outro lado do mar, andam mais preocupados com o assunto do que por cá. Aqui vai:

http://www.mundolusiada.com.br/ACONTECE/acon379_dez07.htm

Um abraço!

Gaspar Matos disse...

Ups...
Acho que a ligação não está ok.
Coloca no Google esta fórmula:

brasil+juiz federal+estrangeirismos

e lê a notícia da Folha Online ou do Mundo Lusíada.

MCA disse...

E acho bem. Obrigada, Gaspar.

José Quintela Soares disse...

É como os "pacientes" que vão ao médico.

Isto é, as pessoas que têm paciência...vão ao médico.

Para quê??

MCA disse...

Com o Serviço Nacional de Saúde é preciso ser muito paciente...

Spectrum disse...

Clara no essencial os portugueses descartam-se sempre.
Não gosto de Eça justamente pelo uso e abuso dos ditos. Oh, eu sei que isto é quase blasfêmia, mas não gosto e pronto.
Registo com agrado as tuas preocupações em defesa da língua que é de todos nós.
Beijos e bom ano.

MCA disse...

Não, não é blasfémia nenhuma. O Eça abusava dos estrangeirismos. No séc. 19 estavam muito na moda os galicismos e ele usava-os imenso. Na literatura, no entanto, usou-os menos do que na correspondência. Nesta, então, até enjoa!
Não gosto de estrangeirismos em época nenhuma mas o que se passa hoje é pior do que estrangeirismos. É uma deturpação semântica das palavras portuguesas. Para mim, isso é pior do que estrangeirismos.

Brikebrok disse...

A deturpação é devida à ignorância. Infelizmente tenho vindo a verificar cada vez mais "ignorâncias" dessas nos orgãos de comunicação social ! (para evitar dizer "media" ... ;-) estrangeirismos ! ...)

Professor disse...

Julgo que a evidência só se prova a si mesma... ou estarei a ler mal?
Tenho andado preguiçoso (eu sou preguiçoso)por isso só hoje aqui venho a lê-la e a desejar-lhe Feliz 2008.

MCA disse...

O problema é semântico e não etimológico. Evidência é uma palavra portuguesa como, aliás, todas as que tenho comentado nesta série sobre as modernices de linguagem. Em português, significa, qualidade ou carácter de evidente, ou seja, aquilo que é claro, patente, visível, manifesto. Em inglês usa-se evidence com o sentido de "prova" o que não está errado... em inglês. O problema está em usar uma palavra que já existe em português com um sentido que é próprio de uma língua estrangeira em substituição de uma outra palavra portuguesa com o mesmo significado. São os casos que já mencionei de "adição", "antecipar", "suposto"e "inteligência", todas palavras portuguesas que estão a ser utilizadas - principalmente nos meios de comunicação social - com sentidos próprios de outras línguas (nestes casos, o inglês).