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23 janeiro 2007

As razões da escolha XV

A uma mulher grávida com dificuldades porque está só, porque o companheiro não quer o filho, porque não tem condições económicas, porque receia o despedimento, porque tem medo do futuro, por inúmeras razões...
... a sociedade responde à marialva: Toma lá dinheiro para o aborto, livra-te do puto e não me chateies mais.
Isto não é moderno. Isto não é solidário. Não é esta sociedade que eu quero.

As razões da escolha XIV. XIII. XII. XI. X. IX. VIII. VII. VI. V. IV. III. II. I.

3 comentários:

helena disse...

O Sim não significa isto.
Estes problemas que apontas resolvem-se de outra forma. Criando uma sociedade mais justa, onde as mulheres não sejam o elo fraco, uma sociedade onde a dignidade humana seja bem de primeira necessidade.
De qualquer forma à aqui uma questão que não colocas: e as mulheres que não querem aquela gravidez porque não a querem naquele momento das suas vidas? Não podem optar? têm obrigatoriamente de dar à luz? ou esta opção não é digna? serão menos humanas, menos mulheres?
O que o Sim diz é que, num período razoável de tempo, a sociedade responderá de uma forma responsável e solidária dizendo "dirige-te a um local devidamente identificado, que reuna as condiçoes legalmente estabelecidas, e interrompe voluntariamente uma gravidez não desejada".
Quem responde "Toma lá dinheiro para o aborto, livra-te do puto e não me chateies mais.", é a sociedade actual que acrescenta "... e já agora vê lá se não és apanhada na parteira para não termos de gastar dinheiro do erário público com mais um julgamendo anedótico".

MCA disse...

Lena, quando me demonstrarem cientificamente qual é a diferença objectiva entre um feto com 10 semanas e outro com 11, serei a primeira a rever os meus critérios. A pergunta deste referendo, tal como está colocada, não tem qualquer base científica, é um prazo aleatório. Às 10 semanas vai-se ao hospital fazer o aborto, às 11 pode-se ser detida, julgada e condenada. É ilógico e é injusto. Ainda que eu concordasse com o aborto às 10 semanas, não concordaria com a pergunta, tal como está colocada.
Mas não concordo com o aborto em momento nenhum porque entendo (com base no conhecimento científico disponível) que um feto é um ser humano. Ainda que possa aceitar (como hipótese de trabalho e porque não tenho motivações religiosas) que não haja uma equiparação absoluta a um bébé já nascido, não posso aceitar que a vida de um não nascido possa estar arbitrariamente nas mãos seja de quem for. Sem um motivo muito grave.
Respondendo à tua pergunta (já tenho a resposta em posts anteriores): Não. De todo. Uma mulher esclarecida e culta, conhecedora de todos os meios contraceptivos ao seu dispor (incluindo a pílula do dia seguinte) e com meios materiais para cuidar de um filho não deve poder abortar por opção. Assim não. Nesse caso, e apenas nesse, sou radical. Já é possível prever o sexo do bébé às 8 semanas. Pensa nas implicações disso. Bj

Professor disse...

Ainda estou a ler e a digerir todos os excelentes textos que no seu blogue tratam de matéria tão delicada. Hoje resolvi comentar porque a pertinência da sua pergunta (porque sim às dez porque não às onze) também me levou a pensar muito.
Acrescentaria ainda (mas preciso reflectir melhor)que IVG, Interrupção Voluntária da Gravidez é uma expressão infeliz. Ainda aceitaria a interrupção, se provocada por força maior como me parece que a legislação actual encara o aborto, mas voluntária, acto deliberado de um ser humano contra outro que, mesmo que o não seja completamente, já o é em potência, ai! Essa custa-me a engolir! Vou escrever um pequeno texto no meu blogue onde também tenho pensado, mas não tão elegantemente, sobre o assunto e colocar um "link" para estas suas considerações. Espero que não se importe.
Um abraço de sincera amizade.